
Em nossa jornada, contamos com o nosso corpo físico, que é o
instrumento, o veículo de nossa alma, ou espírito. O corpo físico é
comandado pela mente, que, segundo o Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa significa: “intelecto, pensamento, entendimento; alma,
espírito”.
Possuímos o pensamento contínuo e a natureza de nossos
pensamentos determina nosso estado emocional e físico; criamos hábitos,
sensações, condições e praticamente somos o reflexo de nossos
pensamentos, palavras e ações. Vivemos interagindo com uma lei universal
de “causa-e-efeito”, “ação-e-reação”. Seguimos nossa jornada
experimentando o resultado de nossas ações e os efeitos de nossas
escolhas.
Ao compreendermos o comportamento humano, das funções
do cérebro, de nossa força mental e de nossa capacidade de realização e
de progresso, quando bem direcionamos as energias que nos são próprias.
Como já dizia Sócrates, a felicidade resulta de uma consciência tranquila porque possui um caráter de paz.
Segundo Dalai Lama, “a
busca da felicidade e o desejo de evitar o infortúnio não precisam ser
criados porque fazem parte da natureza humana. Devemos reconhecer a
importância de educar a mente”.
Como tudo no universo, estamos em
eterno movimento, cujo destino é a evolução, o aprimoramento, a
iluminação. A própria ciência nos esclarece que desde a célula ao
cosmos, tudo experimenta uma constante transformação.
Se
despertamos em nós a realidade de que somos um ser pensante que ama, que
sente, e que transcende a matéria, encontramos base sólida para iniciar
a nossa educação mental e, em consequência, uma melhor qualidade de
vida em todos os aspectos. Desde que tenhamos controle sobre nossas
emoções e desejos. E ainda que não tenhamos bloqueios causados por
nossos traumas, medos e rancores. E é nesse ponto que o estudo dos arquétipos mostrados pelos orixás pode nos ajudar bastante, tanto a nos
conhecermos e termos noção de nosso potencial mental, quanto para nos
desligar de ondas energéticas ruins.
O primeiro passo seria
observar a nossa necessidade básica: a vontade de viver em equilíbrio
físico, mental e espiritual. Esta é uma necessidade e uma busca natural
do Ser. Mas, note que não apenas tendo equilíbrio da mente, poderíamos
ter a harmonização de nosso ser, pois, são necessários a harmonização
dos três níveis, partindo do físico, passando pelo mental e atingindo o
espiritual.
O segundo passo é a decisão. A decisão firme, em
conjunto com a vontade, reflete na natureza de nossos pensamentos. A
decisão desenvolverá em nós um compromisso por uma constante busca e
desenvolvimento de nosso potencial interior. É por isso que em todas as
buscas dos grandes mestres a fé é uma ferramenta importante, pois,
muitas vezes não conseguimos ter fimeza sozinhos, somente com um auxilio
externo e é por isso que se busca o apoio de divindades, pra que possam
nos estender a mão e nos apoiar nas adversidades.
O terceiro
passo é a focalização. Aqui, focalizamos nas coisas importantes, que são
aquelas que se traduzem em progresso e bem-estar dentro da família, no
campo da saúde, na educação e na nossa conexão com Deus. A consciência
de que tudo é gerado e materializado de dentro para fora criará um
comprometimento com nós mesmos na mudança de nossos hábitos, condizente
com a proposta de uma vida melhor. Mas, não nos apeguemos só a esse
movimento de criação de dentro pra fora, porque muitas coisas vindas do
exterior não só nos afeta, mas, num sentido positivo, também ajuda a
criar poderes dentro de nós.
Não é necessária uma mudança
drástica em nossas vidas, apenas uma consciência que nos trará uma maior
percepção de nós mesmos e do mundo em que nos encontramos. O pessimista
vê dificuldades em toda a oportunidade; o otimista vê oportunidades em
todas dificuldades. Mas, na verdade nem um nem outro está correto, o
certo seria uma mescla dos dois e este terceiro elemento elevado a um
nivel mais alto de desenvolvimento com plenos poderes sobre seu
potencia. Pois, nem sempre o pessimismo é ruim, como também nem sempre o
otimismo é bom. Pois, as vezes a prudência nos cobra uma defesa onde o
otimismo pode acabar nos despindo dela.
Torna-se o nosso dever
manter constantemente uma atitude positiva que nos ajudará a criar
hábitos que trarão os resultados que necessitamos. Mas, por incrivel que
parece algumas polaridades negativas, também são capazes de criar coisas
importantes. O meio mais eficaz de educação mental se dá com a prática
da meditação. Meditar não é concentrar, mas, sim, refletir, transformar.
Nos diz Klamashila: “É altamente importante percebermos a raridade e a
preciosidade da vida humana.” Meditar é um estado de consciência, é
gerar pensamentos e sentimentos de paz, amor e tranquilidade que consequentemente afetarão nossas atitudes e reações.
Através da
prática contínua da mudança de nossas percepções, podemos eliminar pouco
a pouco as imperfeições do corpo e da mente. Dessa prática, germinarão a
calma e a paz interior que nos permitirá viver com sabedoria. A
repetição é a mãe do aperfeiçoamento. Mas, quando essa repetição é sabia
ou não é teimosia. Pois muitas vezes o homem tem que entender que ele
não pode ter o ser tudo.
À medida que aperfeiçoamos nossas
meditações, desfrutaremos cada vez maior paz mental em todas as
ocasiões, removendo as impurezas do nosso eu, e transformaremos todas as
emoções perturbadoras e outros estados nocivos de existência.
O
que importa não é onde vivemos externamente, mas internamente, pois, não
temos controle do mundo externo, mas podemos controlar a nós mesmos.
Saibamos dar a nós mesmos o presente da vida, de viver sem limites, com
entusiasmo e coragem. Estabeleçamos objetivos, superemos desafios, e
usemos o potencial que temos dentro de nós. Mas, só poderemos fazer isso
se tivermos em harmonia com o mundo externo. Porque se fechando num
mundinho imaginário onde tudo só tem que dá certo, só ira nos tornar em
pessoas fantasiosas. Para ter as noções exatas de todas as nossas
possibilidades, Exu e Pombagira trabalhando harmonicamente pelos raios
dos Orixás, por meio de suas tres principais manifestações, ajudam a
trazer toda a facilidade necessária a compreensão de nossa busca.
A
nossa qualidade de vida está relacionada com o tipo de emoções e
sentimentos que experimentamos; aprendamos a criar boas emoções,
cultivando bons pensamentos. Eduquemos nossas palavras, pois, as
palavras criam sentimentos e emoções e se tornam realidade em nosso
cérebro, afetando nossos estados mentais.
Palavras agradáveis e
positivas criarão uma atmosfera de paz e alegria ao nosso redor. Mas, as
vezes colocar pra fora nossas amarguras, medos e desejos serve pra que
nos compreendamos melhor e é por isso que Exu e Pombagira atuam como
descarga. E lembremos do que o Mestre nos disse: "Nem todo aquele que
diz Senhor, Senhor, entrará no Reino do Céu". Isso quer dizer que nem só
o polo positivo, ou pensamentos manipulados, servem pra nossa evolução.
Na verdade temos que encarar todos os desafios da vida, sem nenhuma
ilusão ou alusão a qualquer imaginação forjada.
Então, escolhamos
ser felizes, canalizando nossa mente sempre nas soluções, nas
respostas, no que pode ser realizado. Aprendamos a meditar ao levantar,
programando o nosso dia para que ele seja mais produtivo; aproveitemos
os momentos bons e agradáveis de nossa vida; manifestemos nossa essência
de paz em todas as nossas atitudes. Falemos a nós mesmos todas as
manhãs: “Eu sou paz, eu sou saúde, eu tenho controle de minhas reações”,
“a cada dia estou mais feliz!”, “a cada dia estou mais saudável!”.
Falemos alto para que nossa alma escute—nós somos o que falamos. Mas,
que isso não nos tire da realidade, pois, um mundo turbulento e
desafiador está ai fora. E por mais que ele nos amedronte, não devemos
apaga-lo da memória, mas, compreende-lo e vence-lo.
As coisas não
“acontecem”, simplesmente. São necessárias dedicação e luta para
alcançarmos nossas conquistas. Simples mudanças, no entanto, podem fazer
grandes diferenças em nossas vidas. Tudo que nos acontece tem o
propósito de nos melhorar. Acreditemos em nossa capacidade e organizemos
nossa mente para vencer. Coloquemos em prática tudo o que aprendemos:
teoria é cultura, prática é vivência. Por isso que a pratica não deve
ficar apenas no plano da mente, mas, nos tres níveis, pois, o plano
espiritual e físico, tem que ser harmônicos com o nível mental.
Nossa
jornada está em nossas mãos; plantemos e construamos, e nós colheremos e
vivenciaremos durante todo o nosso caminho a natureza de nossa vontade,
as consequências de nossas decisões e os frutos de nosso trabalho.
Reflitamos e meditemos sobre isso. Sem nos esquecer que somos sim
energias condensadas, mas, que no plano da matéria apenas meditar não
vai resolver, pois a fé sem obras é morta.
Carlinhos Lima - Astrólogo de Umbanda Astrológica.