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A pombagira

sábado, 16 de agosto de 2008

Resolvendo os problemas da vida



Chegou a hora de aprender a resolver problemas. Existem muitos tipos de problemas: econômicos, sociais, morais, políticos, religiosos, familiares, etc. e devemos aprender a resolvê-los de forma inteligente. O mais importante para a solução de todo problema é não se identificar com o mesmo. Alguém tem certa tendência para identificar-se com o problema e é tamanha a identificação que de fato nos convertemos no próprio problema.

O resultado de tal identificação é que fracassamos na solução, porque um problema não pode jamais resolver outro problema. Para resolvê-lo se necessita de muitíssima paz e quietude mental. Uma mente inquieta, batalhadora, não pode resolver nenhum problema. Se você o tem muito grave, não se identifique com ele, não se converta em outro problema, retire-se para qualquer lugar de sã descontração, para um bosque ou parque, para a casa de um amigo muito íntimo, etc. Distraia-se com algo distinto, escute boa música e, depois, com sua mente tranqüila e quieta, estando em perfeita paz, procure compreender profundamente o problema recordando, que a solução de todo ele está no próprio problema.

Lembre-se de que sem paz não pode fazer nada novo. Você necessita de quietude e paz para resolver todo problema que se apresente na vida. Necessita pensar de uma maneira completamente nova acerca de qualquer problema que queira resolver e isto só é possível tendo tranqüilidade e paz. Na vida moderna temos muitíssimos problemas e, desgraçadamente, não temos paz. Isto é um verdadeiro quebra-cabeças porque sem paz não podemos resolver problemas. Nós necessitamos de paz e devemos estudar este assunto profundamente. Necessitamos investigar qual é o principal fator que acaba com a paz dentro e fora de nós mesmos, precisamos descobrir qual é a causa do conflito.

Chegou a hora de compreendermos a fundo, em todos os níveis da mente, as contradições íntimas que temos interiormente, porque esse é o principal fator de discórdia e conflito. Quando compreendemos a fundo a causa de urna enfermidade, curamos o enfermo. Quando conhecemos profundamente a causa do conflito, acabamos com ele e o resultado é a paz. Dentro e em torno de nós, existem milhares de contradições que criam conflitos.

Realmente o que existe dentro de nós existe também na sociedade, porque esta é, como já dissemos tantas vezes, uma extensão do indivíduo. Se há contradição e conflito dentro de nós, também há na sociedade. Se o indivíduo não tem paz, a sociedade também não a terá e, nestas condições, toda a propaganda pela paz resulta de fato totalmente inútil. Se nos analisamos judiciosamente, descobrimos que, dentro de nós próprios, existe um estado constante de afirmação e negação: o que queremos ser e o que somos realmente.

Somos pobres e queremos ser milionários, somos soldados e queremos ser generais, somos solteiros e queremos ser casados, somos empregados e queremos ser gerentes, etc. Não é errado querer, o problema é que queremos demais, muito mais do que merecemos ou teremos capacidade de conseguir. Tudo tem limites e o melhor é querer algo de cada vez sem apontar pras varias direções ao mesmo tempo. Afinal o segredo do sucesso é ser organizado.

Passos contra as drogas.


Passo a passo, vai se delineando um caminho, que se inicia pelo reconhecimento da real fragilidade do indivíduo, de sua impotência diante desse mal. A partir daí, ele se abre para uma trilha espiritual, onde somente um poder maior é capaz de ajudar a redimir suas culpas. Surge, então, um novo eu, capaz de perceber suas responsabilidades para consigo próprio, para com o próximo e o mundo. Doação ao outro é a condição final na constituição da Irmandade dos 12 Passos, ajudando-o a manter a sobriedade.

Para se entender um pouco mais
por que esse programa é voltado para a abertura do adicto à espiritualidade, precisamos voltar alguns anos, quando Carl Gustav Jung recebeu uma carta de Bill W., um dos co-fundadores do A.A. A carta conta que, na verdade, a origem dessa entidade se dera no consultório do psicólogo. Em 1931, Jung tratara, por cerca de um ano, o sr. Rowland, que deixou o tratamento muito feliz, acreditando que se livrara de seu vício, o que não aconteceu realmente. Ao ter nova recaída, ele voltou a seu consultório, mas Jung disse que não via mais sentido em nenhum tipo de tratamento médico ou psiquiátrico que pudesse ajudá-lo. Chocado com o veredicto, o sr. Rowland insistiu, e Jung afirmou que via na verdadeira conversão religiosa a única saída para o seu caso. Tempos depois, Rowland se filiou ao Oxford Group, movimento evangélico europeu, onde finalmente conseguiu se libertar de sua compulsão pela bebida.

Estranhamente, o autor da carta
, Bill W., acabou, por outros caminhos, tendo também de viver a mesma experiência que seu amigo para poder se livrar do alcoolismo. E foi durante a sua experiência religiosa que teve a inspiração de criar uma sociedade em que cada um se identificasse com o outro e lhe transmitisse sua experiência. Cada sofredor precisaria viver a sentença de incurável que a ciência médica lhe conferia, além de ter de viver uma experiência de transformação espiritual. Esses foram os conceitos-base para as posteriores conquistas dos A.A.

Em resposta a essa carta de Bill W.
, Jung escreveu que não pudera ser mais claro com o sr. Rowland pois temera ser mal interpretado, coisa que estava ocorrendo com freqüência em relação a ele no meio médico. Segundo o psicólogo, a fixação que observara em seu cliente, bem como em outros casos que acompanhara, era o equivalente da sede espiritual de nosso ser pela totalidade, expressa em linguagem medieval pela união com Deus. Acrescentou ainda que um homem comum, desligado dos planos superiores e isolado de sua comunidade, não pode resistir aos poderes do mal. Por fim, concluiu dizendo que “álcool em latim significa espírito, ou seja, a mesma palavra que designa a mais alta experiência religiosa nomeia também o mais depravador dos venenos. A receita seria, portanto, spiritus x spiritum” (espírito x álcool).

Com certeza, muitas pessoas na adolescência
tiveram alguma experiência com drogas. Em geral, começa-se com o álcool, uma vez que ele é legalizado e está presente em todas as festinhas. Pode-se daí evoluir para drogas mais fortes ou não. Depende dos motivos de cada um: mera curiosidade, sugestão ou imitação dos amigos e familiares, adequação a um grupo social, ou até motivações mais profundas, como uma grande desilusão, um protesto contra a família ou contra a sociedade. O vício pode ter raízes ainda na tentativa de manter o equilíbrio, na necessidade de burlar a autoridade, na dificuldade de lidar com a frustração, na tentativa de ser diferente do que se é, na busca de aplacar sensações doloridas ou de um mundo melhor.

Seja qual for o motivo
, compreende-se o dependente químico como uma pessoa que se encontra diante de uma realidade, objetiva ou subjetiva, insuportável, da qual não pode se esquivar e que não consegue transformar. Resta-lhe então, como alternativa, tentar mudar a sua percepção do mundo real, algo que vai buscar nos estados alterados de consciência proporcionados pela droga. Para ele, beber ou drogar-se passa a ser uma questão de sobrevivência psíquica. Por isso é muito comum observar comportamentos de risco em muitos dependentes químicos. Na busca do êxtase e para vivenciá-lo novamente, é preciso jogar com a morte, uma vez que se assume mais riscos a cada rodada da droga. Pouco importa também se no caminho dessa busca se encontre o inferno – ele faz parte da jornada.

Em todos os rituais de iniciação,
para se ter acesso ao mundo oculto, acaba se correndo riscos, pois o neófito se submete a provas que vão transformá-lo durante o seu caminhar. Para adquirir tanto maturidade psicológica como religiosa, o indivíduo vive, simbolicamente, a morte e o renascimento.

Para crescer, ou seja, para evoluir
de sua condição psicológica de submissão e dependência para uma condição de auto-responsabilidade, o adolescente precisa também aceitar a morte (da criança que ele é) e a ressurreição (do adulto que virá a ser).

No entanto, herdeiros de um mundo tecnológico
, esvaziado dos valores do espírito, em prol dos áridos valores materiais, nossos adolescentes não têm a estrutura necessária para auxiliá-los nessa passagem. Nesse sentido, estão irremediavelmente nas mãos do spiritum – o mais depravador dos venenos, como afir- mou Jung.

O mito medieval de Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda
nos mostra que, para curar o rei e a terra de seu reino voltar a ser fértil, era preciso que se encontrasse o Santo Graal – essa era a missão dada aos cavaleiros. Quem acabou encontrando o cálice foi Parsifal, talvez o menos preparado na arte da guerra e do domínio, mas, entre todos, o mais puro de coração. Pa- ra ter sucesso nessa tarefa, porém, ele precisou se livrar de antigos valores e se transformar psicologicamente.

Foi esse o caminho que Jung propôs
ao sr. Rowland quando lhe sugeriu que somente uma autêntica conversão poderia resgatá-lo de sua compulsividade. Para se fazer a verdadeira conversão aos valores do espírito, é necessário que nosso ego entre em colapso, se perceba impotente, reconheça sua fragilidade e se coloque a serviço do poder superior – força que realmente rege a vida de todos os homens.

Carlinhos Lima - Pesquisas
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