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A pombagira

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O mito da caixa de Pandora e os orixás



O mito da caixa de Pandora encontra ressonância nos mitos iorubanos da África Ocidental, vários dos quais têm como ponto de partida a entrega por Olodumaré (o deus maior) a um dos orixás de uma cabaça ou saco cujo conteúdo é desconhecido. O orixá que recebe o presente varia de região para região, podendo ser Obatalá, Odudua ou Oranian. Numa das lendas, Obatalá, depois de ser levado por Exu a embebedar-se com vinho de palma, perde a cabaça para seu irmão Odudua, o qual, ao abri-la, encontra uma substância negra a partir da qual surgem a terra firme e tudo que nela existe. Outra lenda fala de uma cabaça de onde escapa a escuridão. A humanidade, que vivia num dia perpétuo, é obrigada, a partir de então, a conviver com a alternância entre o dia e a noite, estado de dualidade que guarda correspondência com a dicotomia entre o bem e o mal. O papel instigador de Hermes, no mito grego, pertence, entre os iorubanos, a Exu. Tanto Hermes quanto Exu remetem à função de Mercúrio: a diferenciação mediante o uso dos recursos da linguagem e da lógica.

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