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domingo, 30 de junho de 2013

Vaietsê - Jacó, viaja para Haran em busca de uma esposa


Na porção de Vaietsê, o protagonista, Jacó, viaja para Haran em busca de uma esposa. Lá vivia Lavan (Labão), pai de duas filhas: Lea e Raquel. Assim que chega a Haran, Jacó cruza olhares com Raquel e se apaixona imediatamente, jurando que se casaria com ela, como está escrito: E Jacó amou a Raquel e disse [a Labão]: “Servir-te-ei sete anos por Raquel, tua filha menor” (Gênesis 29:18).

Labão aceita a proposta, mas após os sete anos de trabalho, engana a Jacó e, no momento do casamento, aproveitando-se do fato de que a noiva devia ser apresentada com um véu, troca suas filhas. Quando Jacó se dá conta do que ocorreu, já está casado com Lea. Como era de se esperar, Jacó vai ter com Lavan, exigindo que Raquel também lhe fosse dada como esposa. Labão concorda, mas com duas condições: 1) Jacó precisa trabalhar por mais sete anos e 2) só pode ter a sua nova esposa depois de uma semana, para consagrar de fato o casamento com Lea. E quando Jacó finalmente se casa com Raquel, a Torá diz: "E conheceu também Raquel, e amou também a Raquel, mais que a Lea" (Gênesis 29:30).

Daqui surgiu uma pergunta que intrigou os cabalistas. O casamento com Lea foi uma farsa tramada por Labão e o grande amor da vida de Jacó era Raquel. Sendo assim, poderíamos esperar que Jacó odiasse e desprezasse a Lea; ou que, no mínimo, tivesse um sentimento de indiferença para com ela. No entanto, o versículo nos diz que Jacó amou também a Raquel. O uso da palavra “também” mostra que Jacó amava a Lea, apesar de tudo. Jacó amava mais a Raquel do que a Lea, mas também amava a Lea. Como ele conseguiu isso? Como ele conseguiu amar a Lea se ela era fruto de uma enganação, e, ainda mais, se todos os seus olhos eram para Raquel? Essa pergunta está relacionada com outra: existe um mandamento na Torá que ordena: "Ame ao teu próximo como a ti mesmo" (Levítico 19:18). 

E os cabalistas perguntam: como é possível exigir que a pessoa tenha um sentimento? Como se pode obrigar alguém a amar a outra pessoa? No caso especial de Jacó, será que ele encontrou alguma maneira de "forçar" um sentimento de amor? A Cabalá explica que quando Jacó se casou com Lea, realmente ele não a amava. No entanto, durante os sete dias de festividades após o casamento eles começaram a se conhecer, não apenas de uma maneira superficial, mas de modo que Jacó conseguiu enxergar todas as maravilhosas qualidades de Lea, uma mulher muito virtuosa. Cada qualidade que Jacó encontrava em Lea criava uma conexão mais forte entre eles. Passada aquela semana, Jacó conhecia tanto sua nova esposa que chegara a ponto de amá-la.

A Cabalá, está nos contando um grande segredo: como manter um relacionamento com amor por toda a vida. Por que os relacionamentos se deterioram com o tempo? Pois a paixão, aquele sentimento que, na maioria dos casos, confundimos com amor, termina, e começamos a perceber cada vez mais os defeitos do outro. O sonho vira um pesadelo. Ao contrário do que as pessoas pensam, embora existam casos de amor à primeira vista, como o caso de Jacó e Raquel, estes são mais raros e, na maior parte das vezes, o amor é um sentimento construído, uma escolha que fazemos. O amor verdadeiro raramente cai do céu. Em 99% dos casos, ele é alcançado através do nosso esforço. É uma conquista. É um processo. O amor surge quando nos comprometemos a buscar constantemente as qualidades do outro.

Segundo a Cabalá, basta observar um dos exemplos mais verdadeiros de puro amor, o amor de pais pelos filhos e, mais especificamente, da mãe pelos filhos. Os pais amam tanto seus filhos, mesmo quando eles têm inúmeros defeitos, porque os pais olham para os filhos como pessoas essencialmente boas e veem neles o potencial que eles têm em si! Para os pais, os defeitos dos filhos são vistos como pequenas manchas na roupa, coisas que podem ser lavadas e limpadas; são pontos negativos com os quais os filhos precisam aprender a lidar, mas que não fazem dos filhos alguém menos digno de receber amor. Um dos motivos espirituais para termos filhos é aprender a amar os outros. Com os filhos, isso vem fácil e de maneira quase automática, mas com os outros, isto precisa ser trabalhado.

Assim, quando a Torá ordena que amemos ao próximo, o mandamento não é para que sintamos algo, pois isso não se pode ordenar. O real mandamento é: tome atitudes que te levarão ao sentimento de amor. O mandamento é: busque as qualidades e virtudes nos outros, vendo seus defeitos como pequenas manchas, assim você o amará. Mais do que isso, assim você o amará como a ti mesmo. Do mesmo jeito que quando se trata de nós mesmos, tendemos a nos enxergar exaltando nossas qualidades e se esquecendo dos nossos defeitos, deveríamos fazer o mesmo quando olhamos para o outro. Y. A. Cabalista
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