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A pombagira

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Paz e amor pela Umbanda-Astrologica

Irmãos, é necessário que compreendamos acima de tudo, que nossos orixás são governantes da natureza, e assim sendo representam a forma mais pura de amor: o amor de Deus. E com certeza nosso pai, não é vingança, ódio ou qualquer malefício. Precisamos aprender a perdoar, a orar por nossos inimigos ao invés de sairmos por aí feito terroristas, jogando bombas na vida das pessoas.


Se formos ler com atenção aos ensinamentos de Jesus Cristo, e mesmo observar o contexto real dos fundamentos passados pelos antigos, veremos que em momento algum nos incentivam a praticar outra coisa que não seja o amor e o perdão.

Sei que a vida é composta de problemas, também sei que inimigos arrumamos com facilidade, seja por inveja ou motivo, mas o que sei também é que aquele que realmente confia em seu orixá, entrega nas mãos dele a solução destes problemas.

Apenas me pergunto se esses sacerdotes que inflamam o desejo de vingança, não temem a ira de Deus ou mesmo de seu orixá. Muitos de nós, conhecemos sacerdotes de conhecimentos incomensuráveis, que passam fome, que sofrem problemas que não encontramos a razão de ser.

Mas nos esquecemos de perguntar o que teria ele feito para que seu orixá permita que passe por isso. A resposta é simples não? A maldade que impera em seu coração o guiou para esta situação avessa aos propósitos de nossos antepassados e nosso Pai Celestial.

Lembremo-nos que tudo aquilo que fizermos contra outra pessoa recairá sobre nós mais dia menos dia. Conservemos as palavras de amor, pratiquemos o perdão, confiemos em Deus e em sua justiça e assim com certeza, veremos a solução de muita coisa em tempo mais hábil do que possamos imaginar.

Nunca, em tempo algum, necessitou a humanidade tanto de paz, como agora, voltados como estamos para as inferioridades da vida, esquecemos os preceitos áureos, que elevam e dignificam o ser humano, por exclusiva falta de sabedoria. O homem, aturdido nas disputas do dia-a-dia, nos anseios e desejos inconfessáveis, esquece o destino grandioso que lhe está determinado, O encontro consigo mesmo e com seu Criador Divino, o que lhe proporcionará a verdadeira Paz e Alegria. Isto o homem adquirirá através da introspecção e o balanço diário de suas ações. Oxalá é o Orixá que rege os impulsos vitais da fé e da religiosidade, meios através dos quais o homem ascende ao espiritual, nesse caminho de retorno à casa do Pai, seu verdadeiro e único destino. O Orixá Oxalá recebe diretamente do Cristo Planetário, o Senhor Jesus, o Divino Oxalá, os efluxos de energia luminosa capaz de integrar a natureza e os homens na luz da fé religiosa, emitindo a verdadeira paz. A Umbanda reverencia esse Orixá com muito respeito e devoção, especialmente porque o mesmo se encontra diretamente ligado à vibração energético de Jesus, sendo retransmissor para os demais Orixás e respectivas vibrações, as ordens e comandos celestiais emanadas do grande Cristo Planetário, dai o mito que diz ser Oxalá o pai de todos os Orixás. No Reino da natureza Oxalá se irradia através do elemento AR, como não poderia deixar de ser, sendo esse elemento natural de importância capital à existência da vida e o condutor natural de todos os outros elementos: o fogo através da temperatura; da terra através da poeira; da água através da umidade. Oxalá reina só, nos campos magnéticos positivo e negativos do elemento energético eólico, do ar. Sendo ele o regente maior e necessário à existência da vida, enquanto elemento da natureza; e da proximidade do Pai Criador, através da vibração da fé.

A refulgência do astro rei, o SOL empresta às ações deste maravilhoso Orixá atitudes idênticas em perfeita consonância com as irradiações de Jesus. As atribuições de Oxalá são as de não deixar um só ser sem o amparo religioso, sem a vibração da Fé. Mas nem sempre o ser absorve suas irradiações quando está com a mente voltada para o materialismo desenfreado dos espíritos encarnados. É uma pena que seja assim, porque os próprios seres se afastam da luminosa e cristalina irradiação do Orixá Oxalá, e entram nos gélidos domínios da descrença e das trevas, pela ausência da luz da fé. E ESSA PAZ VEM MAIS RAPIDO E SEGURA ATRAVES DA FAMILIA.

Carlinhos Lima - Astrologo, Tarologo e Pesquisador.

domingo, 21 de junho de 2009

Saiba como é um terreiro e o que acontece no ritual



O terreiro é o local sagrado dos umbandistas, onde acontecem o culto aos orixás e as "giras", sessões em que os médiuns incorporam espíritos e atendem o público. Um terreiro típico tem uma "equipe" de 20 pessoas e costuma receber 100 fiéis em noite de rito, que dura de 2 a 4 horas. É um ambiente simples, sem ostentação (principalmente quando comparado a uma igreja católica ou um templo evangélico). Tudo é muito branco, iluminado e limpo. Aliás, precisa ser, para favorecer o fluxo de energia espiritual.

Toda noite de rito é precedida de um dia de muito trabalho para os sacerdotes e auxiliares. Eles têm de chegar horas antes, vestir o traje cerimonial (quase sempre branco), preparar oferendas, purificar tudo e todos com defumador. Antes, depois e principalmente durante as giras é preciso ter sob controle o estoque de velas, flores, ervas, charutos, cachimbos, doces, chás e bebidas alcoólicas, itens usados para receber as entidades.

A umbanda é uma organização descentralizada, ou seja, cada terreiro é independente para ditar suas próprias regras. Dependendo da casa, o ritual pode ser mais católico, mais espírita, mais indígena ou mais do candomblé. O altar pode ter figuras de santos, orixás, entidades ou não ter imagem alguma. Álcool, fumo e percussão, fundamental para muitos terreiros, são proibidos por outros. E é tudo umbanda, "a religião brasileira", variada como seu país.

PORTEIRA
A entrada do templo. Quem entra é defumado e descalço, para permitir a troca de energia com o chão
COMÉRCIO
Muitos templos têm lojinhas com livros de umbanda, velas e essências, além de lanches para antes e depois do ritual
BASTIDORES
Alguns santuários possuem anexos onde o pessoal de terreiro troca de roupa e se prepara espiritualmente antes dos rituais. Em terreiros onde ocorre mais de uma gira por noite, esse anexo serve como um local de descanso onde os médiuns literalmente recarregam as energias
CONGÁ
O espaço sagrado do terreiro, onde o rito acontece (mais detalhes na página ao lado). Geralmente um salão retangular de paredes brancas. Na frente ficam médiuns e auxiliares, e atrás, o público. Na hora da incorporação, a platéia vai até os médiuns para se consultar. Em alguns locais, o piso é de chão batido ou areia
QUINTAL
Nos arredores do congá geralmente há altares individuais com imagens das entidades incorporadas. Alguns terreiros também possuem horta própria, onde são colhidas ervas usadas na defumação do templo, nas oferendas sagradas e durante o ritual.

MESTRE
O pai ou mãe-de-santo é o médium principal, que comanda a ordem dos eventos e se dirige diretamente ao público. Abre e encerra o culto falando como ele mesmo, mas, durante a incorporação, assume a personalidade, a voz, os trejeitos e os acessórios da entidade que baixou nele
MÉDIUNS
Ficam na linha de frente, para atender os fiéis. Geralmente, os homens ficam à direita do mestre, e as mulheres, à esquerda. Em algumas casas, essa divisão também é feita no público. Tudo para equilibrar as energias
OGÃS
Os percussionistas que dão ritmo ao ritual, transmitindo vibrações com seus atabaques. Um cantor próximo a eles é quem puxa cada um dos "pontos cantados", em seguida entoados por todo o terreiro
CAMBONES
Coordenam o atendimento ao público e auxiliam os médiuns, fornecendo os itens necessários (charutos, bancos, colares) quando eles incorporam as entidades
CONSULTA
Você conta seu problema, e a entidade incorporada passa "o preceito", a prescrição que deve ser cumprida, muitas vezes envolvendo oferendas. Dependendo, o médium "faz o passe", ou seja, anula as suas vibrações negativas
CONSULENTES
Quem chega cedo senta, o resto precisa aguardar na fila a hora de ser atendido.

Esse esquema, é visto nos terreiros, que trabalham como comunidade, onde se associam muitos membros, mediuns e é o sistema tradicional. No entanto, nos conceitos modernos, podemos ser umbandistas, individuais, trabalhar em nossa casa, com toda força e axé, da mesma forma, desenvolver um grande trabalho espiritual. É por isso que a Umbanda-Astrologica, faz cada vez mais sucesso, pois, muita gente, que vai se adentrando no mundo da espiritualidade e entra em contato com a Umbanda, descobre, que incorporar espiritos, ou agir como nos terreiros tradiconais, nao é uma imposição, ou regra. O que se busca é conhecimento e outras formas de conhecimento.

Carlinhos Lima - Astrologo, Tarologo e Pesquisador/Mestre de Umbanda-Astrologica

A Umbanda da Nova Era é uma Religião bipolar



A umbanda divide suas entidades em dois campos energéticos, direita e esquerda. Na direita estão os espíritos de luz, evoluídos, que pregam e realizam o bem. Os mais tradicionais são os caboclos, pretos-velhos e crianças, e recentemente passaram a ser incorporados baianos, boiadeiros e marinheiros. Na esquerda estão os espíritos de má biografia, que operam o "mal necessário". São os exus, pombagiras, ciganas e malandros (cujo representante mais famoso é o Zé Pilintra). O culto dos espíritos de esquerda já foi tratado como religião separada, a quimbanda, mas hoje é abertamente parte da umbanda. De qualquer forma, exus e pombagiras, confundidos com demônios, são os principais alvos dos evangélicos.

Entidades de ambos os lados pedem oferendas (nunca diga "macumba") para realizar seus serviços mágicos. Não há bem e mal nessa hora, e sim crédito com os orixás. Como resume o Pai Raimundo Medeiros: "Meu filho, você merece? Toma. Você deve? Paga".

A umbanda é a crença mais dinâmica, está sempre incorporando novidades. Essas novidades, vêm em algumas ocasiões, por sensacionalilstas e aproveitadores, mas, em outras, são revelações, por mediuns escolhidos, que são totalmente inspirados pelas Divindades, para causar reformas, mudanças e adaptações importantes.

Note-se que a umbanda não tem livro sagrado nem autoridades eclesiásticas. Se um padre seguir o Alcorão, vai se ver com o bispo, mas cada pai-de-santo manda em seu terreiro. Outro traço fundamental é a tolerância. O homossexualismo, por exemplo, não é problema em terreiro algum.

Essa liberdade, no entanto, não pode ser vista como totalmente benefica se as mudanças implantadas, beiram o exageiro, imoralidade ou esquisitices, que desarmonizam as revelações sagradas. Mas, quando vêm pela revelação divina, com intuito de trazer melhor compreensão, ajustes e aprimoramentos, ai sim se tornam beneficas e dignificantes.

Assim mestres e pessoas de boa fé, trabalham pela busca, crescimento espiritual e iluminação. Ai se usam outros conceitos, ritos e tudo visando o melhor. E assim temos na Umbanda, espaço para o uso de oraculos, que não é somente os tradicionalmente usados na trajetoria de Umbanda. Na verdade bom buscador, não confia apenas nas revelações mediunicas, pois, sabemos das investidas de espiritos enganadores. É por isso que o mago, magista busca nos oraculos um apoio para decifrar codigos e misterios necessarios. Então temos espaço para o Tarô, Astrologia, Runas e outras tecnicas, para desvendar o Sagrado por prismas que ajudem a compreender o que se busca saber.

Carlinhos Lima - Astrologo, Tarologo e Pesquisador.

A Umbanda de cara nova



Quando surgiu no Rio ao final do século 19, "a religião brasileira" já misturava teologias. Do candomblé (versão brasileira de crenças africanas) ela manteve o sincretismo religioso, os paralelos entre deuses africanos e santos católicos. Para completar, adotou rituais indígenas já presentes em muitos terreiros e explicou tudo com o espiritismo de Allan Kardec, recém-importado da França. Dessa junção afro-católico-tupi-espírita nasceu a umbanda. Para muitos, a data de nascimento é 15 de novembro de 1908, quando o médium Zélio Fernandino de Morais teria incorporado o Caboclo Sete Encruzilhadas pela primeira vez. Rejeitado pelos espíritas, que o viram como hospedeiro de uma entidade inferior, Zélio fundou a primeira casa de umbanda.

A capacidade de absorver elementos como um mata-borrão resulta em um panteão que parece, sem a menor sombra de brincadeira, o bar do primeiro filme "Guerra nas Estrelas": seres de toda a galáxia religiosa em singular comunhão espiritual. É óbvio que um credo de tamanha expansão não prescinde de Jesus. Cristo é Oxalá, filho de Obatalá, o criador, e se destaca nos altares. Junto dele estão os orixás, quase sempre na imagem de santos católicos, e as entidades, espíritos que se manifestam nas giras (principal diferença para o candomblé, no qual quem desce à Terra são os orixás).

Hoje começamos a notar que a Umbanda não se liga apenas ao religioso, mas, têm sua essencia no esoterico, no astral e não apenas no conceito espiritual, como muitos sempre achavam que as divindades atuantes nos terreiros, eram apenas habitantes das matas, rios, cachoeiras e mar. Na verdade, nossos Ancestres, têm ligação mais antiga, profunda e é por isso que nos ligamos num conceito mais cosmico e menos terreno. É por isso que o verdadeiro magista, admira e comtempla as estrelas, tentando enxergar ou ter um insight que mostre sua verdadeira origem no Universo.

Carlinhos Lima - Astrologo, Tarologo e Pesquisador.

A integração cultural, por meio da fé e ciências sagradas!


O foi o fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Verger cruzou o mundo atrás de terreiros. Enquanto outros tantos, aqui, que tem a possibilidade todos os dias de entrar em contato com o Sagrado, não faz, por serem incredilos ou por serem orgulhosos. Mas, na verdade, cada um têm uma missão e não podemos enfiar goela a baixo nossa fé, crenças ou conceitos. Cada um terá que trilhar seu proprio caminho e terá que fazer as escolhas sozinho. A menos que tenha uma missão especial, as divindades e o sagrado não irá se impor, deixando que ele viva em seu livre arbitrio, mesmo que siga num caminho errado.

Verger, foi iniciado no candomblé. Gostou tanto que viajou à África para conhecer os orixás na origem. Lá se tornou babalaô, um sacerdote adivinho do ifá. O ifá é um oráculo que originou o jogo de búzios brasileiro, recentemente integrado aos centros de umbanda. Isso no Brasil e na Umbanda que conhecemos aqui, porque os conceitos de Ifá e todos os oraculos sagrados revelados pelo Sagrado, sempre foram conhecidos pelos umbandistas, magistas, nosso Antigos Ancestres.

O detalhe: hoje interpretamos búzios no Brasil com as regras que Pierre Verger trouxe da África. Mas, têm também os conhecimentos proprios revelados pelos Sagrados Orixás aos mediuns evoluidos, poderosos magistas e interpretes do Astral.

Essas misturas e integrações não acontece a toa, são vontade dos Ancestrais, Divindades e as poderosas Vibrações Cosmicas, se revelam como dadivas divinas, pelo Conhecimento. Essa mistura acontece em todos os paises, tudo para adaptação que sirva para cada povo sem gerar conflitos e sim evolução.

Uma das coisas importantes que estamos vendo hoje é a sincronização entre varias ciências sagradas, como Astrologia, Tarô, Runas e muitas outras, usadas pelos buscadores de conhecimentos.

Carlinhos Lima - Astrologo, Tarologo e Pesquisador.


Ilê Axé Opô Afonjá: 1 século a serviço de Xangô

Em 1910, na Cidade da Bahia, na distante periferia de São Gonçalo do Retiro, sob os auspícios do Senhor da Justiça, o orixá Xangô, nascia o atuante terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, que em português significa: Casa da Força sustentada por Xangô. Este ano o terreiro completa 97 anos de existência, prestando um inestimável serviço a favor da preservação do culto aos orixás, dentro de uma estrutura sócio-religiosa que os mais relevantes estudiosos do candomblé baiano, como o prof. Vivaldo da Costa Lima, chamaram de modelo jeje-nagô.

Originário de uma tradição erguida pelas míticas princesas iorubanas fundadoras do antigo candomblé da Barroquinha, as Iyá Detá, Iyá Kalá, e a mais famosa entre todas, Iyá Nassô, o Afonjá foi fundado pela estimada e "imortal" iyalorixá Eugênia Anna dos Santos, conhecida como Aninha de Afonjá, e mais religiosamente, era chamada de Iyá Oba Biyi. Mãe aninha fora iniciada nos mistérios da religião iorubá, em uma casa situada à rua dos Capitães, próxima da hoje conhecida Praça Castro Alves, em Salvador, segundo nos informa Mestre Didi . Da feitura do santo de mãe Aninha, segundo o mesmo informante, participaram a Iyanassô, mãe Marcelina que era chamada de Obá Tossi e o mítico Bamboxê. Depois de anos de iniciada, com a morte de Oba Tossi, disputas internas foram geradas por questões sucessórias, a Iyá Aninha desligou-se do Ilê Axé Airá Intile (como era chamado o antigo candomblé da Barroquinha) e juntamente com Tio Joaquim, o Obá Sanyá, foi fundar o Afonjá, que ao longo da sua história, tornou-se um dos templos mais importantes das religiões de matriz africana no mundo.

Este candomblé em seu processo de consolidação religiosa, além da forte presença de sua matriarca maior, contou com a contribuição de personalidades míticas baianas, como a do Babalawô Martiniano do Bonfim, a do proeminente comerciante Miguel Santana, que ajudaram mãe Aninha a reproduzir em seu Ilê Axé uma espécie de sociedade africana, inspirada nas cidades-estados Oió e Ketu. Mãe Aninha apresentou o universo do candomblé a nomes como do etnólogo baiano Edison Carneiro, e iniciou o icônico prof. Agenor Miranda como seu filho de santo.

Nos anos 20 e 30 do século passado, a mais expressiva e atuante iyalorixá da Bahia, era Aninha de Afonjá. A sua fama repousava em seus conhecimentos sobre os fundamentos da religião dos orixás, em sua disciplina modelar, em sua inteligência, em seu interesse pela história e pela cultura iorubanas, em suas atitudes políticas e visionárias: Aninha foi a Iyá responsável pela liberação legal do culto aos orixás, depois de uma audiência no Rio de Janeiro com o então presidente Getúlio Vargas, em 1936; é dela a famosa frase: "Quero todos meus filhos aos pés de Xangô com anel de doutor". Foi a matriarca soteropolitana, filha de negros da nação grunce, que chamou Salvador de "Roma Negra".

O seu exemplo, a sua imagem histórica, o seu legado sócio-cultural, e principalmente, religioso, traduz-se na imponência litúrgica corporificada há mais de noventa anos pelo Ilê Axé Opô Afonjá, monumento de orgulho de qualquer adepto do candomblé, cônscio da historicidade desta religião entre nós na Bahia.

A saga deste templo conta a história de outras iyalorixás que contribuíram para sua evolução e consolidação como um dos mais importantes instrumentos de preservação da influência africana nas reinvenções religiosas dos negros oriundos de etnias nagô-iorubá e jeje-fon. Com a morte de Aninha Obá Biyi em 1938, chegou ao trono daquela casa uma filha de Oxalufã, a iyalorixá Bada, conhecida como Olufan Deiyi, seu nome sacerdotal, que governou o Ilê Axé de 1939 até 1941, quando veio a falecer. Para substituí-la, assumiu o matriarcado do templo Maria Bibiana do Espírito Santo, a Oxum Miwá, a veneranda Mãe Senhora de Oxum.

A "Era Senhora" perfila a grandeza dos ensinamentos deixados por Aninha, foi nesse período que o Afonjá seguiu a sua tendência de se aproximar de grandes intelectuais, que sob a constante vigilância de mãe Senhora, garantiram prestígio e mais "tolerância" ao culto dos orixás praticados em algumas casas, entre elas o Gantois e o Engenho Velho, já que as demais eram muito perseguidas pela polícia baiana na época. Senhora atraiu para si muita respeitabilidade, e em seu período como "Iyá", juntamente com mãe Menininha do gantois, era lembrada como a grande sacerdotisa naqueles anos.

Mãe senhora levou para o Afonjá, importantes celebridades do cenário político, artístico e intelectual brasileiro: Jorge Amado, Vivaldo da Costa Lima, Antonio Olinto, Rubem Valentim, Zora Seljan, Juanita Elbein e Pierre Verger; recebeu as visitas ilustres de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Mas o mais importante foi a sua fidelidade e maestria em relação à conservação dos preceitos religiosos do candomblé ensinados por sua estimada Iyá Obá Biyi.

A iyalorixá faleceu em 1967. Em seu lugar veio mãe Ondina de Oxalufã, de nome religioso Iwintonã, que reinou naquela casa de 1968 até 1975, quando veio falaceu.

Fonte/Terra Magazine/Marlon Marcos é jornalista, professor e mestrando em Estudos Étnicos e Africanos pelo Centro de Estudos Afro-Orientais (Ufba). Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

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