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A pombagira

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Ifá nos revela a mensagem divina por meio dos códigos sagrados


O Ifá fala também através do eerindinlogun. Mas existem certas restrição conceitual a isso e apenas a prática pode separa uma coisa da outra. Por esses motivos não existe razão para que pessoas pré-estabeleçam que o eerindinlogun não é Ifá. Essa afirmação pura e simples ao meu ver mostra apenas desinformação e ignorância. O que temos que examinar de fato são questões de prática que podem desconectar o uso do eerindinlogun de Ifá e faremos um analise disso a seguir.

As pessoas que sejam de Candomblé e que estejam interessadas em resgatar no Candomblé o eerindinlogun baseado em Ifá e de também harmonizar o culto de Orixá do Candomblé com o culto de Ifá, assim como isso já é feito com o culto de egungun.  Claro que existe para o Candomblé o desafio de se harmonizar com a Umbanda. No Candomblé, o Jogo de Búzios, abandonou as histórias associadas aos Odù. Ninguém sabe e nem procura saber quais são (poucos e experientes sacerdotes, ainda estudam os búzios observando os odus). No Dillogun cubano essas histórias são muito bem organizadas e colecionadas.

As pessoas, atualmente, nem mesmo procuram saber os mitos históricos associados aos Orixá, que não fazem parte de Ifá e sim do próprio culto de Orixá, e que são importantíssimos na transmissão dos valores da religião. As pessoas se orgulham de dizer que o Candomblé é uma tradição oral. Mas, só fazem isso para justificar a sua preguiça ou incapacidade de estudar e ler. Tradição oral é obter os conhecimentos nas estórias. No jogo de búzios, as histórias foram substituídas por significados. Para cada Odú foram pré-estabelecidos significados e o máximo que a pessoa aprende são esses significados pré-interpretados. Não existe interação entre o olhador e o consulente na análise das histórias e nem as explicações dos valores morais da religião. 

Sem a determina a orientação também não existe a determinação de qual o tipo de Ire e Ibi. Novamente, o olhador fala o que sua mediunidade indica. Arquétipo de Orixá: Pela falta de conhecimento do que é Odù, e de sua interpretação, ocorreu um processo simples e direto de associar búzios a um número, este a um odu e por fim (o que interessa mesmo) este a um orixá. O que importa é este orixá. Pelo arquétipo do Orixá a pessoa diz o problema da pessoa ou a quem deve recorrer para solucionar.

Não se usa os Ìbò: a maior parte das pessoas nem sabe o que é. Sem o uso de Ibô acabou a interação entre o olhador e o Ori do consulente. O Olhador responde o que a sua mediunidade indica. Igualmente acabou com isso a seleção das oferendas e ebós usando o oráculo. Ao invés de usar o Ibô para determinar o que será feito, o olhador de forma arbitrária e questionável, diz e detalha o que vai ser feito.

O eerindinlogun é Ifá, feito com os 16 Odù méjì. Desta maneira os nomes de odù tem que ser os mesmos de Ifá. Os nomes usados no jogo de búzios variam e incluem nomes de omon odù (ofun karan, obeogunda) e outros que não existem (alaafia (?), ejilaxeborá). No Jogo de Búzios não se determina se o Odù esta em Ire ou Ibi e isso é muito básico em Ifá. Depois de determinar o Odù a primeira coisa que fazemos e saber sua orientação e intensidade. Isso é parte da interpretação. No jogo de búzios isso não é feito.

No Candomblé muitos até fazem as 4 caídas, mas, duvido que entendam porque fazem. O motivo das 4 caídas é o mesmo de Ifá, mas, foi mantida apenas as quantidade de caídas sem o seu significado, porque não se determina o estado do Odù. Vejam, dizer que tem um oráculo com Odù que não se determina a orientação e o tipo de influência, é o mesmo que não ter um oráculo de Odù. Só essa razão estrutural já seria o bastante para dizer que o Jogo de Búzios não tem nenhuma relação com Odù. Após esta sequencia estruturada, em Ifá pode se iniciar uma outra respondendo a questionamentos do consulente, através do seu Ori e usando os Ibô. Assim a quantidade de interações desta fase não estruturada é indefinida, mas, a fase relativa ao Odù se encerra com a determinação completa do seu estado.

Uso de objetos: É muito comum usar objetos colocados na peneira para traduzir significados. Este é um aspecto animista que não faz parte de Ifá e muito menos do eerindinlogun. Quantidade de caídas: Em ifá usa-se uma sequencia de 4 Odù para se interpretar o problema e a solução para o consulente. Esta sequencia se inicia com o Odù principal segue pelos seus testemunhos, que foram usados para se determinar o seu estado e é complementado pela sombra ou um odu combinado. Cada Odù tem seu signifcado nisso e utilidade, complementando o principal.

O que liga um Ebó a um odu é geralmente a quantidade de elementos. Assim, de novo a neurose da numerologia influencia o jogo de búzios, como se Exu fosse contar o número de coisas para saber qual o Odù. A maior parte das pessoas faz a escolha do Ebó estritamente ligado a um Orixá. Assim, eles definem como ebó uma comida votiva ligada ao Orixá que ele entendeu que falou no jogo. Como expliquei a quantidade de búzios determina o Orixá e assim a saída é então oferecer uma coisa para este Orixá.

Determinação do Ebó: Em Ifá a determinação do Ebó para pelo Ori do consulente. É um processo interativo usando o Ibô. Existem um conjunto de opções e detalhamento disso. No jogo de búzios o olhador normalmente termina a sua consulta dizendo o que vai ser feito, ou então ele faz uma caída, olha para ela e sai passando o que fazer. Dificilmente ele passa por um processo interativo de escolha. O próprio processo de selecionar o que vai ser feito usa critérios pouco objetivos onde um Odù que não fez parte de nenhuma das 4 caídas pode receber um Ebó porque apareceu em sub-formações de búzios.

O merindinlogun (ẹẹ́rìndínlógún) e Ifá. O que esta no núcleo da questão, junto com vários aspectos colaterais e acessórios é se ele representa uma comunicação de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) entre o aìyé e o orun] Sim, na minha opinião o merindinlogun (ẹẹ́rìndínlógún) representa uma comunicação de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) entre o aìyé e o orun. Essa discussão, creio eu ficou mais intensa nos últimos anos devido ao estabelecimento do culto de Ifá no Brasil e com o surgimento dos primeiros Babaláwo brasileiros que, mais do que se preocupar em fazer dinheiro vendendo obrigações, estão inseridos na cultura da religião e participam de fóruns e grupos de discussão virtuais contra o merìndìnlógún.

Em primeiro lugar, temos a questão do culto especializado ao oráculo, que é novo no nosso ambiente cultural e que deu uma nova dimensão a essa discussão. Ifá é um culto diferente do Candomblé. É um culto especializado e orientado a uma divindade, Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), o elerii (ẹlẹ́rií) ìpin, testemunho dos destino de todos nós. Os sacerdotes de Ifá se dedicam a ser os mensageiros de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), que por sua vez é o mensageiro dos orixa (òrìṣà) e de Olódùmarè, o Deus supremo dos Yorùbá. No que pese ser impossível praticar a religião sem que todos os orixa (òrìṣà) estejam envolvidos os sacerdotes de Ifá se dedicam exclusivamente a uma única divindade Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e tudo deles gira e torno dele. Ifá é Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) e é também o nome do oráculo através do qual Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) fala conosco.

Apesar de Orí ser um nome conhecido, e o Borí a cerimônia mais executada, e talvez mais popular, do Candomblé eu não vejo com clareza as pessoas entendendo de fato o papel de Orí na sua vida ou mesmo o sentido de um Bọrí (Bori). Eu acho que isso se soma aquelas coisas repetidas por imitação ao infinito e digo isso porque apesar de todo mundo conhecer a palavra e o significado do sentido de Orí na vida das pessoas é substituído pelo orixa (òrìṣà), sem conhecimento do valor do culto a ori, o orisá pessoal de cada ser humano. Mas Ifá não o é, e nesse caso Orí assume uma outra proporção e por isso eu tive que iniciar este segmento citando-o. É claro que eu posso estar sendo aqui otimista ou fundamentalista demais, entretanto não dá para falar nisso de forma diferente. Não, antes que concluam isso, Ifá não é um culto a Orí. Ifá é um culto dedicado a Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) uma divindade cujo propósito de existência é ser o mensageiro entre o aiyé e o orun (ọ̀run).

Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) fala através de sinais e de histórias. Suas histórias são metáforas, parábolas e meias verdades que devem ser interpretadas. Orunmila (Ọ̀rúnmìlà) fala sempre através de um Odù. Existem 256 Odù e os sacerdotes de Ifá dedicam a sua vida a aprender a entender as mensagens de orunmilá através desses Odùs, a aprender os versos de Ifá, poemas, os ésés, que contem através de metáforas os ensinamentos e mensagens para os consulentes. Além disso devem aprender a como fazer as rezas, os ébó, as folhas e até sacrifícios que permitirão ao odù atuar na vida das pessoas.

Na nossa teologia, antes de nossos espíritos virem para o aiyé, no orun (ọ̀run) nós nos ajoelhamos perante Olódùmarè para junto a ele pedirmos o nosso destino, que alguns preferem chamar de objetivo de vida. Nesse momento nós escolhemos o que queremos viver nessa vida, o que queremos realizar e qual o nosso objetivo ao nascer no aiyé. Olódùmarè pode concordar com o que pedimos ou não, ou pode ainda definir para nós outros objetivos de vida. Essa conversa é uma das coisas mais importantes para nós e dela poderá depender por exemplo qual será o nosso odù de nascimento, porque ele faz parte do nosso Orí e vai ser definido para nos ajudar na vida que vamos ter aqui no aiye.

Odù é a base da comunicação de Orunmila (Ọ̀rúnmìlà), e como muitas palavras em yoruba ela é usada para várias coisas. Odù são marcas gráficas, assinaturas, que representam um símbolo. A este símbolo estão associadas histórias e versos que formam a famosa e tão pouco conhecida literatura de Ifá, poemas de Ifá, que eram transmitidos oralmente, mas que hoje já encontramos escritos. Esse conjunto não é completo, muita coisa se perdeu, ou uniforme cada escola de Ifá tem o seu que pode ter variações em relação a outras. É interpretação dessas histórias que podem estar na forma de mitos ou de poemas é que vem o significado de um Odù. A mensagem que um odù traz para nossa vida esta contida nas histórias que são associadas a ele.

O verdadeiro espiritualista nunca maltrata os animais

TANTO PESSOAS, QUANTO ANIMAIS, BUSCAM ACONCHEGO, CONFORTO, SEGURANÇA E CARINHO! POR ISSO É MUITO TRISTE VER ANIMAIS E PESSOAS JOGADAS NA RUA, COM FRIO, COM FOME, SEM UM TETO E SEM CARINHO! E PRA PIORAR, A MALIGNA DROGAS E MALDITA VIOLÊNCIA, CAUSANDO DORES E MORTES... ANIMAIS INDEFESOS QUE JÁ SOFREM PRA CONSEGUIR COMER E SOBREVIVER, AINDA TEM QUE SE DEFENSAR DE PESSOAS SEM CARÁTER QUE GOSTA DE MASSACRAR ANIMAIS, OUTROS QUE ABANDONAM SEUS BICHINHOS SE A MENOR DOR NA CONSCIÊNCIA  UMA PESSOA AINDA PODE SE DEFENDER COM MAIS FORÇA, PODE CONVERSAR, PODE ARTICULAR E UM ANIMALZINHO NÃO! NÃO MALTRATE OS ANIMAIS INDEFESOS... CHEGA DE VIOLENCIA CONTRA OS INOCENTES!

É preciso amar


"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". É assim que começa uma canção da Legião Urbana.

A história de saber amar os outros, de cuidar de quem está perto, de saber que a recíproca é verdadeira, de curtir quem está vivo (enquanto está), de ter a exata noção de que ninguém é para sempre, de fazer bem a quem nos faz bem, enfim, todas essas obviedades... essa história só é óbvia lá entre nossos baús de conceitos. Na vida diária, no bate-estaca do cotidiano, o que fazemos é viver espirrando estilhaços nos outros e, principalmente, em quem está mais perto, mais abraçado, no convívio.

O que quer dizer "amar as pessoas como se não houvesse amanhã"? Quer dizer sugar delas a melhor seiva que há, para então não se arrepender de tê-las perdido no coração; ou para não se lamentar olhando fotos que o computador perderá um dia; ou para não cansá-las com uma chuva de infelicidades diárias. Assim, nada vinga, de fato.

E eu acho improvável amar as pessoas. Não havendo amanhã, restará um hoje do qual somos incapazes de nos aperceber. É quando ele se converte em lembrança que a gente exclama: era isso! Mas não deu tempo de ser direito. Já me arrependi assim com a morte de alguém e talvez ainda colecione desses arrependimentos. Estou falando ainda de amar as pessoas amáveis, aquelas mais próximas, como pais, irmãos, filhos. Essas são as pessoas a quem provavelmente nos ligamos mais, numa espécie de aprendizagem que vem com gosto, cheiro, sol e chuva. 

Tirando a prova dos nove, você vai viver sua vida com o frescor que conseguir, mas terá um manual de sobrevivência bem mais completo e restritivo do que poderia antes. E então você não namora mais uma pessoa; você namora uma família, que, por sua vez, namora a sua família. Então você precisa saber como amar tantas pessoas que não faziam parte daquele desenho de árvore genealógica que você aprendeu na escola (e continua aprendendo). Ah, como aquilo é precário! Na era digital, na plenitude do link e das redes, as aulas de Biologia ainda insistem em desenhos lineares e unidimensionais.

A capacidade de gostar dos outros é imprescindível neste tempo de links quebrados e páginas viradas. E então você precisa aprender a amar as pessoas que mais atinge, além de amar as que precisa adotar. É assim que as pessoas nos surpreendem. É dessa forma que a vida dança com você, dando a impressão de que é você que está marcando a cadência, mas não é. O problema é amar e desamar, desarmar um amor rarefeito, descansar do costume de ser infeliz todos os dias e coisas assim.

Welsh: um conto com muitas possibilidades de leitura

O homossexualismo, aliás, é tema de uma das melhores histórias do livro. "Culpa católica (você sabe que adora isso)" é um bom exemplo da inteligência de Welsh como escritor. E de como um conto pode oferecer tantas possibilidades de leitura e ter tantas reviravoltas quanto um romance. Joe, o personagem do conto, é um beberrão homofóbico que na primeira cena da história espanca um gay na rua. Joe "queria obliterar as feições retorcidas da boneca boiola, mas só conseguiu encher a cara dele de pontapés", enquanto seu amigo Charlie chegava para controlá-lo. Os dois então vão comemorar a surra no gay em um pub em que a irmã gêmea de Charlie se encontra. Lucy (a irmã) e Joe acabam na cama e, neste momento, Joe tem uma espécie de colapso, em que a narrativa de Welsh, entre a piração e a realidade, joga com o leitor. Joe começa a ter alucinações que viram pesadelos. Envolto em uma maldição, ele se vê transando com alguns de seus melhores amigos. Angustiado para se livrar do pesadelo, a certa altura, Joe tem uma epifania e encontra o diabo.
Chamar um escritor de "perspicaz observador da alma humana" é o que de melhor se pode fazer a um autor, mas o elogio que se pode fazer a Welsh passa longe do etéreo, pois o escocês prefere olhar para as coisas terrenas, mais especificamente para a confusão em que o mundo se meteu depois da Revolução Industrial. Welsh cutuca fundo as feridas do capitalismo, mostrando, de forma sempre divertida, como o sistema fode com gente que até pouco tempo acalentava alguma esperança na vida e no ser humano. Mas não, Welsh não é o que se pode chamar de um autor engajado. Pelo contrário, talvez não haja um autor contemporâneo menos engajado que o doidão escocês. Welsh, de forma magistral, aponta sua machine gun em vários alvos: a igreja, os conservadores, os neo hippies, os modernos, os ricos, os drogados, os homossexuais.

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