Aproximação
dos astros, conhecida como apulso, chega a seu auge às 5h desta
quarta-feira (28), pelo horário de Brasília, e será visível a olho nu
Aproximação de Marte, Vênus e Júpiter (no centro da foto) vista em 23 de outubro no Estado de Virgínia, nos Estados Unidos(John Williams/Divulgação)
Um
belo e luminoso encontro celeste está marcado para esta madrugada. Os
planetas Marte, Vênus e Júpiter estarão alinhados e tão "próximos" que
parecerão um "triângulo" brilhante, visíveis a olho nu. Conhecido com o
nome científico de apulso (que indica a aproximação de ao menos dois
corpos celestes), os planetas estão chegando "mais perto" uns dos outros
desde o início deste mês e o ápice do encontro será aproximadamente às
5h desta quarta-feira (28), pelo horário de Brasília. Outro evento como
esse só será visível em 2021.
Para observá-lo, basta olhar na direção Leste do céu pouco antes do
nascer do Sol, quando parecerão mais brilhantes e "próximos". A
aproximação é apenas aparente, pois Vênus está a 90 milhões de
quilômetros da Terra, Marte está a mais de 55 milhões de quilômetros (em
sua maior aproximação da Terra, em abril do ano passado o planeta
esteve a 54,6 milhões de quilômetros) e Júpiter está a uma distância de
890 milhões de quilômetros. Cada um deles possui uma velocidade de
deslocamento diferente ao redor do Sol - quanto mais próximo do Sol,
mais veloz. Vênus demora cerca de 225 dias para orbitar em torno do Sol,
Marte leva dois anos e Júpiter, 12 anos. Assim, em algum momento ao
longo de suas trajetórias, eles passam "mais perto" uns dos outros -
vistos da Terra, parecem estar alinhados no céu.
"Os planetas mudam de posição e tendem a ficar mais próximos ou mais
afastados entre eles. Entre 24 e 29 de outubro, eles estarão no ponto
mais perto entre si. Com o passar dos dias, tendem a se separar
novamente", afirma Daniel Mello, astrônomo do Observatório do Valongo da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Posição no céu - No auge do encontro, se fosse
possível desenhar um círculo ao redor dos três planetas, seu diâmetro
não teria mais de cinco graus de distância. Por estar mais próximo da
Terra, Vênus será o mais brilhante dos três, seguido por Júpiter, o
maior planeta e mais distante, que aparecerá mais afastado do horizonte.
O menos luminoso será Marte, que terá uma leve coloração vermelha e
estará mais próximo do horizonte.
"Apulsos envolvendo três planetas são mais raraos, acontecem apenas
algumas vezes durante uma década. Depois desta madrugada, este fenômeno
só voltará a acontecer em 2021", afirma Gustavo Rojas, astrofísico da
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O mais comum é que ocorram
aproximações entre dois planetas, como a vista em junho, entre Júpiter e Vênus.
Apesar de poder ser visto em todo o país, o fenômeno é melhor
observado longe dos grandes centros urbanos, onde a poluição luminosa
não ofusca a visualização, de acordo com os astrônomos. Confira a
posição dos planetas no céu, no vídeo feito pela Nasa (em inglês) sobre o
fenômeno:
Novos
estudos de psicologia desvendam os mecanismos que levam algumas pessoas
a crer mais que outras. Os intuitivos costumam ser mais religiosos que
os reflexivos
Espiritualidade: crenças e fé
Por: Adriana Dias Lopes
UM
PARA CADA LADO - Até muito pouco tempo atrás, seria inimaginável
ciência e religião, duas formas tão diferentes de ver o mundo,
caminharem juntas(Montagem sobre fotos Corbis e AKG/Latinstock, Bob Thomas/Popperfoto/Getty Images, NASA e Alcione Pereira/Claudia/VEJA)
Já
ouviu falar daquele louco que acendeu uma lanterna numa manhã clara,
correu para a praça do mercado e se pôs a gritar incessantemente: 'Eu
procuro Deus! Eu procuro Deus!'? Como muitos dos que não acreditam em
Deus estivessem justamente por ali naquele instante, ele provocou muitas
risadas... 'Onde está Deus?!', ele gritava. 'Eu devo dizer-lhes: nós o
matamos - você e eu. Todos somos assassinos... Deus está morto. Deus
continua morto. E nós o matamos...' " A definitiva descrição da morte de
Deus, ideia cunhada por Friedrich Nietzsche em A Gaia Ciência,
de 1882, é o mais bem-acabado registro do fim de um período em que tudo
era explicado a partir da revelação divina. O racionalismo de Nietzsche
pôs o homem no lugar de Deus, subtraindo do cotidiano a crença no
sobrenatural.
A busca pelas razões da fé, em movimentos de sístole e diástole que
ora nos põem mais próximos a Deus, ora nos afastam dele, é humana,
demasiado humana. Como traduzir algo tão poderoso e impalpável que por
milênios nos move? Enfim, por que alguns creem e outros não?
Convencionou-se imaginar que pessoas menos instruídas tendem a ter
contato mais amistoso com a religião - os mais letrados seriam
majoritariamente céticos, avessos à fé.
Não é assim, necessariamente, e que bom que não seja. Não se trata de
formação intelectual. Um recente estudo conduzido pela Universidade
Harvard, nos Estados Unidos, chegou a uma conclusão bem mais instigante.
O mote: as pessoas intuitivas são naturalmente mais religiosas do que
as reflexivas. Os pesquisadores primeiramente avaliaram a capacidade
intuitiva e reflexiva dos voluntários. Cerca de 1 200 homens e mulheres
com idade média de 30 anos foram desafiados a resolver um questionário
que exige um raciocínio extremamente lógico. Por meio desse teste,
adotado há pelo menos cinco décadas em investigações comportamentais,
aqueles que erram as questões são classificados como intuitivos, por
tentar resolvê-las com pressa, impetuosos. Os que acertam são os
reflexivos, que pensam, pensam e pensam. Em outro momento do estudo,
ambos os grupos tiveram de falar sobre fé. Do cruzamento das respostas,
despontaram as conclusões. Os intuitivos afirmaram ser mais religiosos
que os reflexivos. A premissa faz sentido. Diz o psiquiatra Frederico
Leão, coordenador do Programa Saúde, Espiritualidade e Religiosidade, do
Instituto de Psiquiatria da USP: "É mais simples para os menos
racionais acreditar em algo impreciso".
A intuição e a reflexão são fundamentais no mecanismo cognitivo do
cérebro humano. Os intuitivos tomam decisões a partir de processos que
ocorrem com pouco esforço e atenção. "Eles usam naturalmente a primeira
ideia que vem à mente", diz o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, do
departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e supervisor
do Grupo de Estudos de Álcool e Drogas. Os reflexivos concentram-se
mais e usam um raciocínio mais elaborado para chegar a conclusões. Não
há como afirmar, portanto, que os reflexivos sejam mais inteligentes que
os intuitivos, apesar de essa ser a impressão inicial. Um pouco antes
da realização do estudo da Universidade Harvard, o mesmo teste de
avaliação cognitiva foi aplicado entre os alunos dos prestigiosos
Instituto de Tecnologia de Massachusetts e Universidade Harvard, nos
Estados Unidos, com o objetivo de avaliar a capacidade lógica de pessoas
tão aptas. Metade dos estudantes errou as respostas. Metade, portanto,
tinha um raciocínio essencialmente intuitivo.
Até muito pouco tempo atrás, seria inimaginável ciência e religião,
duas maneiras de pensar o mundo tão diferentes, caminharem na mesma
direção. Uma das primeiras teorias a pô-las lado a lado é do início de
2000. A fé, assim como as religiões surgidas em torno dela, seria um
ingrediente seminal para a evolução da espécie humana. O homem, o único
ser vivo com a capacidade de ter consciência da finitude, precisaria
recorrer a algo maior e impalpável para conviver com tal ideia. Além
disso, as religiões estimulam a solidariedade e a compaixão, sentimentos
que levariam à proteção em momentos de risco, como procura por comida,
guerras e catástrofes naturais. O biólogo americano David Sloan Wilson,
da Universidade Binghamton, ateu, um dos grandes defensores do papel da
crença em Deus na sobrevivência humana, sustenta que a fé evolui com o
homem porque confere vantagens àqueles que a desenvolvem.
A tese de que a religiosidade acompanha o ser humano em sua evolução
ganhou força ruidosa um pouco mais para a frente, quando o biólogo
americano Dean Hamer, coordenador do setor de genética do National
Cancer Institute, afirmou que a fé em Deus estaria no gene, no "gene de
Deus". Ao avaliar o grau de espiritualidade de 1 000 adultos, Hamer
descobriu uma coincidência: aqueles que tinham sentimentos religiosos
compartilhavam o gene VMAT2, responsável pela regulação das chamadas
monoaminas, grupo de compostos que incluem a adrenalina (substância
excitante) e a serotonina (sensação de prazer). As monoaminas têm papel
importante na construção da realidade e na percepção das alterações da
consciência, situações comuns em experiências místicas.
O rompimento entre ciência e religião não é tão antigo. Ocorreu no
século XVIII, com o iluminismo. Despontado na França, o movimento viu na
razão e no progresso científico um instrumento de emancipação do homem,
pondo os dogmas cristãos em xeque. A Igreja logo reagiu, com a
publicação da primeira encíclica da história. O documento (Ubi Primum
- Tão Pronto Como), assinado pelo papa Bento XIV (1675-1758), reforçou
questões cruciais da Igreja: a rígida formação intelectual dos bispos e a
importância da conduta moral no magistério eclesiástico. O ponto máximo
da cisão ocorreu no século XIX, quando Charles Darwin negou o
criacionismo, definindo a clássica teoria da evolução das espécies.
O papa Pio XII (1876-1958) sinalizou uma reaproximação, em 1943, ao escrever a encíclica Divino Afflante Spiritu
(Sob a Inspiração do Espírito). No documento, ele reconhecia hipóteses
defendidas pela ciência, como a da evolução e a do Big Bang. Agora o
papa Francisco foi além. No fim do ano passado, soltou uma das frases
mais bombásticas de seu pontificado, diante de oitenta pesquisadores de
vários países que compõem a tradicional Pontifícia Academia de Ciências
do Vaticano, instituição fundada em 1603: "Quando lemos no Gênesis sobre
a criação, corremos o risco de imaginar que Deus tenha agido como um
mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas. Mas não é
assim. O Big Bang, que hoje temos como a origem do mundo, não contradiz a
intervenção criadora, mas a exige. A evolução na natureza não é
incompatível com a noção de criação, pois a evolução exige a criação de
seres que evoluem". Há quatro meses, o pontífice argentino utilizou
novamente ferramentas da ciência para lidar com questões religiosas. Na
encíclica Laudato Si (Louvado Sejas), documento que tratou de
questões ambientais, o jesuíta escreveu: "Sobre muitas questões
concretas, a Igreja não tem motivo para propor uma palavra definitiva e
entende que deve escutar e promover o debate honesto entre os
cientistas, respeitando a diversidade de opiniões".
A postura de Francisco merece atenção, é corajosa, não aparta
religião de ciência, de modo a não separar fiéis crentes de outros nem
tanto assim. Para uns e outros, prossegue a busca eterna pela
compreensão da fé, de como ela nasce e cresce, para além de constatações
evidentes (como a fé alimentada por uma tragédia familiar). Não há como
explicar o inexplicável, o misterioso, possivelmente porque Deus talvez
seja mesmo um conceito pelo qual medimos e aplacamos nossa dor.
Lembre-se aqui o momento bíblico em que Jesus, no auge do sofrimento
físico e psicológico, pergunta a Deus: "Por que me abandonaste?". Cristo
morreu sem resposta para a sua incerteza. Mas em sua última frase, dita
ainda na cruz, retomou a força brutal da fé: "Nas tuas mãos eu entrego
meu espírito". Jesus Cristo entregou tudo o que tinha a Deus. Até mesmo
sua racionalidade.
Conhecidos por suas
atitudes violentas, vulgares e extravagantes, esses pontífices são
lembrados como os mais perversos dos 2.000 anos de história do Vaticano
O papa Leão X é lembrado por seus hábitos esbanjadores nos anos em que assumiu o papado, entre 1513 e 1521.
O papa Leão X (VEJA.com/Getty Images)
O
papa Francisco é visto por alguns fiéis como uma figura de
transformação, um defensor "liberal" da Santa Sé e uma importante voz em
alguns dos temas políticos e sociais mais urgentes atualmente. Contudo,
nos 2.000 anos de história do Vaticano, nem todos os papas foram tão
queridos por seus fiéis.
Durante séculos, o papado foi o centro da política europeia, e alguns
pontífices são lembrados até hoje por suas ações esbanjadoras,
impetuosas e libertinas. Confira alguns dos mais terríveis papas da
história:
Papa Alexandre VI
O pontífice espanhol pertencia à poderosa família Bórgia e era
conhecido por suas práticas libertinas e nepotistas. Alexandre foi papa
entre 1492 e 1503. As intrigas, orgias e fraudes que aconteceram durante
seu papado resultaram em uma série de televisão, “The Borgias”, que
revela as depravações e conspirações da família homônima. Acredita-se
que Alexandre se envolveu em uma relação incestuosa com sua filha,
Lucrezia. Quando ele morreu, seu corpo se decompôs rapidamente e inchou
muito rapidamente, indicando que ele foi envenenado.
Papa Estevão VI
Também chamado em alguns documentos de Estevão VII, ele começou seu
breve papado em 896 com um espetáculo macabro. Ele desenterrou o corpo
de seu antecessor, Papa Formoso, e o colocou para julgamento por
blasfêmia. O corpo foi despido de suas vestes sagradas, três dedos de
sua mão direita foram arrancados e o que restava do cadáver foi
arrastado pelas ruas de Roma e jogada no Rio Tibre. Estevão, porém, não
durou muito tempo. Ele foi estrangulado pelos seus próprios inimigos no
ano seguinte.
apa João XII
Foi papa de 955 até sua morte, em 964. De acordo com a Enciclopédia
Católica, era “um homem grosseiro e imoral. A Basílica de Roma era
tratada como um bordel e a corrupção moral em Roma tornou-se objeto de
ódio geral”. Ele foi acusado de perjúrio, simonia (vender terras e
privilégios eclesiásticos para o próprio lucro) e outros crimes. Após
uma sucessão de escândalos, foi rapidamente deposto antes de voltar ao
poder em um sangrento expurgo. A morte do papa João XII foi curiosa: ele
foi assassinado por um homem que encontrou o papa na cama com sua
esposa.
Papa Urbano VI
O papa Urbano VI presidiu a maior cisão da Igreja Católica no ano de
1378, que resultou no surgimento de uma papado rival paralelo que durou
quase quatro décadas. Adepto de técnicas violentas, quando descobriu
indícios de que existia uma conspiração a favor de sua deposição,
prendeu seis cardeais e os executou. Há relatos que contam que ele teria
se queixado aos torturadores sobre os gritos dos cardeais não serem
altos o suficiente.
Papa Benedito IX
Um papa extremamente cínico, Benedito manteve a posição de chefe da
Igreja Católica em três ocasiões distintas no século XI. Em uma delas,
ele renunciou e vendeu o cargo a outro padre. Conhecido por seu
comportamento indisciplinado, ele foi descrito por outro papa do século
XI como um homem que levava uma vida “tão vil, tão execrável, que eu
estremeço só de pensar nisso”.
Papa Leão X
Descendente da poderosa família Medici de Florença, Leão possuía
talentos artísticos e foi um patrono das artes, mas é mais comumente
lembrado por seus hábitos esbanjadores nos anos em que assumiu o papado,
entre 1513 e 1521. Durante esse período, o esvaziamento dos cofres do
Vaticano foi tanto que obrigou a criação de medidas para aumentar a
receita, como a venda de indulgências – entre elas a garantia de perdão
sagrado e alívio da condenação após a morte. Esta prática enfureceu o
monge alemão Martinho Lutero e plantou as sementes da Reforma
Protestante.
Papa Bonifácio VIII
Bonifácio VIII foi o arquétipo de papa sedento por poder. Em 1302,
emitiu uma bula papal em que decretava “absolutamente necessário para a
salvação que toda criatura humana estivesse sujeita ao pontífice
romano”. Para ele, as conquistas de terras e riquezas importavam tanto
quanto as de espírito. Ele travou guerras, saqueou cidades e acabou
perdendo o seu próprio jogo, derrotado por um exército inimigo. Fonte/Veja.com