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A pombagira

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Intolerância religiosa: Dona de 'livraria flutuante' diz que Salvador é conhecida 'pela crença em demônios'



Com a chegada do navio Logos Hope, que abriga uma "livraria flutuante", a Salvador, uma postagem preconceituosa feita pela proprietária da embarcação começou a circular nas redes sociais. No Facebook, a OM Ships International, que se denomina como uma organização cristã "dedicada a compartilhar conhecimento, apoio e esperança", atacou o sincretismo religioso de parte da população soteropolitana.

"Ore por uma partida segura e uma simples viagem de dois dias para Salvador. Ore pela proteção, força e sabedoria para os membros da tripulação durante a estadia do navio em Salvador - uma cidade conhecida pela crença das pessoas em espíritos e demônios. Ore pela equipe de eventos enquantos eles se preparam para um novo porto e que Deus possa ser glorificado através de cada um dos eventos que estão chegando", diz a organização em uma mensagem postada na manhã de terça-feira (22).

Após a publicação desta nota, às 11h40 de sexta (25), a postagem foi apagada. Mas o Bahia Notícias fez um registro antes da exclusão.

Imagem: PrintScreen / Facebook OM Ships International


Em meio a diversos comentários de pessoas dizendo "amém" ou que estão "orando", tinha também uma série de comentários de brasileiros, em português e inglês, criticando a intolerância religiosa. "Eu rezo para que vocês aprendam a respeitar a cultura, as pessoas e a cidade que você vão visitar", disse uma internauta. "Acabei de desistir de visitar vocês! Respeitem minha cidade. Conheçam as crenças. Não julguem!", escreveu outra. "É inacreditável que a página de um projeto com o objetivo de levar conhecimento seja carregada com tanta ignorância", digitou um rapaz, para citar algumas críticas.

O BN procurou a empresa que assessora o navio em Salvador, mas não obteve retorno até a publicação desta nota.



Aberto nesta sexta (25), o Logos Hope deve ficar em Salvador até o dia 5 de novembro. Auto-intitulado a "maior livraria flutuante do mundo", ele cobra R$ 5 para dar acesso aos visitantes. Além disso, crianças menores de 12 anos e adultos maiores de 60 anos possuem entrada gratuita. (Atualizada às 12h10)


A Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) informou em nota que com a chegada do navio Logos Hope em Salvador, que abriga uma "livraria flutuante" e que está sendo acusado de intolerância religiosa por causa de uma publicação em sua página no Facebook (veja aqui), está acionando o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Nelson Mandela para apurar os fatos. 



A Secretaria ainda disse que repudia qualquer orientação ou atitude que possa fomentar o ódio religioso em um estado conhecido pela sua diversidade étnico-racial e de crença. O Centro Nelson Mandela está à disposição para orientações e acompanhamento de situações desta natureza, integrado aos demais órgãos da Rede Estadual de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa.

Sepromi vai acompanhar denúncia de intolerância em caso de 'livraria flutuante'

Ao chegar a Salvador, a proprietária do navio que abriga uma "livraria flutuante" fez uma postagem considerada preconceituosa atacando o sincretismo religioso de parte da população soteropolitana. "Ore por uma partida segura e uma simples viagem de dois dias para Salvador. Ore pela proteção, força e sabedoria para os membros da tripulação durante a estadia do navio em Salvador - uma cidade conhecida pela crença das pessoas em espíritos e demônios. Ore pela equipe de eventos enquanto eles se preparam para um novo porto e que Deus possa ser glorificado através de cada um dos eventos que estão chegando", diz a organização em uma mensagem postada na manhã de terça-feira (22).


O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio da promotora Lívia Vaz, anunciou nesta sexta-feira (25) que irá investigar o caso da livraria flutuante, no navio Logos Hope, que está em Salvador. A OM Ships International, responsável pelo evento, será investigada por discriminação religiosa, após uma publicação preconceituosa em seu Facebook (entenda aqui).

"O Ministério Público do Estado da Bahia, através da Promotoria de Justiça e Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, tomou conhecimento, na data de hoje, de mensagens de cunho discriminatório, emitido pela Logos Hope - Livraria Flutuante. Foi instaurado o devido procedimento e a organização do navio foi notificada com recomendação para retirada da mensagem das redes sociais, bem como para prestar esclarecimentos no prazo de três dias", disse a promotora.

O BN procurou a empresa que assessora o navio em Salvador, mas não obteve retorno.


MP-BA investigará discriminação religiosa de ‘livraria flutuante’; OAB-BA critica


Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), por meio da Comissão Especial de Combate à Intolerância Religiosa, também se manifestou sobre o episódio. Para a presidente do colegiado, Maíra Vida, o ato “ultrapassa os limites da liberdade de expressão e liberdade religiosa”. "Nos é exigido um esforço transdisciplinar de superação das violências. O desafio é garantir que o enfrentamento jurídico seja célere, adequado e, ainda assim, transformador", disse.

Para ela, isto revela uma “incoerência entre o escopo da uma entidade que se declara fomentadora da educação e do conhecimento”.
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