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sábado, 2 de julho de 2016

Esposa de Cristo? ‘Evangelho da mulher de Jesus’ pode ser falso, diz pesquisadora

Esposa de Cristo? ‘Evangelho da mulher de Jesus’ pode ser falso, diz pesquisadora
Esposa de Cristo? ‘Evangelho da mulher de Jesus’ pode ser falso, diz pesquisadora

Após apuração sobre a procedência do manuscrito, Karen King, da Universidade Harvard, diz pela primeira vez que o texto, possivelmente, é uma fraude


“A balança agora pesa para o lado da falsificação”, disse a historiadora Karen L. King, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, sobre o manuscrito que apresentou ao público em 2012, conhecido como o “Evangelho da mulher de Jesus”. Após uma longa apuração sobre a procedência do papiro, feita pela revista americana The Atlantic e publicada na edição de julho, Karen admitiu pela primeira vez que o texto, supostamente escrito no século IV contendo a frase “Jesus lhes disse, minha mulher…” pode ser uma sofisticada fraude. Quase um ano de pesquisas feitas pelo repórter Ariel Sabar sobre Walter Fritz, um alemão que vive na Flórida e é ex- proprietário do papiro, revelou indícios de que ele pode ter forjado as inscrições. Fritz frequentou o curso de egiptologia na Universidade de Berlim, tem conhecimento sobre a língua copta, falada no Egito durante o Império Romano e na qual está grafado o manuscrito, trabalhou em um museu alemão e teria capacidade técnica suficiente para fraudar o texto. “Ele mentiu para mim”, afirmou King, após ler a reportagem.
O papiro traz o seguinte trecho, em copta: "Jesus lhes disse, minha mulher...", inscrição que poderia indicar que Jesus havia se casado (Karen L. King/VEJA)
O papiro traz o seguinte trecho, em copta: "Jesus lhes disse, minha mulher...", inscrição que poderia indicar que Jesus havia se casado (Karen L. King/VEJA)


A história do “Evangelho da mulher de Jesus”, um pedaço de papiro de quatro por oito centímetros, sempre levantou dúvidas e discussões entre os cientistas que estudam o cristianismo primitivo. Karen L. King, conhecida historiadora dessa área, recebeu em 2012 o papiro de Fritz para conduzir uma análise sobre sua autenticidade, com a condição de manter o nome do proprietário em sigilo. Após consultar uma série de especialistas que confirmaram que o papiro era verdadeiro, Karen levou o manuscrito a uma conferência em Roma e divulgou seu conteúdo – que o Vaticano declarou como falso.

Assim que as imagens do manuscrito se tornaram públicas, alguns especialistas apontaram incongruências na caligrafia e apresentação do texto, bem como indícios de que o texto poderia ter sido copiado de outro papiro conhecido como o Evangelho de Tomé, também escrito em copta. Outra parte dos especialistas, porém, avalizou sua autenticidade e testes feitos em 2014, na Universidade Harvard, com carbono 14, no papel e tinta do manuscrito apontaram que a idade do papiro remontaria a por volta do ano 750 enquanto a tinta era muito semelhante à encontrada nos escritos da mesma época – não continha ingredientes modernos e não parecia ter sido forjado. Apesar de o teste ser um ponto positivo para o manuscrito, ele não eliminava a possibilidade de fraude: alguém persistente o suficiente poderia fabricar a tinta com ingredientes antigos vendidos até pela internet e fabricar a inscrição. O papiro, contudo, insistia em passar nos testes científicos mais modernos.

Pornografia e misticismo – Intrigado com a falta de provas cabais de autenticidade, o repórter da The Atlantic resolveu pesquisar a fundo a procedência do “Evangelho da mulher de Jesus”. Acabou descobrindo uma peculiar história, que lembra o livro “O Código da Vinci”, incluindo seus episódios de pornografia, misticismo e mentiras. Fritz havia dito a Karen que o manuscrito havia sido comprado do também alemão Hans-Ulrich Laukamp, proprietário de uma fábrica de peças automotivas e interessado em arte antiga. Por e-mail, Fritz também havia enviado à historiadora cópias de cartas de Laukamp, escritas por dois especialistas da Universidade Livre de Berlim afirmando que o manuscrito seria autêntico.

Investigando se Laukamp alguma vez teve em mãos o manuscrito e buscando os originais das cartas, o repórter nada encontrou. Contudo, descobriu que Laukamp e Fritz haviam sido sócios na fábrica e que Fritz era um ex-aluno de egiptologia da Universidade Livre de Berlim. Percebendo indícios de que Fritz jamais havia comprado um manuscrito de Laukamp e tinha conhecimento suficiente para ter forjado as cópias e assinaturas, o repórter decidiu abordar Fritz.

O alemão é casado com uma mulher que escreveu livros de “escrita automática” e que diz transmitir mensagens angelicais. Além disso, o casal manteve, por anos, um site pornográfico que a exibia fazendo sexo grupal. Nas conversas do repórter com Fritz, o entrevistado contou que havia sido abusado por um padre quando jovem e foi enfático ao afirmar que os Evangelhos que consideram Maria Madalena como uma figura importante para o cristianismo (os chamados Evangelhos gnósticos) seriam historicamente mais confiáveis que os da Bíblia. Por fim, convidou o repórter a escrever um livro nos moldes de “O Código da Vinci” no qual Fritz apenas daria as ideias, mas jamais apareceria (“uma armadilha que poderia arruinar minha carreira”, escreve o repórter, comparando a estratégia de Fritz com a que foi utilizada com Karen). Após a publicação da reportagem com todos os fatos novos sobre a história de Fritz e do manuscrito, a historiadora Karen King afirmou que tende a acreditar que o manuscrito é uma falsificação. “Obviamente, não tinha ideia de quem era esse sujeito”, afirmou Karen ao The Atlantic. “Sua reportagem me ajudou a ver que a proveniência pode ser investigada.”
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