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A pombagira

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tarô na Umbanda-Astrologiaca = desvendando os arcanos com o Arqueômetro

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O taro não nega nenhuma das fases humanas, tanto a nível, mental, físico ou espiritual. Ao investigarmos os naipes, com profundidade, podemos perceber que o baralho nos fala de temas polêmicos profundos e ocultos que mexe com a nossa fé e imaginação. Como por exemplo, Castigo Divino, Inferno, reencarnação, Céu, Demônios e muitas outras coisas. Além do mais, ele nos mostra que está contido nele, passagens de tempo, ciclos, ritmos, elementos, astro-síntese e contagem das Eras, igualmente como a Astrologia.

Cada carta tem um significado oculto importante e está ligada aos princípios hierárquicos do cosmos. Tem sim ligação com a Roda Zodiacal, aos devas, aos anjos e aos Senhores do carma. E assim como o Zodíaco tem sim uma contagem de tempo em seus Arcanos, com seus símbolos, elementos e toda configuração geral.

O Tarô esta ligado as outras ciências. Ao contrario do que muitos pensavam ele não é um simples jogo, pra se tentar adivinhar o futuro, pelo contrario, ele é sim um jogo divinatório que tem um simbolismo oculto importante, o qual ajuda o homem a descobrir parte dos mistérios a que procura desvendar pra seguir sua evolução.

Na Astrologia por exemplo se fala muito na Era de Aquário e em todas as conseqüências que sua chegada vai causar e que estamos vivendo dentro dos contextos da Era de Peixes que ruma pra seu final. Mas, no Tarô qual Arcano Rege esta Era? Bem, essa Era, que foi marcado por muitas provações, religiosidade e busca do Espiritual, tem a regência do Arcano 18 (a Lua).

Por isso uma era conturbada cheia de guerras, desuniões e confrontos. Esta carta mostra uma neblina na alma do homem e sua simbologia mostra a necessidade do homem em buscar o Sagrado, pra se refugiar de seus Demônios internos que o persegue constantemente. Essa carta, mostra através de sua simbologia, os medos do homem e de como ele busca refugio nos submundos, apesar de olhar para o alto como se buscasse uma proteção lunar, ele se enfia no mundo do fanatismo, sectarismo em meio a falsas religiões, demagogia e utopia espiritual. E o pior é que quando nem isso o satisfaz ele busca no plano da mente uma satisfação pro seu vazio existencial. Daí se envolve com drogas, crimes e corrupção. Essa corrupção que cito aqui, não se refere apenas em termos de dinheiro, mas, de vender a alma literalmente, para o mundo do crime, onde as pessoas se prostituem vendendo o seu corpo, sua imagem e se prostitui com os demônios da cobiça, da luxuria se denegrindo a alma com tanta brutalidade que ela vai se tornando num ser cada vez mais longe do seu Criador.

Tolo são aqueles que não acredita na existência de Demônios, eles existem sim de muitas formas, não apenas em forma mentais, ou Egrégoras, mas, tem sim uma forma física, são seres malignos, que nos tentam e querem nos levar através de nossas fraquezas e pecados, para o mundo dos mortos. Como todos os mistérios, aquele é desvelado no Barith-Ha-Kadoshah: Ha-Bashorah, Ha-Kadoshah, de São Lucas, 8, 27. Observai estes números lunares e mensais:

Lucas = 8, 27-31: 8:27 — "E, quando desceu para a terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, um homem que, desde muito tempo, estava possesso de demônios e não andava vestido nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros."

8:28 — "E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando e dizendo com alta voz: Que tenho eu contigo Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes." (O Helião de Melquisedec.)

8:29 — "Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia muito tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões era impelido pelos demônios para os desertos."

8:30 — "E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios."

8:31 — "E rogavam-lhe que os não mandasse para o abismo."

Aqui, como em todas as partes, resplandece a humanidade celestial de Jesus, a do divino modelo, da divina imagem de IHOH, sobre o tipo no qual foi criado o homem no mundo divino, no Aïn-Shoph do Verbo: Aïn, o Anterior, como disse Moisés.

O Verbo Criador e Encarnado satisfaz aos demônios. Graças à sua piedade, passarão da mais terrível prova, a do Fogo, para uma mais doce, a da Água.

8:32 — "E andava pastando ali no monte uma manada de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho."

8:33 — "E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago e afogou-se."

Quantas coisas podíamos dizer sobre o que foi dito! Em toda a Sabedoria Ancestral, a água é o veículo do espírito, e o espírito que anima tem como correspondência zoomórfica uma pomba aérea e aquosa e o espírito do animal impuro, uma porca. E assim que o nome do Bautista é o da pomba que se pode ler no Arqueômetro na conjunção das letras trígono da Terra dos Viventes, debaixo da linha de horizonte do Triângulo das Águas Vivas.

Esse hierograma é IO unido à letra solar N. E o Ioni cosmogônico dos Vedas e o IO-NaH de Moisés. iOaN, Juan (São João).


O Arcano da Lua, mostra como a Lua influencia a mente, em seus níveis mais profundos da alma, a psicose humana, mexe com as marés, com a imaginação e tem total influencia em todo o sistema produtivo no mundo biológico do Planeta. A Lua, sempre foi sinônimo de influencia entre os loucos, por isso os doentes mentais são chamados de lunáticos. Ela também representa no Taro a obsessão por espíritos impuros e na Umbanda-Astrológica é Egum. Mas, não só demônios em evolução como também Demônios infernais, que dificilmente poderão encontrar de volta o caminho pra luz.

Para que possam subir um grau na existência do mundo, que é invisível somente aos olhos semicegos da carne, esses Demônios sabiam que precisavam da graça de Jesus, e a possibilidade de repelir, sobre corpos impuros, o fogo subetéreo que os consumia. Sabiam também que, depois desse sacrifício à Divina Substância, precisavam da água lustrai que somente a divina presença do Senhor vivificava. E como eram almas de homens, que de algum modo foram infernalizadas pelos seus crimes, sofriam: a piedade divina os perdoou porque eles lhe suplicaram. Ela perdoará da mesma forma o ladrão à direita na cruz.

Seja o Verbo Criador, Encarnado ou Ressuscitado é a existência da vida eterna e esta vida, em toda a sinergia da sabedoria divina, em toda a energia do divino amor; a existência da vida soberana com seu dom real da graça. Suas Leis diretas não são abstratas, são viventes; são seres criados, existente e subsistentes. Mesmo que os filósofos que fabricam Deus e o Universo segundo a sua imagem, em geral não admitem a graça, a piedade e tudo o que de perto ou de longe tem mais a ver com o coração que com o cérebro. Seu ideal subjetivo é uma espécie de impassibilidade desdenhosa das paixões e até do sentimento, já que, passível, voltamos a encontrá-lo também na Psicologia chamada animal e, no fundo, analítica do homem. Esquecem que atrás da passividade que implica o termo paixão existe uma energia mãe, ativa, que expressa o termo afeto, o fogo cujo pensamento é a claridade; mas é surpreendente quando nos encontramos com a abstração em lugar da vida.

Fa-ri, um dom de graça real outorgado pela Existência Divina ao nada ou ao caos. É um Habeas corpus universal; e a chamada Ananké é, de fato, a providência, a previsão, a provisão dessa mesma graça soberana. Mais ainda, essa carta constitucional da existência divina é livre e aceita eternamente em sua mesma substância, pelos mesmos seres arcangelicais, e esses seres são a palavra vivente do Verbo, como as letras de seu alfabeto psíquico: A-Th.

O antigo Fatum, que o Ananké, que o ateísmo, injustamente encarregadas pela Escola Iônica, por Hesíodo e por Homero, do governo dos deuses que são nossos anjos (às vezes nossos demônios), e da ordem universal invisível aos nossos olhos terrestres. É por essa razão que São João, lido na língua das XXII letras, em siríaco, ou em hebraico, diz: "O Princípio é o Verbo, e o Verbo é o ATh dos ALHIM"; o que significa que os ALHIM são o Verbo como na ontologia andrônica das funções ou faculdades do ROuaH ao NePheSh, e as do NePheSh ao NiShema.

Assim quando o homem está sob a influencia da Lua, ele se deixa levar pela neblina das emoções e se deixa pegar pelo vazio, ao contrari ode quando olha para o Sol e se banha na luz do Criador. Procurando no Arqueômetro, por exemplo, os três hierogramas da ontologia humana. Veremos imediatamente todas as suas correspondências no duplo Universo, começando pela divina Trindade, sua héxada e seu centro solar, aquele do Lumen de lumine, ou de qualquer Sol ou coração astral de qualquer coração solar que seja.

ALHIM, ATh-Ha-ShaMa-Im, Alma dos Céus fluidos e Ath-A-ReTs, alma da unidade e da universalidade gravitante". Pois A = 1, e ReTs significa: gravitar, correr em círculo; em sânscrito: StaR: estrela, astro, astralidade. Assim a Astrologia é um presente do Criador, pra que possamos acompanhar todos os movimentos cíclicos. E a criação do Taro, foi pra condensar uma forma de sabedoria contida no Zodíaco e tornar mais palpável ao homem que não pode alcançar o tempo todo a simbologia astrológica contida na Roda Zodiacal.

Quarenta e cinco é o número de Adão. Trezentos e sessenta é o número do espírito que preside à harmonia do tempo sem limites, o Ga-Na hebraico do Na-Ga védico. 360 = 45 x 8; 8 = H que governa Câncer, a Porta do Homem. É o H de Heva. 360 = 9 x 40 e 40 = M. Veremos, ao descrever a reforma de Krishna, a função desta última letra. O duplo hierograma HAM e SHIN tem por número 45, de uma parte, e 360, da outra. Sua soma é o número 405 = 45 x 9.

O nome dado pela infanta egípcia a Moisés engloba, como vimos, o nome do Jesus M-OUSHI, ISHO. Se os rabinos não puderam encontrá-lo na escrita habitual do nome de Moisés, MOShE, é porque eles ignoravam a separação da Chave de 5, dada por Daniel em várias palavras cujo significado precisava ser ocultado. Em hebraico, porém, essa Chave é dada em outro hierograma: MOUShI-Wo, o Libertador. Moisés foi realmente o libertador, não tanto dos judeus, mas da ortodoxia patriarcal, na qual impôs o Selo divino em nome de Jesus.

Os rabinos têm procurado em vão por toda a parte a etimologia de Matatron; está no sânscrito MATA, Matesis. TRON, Tràna, salvador e salvação. O Talmud e a Qabbalah chamam o Inspirador celestial de Moisés com o nome de Moetatron, mas isso não é mais do que um véu do nome verdadeiro. A pronúncia realmente foi alterada, afetando as interpretações dos povos árabes e judeus no som do "e", em certas posições da letra "a"; como em Alhim pronunciado Elohim; porém, escrito desta forma: MAeTATRON = 316 = ISHO.

As dificuldades que envolvem o sentido do termo Matatron, tão nebuloso aos que ignoram essas correspondências, surgem também em outro nome, Shadaï que tem dado canseira e tirado a paciência de muitos Rabinos; porque existem duas escritas deste nome, que é lido deste modo: ShADAI = 316 é o Verbo, o ShVa-DHA em vattan, o Swadha em védico e IShO, Jesus.

A correspondência dos termos com os números sobreviveu à divisão das línguas. Por exemplo: M = 40, pronunciado MA, significa a água em vattan, em védico e em muitas outras línguas orientais. No extremo Ocidente, entre os incas, ATL = 40, raiz do termo Atlante, também significa água. Essa chave, que explica somente uma das correspondências sagradas da palavra arqueomeinca, pode ser aplicada em todos os Livros Sagrados, inclusive em todas as mitologias. Isso prova o que dissemos em nossas notas sobre a CaBaLaH dos patriarcas e de Nosso Senhor Jesus Cristo, seu inspirador. Nisso, os judeus foram apenas intermediários, mas às vezes de uma forma involuntária e inconsciente, com exceção dos seus Profetas.

O nome do Pai proclama o Filho, a divina Essência e a divina Existência. IHOH, que significa "Eu a Vida" e "Eu Sou", tem por número 26. Esse número misterioso, tomando as letras pelo seu valor numérico, dará CO em vattan e em védico, e depois, em sânscrito, CV, CaVi, o criador pelo seu Verbo, Deus Poeta.

No primeiro trígono arqueométrico, aquele do Verbo e de Jesus, essa poesia divina é lida como PhOSh-Ya, e, dirigindo-nos pelo védico e o sânscrito ao grupo chamado semítico, porém anterior a Moisés e à PhOSh-Ya. vemos que essas antigas línguas têm o mesmo sentido da manifestação solar, da Cosmo-Fania do Ya, da Suprema Beleza Criadora, e tem seu radiante esplendor nas mesmas letras do Nicod bilo ShOPh.

Por outro lado, incluindo os Cabalim dos alfabetos que chamamos de "lunares", entre outros, os Koranitas esotéricos dizem, conforme o livro litúrgico chamado Maksurâ, na folha 40: "Chama-se Maetatron ao chefe que vê Deus cara a cara; é chamado igualmente de IeShOua". A figura bíblica de IShO sob essa relação teóptica é Josué olhando para o Sol. Veja aqui que mais uma vez o homem direcionado, para a Luz, se banha na fonte de sabedoria com o brilho do Sol e não na ilusória luz refletida pela Lua.

A humanidade na regência de uma Era governada por este Arcano, se torna doentia, onde as drogas a cada dia ganha mais terreno, o crime só aumenta e muitos distúrbios mentais ganham forçam na alma dos seres com muitos distúrbios que geram distorções de caráter e desmoralizam a alma, como a pedofilia, a corrupção, prostituição em todos os níveis e corrupção desenfreada. Podemos notar claramente que no Arcano da Lua, verificamos um esquema formado por uma simbologia sombria, quase sem cor, num cenário noturno e triste. Assim quando se vive essa influencia na alma, o homem busca satisfação no campo da imaginação e quando não consegue pode se deixar por obsessão e vícios horríveis.

Baseado em Dados do Alfabeto Vatâmico, Esotéricos do Arqueometro de Sant Yves.

Carlos Lima – Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador.


Oferendas de Orixás - segundo o Candomblé

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Ao preparar as comidas de santo, deve-se observar os tabus de cada um deles. Por exemplo, o azeite de dendê nunca deve ser oferecido a Oxalá, o mel é proibido a Oxóssi, o carneiro não pode sequer entrar em uma casa consagrada a Iansã etc.

Os filhos de santo devem observar todas as quizilas dos seus Orixás e, sendo parte do Orixá, também não podem consumi-las. A ijoyé encarregada de preparar as comidas dos Orixás é a Ìyá Basé, um cargo outorgado apenas a mulheres de grande sabedoria e respeito junto à comunidade. Ela é a mãe que conhece todos os segredos da cozinha e que sabe que o principal ingrediente para uma boa comida de santo, capaz de alcançar as mais altas dádivas, é o amor.
Justificar
O primeiro Orixá cultuado também é o primeiro a comer, Exu ele come tudo que a nossa boca come, as oferendas dadas ele mais comumente são os padês a base de farinha de mandioca branca, combinada com azeite de dendê ou mel de abelha, água, bebida alcoólica e acaçá vermelho feito com farinha de milho amarelo e enrolado em folha de bananeira. Em algumas ocasiões também são utilizados pimenta, cebola, bife e moedas nas oferendas a este Orixá. Nas oferendas a Ogum são dados inhame assado com azeite de dendê e feijoada. Normalmente a feijoada de Ogum segue exatamente o mesmo modo de preparo das feijoadas tradionais, Ogum gosta de carnes “gordas” de fartura, isso se deve ao fato de que a feijoada é uma comida “comunitária”, que deve por excelencia ser servida a toda a comunidade do terreiro. E em casos muito especiais só o Orixá “come”. Por tanto, talvez, esse não seja o prato mais indicado para um presente individual a Ogum. Lembre-se que Ogum é um Orixá que não gosta de perder tempo com coisas elaboradas, ele prefere as coisas simples, como um inhame acara ou cará, assado com dende e mel, na maioria dos casos isto lhe basta. Em algumas casas a feijoada é feita com feijão “cavalo”, com feijão “fradinho”, mas a grande maioria adota mesmo a boa de deliciosa feijoada de feijão preto, retira-se uma parte para o Orixá e o restante se reparte com os amigos numa boa roda de conversa regada a cerveja (se bem que a cerveja pode não ser aceita em algumas Casas), mas em geral é isso. Na verdade depende muito tambem do Chefe do Terreiro da Personificação do orixá e da adaptação vibracional necessaria.

Oxóssi come axoxó feito com milho vermelho cozido decorado com fatias de coco. Ele também aprecia frutas e feijão fradinho torrado. As comidas devem ser colocadas sob o telhado ou aos pés de uma arvore. A oferenda dada a Obaluaiê é a pipoca. Utilizando areia da praia para estoura-las e enfeitando com fatias de coco.

Oxumare prefere que sejam dados em oferenda a ele, bata doce amassada e modelada em forma de cobra e também farofa de farinha de milho com ovos, camarões e dendê. Ossaim prefere acaçá, feijão, milho vermelho, farofa e fumo de corda. O acarajé de forma arredondada com dendê é a oferenda consagrada a Iansã, mas também é do agrado de Obá. Obá também tem preferência por um bolinho de nome abará que consiste em uma massa de feijão fradinho temperado com dendê enrolado em folha de bananeira e cozido em banho-maria. O omolocum, feijão fradinho cozido com cebola, camarões e azeite de oliva e decorado com ovos cozidos e descascados é de Oxum.

Iemanjá prefere peixe de água salgada, regados ao azeite e assados, milho branco cozido e temperado com camarões, cebola e azeite doce, manjar com leite de coco e acaçá. A Nanã é oferecido efó, mungunzá, sarapatel, feijão com coco e pirão com batata roxa. O amalá pertence a Xangô. O amalá (pirão de inhame) deve untar o fundo da gamela e sobre ele é colocado o caruru decorado com pedaços de carne, camarões, acarajé e quiabo, doze unidades de cada e enfeitado com um orobô. É válido lembrar que a oferenda deve ser servida quente. Oxalufã só aceita comidas brancas e tem preferência por milho branco cozido e sem tempero. O inhame pilado é oferenda de Oxaguiã. As comidas oferecidas a Orixás Funfun, devem ser sempre colocadas em louças brancas.

Com Odus que são complexos de lidar e o melhor é consultar um Babalaô para saber se há necessidade de fazer alguma coisa. Em determinadas circunstancias os Orixás podem cobrar de alguém a atenção devida a Ele, essa cobrança se dá de diferentes formas, as vezes até severas, como doenças. Porém isso não quer dizer que tudo o que uma pessoa passa de infortúnios na sua vida seja cobrança de Orixá. Muitas vezes esses problemas são fruto do nosso comportamento com o mundo, nos expomos a perigos, nos arriscamos em aventuras, somos demasiados confiantes e não medimos as consequencias dos atos. O resultado quase sempre são perdas.

Fazer oferenda para Orixá não garante sucesso em tudo, a menos que seja um pedido dos orixas, porque não se pode andar fazendo rituais a torto e a direito. Antes que se busque uma Casa séria e competente, não simplesmente dando ouvidos a quem te diz que isso ou aquilo é cobrança e repense a relação que você deseja ter com o seu orixá, não dê nada pensando em retorno financeiro e só faça a oferenda se for para agradecer pela vida, pelos dons e por respeito aos orixas, com certeza sem cobrança eles ajudam a encontrar a superação dos problemas pessoais.

Carlinhos Lima - Astrologo, Tarologo e Pesquisador

A Beleza e a Magia dos Cultos Afro-brasileiros

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As cerimônias celebradas para os orixás são acompanhadas de oferendas e sacrifícios.

Geralmente, o orixá manifesta sua aceitação encarnando-se em um de seus elégùn.

As entradas em transe durante as cerimônias tomam características diferentes de acordo com o orixá festejado.

Para Xangô, ela se realiza em épocas afastadas uma das outras e ele só se manifesta num dos seus muitos elégùn presentes, estando, porém todos suscetíveis de serem possuídos pelo deus. Esse transe, uma vez iniciado, é de longa duração(cinco, nove ou dezessete dias) e manifesta-se geralmente no momento do sacrifício de um carneiro.
O transe de Ogum, Observados na região de Holi, realiza-se praticamente a cada quatro dia, isto é, a cada semana de ioruba, no dia que lhe é consagrado.

O deus se manifesta em seu elégùn, sempre o mesmo, e durante um curto espaço de tempo, de vinte minutos à uma hora. O transe é provocado pelos ritmos dos tambores, após as oferendas e sacrifícios. Uma festa para Ògún Edeyi, em Ilodô, na região de Holi, Houve transe de muitos orixás, embora as oferendas tenham sido feitas para um deles. Todos esse deuses possuíam seus elégùn respectivos só ao ouvirem as chamadas ritmadas dos tambores, própria para cada um deles.

Naquele dia, viu-se ali uma série de elégùn fazer evoluções diante do templo de Ògún Edeyi, trazendo objetos simbólicos de seus deuses: Ògún, deus dos ferreiros e dos guerreiros, trazia dois sinos de ferro e um facão, Şàngó, o trovão, brandia seu machado de dois gumes; e sua esposa, Ợya, divindade das tempestades, agitava um leque de couro; Ợdẹ, deus dos caçadores, trazia um facão e bastões de caça; Odùa-Òríşàálá, todo de branco, apoiava-se em um cajado de estanho, metal que lhe é consagrado. Os elégùn faziam evoluções, dançavam, dialogavam e cada um deles comportavam-se de maneira diferente, de acordo com as características de seu orixá. Eles se mantinham em atividade ao som dos ritmos dos tambores, exatamente como ocorre nas cerimônias para os mesmos orixás no Brasil ou em Cuba.

No Brasil a responsabilidade do culto repousa sobre o pai ou a mãe de santo, correspondentes aos nomes de origem ioruba, babalorixá ou ialorixá. São chamados também de ¨zelador¨ ou ¨zeladora¨, termos equivalentes aos de ¨babalaxé¨ou ¨ialaxé¨, pai ou mãe encarregados de cuidar do ¨axé¨, do poder do orixá. Esses terreiros são geralmente compostos de uma construção, denominado barracão, com grande sala para as danças e cerimoniais públicas, de uma série de casas, onde são instalados os ¨pejís¨, consagrados aos diversos orixás, e de casas destinadas à residência das pessoas que fazem parte do candomblé.

Os pais ou as mães de santo são assistidos por pais ou mães pequenos, ¨babá¨ou ¨ia kekerê¨, e por toda uma série de ajudantes, com papeis e atividades diversos e definidos. Assinalamos a ¨dagan¨, que, antes das cerimônias publicas, encarrega-se, com a ajuda de ¨iamorô¨, do ¨padê¨ou ¨despacho de Exú¨, do qual falaremos mais adiante; a ¨iatebexê¨, que assiste o pai ou a mãe de santo na direção da seqüência dos cânticos dos orixás, no decorrer das cerimônias públicas; a ¨iabassê¨, que supervisiona a preparação das comidas destinadas aos deuses e aos seres humanos; as ¨ekedis¨, que são encarregadas de cuidar dos ¨iaos¨logo que estes entran em transe; o ¨sarepebê¨, que leva as mensagens para a sociedade do terreiro. Encontramos anda o ¨alabê¨, chefe dos tocadores de atabaques.

Existem enfim as “iaôs”, “mulheres” dos orixás, que são os filhos e as filhas de santo. Certos dignitários chamados “ogãs” não têm funções religiosas especiais, mas ajudam materialmente o terreiro e contribuem para protege-lo. Formam uma sociedade civil de ajuda mútua, colocada sob a invocação de um santo católico. Alguns “ogãs” levam o título prestigioso de obá, no Terreiro Axé Opô Afonjá, e o título de “mangbá”, no Axé Opô Aganjú, como lembrança de acontecimentos que, na África, deram nascimento ao culto de Xangô. Nos dias de cerimônia pública, chamada de xirê dos Orixás” – a festa, a distração dos orixás - , o barracão é decorado com guirlandas de papel, nas cores do deus festejado, o chão é cuidadosamente varrido, salpicado de perfumadas folhas de pitanga, e grandes palmas atadas com fitas decoram as paredes.

No início da festa, três atabaques de tamanhos diferentes, denominados run, rumpi e lê, acompanhados por um sino de percussão, o agogô, tocam apelos ritmados às diversas divindades. Esses atabaques apresentam uma forma cônica e são feitos com uma única pele, fixada e esticada por um sistema de cravelhos para os nagôs e os gêges, e por cunhas de madeira para os tambores ngomas, de origem congolesa e angolana.

O pai ou a mãe-de-santo, cercados por seus ajudantes, fica sentado próximo dos atabaques, que são colocados sobre um pequeno estrado enquadrado por palmas trançadas. Os ogãs são instalados em cadeira ornamentadas e marcadas com seus nomes, onde só eles tem o direito de se sentarem; os visitantes importantes sentam em bancos e cadeiras e o resto do público fica dividido em dois grupos, homens de um lado e mulheres do outro, todos separados da parte central do barracão, onde dançam os filhos e filhas-de-santo.

Antigamente, o piso do barracão devia ser de terra batida, e os iaôs dançavam descalços a fim de que o contato com a terra e o mundo do além, onde residem os orixás, fosse mais direto. Por razões de prestígio, o piso do barracão é atualmente de cimento e, algumas vezes, recoberto com assoalho de madeira.

Tais instrumentos foram batizados e, de vez em quando, é preciso manter sua força (o axé), por meio de oferendas e sacrifícios. Os atabaques desempenham um duplo papel, essencial nas cerimônias: o de chamar os orixás no início do ritual, e quando os transes de possessão se realizarem, o de transmitir as mensagens dos deuses. Somente o “alabê” e seus auxiliares, que tiveram uma iniciação, tem o direito de tocá-los.

Nos dias de festa, os atabaques são envolvidos por largas tiras de pano, nas cores do orixá invocado. Durante as cerimônias, eles saúdam, com um ritmo especial, a chegada dos membros mais importantes da seita e estes vêm curvar-se e tocar respeitosamente o chão, em frente da orquestra, antes mesmo de saldar o pai ou mãe-de-santo do terreiro. No caso de um desses atabaques ser derrubado ou cair no chão durante uma cerimônia, esta é interrompida por alguns instantes, em sinal de contrição.

Durante os toques de chamada, feitos no início da cerimônia, os atabaques são batidos sem o acompanhamento de danças e cantos, o que contribui para realçar, graças a essa ausência de elementos melódicos, a pureza de ritmo associada a cada orixá. O uso da bata, utilizando no culto de Xangô na África, perdeu-se no Brasil, mas foi mantido Cuba. Os ritmos bata são ainda conhecidos por este nome na Bahia. Acontece o mesmo com o ritmo denominado “ibi”, dedicado a Oxalá, que na África é batido sobre tambores conhecidos como ìgbìn. Outros ritmos, como, por exemplo, o “ijexá”, são tocados em certos terreiros sobre os ìlù, pequenos tambores cilíndricos com duas peles ligadas uma à outra, durante os cultos de Oxum, Ogum, Oxalá e Logunedé. Em lugar de ritmos, podemos chamá-los “ideofones ou locuções musicais”.

O elemento melódico das músicas africanas destaca-se, no decorrer das cerimônias privadas, no momento dos sacrifícios, oferendas e louvores dirigidos às divindades diante dos “péjis”. São cantos sem acompanhamento de tambores, ficando o ritmo ligeiramente acompanhado por palmas. A melodia é rigorosamente submetida as acentuações tonais da linguagem ioruba.

Os dois elementos, o ritmo e melodia, encontram-se associados no decorrer do “xirê”, quando os sons dos atabaques são acompanhados por cantos. Antes de começar o “xirê” dos orixás no barracão, faz-se sempre o “padê”, palavra que significa “encontro” em ioruba; um encontro, principalmente com Exu, o mensageiro dos ouros deuses, para acalma-lo e dele obter a promessa de não perturbar a boa ordem da cerimônia que se aproxima. Nos terreiros de origem kêtu, o “padê” se apresenta de duas maneiras: pode consistir em alguns cânticos em honra a Exu e em oferendas de farofa amarela, de cachaça e azeite-de-dendê, depositados fora do barracão ao ter início o “xirê”.

O “padê” pode, também, tomar uma forma mais elaborada quando houver um sacrifício de um animal de quatro patas – carneiro, cabra, bode, tartaruga – acompanhado de animais de duas patas – galo e pombos -, bem cedo ao amanhecer. O “padê”, nesses casos, faz-se a tarde, algumas horas antes do “xirê”. Trata-se, então, de uma cerimônia completa em si mesma e que escapa aos limites dessa obra. Não se tratam mais de orixás, salvo no que se refere a Exu. Faremos uma breve descrição dessa manifestação, pois ela pertence ao domínio da evocação de defuntos ancestrais e das bruxas e não do culto aos deuses africanos propriamente ditos. Esta “padê” é em princípio, acessível apenas aos membros do terreiro.

As oferendas ficam reunidas no centro do barracão: alguns recipientes contendo farofa amarela, cachaça, azeite-de-dendê e acaçá. A “dagan” ajoelha-se e arruma as oferendas, de acordo com os cânticos, em pequenas porções dentro de uma cabaça entregam, entregando-a a “iamorô”, que dança em torno dela e leva-a para fora do barracão. Os “iaôs” ficam ajoelhados, o corpo inclinado para frente, com a cabeça pousada para frente sobre os punhos fechados, colocados um por cima do outro. O pai ou a mãe-de-santo entoa os cânticos, que são repetidos em coro pelo conjunto de filhos e filhas-de-santo.

Exu é saudado como prelúdio a uma série de cantos e louvores dirigidos sucessivamente aos “essás”, fundadores dos primeiros terreiros kêto na Bahia: Essá Assiká, Essá Obitikô, Essá Oburô, que são dessa maneira, devidamente honrados em companhia de quatro outros: Essá Ajadi, Essá Adiro, Essá Akessan, Essá Akayodé, sobre os quais não se conhece muito além dos nomes. Uma vez terminada essa parte do ritual, todos se põem de pé, mãos estendidas em forma de saudação, enquanto a “iamorô” e as outra pessoas que tomaram parte ativa no “padê” dançam por um momento, para honrar a memória dos portadores de títulos desaparecidos.

Mais tarde, no início da noite, começa o “xirê”. Os “iaôs” começam por saudar a orquestra e se protestar aos pés do pai ou da mãe-de-santo, executando em seguida, ao som dos atabaques danças para cada um dos orixás. Descrevemos, nos capítulos seguintes, o caráter dessas danças, ora agressivas, ora graciosas, ora atormentadas. Para o conjunto dos fies, esses cantos e danças são formas de saudar as divindades. Para os filhos-de-santo, consagrados a um orixá determinado, quando chega a hora de evocar o seu deus, a dança adquire uma expressão mais profunda, mais pessoal, e os ritmos, pelos quais foram sensibilizados, tornam-se uma chamada do orixá e podem provocar-lhe um estado de embriaguez sagrada e de inconsciência que os incitam a se comportarem como o deus, enquanto vivo.

O transe começa por hesitações, passos em falso, tremedeiras e movimentos desordenados dos “iaôs”. Imediatamente, ficam descalços, as jóias que usam são retiradas, as calças dos homens são arregaçadas até o meio da perna. Depois de alguns instantes, eles começam a dançar, possuídos pelos seus deuses, com expressões faciais e maneiras de andar totalmente modificadas. Os orixás são recebidos com gritos e louvores e, em seguida, fazem a saudação aos atabaques, ao pai ou à mãe-de-santo, aos “ogãs” do terreiro, sendo, finalmente, levados pelas “ekédis” ao “pejí” do seu deus. Os “iaôs” vestem-se, então, com roupas características de seus orixás e recebem suas armas e seu objetos simbólicos. Uma vez convenientemente vestidos, todos os orixás encarnados voltam em grupo ao barracão, onde começam a dançar diante a uma assistência recolhida. Xangô “pavoneia-se” majestosamente; Oxum requebra-se; Oxossi corre, perseguindo a caça; Ogum guerreia; Oxalufã, enfraquecido e curvado pelo peso dos anos, arrasta-se mais do que anda, apoiado no seu “paxorô”.

Há várias sutilezas sobre essas entradas em transe que se inspiram em detalhes indicados nas lendas dos deuses. Se a festa é para Xangô, podê-se aguardar a sua volta momentânea à terra, acompanhado por suas mulheres: Oxum, Oiá-Iansã e Oba; eventualmente, seu irmão mais velho, Dàda-Àjàkà, participa dessa cerimônia. Mais raramente, aparecem Oxalá ou Nanã Buruku. Se a cerimônia destina-se a Ogum, Oxossi também estará presente, sendo provável o comparecimento de Oiá-Iansã, freqüentemente em briga, a golpes de sabre, com Ogum. Se a festejada for Oxum, Xangô estará presente, podendo Oxossi também comparecer, como lembranças de suas aventuras passadas. O estímulo, nessa circunstância, seria um determinado ritmo que sensibilizou o “iaô” no decorrer de sua iniciação. Existia um controle da comunidade, da qual faziam parte os orixás, que os obrigaria a levar em conta o caráter cãs relações que existiam entre eles. Isso é válido, quer se trate de laços hereditários ou de manifestações de arquétipos, que tal modo torna-se rigoroso o conformismo do “iaô” possuído pelo comportamento convencional esperado pelo deus modelo.

A diferença entre as cerimônias para os orixás na África e no Novo Mudo decorre, sobretudo, de que, na primeira, invocasse um só orixá durante uma festa celebrada em um templo reservada para ele, enquanto no Novo Mundo vários orixás são chamados em um mesmo terreiro durante uma mesma festa. E ainda na África tal cerimônia é celebrada geralmente pela coletividade familiar e um só elégùn é normalmente possuído. No Novo Mundo, não existindo essa coletividade familiar, o orixá tornou-se um caráter individual e acontece que, durante uma mesma festa, vários “iaôs” são possuídos pelo mesmo orixá, para satisfação própria e de todos aqueles que cultuam esse orixá.


Deuses Iorubás na África e no Novo Mundo - Pierri Fatumbi
(Tradução de Maria Aparecida da Nóbrega)
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