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A pombagira

Meus livros de Magia Astrológica no link

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Para ter boas energias em 2012, se prepare na virada do ano


Muitas pessoas, muito mais do que se pensa ou que elas revelem se interessa e muito com rituais, mandingas, simpatias e ficam doidas pra saber tanto previsões para o novo ano, quanto pesquisas sobre o que fazer na virada do ano! Se não fará bem fazer rituais, garanto que mal também não faz, a não ser que desvairadamente, prestem-se a trabalhos escusos noturnos e de magia negra pra fazer mal aos outros ou a sua propria alma. Mas, no que se refere a buscar boas energias nas cores, nos rituais, nas orações e na arrumação do ambiente onde se pretente passar a noite da virada é muito mais positivo do que simplesmente ignorar tudo, apegando-se apenas ao materialismo cruel.

Bem, sempre nesse periodo recebo muitas perguntas, em especial sobre dicas, mas, também questionam sobre coisas que viram na TV, divulgadas por "especialistas" e apesar de minha ética aconselhar-me a não comentar, a insistência de meus leitores é tão grande que só me resta como pesquisador responder aos que entram em contato, como aqueles que não tem coragem de perguntar mas também querem saber! Algumas perguntas que chegaram ao Climazen nesses dias finais de 2011 foi sobre mantras gerados pela numerologia. A meu vêr, mantras só tem valor se for gerado com uma fonte sagrada, um alfabeto magistico como o Sanscrito, o Devaganari ou se for através da numerologia com o alfabeto latino que seja no minimo coerente. 

Em primeiro lugar a numerologia baseada no número do ano já não tem lá muita sustentação, pois, como já disse aqui não temos um unico calendário e nem sabemos na verdade em que ano real estamos hoje. Outra coisa é que somar as letras pra montar uma frase e depois querer chamar de mantra é uma coisa no minimo sem sentido. Isso por que milhões de configurações com palavras variadas pode  coincidir a mesma soma, sincronizada as chamdas "salas" reveladas pelos números. Além do mais magia, essa essa babozeira de indução por pensamento positivo, ou tentar inutilmente acessar os códigos do inconciente com frases imbecís, será impossivel.

Uma leitora do blog me disse de um numerologo que trabalha com esse estilo e perguntou-me o que eu achava. Bem no minimo considero uma patacoada, talvez ele pratique a númerologo alienigena que só a mente dele conhece. Disse-me ela que ele afirma o tempo todo que pode comprovar, que tem mais de trinta anos de trabalho e que já mudou até nome de carro e empresas. Bem o Inri Cristo também diz ter certeza que é o Salvador, igrejas são montadas todo dia em cada esquina onde os  demagogos de seus líderes afirma que fazem milagres á toda hora e nem por isso ninguem é obrigado a levar isso como verdade imutavel. Se a numerologia usada sadicamente dessa forma serve pra mudar nomes de carros, esta´explicado o por que dos carros brasileiros terem nomes tão feios! Além do mais, os carros e empresas  de sucesso, independem dos nomes.  O Bil Gates seria rico, mesmo se se chamasse "Bil Cates" pois ele enricou com o talento e criatividade  e não com o nome!

Mantras e palavras realmente tem poder como diziam os celtas, mas, se dizer "cientista" e criar mantras absurdos como "me dá um sapo doido" ou "tiro certo governador" e dizer que isso gera energia capaz de "mexer" com o universo, é no minimo sandice!

Os budistas, hinduistas ou outros mestres que criam mantras nos templos, não criam de forma alusiva ou com frasezinhas inventadas, mas, tem uma raiz nos alfabetos sagrados e conceitos amplamente espiritualistas.  Bem mas deixando essas pirotecnias de lado, respondo a perguntas que segue sobre cor, vibração e possivel rito a fazer!

Bem, essa história de dizer que é o ano das mulheres só por que o numero do ano tem dois (2) e apeas um (1), não faz sentido, pois o que vale é a soma total que gera o 5. Mas, astrologicamente realmente teremos um favorecimento das mulheres pela vibração da Lua. A cor do ano no entanto é o azul e não o laranja só por que o 5 tem ligação com a casa 5 astrologica, nada tem haver com as cores do sol, nem precisa colocar mesa com objetos de ouro e farturas pra ter sorte em 2012. Agora como a Lua tá ligada a alimento, sendo ela regente do ano, uma boa ceia na virada pode sim trazer bençãos.

Assim a cor da sorte do ano é o azul, mas, a cor pessoal de cada pessoa pode ser outra que não azul. Mas, de qualquer forma entrar o ano com uma calcinha azul marinho servirá pra quem quer casar no proximo ano, já para quem quer só sexo a calcinha tem que ser prata ou cinza, o mesmo servido no que se refere a cuecas para os homens.

Rezar o Salmo do anjo que rege o ano, ascender um incenso com a essência lunar e ouvir uma boa musica, também trazem boa vibração, mas, o importante é tá de bom humor, bem acompanhado e abusar das frutas frescas, em especial romãs e se possivel tomar um banho de jasmim no dia 31.

E mais uma coisa, o orixá regente do ano é Iemanjá e não Oxum ou Oxaguiã e o arcanjo é Gabriel.

Veja as previsõs para 2012:

Ano 2012 e as energias cosmicas vibrando e regendo sobre todos nós!



Ori - boa sorte e destino


Ori, a essência real do ser, é uma divindade pessoal que guia e ajuda toda pessoa antes do nascimento, durante a vida e após a morte. O sentido literal de orí é cabeça física, e esta é o símbolo de orí inú, a cabeça interior, responsável pela constituição do ser e sua trajetória existencial: quando o orí inú está bem, todo o ser do homem está em boas condições. O ori, entidade parcialmente independente, considerada uma divindade por si própria, é cultuado entre outras divindades, recebendo oferendas e orações, como o famoso ritual de borí, que significa dar de comer ao ori. 

Enquanto divindade pessoal, ori é o mais interessado de todos os orixás no que diz respeito ao bem-estar de seu devoto: pode-se dizer que é a mais importante das divindades dado que, seja qual for o empenho das outros em favorecer determinada pessoa, todo e qualquer progresso dependerá sempre do que for sancionado por Ori. Se o ori de um homem não simpatiza com sua causa, nada poderá ser feito por outra divindade. Assim, o que ori não sanciona não pode ser concedido nem por Olodumare, nem pelos orixás. 

Todos nós nascemos com um destino para realizar, o que não significa sermos meros joguetes nas mãos de forças inteiramente deterministas. O homem tem o poder de tomar em suas mãos as rédeas do curso da própria existência e participar de modo responsável de seu desenrolar, através da busca de ampliação da consciência e dos conhecimentos e através do desenvolvimento disciplinado da Vontade. 

Certamente os esforços pessoais são mais efetivos se desenvolvidos por um olórí rere (sortudo, abençoado, bendito). Mas, para um olórí bùrúkù. (azarado, condenado à vida, amaldiçoado), a exigência de esforços é bem mais pesada. Portador de um destino adverso, muito esforço deverá despender em suas realizações. Orí inú (cabeça interna) e Eleda (destino pessoal) inter-relacionam-se, pois, intimamente. 

Os seres humanos são constituídos dos seguintes princípios vitais: ará (o corpo físico); òjìji (representação visível da essência espiritual que acompanha o homem durante a vida, morrendo junto com ará, embora não sendo enterrado com ele); okàn (coração, relacionado ao sangue e sede da inteligência e do pensamento intuitivo, a alma e a fonte de toda ação); Ämí (princípio ou sopro vital, relacionado à respiração, mas não se reduzindo a ela, pois se diz por ocasião da morte que èmí foi embora; significa também espírito ou ser). 

Um dos nomes de Elédùnmarè (o Ser Supremo ou Deus) é Orísé (Fonte da qual originam-se os seres), o que mostra sua ligação profunda com cada criatura existente. Todo ori, embora criado bom, acha-se sujeito a mudanças. Feiticeiros, bruxas, homens maus e a própria conduta podem transformar negativamente um ori, sendo sinal dessa transformação uma cadeia interminável de infelicidades na vida de um homem a despeito de seus esforços para melhorar. 

Podemos perguntar: como saber se a escolha do próprio ori foi boa ou má? Pode um homem conhecer as potencialidades da própria cabeça ou da cabeça de outrem? Encontramos a seguinte resposta: o jogo divinatório de Ifá possibilita que a pessoa tome conhecimento dos desígnios do próprio ori, saiba a respeito do orixá ou ancestral que deve ser cultuado e conheça seus èwò (proibições quanto ao consumo de alimentos, uso de cores e condutas morais). 

Como se crê que o ori dos pais traz boa fortuna aos filhos, é comum a recomendação do oráculo no sentido de que sejam feitas ofertas sacrificiais ao ori dos pais e estes, ao orarem pelos filhos, apelam ao prório ori: Orí mi á sìn ó lo (Possa meu ori ir com você ou Possa meu ori guiá-lo e abençoá-lo). Analogamente, o ori de uma pessoa tem condições de proteger, ajudar ou, ainda, prejudicar outras pessoas.

O Orí de outras pessoas tem sim como influenciar nosso Orí. Conhecemos pessoas que tiveram sua sorte completamente mudada, por influencias boas o más de outras pessoas. Quanto aos pais sabemos bem que não sáo só heranças matériais que os pais deixam para os filhos mas, também heranças espirituais. Por isso os antigos levavam muito á sério o rito de abençoar os filhos. Na história de Jacó vemos que Isaú vendeu sua primogenitude, passando a seu irmão gêmeo não só o direito de heranças materiais mas, também das bençãos de seu pai Isaque.

ÒRÍ - força que orienta o que é bom ou ruim para cada pessoa, é individual. O ÒRÍ tem que ser respeitado, se a pessoa não aceitar é porque o seu ÒRÍ não está aceitando. Deve-se verificar o que acontece no jogo. Cada um recebe seu ÒRÍ de AJALÁ (é um Imole), antes de vir para o AIYE, passa por um "estágio". O ÒRÍ supera todos os orixás; O ÒRÍ é um Imole, ligado só para o bem (da pessoa); O ÒRÍ é a nossa censura; O ÒRÍ não se trai, não se engana, é a nossa própria consciência (os valores mais puros). Isso vem explicar a índole de pessoas más, mesmo nascidas em famílias boas, independente da formação; pessoas sofridas que tem a capacidade de amar, odiar, etc... ÌPÁKO - Òrí IKOKO ÒRÍ - Poente ÀPÁ OTUN ÒSU ÀPÁ OSI (direita do aiye) Voduka (esquerda do aiye) centro cabeça ojo òrí - Nascente Os quatros pontos do Universo A. Ìyo - Òrún - nascente - Leste B. Ìwo - Òrýn - o poente C. Òtù Àiye - a direita do mundo - Norte - Ariwa D. Òsi Àiyè - a esquerda do mundo - Sul - Guzú Correspondente ao Ser - humano A - Òrí - cabeça - o nascente - o nascente - o futuro "`orí inu" { Odu - destino - òrísà - genitor divino e material - origem - Esú individual Bara B - ESE - pé direito - ancestrais masculinos { pé esquerdo - ancestrais femininos C - lado direito - elementos masculinos D - lado esquerdo - elementos femininos Durante o eborí, sendo os pais falecidos, usar 2 acaçás de cima para baixo na direção das juntas, não esquecendo de colocar as falas do Obi (parte de baixo).
Que o Orí que cada um de vocês meus irmãos de fé, possa revelar muitas bençãos, amor e prosperidade nesse ano de 2012 e nos proximos! Axé

Grafia Sagrada: A MAGIA TALISMÂNICA NA UMBANDA

Todo aquele que estuda o esoterismo das religiões sabe que não existe fenômeno material sem seu substrato astral e vice-versa ! Sabe, também, que todas as Entidades Astrais, sejam de que Plano Espiritual forem e qualquer que seja a denominação que se lhes dê, necessitam do fator "meio", ou seja, de suporte material adequado para se revelarem no Plano Material. Assim, também os Símbolos Sagrados de Umbanda (Lei de Pemba) não são meros sinais gráficos materiais. Na verdade, eles reproduzem as estruturas esquemáticas dos Campos de Forças do Mundo Astral e, assim, refletem o fluxo e a atuação das Forças Sutis Astrais sobre as Forças Elementares Cósmicas, Planetárias e Terrestres. Desta forma, com os Símbolos Sagrados de Umbanda, podemos invocar, fixar e/ou irradiar a Força Astral (Axé) de uma Entidade Espiritual em determinados Pontos Riscados que, ritualisticamente fixados em suportes materiais bem preparados, passam a se constituir em Meio de Comunicação entre a Entidade Espiritual e seus devotos, tal e qual acontece com um Médium, um Congá ou um Assentamento. É dentro dessas condições que os Símbolos Sagrados de Umbanda têm larga aplicação na Magia Talismânica, mormente no preparo e consagração de Guias, Sinetes e outros Talismãs. 

Abordar esse "esquecido" tema foi o objetivo principal do livro - Pemba, A Grafia Sagrada dos Orixás -, de Mestre Itaoman, publicado em 1990 e do qual se extraem os apontamentos elucidativos que se seguem. O Ser Humano é, por excelência, o Ponto de Junção entre o Plano Espiritual e o Plano Material porque suas funções cerebrais transmitem a percepção do Mundo Físico, captadas por seus cinco sentidos básicos, à sua Consciência Individual, a qual tem o poder de aperceber-se, para além dos reflexos instintivos, daqueles substratos astrais contidos nesses contatos, gerando a percepção extra-sensorial.

Por isso mesmo, a Matemática Pitagórica relacionou o Ser Humano à Entidade Matemática Cinco (número 5) , justamente pela existência dos cinco sentidos humanos : visão, audição, tato, olfato e gosto. Daí decorre o fato da Geometria Esotérica relacioná-lo com o Polígono Piramidal por este objeto ter cinco (5) superfícies: quatro verticais inclinadas e uma base horizontal plana. A Magia Talismânica Heleno-Semita simboliza-o pelo Pentagrama, a famosa Estrela de Cinco Pontas, por assim melhor poder expressá-lo em sua Dupla Polaridade : 1. Positiva - Uma só de suas pontas apontando para cima; 2. Negativa - Uma só de suas pontas apontando para baixo.

O Pentagrama em posição positiva é o símbolo do Ser Humano harmônico e evolutivo, com seus desejos e instintos submetidos à sua consciência; o Pentagrama em posição negativa é o símbolo do Ser Humano desajustado e regressivo em conflito consigo mesmo, cuja consciência está subjugada aos seus instintos. Um Talismã Mágico, de origem européia medieval, abaixo exibido, demonstra claramente os conceitos acima expressos :

1. O pentagrama apresenta-se nas duas posições antagônicas, positiva e negativa, conforme se veja seu verso ou seu anverso : 2. Os nomes de Adam e Eve, personagens míticos semitas, contrapõem-se aos nomes de Samael e Lilith, o Arcanjo do Sol e a Potestade da Lua Negra; 3. Uma figura humana contrapõem-se à figura do Bode Expiatório. 4. No círculo exterior, apresentam-se letras do alfabeto hebraico, as quais têm relações específicas com a Kabalah e que podem ter caráter defensivo ou retaliatório. Assim, a Estrela de Cinco Pontas é um símbolo talismânico universal da Raça Humana e tem-se notícias de seu uso no Tantrismo (Índia e Tibet), na Cabala (Judéia), no Pitagorismo (Grécia), na Magia (Europa Medieval), na Teosofia (nas modernas Europa e Américas). Então, também nós o utilizamos no Esoterismo da Umbanda.

O Ponto de Junção por excelência entre o Material e o Imaterial, qualquer Ser Humano na condição de "médium" precisa e depende de manter atuante, equilibrada e benéfica a sua condição de "receptor de percepções extra-sensoriais" procurando sempre repor as energias bio-elétricas que seu corpo físico dispende na prática de cultos esotéricos, caritativos ou não. Para isso, ele precisa estar em sintonia harmônica com a Vibração Sutil que emana de seu Orixá Regente Planetário, cuja Força Sutil dinamizava os Astros Celestes que regiam a Natureza no momento em que aquele Ser Humano sorveu o primeiro Hausto de Vida em seus pulmões, ou seja, no momento de seu nascimento.

Precisa, também, saber conjugar eficientemente esta Vibração de seu Orixá Regente Planetário com a Vibração de seu Orixá de Cabeça, ou seja, aquele a quem, por escolha própria antes de sua atual reencarnação, seu Espírito imortal (Ori Orun = Cabeça no Além), ajoelhado perante Olorum (Deus), decidiu ou precisou dedicar sua futura "Cabeça na Terra" (Ori Aiye = intelecto ou personalidade). Como vimos, o Orixá Regente Planetário é determinado pela data de nascimento e a ele estão ligados seu Arcanjo e Anjo de Guarda; mas, seu Orixá de Cabeça", a quem estão ligados seu "Santo" e seu "Eshu Guardião", só pode ser determinado por um Babalaô, através de um Jogo Divinatório como o Tabuleiro de Ifá, o Colar de Ifá ou, como último recurso, os Búzios. Para esta determinação, não há outra alternativa ou escapatória. Portanto, na Magia Talismânica de Umbanda, não é o bastante representar o Ser Humano pelo Pentagrama; é necessário também :

1. Classificá-lo por Forças Sutis Espirituais, Astrais e Planetárias; 2. Individualizá-lo em seus outros relacionamentos espirituais com a sua Falange Espiritual, com seus Guias e/ou Protetores; 3. Nominá-lo por seu nome astral e/ou iniciático; 4. Graduá-lo em função do mérito que venha alcançando nas pelejas em prol de seus próximos. E, para isso, a Magia Talismânica de Umbanda tem seus próprios símbolos sagrados para representar aos seus Ôrixás, Guias e Protetores, aos Planetas e Signos Zodiacais, às Forças Elementares da Natureza, à Numeralogia e Grafia Sagrada com que cria e grafa Nomes Próprios e/ou Iniciáticos, bem como pode representar os Vórtices e Canais de Energias Sutis que percorrem o organismo intra e supra corpóreo do Ser Humano, caminhos de energias estes que são, também, controlados pelo Imolé Eshu Bara, o Senhor Guardião do Corpo e dos Caminhos do Destino de cada um de nós, os quais ele abre ou fecha conforme os méritos e os deméritos de nossas ações conscientemente perpetradas.

Com o conjunto desses Símbolos e com sua Grafia Sagrada, à qual os Umbandistas denominam por Lei de Pemba, a Umbanda não precisa recorrer à simbologias de origem egípcia, tântrica, hebraica, grega ou latina para compor seus Sinetes ou Talismãs. É de se notar, também, que as representações das formas geométricas (e a matemática que as inspiraram), não são propriedade exclusiva de nenhuma civilização ou época. Elas existem desde sempre na Natureza : a espiral da casca de um caracol, o oval de um seixo rolado, o triângulo de uma lasca de sílex, o cubo, a pirâmide, o hexágono e muitas outras formas encontráveis nos minérios e cristais, a forma poligonal de uma estrela-do-mar !

Não há aqui espaço para o ensinamento das correlações entre os Símbolos Sagrados de Umbanda e os símbolos de outras procedências, tais como Astrologia, Alquimia, Cabala e Magia. Mas, realmente, a correlação existe e quem quiser aprofundar-se no assunto em questão pode referenciar-se no livro de Mestre Itaoman acima citado, embora seja difícil encontrá-lo nas livrarias. Por isso mesmo, vamos limitar-nos a apresentar os doze Sinetes Astrais básicos referentes aos doze Signos Zodiacais, de forma que cada pessoa possa encontrar aquele referente à data de seu nascimento e, então, utilizar-se dele, por sua conta e risco, para obter proteção contra "temporais astrais" que, infelizmente, certos ambientes ou pessoas mal vibrados podem ocasionar.

O material em que devem ser confecionados é aquele referido como o metal característico do Signo Zodiacal, encontrável no tópico Influências Místicas, Item Influências, sub-item Data de Nascimento, nesta mesma Home Page. Sobre um dos seus lados, cada Sinete Astral tem gravado os Símbolos Umbandistas relativos ao Signo Zodiacal, o Planeta Regente, o Orixá de Nascimento, a Força Sutil do Elemento da Natureza, o símbolo do Vórtice Astral captador de energias sutis de seu organisno extra-corpóreo e o símbolo astral sintético da Entidade Espiritual Guardiã de seu corpo físico e astral, ou seja, seu Imole Eshu Bara. Em seu outro lado, tem signos cabalísticos não reveláveis publicamente, ou seja, só são reveláveis dentro da relação Mestre-Discípulo. Cada um desses Sinetes Astrais é, pois, comum a todas pessoas nascidas sob esse mesmo Signo Astral e por todas elas podem ser utilizados, mas apesar de abaixo relacionarmos os Doze Sinetes Astrais Básicos para seu simples conhecimento, é evidente que para grafá-los magisticamente é necessário ter-se sido iniciado na Lei de Pemba de Umbanda, a Grafia Sagrada dos Orixás : simplesmente cópiá-los e portá-los não levará ninguém a resultado algum!

Umbanda Astrológica - OS SINETES DOS ORIXÁS

O Esoterismo de Umbanda não adota o sincretismo dos Orixás com os Santos Católicos como a Umbanda o faz e nem tende a copiar a representação dos mesmos apresentada pelos fiéis dos Candomblés de Nação Africana aclimatados no Brasil, embora a todas estas formas respeitemos. Assim, no Esoterismo de Umbanda, os Orixás não têm representação antropomórfica. Acreditamos que sendo Energia e Luz Espiritual, os Orixás propriamente ditos, comparecem e repousam em seus "Assentamentos" mas não se incorporam em "médiuns" humanos: isto é tarefa para seu Mensageiros. 

Daí que as representações antropomórficas possam ser aceitas apenas para as quatro formas principais de apresentação incorporante de seus Mensageiros aos humanos: Crianças, Caboclos, Pretos-Velhos e Eshus. Ainda assim, basicamente, esta é uma concesão às mentes dos não-Iniciados e dos Iniciandos que ainda não se tenham habituado a "sentir" a presença do Orixá em seu "Assentamento" e nem a "ver" sua força no seu Ponto Riscado na Lei de Pemba. Esta Lei representa a "presença" espiritual individual dos Orixás pelo Ponto Riscado : um conjunto de riscos e símbolos que indicam as linhas de forças espirituais que criam e mantém os campos de indução/imantação astral e magnética que, sob a regência de determinado Orixá, atuam sobre as Forças Vitais da Natureza.

Daí a Umbanda Esotérica haver-se fixado em Sete Orixás Regentes Planetários, com as denominações esotéricas de: Oxalá - Ogum - Oxosse - Xangô - Yemanjá - Yori - Yorimá nomes estes cuja conjunção de suas letras iniciais se reflete no termo OXY e que simbolizamos pelo Signo do Circulo Cruzado.

A divergência destes dois últimos nomes de Orixás - Yori e Yorimá - com aqueles em uso na Umbanda prende-se à nossa interpretação dos mesmos pela Ciência do Verbo, através do Arqueômetro de Saint Yves D'Alveydre, porém seus conceitos são os mesmos que os tradicionais : Yori / Ibeji = Entidades Gêmeas que agem como uma só, concedendo abundância e prosperidade. Yorimà / Obaluaiê = Entidade representando todos os Ancestrais e também a Lei e Sabedoria da Antiga Tradição de todos os povos. Nem por isso acreditamos que os Orixás sejam apenas os Senhores das Forças da Natureza. Mas, como o homem é produto de seu meio ambiente, eles também atuam, além do Espírito, sobre o fisíco, a mente dos Seres Humanos, desta forma influenciando suas ações conscientes e inconscientes, cuja soma e balanço formam o Destino de cada um. Mas, não devemos jamais esquecermo-nos do Mais Um, o Mediador das Ações entre Deus, os Orixás, a Obra de Sua Criação, as Entidades Espirituais e os Seres Humanos : o Mensageiro e Executor Divino Eshu. As datas das festas populares são respeitadas e até festejadas publicamente como na Umbanda, mas considera-se que elas e as conseqüentes Oferendas destinadas aos festejados têm melhor eficácia se realizadas nos períodos de tempo situados nos Signos Astrológicos que lhe são peculiares.

O QUE ESTÁ EM CIMA É IGUAL AO QUE ESTÁ EM BAIXO

O conhecimento do movimento dos astros na Abóboda Celeste sempre foi comum a todos os povos da Antiguidade. Séculos de observações celestes fizeram os Antigos constatarem que certas estrelas eram fixas, enquanto outras moviam-se. Além disso, de um ponto de observação fixo na Terra, o Sol parece deslocar-se pelo Espaço em um movimento circular, passando sempre pelos mesmos grupos estelares, os quais, para serem memorizados, foram sendo agrupados em "desenhos" hipotéticos que receberam significativos nomes, tão bem escolhidos, que até hoje perduram : Carneiro, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário, Cabra, Aquário e Peixes. Como a maioria desses "desenhos" lembram seres animados - Carneiro, Leão, Touro, Cabra, Gêmeos, etc - os Gregos chamaram todo esse conjunto por ZOÉ, significando Vida ou Existência e, assim, a cultura greco-latina cunhou a palavra ZODÍACO. Mas, em razão dessa aparente viagem do Sol e seu séquito de planetas por esse círculo de constelações fixas, já os anteriores Vedas Indianos a chamaram de Estrada dos Anjos, ou seja, KEJA-DEVA e que resultou em nossa língua, passando antes pela língua árabe, em CALENDÁRIO. 

Por aparentar ser circular, esta Estrada dos Anjos e da Vida foi dividida, a grosso modo, em 12 (doze) partes iguais, correspondendo à cada constelação 30 graus ou trinta dias do ano, começando no dia 21 de Março, o qual marca o Ano Novo Esotérico em todo o mundo. Também por marcarem um determinado espaço do Calendário, cada uma dessas Constelações passou a ser conhecida como o seu símbolo particular, ou seja, o seu SIGNO ZODIACAL.

A MACUMBA, A MACUMBA URBANA E A UMBANDA

Como resultado da inconteste hegemonia religiosa Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifé e Benin - enfim, Nàgô) e sua posterior rejeição às outras correntes religiosas negras, surgiram os Candomblés de Nação Congo e Angola que, por sua vez, expeliram de seu meio o elemento indígena que veio então a dar origem ao Candomblé de Caboclo e ao Omôlocô. E, assim, houve um reflorescimento do sincretismo religioso dos ritos indígenas-católicos com o Panteão Africano e vê-se que, lado a lado, com Oxalá, pontificam Tupã e Zambi; ao lado de Yemanjá, estão Janaína e as Yaras; ao lado de Ogum, combatem Cariri e o Boaiadeiro; ao lado de Oxosse, corre o Sultão das Matas; ao lado de Exú, reinam o Caipora e Zé Pelintra, junto aos Baba Egun e a Falange do Oriente, estão os Caboclos Tupinambá, Tupiara, Jaú, Irerê, Pedra Negra, Pena Branca, Seô Quatro Olho e muitos outros mais.

Os meansageiros dos orixás em ação - Caboclos, orixás menores e exus

CABOCLO ARRANCA-TOCO (OXOCE) (Data festiva : 20 de janeiro) É um dos Mensageiros do Orixá das matas virgens e fechadas. Gosta de milho verde em espiga ou seco a granel, água de coco, eucalipto, girassol, latão, sândalo, calcite, e das cores verdes, vermelho e branco. É sincretizado em São Sebastião no Rio de Janeiro e São Jorge na Bahia. É representado pelos seus falangeiros, caboclos bugres e de penas. Sua saudação é: Okê Bamboclima! 

CABOCLA YARA (IEMANJÁ) (Data festiva : 02 de fevereiro) É uma das Mensageiras do Orixá das águas salgadas, que gosta de manjar branco, leite de coco, arroz mole, flor de laranjeiras, palmas diversas, platina, água marinha, jasmim nardo, orquídea, cores branco e azul-claro. Seu dia da semana é a sexta-feira. É sincretizada em Nossa Senhora da Glória, eis o porquê de na Umbanda , também ser comemorada em 15 de Agosto. Sua saudação é: Odôyabá! 

CABOCLO OGUM DE LÊ (OGUM) (Data festiva : 23 de abril) É um dos Mensageiros do Orixá do calor, da força e da energia. Seu "habitat" é a mata fechada. Suas comidas mais fortes são a feijoada (três tipos de feijões) e o mingau forte (camarão, inhame, farinha, leite de coco e amendoim torrado); suas bebidas fortes são a cerveja e o "batizado" (anis, mel e água); sua flor é a "crista de galo"; sua pedra é o rubi; sua essência é a violeta; seu metal é o ferro; seu dia da semana é terça-feira; suas cores são branco, vermelho e prata. Seus falangeiros mais conhecidos são: Beira-Mar, Rompe-Mato, Megê, Sete Ondas, Iara e Matinata. É sincretizado em São Jorge. Sua saudação é : "Ogum, ê!". 

BABA GUINÉ (PRETOS-VELHOS) (Data festiva : 13 de maio) Eles são Mensageiros dos Awon Onile, os Senhores da Terra, Entidades de grande vibração espiritual e pertencem à Falange das Almas, dirigida e orientada por Omulu o senhor da saúde. Seu "habitat" são os cemitérios e os ambientes de florestas. Seus ímãs mais fortes são o "capitão-de-feijão" com gergelim e rapadura e o café sem açúcar. São, também, muito apreciados o fumo-de-corda e vinhos diversos. Suas flores são geralmente as margaridas e as palmas de cores diversas. Seu dia da semana é segunda-feira; sua pedra é o ônix; sua essência é o heliotrópio. Nossa saudação a Pai Benedito das Almas. Sua saudação é : -"Etiofá, meu Pai!" 

SENHOR SETE ENCRUZILHADAS (EXÚ) (Data festiva : 13 de Junho) É uma falange de Mensageiros que penetra em todos os ambientes da natureza. Sua vestimenta é de acordo com a vibração de origem, sendo que os das encruzilhadas vestem-se de vermelho e preto ou preto e amarelo; e os do cemitério de preto e branco. Os ambientes mais específicos de Exu são as encruzilhadas de terra, cemitérios e orlas marítimas descampadas. Suas bebidas são em geral: cachaça, conhaque, whisky e batidas diversas (masculinos); anis, champanhas e licores diversos (femininos). Suas flores são de todas as espécies, sendo a rosa vermelha a mais apreciada pelas Pombagiras. Sua imantarão é o Padé (farinha, dendê e cebola). Os Exus de Umbanda mais conhecidos são: Tranca-Ruas, Tiriri, Marabô, Pingafogo, Veludo e Rompe-Ferro, Pombagira, Sete Encruzilhadas e Gira-Mundo. Sua saudação é : -"Laroyiê, Exú!" 

CABOCLA CINDA LÊ (NANÃ) (Data festiva : 26 de Julho) O termo Nanã significa "mãe". É uma das Mensageiras da divindade africana tida como mãe de Obaluaiê, a mais antiga das Cindas das águas, sobressaindo-se nos lagos e pântanos. É sincretizada em Santa Ana. Dizem ser a enfermeira que prepara a passagem para a vida espiritual, por essa razão, seu habitat são os cemitérios. Suas oferendas são: berinjela, inhame, batata baroa e repolho roxo. Gosta de água mineral sem gás e suco de uvas rosadas. Suas cores são: preto e roxo, e suas flores são de cor vermelha escuro ou lilás. Seu dia é segunda-feira. Seu metal é o níquel. Sua essência é limão. Sua pedra é ametista. Sua saudação é : -"Saluba, Nanan !" 

OBALUAYÊ (Data festiva : 16 de Agosto) Significa o dono da Terra, o médico dos pobres, o senhor dos Cemitérios. Registram-se, no Candomblé, 12 qualidades sendo a mais conhecida Omolu (o moço). Na Umbanda somente cultua-se Obaluayê (o moço) e Omolu ( o velho). É sincretizado em São Roque e São Lázaro. Sua saudação é : -"Iatôtô, Meu Pai !" 

CURUMIM TUPANZINHO (IBEIJADA) (Data festiva : 27 de Setembro) É um dos Mensageiros de uma falange de altíssima vibração espiritual. Seu habitat são os jardins e praças floridas. A imantação são frutas e doces. Gosta de água com açúcar, flores miúdas, essência de maça, pedra turmalina rosa ou azul, cores rosa e branco. Seu dia é o domingo. Sua saudação é : -"A mim, Beijada !" 

CABOCLO DA PEDRA PRETA (XANGÔ) (Data festiva : 30 de Setembro) É um dos Mensageiros do Orixá de muito sincretismo, tais como: Abomi (Santo Antônio), Aganjú (São José), Agodô (São João) Alufam (São Pedro) e Alafim (São Jerônimo). É o Orixá das cores amarelo, roxo, marrom, do estanho, da essência morango, da pedra jaspe. Oferenda mais comum é cerveja preta, charuto, fósforo e velas, colocadas nas pedreiras. Sua saudação é :-"Kaô cabecile!" 

CABOCLA JUREMA (IANSÃ) (Data festiva : 04 de dezembro) É uma das Mensageiras do Orixá dos ventos e tempestades, esposa de Xangô, protetora das virgens. Senhora do cobre, do benjoim e do quartzo rosa, das quartas-feiras.Sua moradia é no tempo e no bambuzal. Suas cores são: coral e branco. Suas comidas são: feijão fradinho e farinha de arroz, no dendê e acarajé. Sua libação são: sucos de cereja, framboesa e tamarindo. Não existem qualidades. É sincretizada em Santa Bárbara. Sua saudação é : -"Eparei, Iansan!" 

OXUM (Data festiva : 08 de dezembro) É a Cinda do amor e da prata, da angélica e da safira, do sábado. Sua moradia são: a cachoeira e as águas doces. Suas cores são: branco, azul-claro e amarelo (vibração oriental). Sua comida feijão fradinho, creme de arroz, ovos cozidos e o omolokum. Não existem qualidades. É sincretizada na Virgem da Conceição. Sua saudação é : -"Odocyá, minha Mãe !" 

OMULU (Data festiva : 17 de dezembro) É o Orixá da saúde, protetor dos médicos, enfermeiros, enfermos e do povo ligado à saúde. É considerado o médico dos pobres; o senhor dos cemitérios (Calunga pequena); o dono do chumbo e do ônix, da segunda-feira. Sua comida mais conhecida é a flor-de-Omolu (pipocas estouradas na areia quente). Suas cores são: amarelo e preto. É uma qualidade de Obaluayê, e é sincretizado em São Lázaro. Sua saudação é : -"Epa, Epa Baba !" 

CABOCLO URUBATÃO DA GUIA (OXALÁ) (Data festiva : 25 de dezembro) É um dos Mensageiros do Orixá símbolo da pureza e do amor; orixá da criação; Senhor Supremo que vibra sobre todos os filhos da Terra. Seu dia é o domingo. Sua morada são as praias e as colinas desertas. Suas cores são: branco e dourado. Sua imantação é a canjica branca com mel. É o senhor do ouro, do aloés e do cristal de rocha. Não tem qualidades, e é sincretizado em Jesus Cristo.

MENSAGEIROS, GUIAS E PROTETORES NA UMBANDA

A Umbanda, em seu formato mais tradicional, adota o sincretismo dos Orixás com os Santos Católicos, mas não tende a copiar a representação dos Orixás apresentada pelos fiéis dos Candomblés de Nação Africana aclimatados no Brasil. Assim, na Umbanda, os Orixás são representados por suas contra-partidas católicas, ou seja, as estátuas dos "Santos" colocadas no "Congá;" ou Altar. 

É comum ver-se Cristo para Oxalá, São Jorge e Santo Antônio para Ogum, São Gerônimo para Xangô, Nossa Senhora para Iemanjá, São Sebastião para Oxosse, São Cosme e Damião para os Ibejis, São Lázaro para Obaluaiye. Entretanto. é claro que os Umbandistas não adoram à estátuas: elas são lembretes muito respeitados da significação espiritual dos Orixás para aquelas mentes que necessitam de apoio visual para seus entendimentos mentais. 

As energias espirituais dos Orixás propriamente ditas condensam-se e difundem-se nos e dos "Assentamentos" dos "Congás" e "Pejís" (altares) de Umbanda, os quais são o lugar de passagem e repouso temporário dos Orixás dentre os Seres Humanos. Pois, a Tradição Umbandista prega que um simples mortal não pode suportar a grandiosidade espiritual da incorporação de um Orixá. 

Assim, para a Tradicão Umbandista, não são eles que se incorporam em "médiuns" humanos: isto é tarefa para seus "Mensageiros". Daí que as representações antropomórficas possam ser aceitas para as quatro formas principais de apresentação incorporante de seus Mensageiros aos humanos: as Crianças, os Caboclos, os Pretos-Velhos e os Exús Nessas quatro formas antropomórficas básicas incluem-se todas as possibilidades de apresentação : Índios, Africanos, Orientais, Védicos, Mestres, Doutores, Ciganos, Obsessores, Zé Pelintra, Maria Padilha, enfim, de Mensageiros, Guias e Protetores que venham minimizar as dores e sofrimentos desta grande coletividade brasileira. E em suas "consultas" nunca surge a pergunta à respeito de qual é a crença religiosa do consultante ou, até, se o mesmo acredita ou não nesses Mensageiros. 

A pergunta sempre é: -"Você está sofrendo, mu'sum fio?". As suas festas coinsidem com as datas popularmente aceitas para os festejos dos Santos Católicos e suas Oferendas têm muito mais o caráter do "agrado" do que o da "obrigação".

O BATUQUE E O OMOLOCÔ - Raizes

om a inconteste hegemonia Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifé e Benin - enfim, Nàgô) que por fim se estabeleceu nos Candomblés de Nação, com a sua total rejeição da manifestação pública dos seus Baba Egun (Antepassados), excepto se realizadas nos novos Terreiros-li-ese-egun para poder também rejeitar qualquer outros antepassados de quaisquer etnias, a corrente religiosa indígena-banto-católica, embora aceitando o conceito dos Orixás Sudaneses, reafirmou sua opção anterior pelo culto dos Caboclos cristianizados e dos seus Antepassados africanos, começando a surgir daí o conceito Umbandista dos primeiros "Mensageiros Incorporantes dos Orixás" -- Os Cablocos e os Pretos-velhos -- surgindo assim o Omôlocô ou Candomblé de Caboclo. E, nestes novos cultos, continuaria vivo o sincretismo religioso dos ritos indígenas-cristãos apoiados em todo Panteão Africano (Orixás, Voduns e Inkicês), e, assim, ao lado de Olorun, pontificam Tupã, Zambi e Deus que é Pai; ao lado de Yemanjá, estão Janaína, as Iaras e Nossa Senhora; ao lado de Ogum, combatem Cariri e o Boaiadeiro; ao lado de Oxosse, corre o Sultão das Matas; ao lado de Exú, reinam o Caipora e Zé Pelintra; junto aos Baba Egun, estão as Crianças, a Falange do Oriente e os Caboclos Tupinambá, Tupiara, Jaú, Irerê, Juremá, Pedra Preta, Pena Branca, Cobra Coral, Seô Quatro Olho e muitos outros mais.

O BATUQUE E O OMOLOCÔ

Foi sobretudo do "Batuque" que se originou o terceiro sincretismo religioso brasileiro, o Indígena-Cristão-Banto-Sudanês, os chamados Candomblés, que aqui vão entrar apenas como "filtro de estrutura" pelos quais passou a religiosidade indígema brasileira, pois, à medida que mais e mais negros de origem Banto, Congo e Angola alforriavam-se e reagrupavam-se na periferia das maiores cidades da época, foi no Batuque que eles mantiveram as partes dos rituais de seus antepassados que conseguiam por em prática dentro dos limites estreitos da escravidão, criando os primeiros Candombes, que é uma palavra de origem Banto e não Iorubá, significando no Brasil, "instrumento de percussão" e/ou "lugar de danças de negros" e, por extensão, "lugar de terra batida por pés" ou "terreiro" onde praticavam seus cultos religiosos, os quais, sob a forma de cantos e danças - o Batuque - eram permitidos e até incentivados pelas autoridades como forma de atiçar, assim pensavam elas, as velhas rivalidades tribais existentes desde a África.

O CATIMBÓ e seus mestres

Usando uma mitologia e ritualismo bem empobrecidos, os "altares" do Catimbó representam a perda de valores iniciáticos dos indígenas brasileiros, que passam a ser substituídos pela miscigenação religiosa e apresentam, lado a lado, estampas e estátuas de santos católicos, charutos, aguardente, pequenos arcos e flechas, flautas e chocalhos indígenas, além de ervas e animais secos, objetos que são portadores dos poderes da força mística indígena "Mana", da "Benção" Católica e da "Mandinga" Banto, pois que o "Ase" Sudanês ainda não havia aportado no Brasil. Mas, embora tenham abandonado o pó de tabaco insuflado diretamente nas narinas para obtenção do transe místico, ainda existia a lembrança de seu uso ancestral como "erva sagrada", através dos "charutos" e da "Princesa": nos altares do Catimbó estava a "Princesa", uma cuia de cobre ou vasilhame raso de barro, a qual sempre repousava sobre um "rolo de fumo", o qual era cercado por um pano branco que nunca tinha sido e nem nunca seria usado para outra finalidade, como a atestar sua pureza e santidade. 

O conjunto denominado por "Princesa" constituía-se na ligação com o passado indígena, pois era nela que era moída e infusa a raiz da árvore "Jurema", uma bebida levemente alucinógena que então induzia a descida dos "espíritos" invocados para provocar o transe mediúnico, ainda chamado de "Estado de Santidade". Os negros bantos-congoleses aceitaram esta nova concepção religiosa, sobretudo, em termos de "culto aos mortos", pois os Pajés e os Catimbozeiros, através dos Maracás e das Cunhãs, dos Encantados, do Petun e da Jurema, quiçá agora também da "Diamba" introduzida pelos africanos, comunicavam-se com o "Além", ou seja, o lugar místico e/ou mítico em que os brancos, os índios, os negros e os mestiços de todos, igualmente situavam a existência de seus antepassados. 

Desta adaptação do negro fugitivo ao novo meio ambiente, até por ser a única opção, nasceram, de acordo com a maior ou menor negritude de seus participantes, as variações de cultos miscigenados indígenas-cristãos-africanos, tais como o "Toré", o "Tambor de Minas", o "Babassuê" e o "Batuque". Entretanto, era o Catimbó já prenunciava a futura "Umbanda", apresentando-se dividido em "Sete Reinos Espirituais" : "Vajucá", "Tigre", "Canindé", "Urubá", "Juremal", "Josafá" e "Fundo do Mar". E, note-se bem: seus principais Espíritos-Chefes são indigenas brasileiros : "Itapuã", "Xaramundy", "Muçurana", "Iracema", "Turuatã", as "Moças d'água" ou "Yaras" e somente muito mais tarde, aparecem alguns "espíritos" isolados de "catimbozeiros" de descendência africana: pai Joaquim, etc.

A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA - O CATIMBÓ

Em continuidade no tempo, foi da fusão destes novos cultos de Caboclos Encantados com os primeiros aportes isolados da religiosidade dos negros Bantus, quase sempre escravos fugitivos que encontraram guarida e proteção na Pajelança e no culto dos Encantados, que esboçou-se o Culto do Catimbó, mas no qual, agora, as cerimônias perdiam o sentido de função social da coletividade para transformarem-se em cultos individuais de satisfação de necessidades pessoais quer de índios, negros ou mestiços, ainda que de natureza espiritual, curativa ou de ligação com os antepassados de todas as etnias. Exemplificando a mudança de tais funções, ouça-se o triste depoimento de um velho Pajé, de nome Tarcuáa, que assim se lamentou com um pesquisador : –" Hoje não há mais Pajés; somos todos Curandeiros"– (Roger Bastide, "apud" Câmara Cascudo, em "Novos Estudos sobre o Catimbó", Brasiliensis, pg. 89).

Língua sagrada - O "TUYABAÉ-CUAÁ E A SANTIDADE"

A Sabedoria dos Pajés Ancestrais de Pindorama - o Tuyabaé-Cuaá - estudada por De Bry, Hans Staden e Padre Simão exprimia-se numa linguagem sagrada - o Nheengatu -, a "língua boa". Entretanto, ela reconhecia que existira uma língua matriz muito mais antiga - a Abanheengá - tão antiga, diziam ainda os Pajés, que "somente Tupã, o Deus Supremo, poderia tê-la ensinado à raça mais antiga de toda a Terra", ou seja, aos seus antepassados". Os Tupis-Guaranis adoravam, pois, a um Deus Único Supremo - Tupã - mas reconheciam a existência de uma Trindade Manifestadora do Poder Divino - Guaracy, Yacy e Rudá -, simbolizando o Poder Gerante, o Poder Gestante e o Poder Gerado, admitindo ainda a existência de um Messias Civilizador - Yurupari - gerado pela Virgem Mãe Chiucy.

PINDORAMA e as raizes

As tradições expressas nos livros sagrados de várias outras raças como o Papiro dos Mortos, os Vedas, a Epopéia de Gilgamesh, a Torah, os Eddas nos contam que a duras penas a Humanidade conseguiu sobreviver em vários desses novos continentes. Também as lendas de nossos povos indígenas, os quais seriam modernamente conhecidos como Tupi-Guarani e que com mais certeza sobreviveram aos gigantescos cataclismos por terem ficado na parte mais antiga e estável do planeta, nos relatam sua luta pela sobrevivência em meio a tais cataclismos. 

À época de sua "descoberta" pelos europeus, embora já distantes da primitiva pureza de suas tradições, os Tupi-Guarani ainda sabiam-se de uma origem tão antiga que denominavam a sua mítica terra de origem ancestral pelo nome de Pindorama, porque este nome referenciava-se à uma lenda tão antiga que envolvia a idéia de um dilúvio universal que havia alcançado a "Terra das Palmeiras", que é o que significa Pindorama. Assim sendo, permanecendo na mítica Terra das Palmeiras de seus ancestrais e daí irradiando-se e vivendo por milênios em integração harmônica com a natureza, foram os povos Tupi-Guarani os que melhor retiveram a "centelha espiritual" da primeira raça humana. Viajantes e estudiosos da época do descobrimento e colonização inicial do Brasil, como De Bry, Hans Staden e Padre Simão de Vasconcellos espantaram-se com a constatação da religiosidade dos antigos Tupis. 

Suas observações e estudos demonstram que a concepção religiosa, mística e teogônica destes povos era de uma grande elevação e estrutura moral que somente poderiam ser alcançadas por uma raça de antiquíssima maturação espiritual. Estes conhecimentos eram transmitidos pela tradição oral de seus Payés e chamava-se Tuyabaé-Cuaá, a "Sabedoria dos Doze Velhos Payés" a qual demonstra a sua ancestralidade com a saga do índio Tamandaré salvando-se, com sua família, de um Dilúvio no topo de uma gigantesca palmeira - a Pindó -, que flutuou sobre as águas que encobriam a "Terra das Palmeiras".

A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA

O Popol Vuh, Livro Sagrado da nação Maia da América Central, assim relata o momento da Criação do Mundo :-"0 aspecto da Terra ainda não havia sido revelado, havia apenas o Mar Doce e o espaço aberto do Céu. Assim falaram as Divindades: –"Retirai-vos Águas e dai lugar para que a Terra aflore e se consolide". "TERRA", disseram, e no mesmo instante esta foi criada". Diz ainda o Popol Vuh : –"De barro, fizeram a carne dos Homens"–, significando, então que a Primeira Raça Humana era de cor vermelha acobreada, da cor do barro com que foi criada, símbolo da interação da Terra e da Água, vivificada pelo Fogo do Espírito insuflado pelo Ar do Hálito Divino.

Ibeji e Oxalá no Candomblé de Nação

IBEJI (Data festiva : 27 de Setembro) O Orixá Duplo, ou seja, os Gêmeos Sagrados Kehinde e Taiwo são os Orixás Gêmeos da Abundância, da Felicidade e Protetores da Infância. Representado por Vungi, o regente da infância e da adolescência. É sempre um duplo, um gêmeo. Seu elemento é o Ar. As cores são: rosa, branco, azul-claro, verde-claro, lilás e cinza. Seus metais são: o bronze e o ouro. Sua pedra é o brilhante. Sincretismo: São Cosme e São Damião, os Médicos Mártires. Sua saudação no Brasil é: "A mim, Beijada" !

OXALA (Data festiva : 25 de dezembro) É o Orixá da Criação; o Senhor Supremo que vibra sobre todos os filhos da Terra. Seu dia é sexta-feira. Sua morada é o deserto. Suas cores básicas são: branco, vermelho e dourado. Sua comida mais comum é canjica branca com mel. Registram-se 2 qualidades: Osagian (o moço) e Osalufan (o velho). Ele é o governador do Universo, o símbolo da pureza e do amor. É sincretizado em Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia, e em Jesus Cristo em outras localidades do Brasil.

Xangô e Iansã no Candomblé de Nação

XANGÔ (Data festiva : 30 de Setembro) É considerado o rei da justiça, o senhor das pedreiras, o deus do trovão, o rei de Oyo, o Orixá de grande sabedoria; é tido como o patrono da política e principal alicerce do Candomblé no Brasil, sendo seus 12 ministros introduzidos na Bahia pelo Babalaô Ajimudá (Martiniano Bonfim) e tronejados pela grandiosa Iyalorisa Aninha Oba Biyi no Candomblé Axé Opô Afonjá. Seu elemento é o fogo. Em sua qualidade de Xangô Airá tem fundamento com Oxalá; na sua qualidade de Xangô Afonjá tem fundamento com Iyansan. Registram-se 12 qualidades, sendo as mais conhecidas: Aganju (o moço), Agodo, Aira, Afonja, "Xangô de Ouro" (é adolescente), Oni, Abolonei, Oro, Alafim, Bade, Soboadam, Adjaka e Oba-Kossu. Sua saudação no Brasil é: "Kao Kabiecile" !

IANSAN (Data festiva : 04 de dezembro) É a Iyaba que preside os ventos e tempestades, mulher de Xangô. Seu dia é quarta-feira. Seu "habitat" é o bambuzal. Suas cores básicas são: coral ou vermelho. Sua comida forte é o "acarajé". Registram-se, em literatura, 17 qualidades sendo as mais conhecidas: Oya, Onyra, Bagam, Egunita, Benek, Cenou, Bomini e Muriai, a Iansã-do-Bale que preside a festa dos Egun). Sincretismo: Santa Bárbara. Sua saudação no Brasil é: "Eparrey Iansan" !!!

Oxum e Oxumaré no Candomblé de Nação

OXUM (Data festiva : 08 de dezembro) É a "Cinda" (Grande Mãe) do amor, do ouro, do sábado. Dizem ser uma dos 15 Iyabas e Orixás saídos do ventre de Mãe Yemonja. Mora nas cachoeiras e as águas doces. Sua cor básica é o amarelo ouro. Registram-se 16 qualidades, sendo as mais conhecidas: Yaba-Omi (Mãe d'Água), Abae, Ioni, Acare, Bauira, Timi, Aquida, Ninsim, Oponda (a mais nova), Loba (a mais velha), Abote, Apara (usa espada e vive nas estradas com Ogum) e Abalo (muito vaidosa e usa leques). É sincretiza em N.S. das Candeias (Bahia) e N. S. da Conceição (Rio de Janeiro). Sua saudação no Brasil é: "Odociya, Cinda Lê" !

OXUMARÊ (Data festiva : 08 de dezembro) No rito Ketu, representa o Arco-íris. No rito Jeje, é Dangbe, a Serpente Sagrada. Sua comida votiva é o aipim ralado com os segredos da cozinha de santo. Registram-se 4 qualidades sendo a de Abessem - a Cobra Sagrada - a mais conhecida.

Obaluaê e Omulú no Candomblé de Nação

OBALUAIYE (Data festiva : 16 de Agosto) Significa o "Dono da Terra da Vida", o Médico dos pobres, o Senhor dos Cemitérios. Registram-se, no Candomblé, 12 qualidades sendo a mais conhecida Omolu (o Velho). Cultuam-se Obaluaiye (o Moço) e Omolu (o Velho). É sincretizado em São Roque e São Lázaro. Sua saudação no Brasil é: "Iatoto Baba"!!!

OMULU (Data festiva : 17 de dezembro) Afirmam-se em registros bibliográficos ser Omolu e Obaluaiye um só Orixá em dois estágios: Obaluaiye (o Moço), significa o "Dono da Terra da Vida"; Omolu (o Velho) significa o "Filho-da-Terra". É o médico dos pobres; o senhor dos cemitérios. Usa o aze (capacete de pele da Costa) ou o filah (capuz de palha da Costa) e carrega na mão o xaxara (feixe de fibra de palmeira, enfeitado com búzios) Seu dia é a segunda-feira. Sua comida forte é o doburu (pipocas sem sal, coco fatiado e regado com mel). Registram-se 12 qualidades atribuídas a esse Orixá, que também é considerado o mais antigo do Panteão Afro, sendo as mais conhecidas: Sapata, Xapanan, Xankpanan, Babalu, Azoane, Ajagum, Ajunsun e Avimage. É sincretizado em São Lázaro. Sua saudação no Brasil é:"Epa, Epa Baba" !!!

Ogum e Exú no Candomblé de Nação

OGUM (Data festiva : 23 de abril) Ogum é o Orixá Guerreiro, patrono da metalurgia e dos ferreiros em geral. Seu dia é a quinta-feira. É o Orixáa da forja, do vinho de palma, do mariwo, da virilidade, das missões julgadas impossíveis. É o guerreiro que dança com elegância de um lutador de esgrima. É a divindade do ar livre, por isso sua "ota" (pedra-de-assentamento) é assentada fora do Barracão. É sincretizado em São Jorge e São Sebastião. É costume dizer-se que existem 7 (sete) clãs de Ogum, sendo as formas mais conhecidas: Lebede ou Ogum-de-Le (o jovem), Meje (o sétimo e o velho), Obefaram, Mika, Ogunfa (mora com Ososi e Esu), Xoroque (vive nos portões e nas estradas com Esu). Suas ferramentas são: espada, facão, foice e enxada. Suas cores são: marrom, branco, azul, vermelho e amarelo. Suas ervas mais conhecidas são: o peregum, dracema vermelho, losna, aroeira e mangueira. Sua saudação no Brasil é: "Patakori, Ogum iye" !!! 

EXÚ (Data festiva : 24 de agosto) Alguns veneram-no como a um "Orixá" (há controvérsias semânticas), considerando-o irmão de Ogum e Oxossi, filho de Iemonja. Seu ritual específico é o Ipade e a sua oferenda o Ebo. È costume dizer-se que existem 16 clãs desse Ara Orun Imole, e várias qualidades, como: Ajikonoro (o compadre), Legba (de Omulu) Lalu (de Osala, Iemoja e Osum), Bara ou do Corpo (o velho), Bori (de Sango), Afefe (de Iansan), Ogum ou de Ferro (de Ogum), Alafia (da satisfação), Alaketu, Lon Bii, Elekenae, Ajalu, Tiriri, Vira (é feminino), Tamentau, Rum Danto, Aluvaia, Paraná, Marambo, Bombom-Ngera, Sinza Muzila, Lonan, Gikete e Jubiabá. Nossa saudação ao "Sêo" Tiriri! Conta a tradição: Olorum deu a Oxalá o domínio da Ordem e a Ifá a comunicação entre os Homens e os Orixás, através dos Odus Ifás transportados e vigiados por Exú, ligando assim os dois extremos das variações espirituais. Por isso, Exú é o Mensageiro Divino; o número de Exú atribuídos para acompanhar cada Orixá é variável: Omulu=25, Nanan=31, Iansan=25, Ogum=21 e Ifá=16 que correspondem aos 16 Odu Agba do Opele Ifá. Mas, na verdade, são raros os "filhos-de-fé" que têm "carrêgo" de Exú nos Candomblés Sudaneses. Sua saudação no Brasil é:"Laroye, Esu" !!!

Iemanjá e Nanã - NOS CANDOMBLÉS DE NAÇÃO

(Data festiva : 02 de fevereiro) É a Iya-mi (Senhora minha) da grande prole, a divindade do Rio Ogum, na África, que vive no Mar com sua mãe Okun. Pode ser representada por uma senhora idosa (Ogunte) ou por uma linda jovem (Soba). Em geral vestem-se de azul e branco, mas usam, também, o rosa e o vermelho. Trazem nas mãos o abebe (leque de metal prateado); na cabeça usam o ade (franjas de contas) cobrindo-lhes os rostos; usam o (colar) fios de contas brancas e transparentes; usam pulseiras de metal branco. Sua comida considerada forte é a "galinha-de-Angola". No rito Jeje é Abe, representada pela Estrela Guia; no rito Angola é Dandalunda ou Quissimbe. É costume dizer-se que existem 7 qualidades dessa Iya-mi, porém destacamos: Surue, Ainum e Ogunte. É sincretizada em Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora da Conceição; por isso é também, comemorada em 15 de agosto e 8 de dezembro. Sua saudação no Brasil é:"Odoya" !!! 

NANAN (Data festiva : 26 de Julho) Registram-se ser todas as Nanan de origem Jeje; donas das tempestades, do lamaçal e dos pântanos; senhoras donas do Portal da Vida e da Morte. Seus elementos são: terra e água. Seus "filhos-de-fé" são supostamente longevos, pois esta Yaba é considerada a mais antiga do Panteon Afro. Registram-se 31 qualidades desta Yami Nla (Grande Mãe), sendo as mais conhecidas: Nene Adjaosi, Sussure e Buruku. Sua saudação no Brasil é: "Saluba aiye, Nanan" !!!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Divindades Ancestrais, qualidades de Exú - o Senhor dos caminhos


Uma das divindades ancestrais iorubanas que mais escandalizou, confundiu e exasperou aos primeiros catequistas árabes e europeus em África foi o Imole Esu, sobretudo porque eles, reagindo aos estímulos de seus próprios subconscientes e aos tabus sócio-religioso-culturais da época, superestimaram um dos atributos deste Imole, qual seja, o de estimulador e regulador da natural atividade sexual, sem a qual não há procriação animal ou humana. À época, esses primeiros catequistas não se deram conta que estavam imergindo em uma civilização africana autóctone e guerreira, agrícola e pastoril, aonde a atividade sexual regulamentada pela sociedade não era um "pecado" e sim uma benção sempre solicitada às Divindades porque significava a segurança de uma grande descendência. Sim, o mesmo conceito bíblico do "crescei e multiplicai-vos"! 

Mas, na sua feroz repressão a este atributo e à sua representação fálica, esses catequistas "esqueceram-se" das outras atividades primordiais desse Imole! E esse "esquecimento" influenciou duradouramente até aos iorubanos escravizados e "catequizados" no Brasil, fazendo com que eles pouco repassassem aos seus futuros descendentes e/ou dependentes religiosos outros atributos mais importantes que haviam por detrás daquela representação fálica agora repudiada. Do Mito da Criação Universal, segundo os Iorubás.

É em respeito ao conceito ancestral que os Iorubanos tinham de suas Divindades que temos aqui os principais 16 (dezesseis) títulos descritivos dos atributos que o Imole Esu tinha. Também só nos referiremos aqui a Exu por seu título ancestral iorubano de Imole ou "Ser Sobrenatural de Categoria Divina", para bem diferenciá-lo do conceito de Satã, Caipora ou Êxú de Tronqueira que a perda de valores religiososo africanos, causada sobretudo pela escravidão e o sincretismo forçado com o Catolicismo e o Islamismo, permitiu insinuar-se até na mente de muitos que se dizem "Pai de Santo".

Assim, com o devido respeito, começamos por saudar ao Imole Esu:
Mo ju iba, Esu Oba Baba awon Esu! Iba se, o! Saudações, Esu Senhor e Pai de todos os Esus! Que esta homenagem se cumpra! E pedimos-lhe Ago ou "licença" para citar o seu Orisirisi ou "Contos Imemoriais" onde se fala de seus dezesseis maiores atributos, sobretudo ligados ao Culto de Ifá, e que são tão negligenciados hoje em dia até pelos seus El'esu ou "Sacerdote de Exu"!

Eis aqui seus dezesseis títulos e suas correspondentes "qualidades", os quais sempre foram ligados aos 16 Odu ou "Fundamentos de Tradição" dos Itan Ifa ou "Contos de Ifá" de Ile Ife ou "Cidade Santa de Ifé":

1. Esu Yangi   -------------- o Senhor da Laterita Vermelha 
2. Esu Agba   -------------- o Senhor Ancestral 
3. Esu Igba Keta --------- o Senhor da Terceira Cabaça 
4. Esu Okoto -------------- o Senhor do Caracol 
5. Esu Oba Baba Esu -- o Rei e Pai de todos os Eshus
6. Esu Odara --------------- o Senhor da Felicidade 
7. Esu Osije ---------------- o Mensageiro Divino 
8. Esu Eleru ---------------- o Senhor da Obrigação Ritual 
9. Esu Enu Gbarijo ------ o Senhor da Boca Coletiva 
10. Esu Elegbara -------- o Senhor do Poder Mágico 
11. Esu Bara -------------- o Senhor do Corpo 
12. Esu L'Onan ---------- o Senhor dos Caminhos 
13. Esu Ol'Obe ----------- o Senhor da Faca 
14. Esu El'Ebo ----------- o Senhor das Oferendas 
15. Esu Alafia ------------- o Senhor da Satisfação Pessoal 
16. Esu Oduso ----------- o Vigia dos Odus 
Pouca semelhança entre estes nomes e aqueles que, hoje em dia, se lhe atribuem! Somem a estes nomes Assim, tendo visto as denominações, vejamos agora as qualificações. Esu Yangi é a sua primeira forma mais importante e a que lhe confere a qualidade de Imole ou "Divindade".

Imole Esu foi criado diretamente por OLORUN, mas não da própria e primordial matéria divina, da qual Ele já havia feito Obatala e Oduduwa, o Casal Divino, mas sim daquela matéria que iria formar toda existência genérica subseqüente, ou seja, a Eerupe ou "Lama", da qual seria criada também toda a Humanidade que um dia Ebora Iku ou a "Morte" devolverá a essa mesma lama.

Então, Imole Esu é o primeiro Ser criado da Existência Genérica e o símbolo por excelência do Elemento Criado. Por isso ele é chamado também de Esu Agba ou "Eshu Ancestral". Assim, os seus assentamentos ou sacrários mais antigos e tradicionais eram um simples pedaço de Laterita vermelha enfiado no solo, na Orita Meta ou "Encruzilhada de Três Caminhos". Algumas vezes, a Laterita vermelha estaria cercada por 7, 14 ou 21 hastes de ferro, mas deste metal bem enferrujado que é o "esqueleto" do metal novo.

Como os mitos da Criação, segundo os Iorubás, demonstram que Imole Esu foi criado logo após Obatala e Oduduwa por OLORUN, ele é, portanto, o Igba Keta ou a "Terceira Cabaça" ou o "Terceiro Criado", sendo símbolo da Existência Diferenciada e, em conseqüência, o elemento dinâmico que leva à propulsão, à mobilização, à transformação e ao crescimento. Nesta variante múltipla, ele é o princípio dinâmico que participa forçosamente de tudo o que virá a existir. E assim foi-se processando a Criação, segundo o Credo Iorubá.

Os Orisirisi Esu continuam contando como Imole Esu logo descontrolou-se e começou a devorar toda a existência, sendo obrigado por Orunmila, após uma longa perseguição, a vomitar tudo de volta; entretanto, tudo em maior quantidade, muito melhor e mais perfeito do que quando o ingerira. E, tendo sido picado em milhares de pedaços pela espada de Orunmila, transformou-se no "Mais Um" ou o "Um multiplicado pelo Infinito", no Esu Okoto ou "Eshu do Caracol", cuja estrutura óssea espiralada parte de um ponto único, abrindo-se para o Infinito e no qual os Iorubanos conceituavam o crescimento e a multiplicação.

Desta forma, Esu Yangi também multiplicou-se “infinitamente" e, tendo se tornado no símbolo da restituição e da recomposição, tornou-se ele próprio no Oba Baba Esu ou "Rei" e o "Pai" de todos os outros Imole Esu que dele seriam e foram "cortados” e que para sempre acompanhariam os Imole e todos os mortais. Os Ese Itan Ifa ou "Versos dos Contos de Ifá", contam-nos a razão da denominação das outras variantes múltiplas de Imole Esu.

Numa explanação livre dos versos desses Contos, no que se refere ao Imole Osetuwa, podemos ler que quando os Imole vieram à Terra para coadjuvar Obatala e Oduduwa a reger a Criação, OLORUN ensinou-lhes tudo quanto precisavam saber para que a vida na Terra fosse Odara ou "Feliz". Mas, apesar de os Imole fazerem tudo quanto lhes tinha sido prescrito por OLORUN, sobrevieram na Terra todos os tipos de desgraças, sobretudo uma terrível e prolongada seca.

Os Imole reuniram-se e chegaram à conclusão de que os fatos desastrosos estavam além da sua compreensão e que deveriam mandar alguém, sábio e instruído, à presença de OLORUN para que Este lhes mandasse a solução dos problemas que afligiam a Terra, agora sob o risco de total desaparecimento. Orunmila, o Orixá da Divinação Sagrada, partiu nessa missão e data daí o fato de que ele passou a ser um dos três Imole que podem apresentar-se perante OLORUN e suportar-Lhe o esplendor.

Ao lhe ser permitido facear OLORUN, Orunmila ouviu Dele que a razão para todas as desgraças que assolavam a Terra estava no fato de que eles, os Imole, não haviam convidado para morar no Ode Aiye, ou seja, a "moradia dos Imole na Terra", ao Ser que se constituía no décimo sétimo dentre eles. Quando assim o fizessem, tudo voltaria a frutificar! E foi assim que Orunmila tornou-se o "Arauto de OLORUN" para a ligação dos dois mundos, o Orun ou "Além" e o Aiye ou "Terra".

Retornando ao Ode Aiye, Orunmila começou a procurar pelo "décimo sétimo", o qual deveria ser convidado a morar com eles. Depois de muitas tentativas infrutíferas, decidiram que uma poderosa Aje ou "Senhora do Feitiço" - a Ebora Osum - deveria conceber um filho de Oso ou "Senhor do Poder Mágico", filho esse que receberia, ainda no ventre materno, o Ase ou "Força Mágica" de todos os Imole por imposição conjunta de suas mãos, para que se transformasse assim no Mensageiro por excelência das Oferendas dos Imole e se acabassem as desgraças que assolavam a Terra. Assim foi gerado um filho do "Feitiço com o Poder Mágico", o qual recebeu o nome de Osetuwa e este novo Orixá Gerado passou a tentar cumprir o seu dever de mensageiro, mas sem obter absolutamente nenhum sucesso! Até que um dia, em aflição, lembrou-se de procurar o quase desconhecido Imole Esu Odara ou "Eshu da Felicidade", para pedir-lhe conselhos e ajuda.

E Osetuwa dirigiu-se a Esu Odara e pediu-lhe a ajuda para levar as Oferendas dos Imole a OLORUN. E Esu Odara respondeu a Osetuwa: -" Como??? Jamais pensei que você viesse me avisar antes de partir! Por este seu gesto, hoje o Orun lhe abrirá as portas."- E, então, Osetuwa e Esu Odara puseram-se a caminho e partiram em direção aos portões do Orun.

Quando lá chegaram, as portas já se encontravam abertas! Osetuwa, então, pôde entregar as Oferendas dos Imole a OLORUN e Este, aceitando-as por virem através de Imole Esu, deu a Osetuwa ..."todas as coisas necessárias à sobrevivência do Mundo". Osetuwa voltou ao Aiye ou "Mundo Material" e tudo frutificou novamente! Tão gratos lhe ficaram os Imole que o cobriram de presentes e o celebraram como o único dentre eles que conseguira levar as Oferendas ao Orun. Mas Osetuwa, com humildade, levou todos os presentes que recebera e deu-os todos a Esu Odara.

Quando os deu a Esu, o mesmo disse: -“Como??? Há tanto tempo eu entrego os sacrifícios e nunca houve ninguém para retribuir-me a gentileza!"- -“Você, Osetuwa, todos os sacrifícios que eles fizerem sobre a Terra, se não os entregarem primeiro a você para que você os possa trazer a mim, farei com que as Oferendas não sejam aceitas!"- E foi assim que Osetuwa tornou-se em um poderoso Akin Oso ou "Manipulador do Poder", duplamente por seu nascimento e pela confirmação de Imole Esu Odara, por ter mostrado a todos os Imole que Esu era realmente o Osije ou "Mensageiro Divino" e que também tinha o poder de aceitar ou recusar os sacrifícios rituais porque era o verdadeiro Eleru ou "Senhor da Obrigação Ritual".

A partir de então, os seiscentos Imole decidiram dar ao Imole Esu um “pedaço de suas próprias bocas” para que ele pudesse falar por todos, quando fosse perante OLORUN, pois era patente que ele era o outro Imole, além de Orunmila, que podia apresentar-se perante OLORUN. Imole Esu, muito sabiamente, “uniu todos esses pedaços em sua própria boca” e assim tornou-se o Enu Gbarijo ou "Boca Coletiva" de todos os Imole. Desde então, como retribuição de Esu aos outros Imole, cada um destes possui ao seu lado o seu Esu Okoto ou "Eshu do Caracol", o "Mais Um", a quem ambos delegam os seus poderes. Desta forma, por delegação espontânea de todos os Imole, Esu tornou-se também o Elegbara ou "Senhor do Poder Mágico".

E como toda a Criação é também regida pelos Imole, todo o Ser vivente no Aiye ou "Mundo", assim como possui o seu Olori, ou seja, o seu Orisa ou sua Ebora, que são o "Senhor" ou a "Senhora" de sua Ori ou "Cabeça", também tem que ter o seu Esu Bara ou "Esu do Corpo", pois Bara vem de Oba=Senhor + Ara=Corpo. Isto explica muitas coisas que são atribuídas nos cultos afro-brasileiros a Exú, pois que ele é responsável pela natural atividade sexual, que é um atributo do corpo, pois sem ela não há procriação, que é multiplicação e abundância, quer seja vegetal, animal ou humana. E, para isso, Imole Esu, sendo o Elegbara e o Bara, recebeu de OLORUN os instrumentos-símbolos desta sua ação dinamizadora e frutificadora: - o Ado Iran, a Cabaça arredondada de longo pescoço, o recipiente de poder mágico que contém inesgotável Ase ou Força Mágica, bastando ser apontada a um objetivo para emanar e propagar esse poder mágico; - o Gorro ou Penteado tradicional em coque de ponta alongada e caída, terminada na forma da glande peniana humana, símbolo da Reprodução.

Daí ser o pênis humano, em ereção, uma de suas mais populares e ancestrais representações, feitas em pedra, como as da localidade africana de Tondediru, ou, mais simplesmente, modeladas em barro à beira dos caminhos. E este foi, como já dissemos no início, um dos aspectos de Imole Esu que mais escandalizou os missionários de outras religiões, que então dispararam contra ele todas as suas “armas”. Nunca atentaram para o fato de que em nenhum dos milhares de Versos de Contos de Ifá, Imole Esu jamais - repitamos - jamais assume a função de procriador e mais: suas diversas formas multiplicativas têm por origem a divisão do seu próprio Ser em “milhares” de partes pela espada de Orunmila. Mas Imole Esu tinha uma outra função capital que despertou o interesse dos catequistas das novas religiões, que nela viram a oportunidade otimizada para a destruição de sua importância entre os Iorubás: a sua função de Executor Divino.

Como Imole Esu é o Mensageiro Divino e o Senhor do Carrego Ritual prescrito por Orunmila-Ifa, ele é também o L'Onan ou "Senhor dos Caminhos", tanto dos benéficos (Ona Rere), quanto dos maléficos (Ona Buruku), que ele abre ou fecha aos mortais conforme verifique se os sacrifícios prescritos aos fiéis foram ou não cumpridos, ajudando aqueles que os cumprem e punindo os que, devidamente avisados, não o fazem. Por isso, ele é também o Ol'obe ou "Senhor da Faca", significando ser o Executor dos Sacrifícios, mas também, no sentido ritualístico, "Aquele que tem o poder de vida e morte".

À Obe ou "Faca", Imole Esu junta ainda a sua Opa ou "Bolsa", na qual carrega os seus objetos ritualísticos mágicos, entre eles os "fragmentos de cabaças", símbolo do Ser destruído mas, por sua vez, destruidor, talvez um dos seus emblemas mais temidos e somente manipulados por seus El'esu, ou seja, pelos Sacerdotes do Imole Esu. Por tudo isso, Imole Esu está sempre "do lado de fora", nos “caminhos”, onde tem seu lugar predileto, a Orita Meta ou "Encruzilhada de Três Caminhos", onde ele aceita, carrega, transporta e premia, mas, também, de onde vigia, adverte, recusa e pune.

Foi então que os primeiros catequistas de outras religiões passaram a pregar que todas as desgraças acontecidas aos fiéis dos Orisa Yoruba, merecidas ou não, derivavam da ação nefasta e indiscriminada de Imole Esu, o qual apenas faria o Mal pelo Mal. Por sua vez, o povo Yoruba escravizado viu nesta interpretação equivocada de Executor por Malfeitor, uma nova arma para se defenderem e passaram a ameaçar abertamente os seus inimigos com as artes punitivas do Imole Esu, que assim começou a transformar-se em "Êxú" e a sincretizar-se, nas mentes mais fracas, com a figura do "diabo” medieval católico.

Daí a ele começar a ser representado e apresentado como um Ser tenebroso e mau foi apenas a mesma “descida de ladeira” por onde escorregaram os sincrético cultos afro-brasileiros, notadamente a Umbanda Popular, até estarem lançadas as bases do “sincretismo dentro do sincretismo" e aparecer a Kimbanda que, na verdade, nada mais é que o "ponto mais alto da curva do desespero” a que foram lançados os povos escravizados no Brasil. Mas, na realidade, no Credo Iorubá, Imole Esu é o símbolo, não da subtração, mas sim da restituição que os humanos devem fazer, através de Oferendas, daquelas coisas que eram necessárias à sobrevivência do Mundo e que OLORUN deu aos Imole Osetuwa e Esu para salvá-la e não para destruí-la.

E é na execução das Oferendas com esta intenção, que só Esu Elebo ou "Senhor das Ofendas" é capaz de tornar aceitável a OLORUN, que está a "chave" que permite ao fiel alcançar o seu objetivo. E se conseguir alcançar o seu objetivo, naturalmente obterá também a satisfação (Alafia) dos seus anseios maiores; assim, deve agradecer também a Esu Alafia ou "Senhor da Satisfação Pessoal".

É sobretudo sob as múltiplas variantes de Bara, Enu Gbarijo, Elebo e Alafia que o Orisa Orunmila se utiliza do Imole Esu para poder atuar como o Arauto dos Awon Orisa sobre os destinos humanos na Divinação Sagrada de Ifá, quer através do Opon ou "Tabuleiro" e do Opele ou "Corrente de Ifá", quer através dos "Búzios". Por isso mesmo, os Odu ou "Fundamentos de Tradição" sempre aconselham a Pa Esu, ou seja, a apaziguar ao Imole Esu e não a tentar suborná-lo para ter um “malfeitor” às ordens.

Imole Esu é, pois, o Princípio Restaurador do Equilíbrio no Credo Iorubá. Daí as suas representações pouco conhecidas, à fora sua representação fálica, ora “fumando cachimbo”, simbolizando a absorção e a ingestão, ora “tocando flauta”, simbolizando a doação e a restituição. E assim, os Orisirisi Esu contam corno ele distribui generosamente crescimento e honras, “vomitando-os" após ter ingerido todo tipo de alimentos e bebidas rituais das Oferendas e como há um determinado elemento, o Aasaa ou "Fumo de rolo" picado que infalivelmente provoca essa inusitada transformação, multiplicação e restituição”.

Tudo isso ele assim faz em troca de somente três coisas: a coragem do fiel em tentar cumprir seu próprio destino; respeito do fiel aos Fundamentos de Tradição dos Orixás e a oferta de seu Ebo ou "Oferenda" específico que lhe é destinada no seu ritual próprio, o Ipade, cujo literal significado é justamente “ato de reunião de apaziguamento” e não para pedidos de destruições e vinganças aleatórias, como pensam aqueles que, na verdade, não conhecem a essência do Senhor Imole Esu, porque se esqueceram ou não conhecem mais as suas raízes espirituais ancestrais, ou, pior ainda, as renegam!

A oferenda Ebo é constituída de elementos materiais muito simples, mas de profundo significado, ao contrário do que se vê "despachado" pelas esquinas de nossas cidades e que quase não guardam relação alguma com o seu significado original: - Omi (a Água), a Oferenda por excelência, que fertiliza, apazigua e vitaliza tanto o Além quanto a Terra, especialmente se for a Omi Ato (água de chuva), a “Água-sêmen” do Céu! - Epo (o Azeite de Dendê): símbolo da dinâmica da realização, da descendência, relacionada com o Eje Pupo ou “sangue vermelho” ou essência do Vermelho dos elementos gerados; - Otin (bebida destilada branca): vinho de palmeira em áfrica e cachaça no Brasil, relacionada com o Eje Funfun ou “sangue branco” ou essência do Branco dos elementos geradores; - Iyefun (a farinha): qualquer farinha, a qual é símbolo do Eje Dudu ou “sangue preto” ou essência do Preto dos elementos gestantes e fecundos, como o Akasa, bolinho de pasta branca de milho deixado de molho, ralado e cozido, envolto na folha africana Ewe Eko, no Brasil, substitída pela "folha de bananeira".

Dito isto (e mais haveria), eis porque tão poderosa divindade sempre foi e ainda é cultuada e servida antes até que servidos e cultuados sejam os Orixás, em qualquer situação e lugar ... Remarquemos a mais que, especificamente no Ebo de seu Ipade, Imole Esu não recebe sangue animal e sim seu sucedâneo transmudado - o Epo ou "Azeite de Dendê". Assim, sem ferirmos a Tradição Ancestral, podemos afirmar que é um direito da Corrente Astral do Aumbhandan - A Umbanda Esotérica Iniciatica e astrológica - não se utilizar de sacrifícios de sangue, nem mesmo para preceituar tão poderosa divindade.

Usos e costumes ancestrais de outros povos, legítimos e fundamentados à sua época, podem muito bem serem transmudados em novos tempos, como já acontecia mesmo em África, aonde os Babalawos tinham, a seu critério, o poder de substituir os animais preceituados para oferenda por suas penas, escamas e couros, devendo o valor de mercado do animal a ofertar ser distribuído, em esmolas, entre os carentes de sua comunidade.

E, muito embora nas lendas populares, Imole Esu passasse a ser conhecido como "manhoso", “trapaceiro" e notoriamente "encrenqueiro", mormente se não for "apaziguado" por seu Ebo, a sua suposta imagem de malignidade decorre, na verdade, de ele ter o importante papel de Executor Divino, punindo aqueles que descuram as oferendas prescritas para eles, mas recompensando aqueles que as cumprem. Entretanto, ele nada faz por conta própria, servindo fielmente a OLORUN e ao Orisa Orunmila-Ifa.

Também, os Orisa e as Ebora podem convocá-lo para se utilizar da variedade de punições postas sob o seu comando. E isto porque, com imensa sabedoria, o Credo Iorubano ancestral prega que Orisa algum pune diretamente seus “Filhos", mesmo os transviados, os transgressores e os ofensores: isto é função do Imole Esu. Os Versos dos Contos de lfá dizem que Imole Esu é também encarregado por OLORUN para vigiar as ações de outras Divindades no Aiye ou "Terra". E isto só pode se dar, dizem os fiéis, porque ele é notável e notoriamente equânime no seu papel de Executor Divino.

É por tudo isso que todos os devotos de todas os Orisa e Ebora se voltam para Orunmila-lfa em tempos de dificuldades, buscando essa equanimidade e, a conselho dos Babalawo, oferendam a Imole Esu e, por seu intermédio, a OLORUN. Para que os Babalaôs não se excedam nas prescrição dessas oferendas, Imole Esu está sempre presente na Divinação Sagrada de Ifá, como o décimo sétimo Ikin ou "Coquinho de Dendê", o Olori Ikin ou "Senhor da Cabeça dos Coquinhos de Dendê Consagrados", o qual leva a sua efígie gravada. Por essa razão, este décimo sétimo lkin é também chamado de Oduso ou "Vigia dos Odu", do verbo Iorubá So ou "Vigiar", ou seja, colocado no Tabuleiro de Ifá em uma posição tão privilegiada quanto a do Babalaô, ele representa Esu Oduso que é o Vigia dos Odu ou "Signos-Resposta" do Sistema lfá e, conseqüentemente de suas verdadeiras interpretações pelos Babalaôs, pois todo o bom cumprimento do Iwa ou "Destino" do Consulente depende de se bem compreender a Mensagem que Orisa Orunmila quer transmitir ao Consulente.

Daí se compreender que a ligação do Imole Esu com o "Jogo de Ifá" é inquestionável. Assim, como vemos, Imole Esu não é nem mau nem tenebroso, antes, pelo contrário, freqüenta o Orun ou "Além", reporta-se diretamente a OLORUN e dialoga com os Imole ou Divindades e com os Onile ou Antepassados. Ele também não é indiscriminadamente vingativo , mas é o Transformador Divino que trata com equanimidade Divindades, Ancestrais, Babalaôs e Humanos por ordens de OLORUN. E nada executa por sua própria vontade, mas cumprindo fielmente as ordens de OLORUN e os ditames do Iwa ou "Destino" livremente escolhido por cada Ori Orun ou "Individualidade no Além" de cada fiel e, através de Orunmila-Ifa, cumpre também as ordens das Divindades.

E se ele é considerado “trapaceiro" e “encrenqueiro”, o é pelos culpados, porque ele é o fiscal de OLORUN junto aos Orisa e, ainda, o Vigia dos Babalaôs e do bom cumprimento das obrigações rituais e sacrificiais por cada Fiel. E se ele pode até matar, conforme se lê em diversos Ese dos Itan Ifá, é também ele que representa a Vida e a sua dinamização ou continuação, através do legítimo e natural prazer sexual que leva os humanos a procriar.

E se assim é há milênios, a Imole Esu só é devida a coragem de cada fiel em tentar realizar o seu Destino livremente escolhido antes de nascer, a sua Oferenda específica - o Ebo - do seu ritual Ipade e a nossa saudação, não de medo ou horror, mas de respeito, como a ele fez Osetuwa: — "Agba Esu, Mo ju iba ! Iba se o!“ — — "Esu Ancestral, presto-lhe minha homenagem!“- -“Oh! Que esta homenagem se cumpra!"

De parte de um dos Versos dos Contos de Ifá, o do Odu Obara Meji: Obara ni, ki ndojubole Ki n'ba buru, Ki Elegbara o jeki ngo lo Nje ikuderin Moforibale l'Elegbara. —"Obará Meji pediu que eu me prostrasse em reverência, cobrindo minha cabeça. Que eu deveria me prostrar e me cobrir em respeito, para que Elégbará me permitisse prosseguir em meu caminho de felicidade e riqueza. Assim, minha morte transformar-se-á em longa vida de alegria.

Portanto, curvo-me ante Elégbará!" — “ Por favor, peça a OLORUN que aceite esta oferenda e alivie meu sofrimento!"— Tó! (Assim seja!) Adupê, ó!
 

Olorun, criação dos orixás, os lados esquerdo e direito


"OLORUN, com seu próprio Hálito Divino, criou o Irunmole Orisa Orisanla, de Orisa (Ôrixá) + Nla (Grande), a "Grande Divindade Masculina da Qualidade do Branco". Em seguida, OLORUN criou a Igbamole Oduduwa, a Iyangba, de Iya (Mãe) + Ni Gba (que recebe), a "Grande Divindade Mãe da Qualidade do Preto". 

Ao Irunmole Orisa Orisanla e à Igbamole Oduduwa, OLORUN delegou os poderes para a geração e gestação de todas as condições para que os Seres existissem no Além e no Universo. Em terceiro lugar, com a Eerupe ou "Lama", mistura de Água e Terra, mas também vivificada por Seu Hálito e Centelha Divina (Fogo e Ar), OLORUN criou o Imole Esu Agba, o "Terceira Cabaça", ou "Terceiro Ser Criado" ou ainda, o "Esu Ancestral", o Imole da Dinamização, da Transformação e da Restituição, quer no Além ou quer na Terra-da-Vida e, portanto, portador de todas as Qualidades do Vermelho, do Preto e do Branco. 

O Imole Esu Agba é, portanto, o primeiro Ara Orun ou "Corpo do Além", ou seja, a "Primeira Individualidade Espiritual" a ser criada com o concurso da Matéria combinada: Fogo (Centelha Divina), Ar (Hálito Divino), Água e Terra (Eerupe, a Lama). Sua qualidade de "Terceiro Ser Criado" o constituiu em Osije ou "Mensageiro Divino" com permissão expressa de se apresentar perante OLORUN que somente receberá Oferendas se elas forem conduzidas por Imole Esu Osije. 

Em seguida, houve a Criação de todos os Awon Imole, os muitos "Seres Sobrenaturais de Categoria Divina", ainda criados diretamente por OLORUN, ou seja: Num primeiro momento da Criação, OLORUN criou os Awon Irunmole Orisa Funfun (os Seres Sobrenaturais Masculinos da Qualidade do Branco). Conheceram-se 50 (cinqüenta) deles que realmente portam o nominativo Orisa e que são considerados não gerados mas geradores; pertencem ao Oju Kotum (Lado Direito); ao Irinwo (Poder Gerador Masculino); à Iwa (Classe de Poder da Existência), expressado materialmente pela cor Funfun (Branca). 

O principal Irunmole Orisa Funfun é, como já vimos, Orisanla. Daí decorre seu maior título Obatala - de Oba (Senhor) + Ni (tem) + Ala ( a Veste Branca), ou seja, o "Senhor que tem a Veste Branca". Em seguida, vem o Orisa Funfun cujo título é Orunmila, porque dizem os Awon Babalawo ancestrais de Ile Ife, a Cidade Santa dos Iorubás, que este nominativo significa "Aquele que pode abrir o Além", provindo de : Orun (Além) + Emi (Eu) + Ela (Abrir). 

E é realmente Orunmila, o Orisa que responde à preces dos Humanos, através do A Da Ifa Fun ou "Criar Ifá para alguém" de sua Adivinhação Sagrada pelo Opon Ifa (Tabuleiro de Ifá) e o Opele Ifa (Corrente de Ifá). Desta forma, Orunmila-Ifa é o Arauto dos Desígnios de Deus para os Destinos Humanos e que, para isso, pode apresentar-se frente a OLORUN e suportar-lhe o magnífico esplendor. 

Num segundo momento da Criação, OLORUN criou as Awon Igbamole Iyangba Dudu (os Seres Sobrenaturais Femininos Grandes Mães da Qualidade do Preto), dentre elas a Iyangba Nanan Buruku ou a Grande Mãe Ancestral da Qualidade do Preto (dudu), ainda que por vezes se as chamem pelo termo Iya Mi ou "Senhora Minha". 

Elas pertencem ao Oju Kosi (Lado Esquerdo), à Igba (Poder Gestante Feminino), à Aba (Classe de Poder da Essência), expressado materialmente pela cor Dudu (Preta). Conheceram-se muitas delas que são consideradas as "não geradas" mas "gestantes". Entre elas podemos citar : Yemideregbe ou "Aquela que vem da Laguna" que, no Brasil, é conhecida como Iemanja ou "a Mãe dos Filhos-peixes". Do relacionamento mitológico dos Irunmole Irinwo Funfun com as Igbamole Iyangba Dudu, surgiriam outras duas classes de Seres Sobrenaturais considerados como Descendentes Masculinos e Descendentes Femininos desses relacionamentos: Os Omode Okunrin ou "Descendentes Masculinos" pertencem ao Ase (Classe de Poder da Realização), expressado materialmente pela cor Pupo (Vermelha), ou então, por múltiplas combinações das três cores-símbolos: Branco, Preto e Vermelho. Classificam-se junto ao Ojun Kotum (Lado Direito da Criação) e, apesar de não pertencerem exclusivamente ao Funfun (Qualidade da Brancura), são também denominados por Orisa Omode Okunrin ou seja "Orixá Descendente Masculino". 

As Omode Obirin ou "Descendentes Femininos" também pertencem ao Ase (Classe de Poder da Realização), expressado materialmente pela cor Pupo (Vermelha), ou então, por múltiplas combinações das três cores-símbolos: Branco, Preto e Vermelho. Classificam-se junto ao Oju Kosi (Lado Esquerdo da Criação), e, apesar de não pertencerem exclusivamente ao Dudu (Preto), são também tratadas por Ebora Iyami, porque este termo também pode traduzir-se por "Senhora" (Iya) "Minha" (mi), o que gerou muitas confusões posteriores entre os conceitos das Entidades Grandes Mães Gestantes (Iyangba Iyami = Minha Grande Mãe Ancestral) e o das Entidades Filhas Geradas (as Ebora Iyami = Entidade Feminina Senhora Minha), quando da transposição, durante o cativeiro no Brasil, da Teologia em língua Iorubá para as Lendas contadas em língua portuguesa estropiada. 

Vê-se, assim, que a classificação de Imole (Seres Sobrenaturais de Categoria Divina) abrange a todos os Ara Orun (Seres do Além) que não sejam os Onile (Senhores da Terra ou Ancestrais). Ela é uma classificação superior comum a todos os Seres Sobrenaturais de Categoria Divina. Assim, ao se dizer que tal ou qual Entidade Espiritual é, ou não, um Orisa ou uma Iyami ou uma Ebora, não se está de maneira alguma rebaixando o seu "status" espiritual e sim melhor qualificando-o quanto a sua função/atuação na Hierarquia Divina. 

Desta forma, quanto à sua atuação mais ancestral, aceita e ensinada pelos Babalawo, o Imole Esu não é um Orisa porque não pertence à Brancura. Ele pertence à uma categoria única, exclusiva e importantíssima na Classe dos Imole: a posição de Terceiro Criado diretamente por OLORUN. Imole Esu, não tendo sido gerado, também não é gerador; pertence igualmente ao Oju Kotun e ao Oju Kosi, pois como Osije ou "Mensageiro Divino" anda por todos os Nove Além. 

Por ser o Grande Dispensador do Poder do Iwa, Aba e Ase carrega em seu Ado Iran (Cabaça Mágica) as múltiplas combinações das três cores-símbolos Funfun, Dudu e Pupo. Também, por delegação unânime de todos os Orisa, das Iyami, dos Orisa Omode Okunrin e as Ebora Omode Obirin, ele é o Enugbarijo (o Boca Coletiva), capaz de falar por todos nós a OLORUN no momento que em que for cumprir sua missão de Mensageiro Divino. 

Assim sendo, toda essa classificação dos Seres Sobrenaturais de Categoria Divina, hoje conhecida como parte da "Dijina dos Ôrixás", é muito importante quando dos rituais de "feitura" dos fiéis e/ou do "Assentamento" de uma Entidade Espiritual num lugar devocional mas, no Brasil, após a perda de valores iniciatórios causada pela escravidão e a catequese católica forçada, mais a conseqüente reunião de todos os Seres Sobrenaturais em um só espaço físico - inicialmente o do Candomblé de Nação - o apelativo de "Ôrixá" firmou-se para designar a todos os Seres Sobrenaturais de Categoria Divina indiscriminadamente, quer fossem da Direita ou da Esquerda, ou, quer fossem "Pais", "Mães" ou "Filhos", quer, ainda, fossem da qualidade do Preto ou do Vermelho. 

Alguns, até chamam Esu por "Ôrixá" porque pressentem sua importância, mas desconhecem sua verdadeira essência !!! O próprio Orisanla, no Brasil, ficou mais conhecido pela contração do termo Orisa Nla em Orinxanalá, depois em Oxanlá e posteriormente criando-se a nova fonética "Oxalá", sob a qual é passou a ser muitas vezes confundido com OLORUN e, outras vezes, sincretizado com as características católicas e esotéricas do Senhor Jesus, o Cristo. 

A principal Igbamole Ebora Dudu é a grande Divindade do Preto, a Igbamole Iyangba Oduduwa que é a Parceira Gestante do Casal Divino, mas que está praticamente esquecida no Brasil. Como esquecidos estão Oranfe, Agbona, Erikiran, Erinle, Oluwa, Oke, Agbala, Ikire, Hoho, Ija, Olufon, Eteko, Oluorogbo, Oluwonfin, Oxaogiyan, etc... Desta forma, assim, mais tardiamente, a própria a Umbanda Esotérica fixou seus parâmetros sobre as características esotéricas de apenas um Orisa Funfun, cinco Irunmole e uma Iyami, mas também chamando a todos por "Ôrixá": Oxalá, Ogum, Oxosse, Xangô, Yemanjá, Yori (Ibeje), Yorimá (Obaluaiye). Mas, ainda no Brasil, o maior dos esquecidos foi o Ara Orun Imole Irunmole Orisa Funfun Oju Kotum Orunmila Ifa, o Senhor dos Destinos Humanos e, talvez, por isso, este país não encontre o rumo da felicidade e da justiça social que esperamos em OLORUN que ele mereça e, um dia, alcance. 

Saiba mais sobre os yorubás e  Orumilá no Climazen

Do Mito da Criação Universal, segundo os Iorubás.


Os milenares Ese Itan Ifa (Versos dos Contos de Ifá) em seus Odu (Fundamentos de Tradição Oral), falam com freqüência nos Awon Imole, isto é, nos "Muitos Seres Sobrenaturais de Categoria Divina": "Awon Irinwo Irunmole oju kotun, ati awon Igbamole oju kosi." 

"Muitos Irinwo Irunmole do Lado Direito e muitas Igbamole do Lado Esquerdo." Outras vezes, falam em 600 (seiscentos) Imole, classificando-os em 400 (quatrocentos) Irunmole (Divindades Masculinas) e em 200 (duzentas) Igbamole (Divindades Femininas). Mas, isto significa muito mais que os Imole eram e são considerados como divididos em Irinwo Imole ou Irunmole ou "Divindades Geradores" e Igba Imole ou Igbamole ou "Divindades Gestantes" e todos os pesquisadores eruditos e os religiosos africanos também estão de acordo em considerar lógica a tradição de que estes 600 Imole são um número místico com a função de emprestar grandeza ao conceito de Divindade, o que importa em dizer-se que eles, os Imole, já eram e ainda são uma grande quantidade desconhecida. 

Assim sendo, na Teogonia Iorubá, no mais alto dos Meesan Orun ou "Nove Além" ou "Planos da Existência", denominado Ajal'orun ou "Teto do Além", portanto, no ápice do poder espiritual, está OLORUN, justamente "Aquele que" (O) + "tem" (LI) + "o Além" (ORUN). Ele é o Ala Iwa Aba L'Ase ou "Supremo Criador dos Princípios e Poderes que tornam possíveis e regulam toda a Existência" em todos os seus Nove Planos: - o Iwa ou a "Qualidade do Branco" ou "Poder da Existência"; - o Ase ou a "Qualidade do Vermelho" ou "Poder da Realização" que dinamiza a Existência; - o Aba ou a "Qualidade do Preto" ou "Poder da Essência" que dá propósito à Realização. 

Ele não era considerado, pois, um Imole: para o Povo Iorubá OLORUN é a denominação para o conceito de Deus Uno, Todo Poderoso, Infinito e Eterno! Daí o distanciamento que todos os outros Seres Espirituais têm que Dele manter, pois nada na Criação é capaz de suportar-Lhe o magnífico esplendor, sem a sua expressa permissão! Consoante este conceito universal de Deus, Incriado e Criador, Único e Todo-Poderoso, OLORUN não tem culto específico e nem sacerdócio particularizado. Mas, apesar disso, Ele não é tão remoto ou indiferente aos assuntos humanos. Pelo contrário, Ele está sempre muito próximo aos Seres de sua Criação: as preces e os apelos sinceros do coração humano O alcançam. 

Saiba mais: Climazen Pesquisas
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