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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Qual o sentido do Sincretismo Religioso?


Como pesquisador há mais de 15anos, estudando os mais variados seguimentos, percebo que o fenômeno do sincretismo religioso ainda é um dos fatores principais  no meio umbandista atual, e pelo visto continuará sendo por muito tempo! Na verdade o comum é se vê os altares dos Terreiros tomados por imagens de Santos católicos e até mesmo deuses hindus e personalidade de outros sistemas filo-religiosos, como é o caso de pessoas que se dizem espiritas, mas, faz uma mistura que nem mesmo ele entende. 

 Em se tratando do sincretismo afro-católico, que é o mais presente no meio até mesmo na Umbanda dita Esotérica já conhecemos pelos livros de antropólogos e historiadores, que foi toda uma questão de abuso e imposição da Igreja Católica,  mas, olhando bem os movimentos dos líderes religiosos, percebemos que grande parte foi confusão mesmo de seus próprios adeptos. De um lado confusão e do outro, sensacionalismo e esperteza de alguns. Isso por que muitos pais de santo, por serem de um país extremamente preconceituoso, intolerante e mal informado, não queriam espantar os frequentadores e consulentes de seus terreiros. Assim era muito mais fácil dizer a um consulente que sua "Santa Barbara" ou seu "São João Batista" precisava de cuidados do que dizer que sua Iansã (muitas vezes confundida por demônio) ou seu Xangô é que precisava de cuidado e zelo. A burguesia e até mesmo a massa  mais pobre da sociedade, medíocre e hipócrita, podia frequentar um terreiro, desde que este se intitulasse como "mesa branca" de "Direita" e que fosse uma mistureba com o catolicismo ou espiritismo.

A esperteza do consulente também sempre foi um fator fundamental, no que se  refere a dinheiro. De um lado o pai de santo, atraia mais gente com suas festas religiosas comemorativas, disfarçadas de catolicismo do que com festas de cultos afro-brasileiras! Ou seja, dia de Erês, comemora-se os famosos gêmeos Cosme e Damião; no dia de Iansã, comemora-se Santa Barbara; no dia de Oxalá o Senhor do Bonfim e assim por diante... Ai vendo do lado do consulente, percebam também a malícia das pessoas! Ao frequentar um terreiro que se diz "mesa branca", muito alinhado com o espiritismo ou catolicismo, os espertalhões logo tratam de se informar sobre a forma de pregação e a filosofia acoplada dessas outras vertentes inseridas no culto de Umbanda. Ou seja, o Espiritismo prega uma assistência de passes e atendimentos como forma de caridade, como também  com o catolicismo todo aquele "bom Samaritanismo" que na verdade não existe (a Igreja Católica, alem de receber dízimos e doações fartas como vemos em sua história,  não faz um batizado, casamento ou missa de graça! Até mesmo pra falar no falecido durante a missa, é preciso pagar), mas, os consulentes espertos, querem logo consultas e atendimento de graça, alegando que o pai de santo tem que trabalhar por caridade, pois, não "poderia" vender seus dons. E com essa esperta alegação, muitos importam, quase que diariamente os pais de santos, querendo banhos, amacia, passes, velas, orações, entre outras coisas, tudo de grátis! 

E pode prestar atenção que essas pessoas são as mais mesquinhas que tem no mundo, justamente por isso, não querem contribuir nem com uma vela.  Procuram os terreiros e assistência, quando estão carregadas de seu egoismo, ambição, quase sempre metidas em conflitos familiares, intrigados com os parentes, vivem fazendo mexericos e só procuram o seu pai de santo, pra abusar. Mas, mesmo assim quando estão no culto dominical na igreja ou nas fofocas com as comadres, vão logo dizendo: "Espiritismo, Umbanda, Candomblé e macumba, tudo isso é coisa do Diabo, que eu renego e não quero conta"! Pois é meus irmãos, não se surpreendam, isso é o que mais acontece sim... A hipocrisia humana não tem limites e sua maldade surpreende até os deuses!

Com a vinda dos negros escravos para o Brasil, com eles vieram suas tradições e crenças religiosas, sendo que proibidos pelos senhores-de-engenho de cultuarem seus deuses e sob a pressão dos padres católicos em convertê-los à religião católica, os negros adaptaram-se à situação. Observando as características atribuídas aos Santos católicos ensinadas pelos catequistas, identificaram nelas traços de seus próprios Orixás, relacionando uns aos outros. Assim, então, o Orixá Ogum “transformou-se” em São Jorge, Oxossi em São Sebastião, Oxalá em Jesus Cristo e assim por diante. Dentro das senzalas, armavam altares com imagem de santos católicos, mas atrás destes haviam os “otás”, elementos que representavam seus Orixás que, na realidade, eram os verdadeiros motivos de culto para os negros escravos. Com uma fachada externa que levava os Senhores-de-Engenho e seus feitores a acreditarem que os escravos haviam se convertido ao cristianismo, tinham eles a liberdade de honrar suas Tradições e crenças sem serem importunados ou castigados. 

Na verdade eu não sou tremendamente contra o sincretismo, por dois motivos: primeiro que eu não sou adepto de separatismo, acho que tudo descende de um Raio Cósmico que parte de Deus nosso Criador, toda religião tem uma unica fonte e por isso, São Jorge pode muito bem ser militante da mesma vibração guerreira de Ogum, não sendo ofensa nenhuma nem para o Santo, nem para o orixá ser comparado! Além do mais creio  que sem o sincretismo esses movimentos teriam sido extintos ou seriam quase nada hoje! Em segundo, não sou contra a ter imagens variadas, creio que o Sagrado sempre tem algo de positivo a acrescentar, seja de que cultura for, ser exclusivista e radical não serve pra nada, só geram demandas e ofensas.

 Vemos, portanto, que o sincretismo religioso surgiu da necessidade de adaptação dos negros para fugirem das proibições de seus senhores brancos e também da esperteza de muita gente. E acho que pra religião sobreviver ainda temos necessidade disso hoje! Pois, mesmo se dizendo filhos de um país que supostamente é "democrático", isso não é verdade, pois o Brasil apenas ensaia ser um país de democracia, que certamente será um dia, mas, ainda demora.

Alguns estudiosos poderiam se apressar em responder que não necessitamos mais do sincretismo, visto que vivemos em um país livre e democrático que garante nossa liberdade de religião. Mas, posso dizer que o sincretismo é um traço cultural que deve ser preservado. No entanto, sempre prego duas coisas, prudência e razão. A fé mesmo que mesclada, quando é verdadeira, simples e espontânea, nada tem de errado. O erro tá no sensacionalismo, nos engôdos e na vontade de levar vantagens. E principalmente no fanatismo é que tá a maior fraqueza de qualquer religião.

Vemos que os novos cristãos "da moda" que via formando líderes religiosos, sem nenhum tom sacerdotal, adeptos do terno e gravata, da palavra "embostada", o tom falso e mercenário, que vai gerando lucro com poderoso comercio, trazendo jatinhos, imóveis caros e alto padrão de vida. Tudo isso mais alinhado aos "Vendilhões do Templo" que o Mestre expulsou. Esse tipo de fé, mecânica, sensacionalista e demagógica é que nada contribui para o crescimento espiritual.

Em verdade ao analisarmos profundamente o sincretismo religioso, chegamos a conclusão que, teologicamente, o mesmo faz sentido, dependendo do prisma, mas, também se é puro e sincero não faz mal. E voltando a ponto da teologia, (um termo que não gosto de usar, pois, percebe-se uma certa manipulação de acadêmicos que se acham donos da religião e tá mais alinhado as religiões poderosas dominantes) volto a afirmar que de certa forma faz sentido sim, levando-se em conta que o Criador do Universo é um som e qualquer divindade pode militar pelos mesmos raios vibratórios ancestrais como já expliquei acima.

Alguns são extremamente intolerantes quanto a esse assunto por alegarem que os Orixás, como forças espirituais, sempre existiram, ou sejam não passara a “existir” quando do surgimento da Igreja Católica e de seus Santos, mas, se esquecem do fator da reencarnação, não sabendo em que raio cosmico militou o espirito ancestral de São Jorge por exemplo. Como também, não se lembram que o catolicismo tem raizes no culto antigo dos hebreus, que de certa forma tem ligações e ramificações no Oriente inteiro, como os essênios, egípcios e até africanos. Assim não sabemos até que ponto os ancestrais se cruazam no tempo.

E não tenho duvidas que na visão prática, o sincretismo religioso ainda é necessário sim, apesar, de como já dissemos, ter sentido um tom de esperteza em alguns casos. Acontece que a Umbanda abarca vários graus de consciência, abraçando tanto o intelectual, quanto o analfabeto. Diante de nossas Tradições de origem judaico-cristã, o Astral Superior permite o uso de imagens para que os mais simples, culturalmente falando, possam identificar as características dos Orixás nos Santos católicos, fazendo com que suas imagens sejam pontos de concentração e referência dos fiéis. Acreditamos que com o passar do tempo e a evolução espiritual das humanas criaturas, estes artifícios utilizados pelo Astral Superior não serão mais necessários, visto que os véus que encobrem o entendimento pleno das coisas espirituais cairá completamente.

Mas, isso só quando as mudanças de Eras Cósmicas, as quais já estão em andamento acontecerem, com profundas depurações da raça humana e de mudanças, até mesmo nas Hierarquias Espirituais atuantes. Essa mudança já está acontecendo, mas, ainda demora pra ser visível por nós. Toda mudança é difícil e complicada, pois, pra mudar um sistema estabelecido não é da noite pro dia!

Carlinhos Lima - Astrólogo, Tarólogo, Pesquisador e Mago de Umbanda Astrológica.
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