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Os Orixás regentes de 2026

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Babalawos e o Ser Supremo

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Os Yorubas acreditavão na múltiplicidade das Divindades do Panteão Africano, seres sobrenaturais, que conhecemos no Brasil como os Orixas. Para os Ilú Ulkumy, Yorubas ou Nagos, a existência transcorria em dosi grandes planos: 1- Âiyé ou Mundo Natural. 2- Ôrun ou Mundo Sobrenatural. Para o povo Yoruba o Mundo Natural e o Sobrenatural possuem uma profunda e estreita relação, são considerados complementares entre si, um e ligado ao outro. Estes planos de existência não eram tão distintos assim, as Divindades do Panteão Nago, já haviam vivido sobre a Terra no Ôdé Âiyé (lugar das divindades sobre a terra), quando vieram realizar a criação do mundo Material, da nossa grande Mãe/Pai a Terra. Olórun, Olódùmarè, Deus Supremo e Criador de todos os Orixas e de todas as coisas, vive no lugar mais alto do Mésêêsan Ôrun, chamado de Ajal' Ôrun (Teto do Além). Olórun, o Incriado e Criador, o Deus Supremo e aquele (O), que tem (Li), o Além (Ôrun). Òrúnmìlà-Ifá é uma divindade primordial que acompanhou Òrìsànlá na criação do mundo nagô. Os Yorubas acreditavam também que tudo que existe ou até existira no Âiyé (terra), foi plasmado no Ôrun (além), e lá possui seu exato Duplo ou Doble. 
 
Para os Yorubas as Divindades do panteão Yoruba vivem no Mésêêsán Ôrun (nove Aléns), ou os noves planos de Existência do Credo Yoruba. O Mundo Natural o nosso Ilé (Terra), esta situado no eixo central, ponto de passagem e de retorno. Uma das mais importantes divindades do Credo Yorubá, representante do princípio da sabedoria. Interpreta os desejos de Olódùmarè, e os transmite através das diversas práticas divinatórias, Òrúnmìlà-Ifá é o Deus dos Destinos. O Jogo de Búzios, Ifa-Opele, Ikin-Ifá dentre outros sistemas divinatorios do povo Yoruba, são elementos de transmição de ordens divinas e são atribuídos a Orunmila-Ifá, seu intérprete por excelência. 
 
Sua saldação é: Òrùnmìlà Bàbà Ifá. A religião Africana e uma religião de caráter MONOTEÍSTA. Possui um deus supremo, que criou todas as coisas e preside o destino de todos em nosso Universo. Na Genêses Africana OLÓÓRUN (Deus Criador) criou a terra e tudo que existe em quatro dias, (a semana africana possuía quatro dias) e, depois, descansou, deixando-a, a responsabilidade das soluções dos problemas imediatos do mundo a ministros ou delegados das divindades do panteão Africano os Orixás. Segundo a tradição oral antiga, a hierarquia da religião dos Orixás era a seguinte: Em primeiro lugar estaria o Babalawo (Pai do Segredo), sacerdote supremo, do culto de Òrúnmìla Baba Ifá, que possuía o seu culto à parte, dos cultos do Ilê (casa) Orixá e Ilê Egun (ancestrais). 
 
Nações de : Ketú, Jêje, Angola, Nagô. Foi por volta de 1830 que três negras da costa africana, fundaram o primeiro templo na região da Bahia. Òrùnmìlà pode também ser difinido pelos titulos e designativos que lhe são atribuídos: Gbàyé Gbórun - Aquele que vive tanto na terra como no céu. Elérìí Ìpìn - Testemunha dos destinos. Alátúnse Aìyé - O que coloca o mundo em ordem. Òrùnmìlà esteve presente quando o universo foi criado por Olódùmarè, conhece o presente, passado e o futuro. Também foi testemunha da escolha do destino e da reencarnação de cada individuo ou pessoa que retorna a Terra, possui as respostas para os problemas dos seres humanos, é também o porta voz dos Orixas na terra. O BABA LI ÁWO. "Qualquer que seja a soma que agrade alguém, é aquela pela qual recebemos para jogar Ifá." 
 
Infelizmente o Culto dos Orixás no Brasil tem um custo muito elevado, para que as pessoas o pratiquem, os sacerdotes hoje em dia se preocupam mais com seus bolsos, do que com as pessoas que o procuram, esquessem a lei da caridade que é uma lei universal, estes maus sacerdotes negam-se a atender pessoas que não tem recursos para poder se consultar e muito menos para se tratar, o sacerdote sério tem obrigação de atender todas as pessoas que o procuram sem destinguir, raça, cor e poder econôomico. Òrúnmìla-Ifá é o dono do Jogo Oracular de Ifá (Deus do Destino), utilizavam os jogos chamados, Eridinlogun, Ikin-Ifá e o Opele-Ifá. Em uma de suas lendas, Òrúnmìla também teria autorizado a divindade Osun a jogar o tradicional Jogo de Búzios, hoje utilizado nos Ilês de Orixás e Egun. 
 
Os Omo Ifá (filhos de Ifá), também tinham uma iniciação diferente das do Ilê Orixás, era uma consagração intelectual, não é feita raspagem para este Orixá, apenas consagração e não a transe de possessão. Era uma sociedade secreta aonde, até nos dias de hoje só entra homens, apenas os homens podem manusear os objetos de adivinhação sagrada de Ifa, o Opele-Ifá e o Ikin-Ifá. As mulheres Omo-Ifá, que hoje em dia adentrão no culto, só manuseiam o jogo Dilogum, Ifá-Olokum, ou Erindinlogun (Jogo de 16 Búzios). Eram os Babalawos que jogavam para saber qual era o destino reservado, e qual o Orixá ele deveria cultuar encaminhando a pessoa ao Ilê Orixá que a pessoa deveria cultuar. 
 
Só os Babalawos podiam utilizar o sistema de adivinhação sagrada dos Ikin-Ifá. Os Omo Ifá (filhos de Ifá), aprendizes do Babalawo, podiam manusear o Opele-Ifá e o Erindinlogun (jogo de Búzios). Os Babalawos eram obrigados também a estudar profundamente os outros sistemas Ilê Orixá e Ilê Egun. As Yalorixas e os Babalorixas ou zeladores de Orixás, sacerdote supremo do Ilê Orixá, seu culto é diferente, assim como sua iniciação, e, existe o Elegum (medium, aquele que é montado) que entra em transe de possessão. Os BabaEguns ou zeladores dos ancestrais que praticavam o culto dos Orixás, não a transe de possessão. 
 
Na ilha de Itaparica, as roupas dos ancestrais, dividamente preparadas levantam sozinhas, sem aver nada dentro, falam com voz metálicas e dançam. Em cuba o culto de Òrumìla ainda é vivo, os escravos que aportaram em cuba a sua maioria vieram de Ilê-Ife. No Brasil sacerdotes que se interessam pelos assuntos de Òrúnmíla estão resgatando o seu culto através de iniciações feitas em África e em Cuba. Segundo os mais antigos foi por volta de 1943 que faleceu o ultimo Babalawo sacerdote supremo do culto de Òrúnmìla no Brasil, autorizado a manusear os Ikin-Ifa, restando alguns Omo-Ifá autorizados a jogar o Opele-Ifá. Mas, não foi só no Brasil que quase se extinguiu o culto de Òrúnmíla, na África Islamizada, pesquisadores afirmam que hoje em dia apenas existam em torno de 20 Babalawos, que em eras passadas o sacerdote supremo vivia na cidade sagrada Ilê-Ife. Mas, já sabemos hoje através de pesquisas profundas, esotericas, espiritulizadas e isentas, que os verdadeiros Babalwos, tem origens mais distantes, que os conhecimentos magisticos africanos, tem muito mais segredos do que imaginamos e que suas raizes, são muito mais profundas do que pensavamos. 
 
 
 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Babalawos, ifá e buzios


Nas religiões Afro-brasileiras, o jogo de búzios é um exemplo das artes divinatórias, que consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adoptam ao cair sobre ela. O adivinho, antes reza e saúda todos os Orixás e durante os arremessos, conversa com as divindades e faz-lhes perguntas. Considera-se que as divindades afectam o modo como os búzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.

O jogo de búzios é uma das artes divinatórias utilizado nas religiões tradicionais africanas e na religiões da Diáspora africana instaladas em muitos países das Américas.

Existem muitos métodos de jogo, o mais comum consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adoptam ao cair sobre ela. O adivinho, antes reza e saúda todos os Orixás e durante os arremessos, conversa com as divindades e faz-lhes perguntas. Considera-se que as divindades afetam o modo como os búzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.

Babálawó é o nome dado aos sacerdotes exclusivos do Orixá Orúnmilá-Ifá do Culto de Ifá, das culturas Jeje e Nagô. E que não entram em transe, sua função principal é a iniciação de outros babalawos, a preservação do segredo e transmissão do conhecimento do Culto de Ifá para os iniciados.

Bàbáláwo Oluwô (pai ou senhor dos segredos Apetebi (mulher do babalawô) O Bàbáláwo " pai do segredo " , são os porta-vozes de ÒRÚNMÌLÀ, que não é Òrìsà. A iniciação de um Bàbáláwo não comporta a perda momentânea de consciência que acompanha as do Òrìsàs. Não se trata de ressuscitar no inconsciente do bàbáláwo o "eu perdido " , correspondente à personalidade do ancestral divinizado. É uma iniciação totalmente intelectual. Êle terá de passar por um longo período de aprendizagem de conhecimentos precisos em que a memória, principalmente, entra em jogo. Precisa aprender uma quantidade enorme de histórias e de lendas antigas, classificadas nos duzentos e cinquenta e seis ODÙS ou sígnos de IFÁ, cujo conjunto forma uma espécie de enciclopédia oral dos conhecimentos tradicionais do povo de língua YORÙBÁ

Com a vinda dos escravos para o Brasil, entre eles vieram alguns Babálawós, mas com o tempo foram morrendo e não deixaram seguidores e a história de como o culto se perpetuou no país ainda não foi estudada em profundidade. No entanto, temos conhecimento de muitos nomes: Martiniano Eliseu do Bonfim (1859-1943), também conhecido como Ojé L’adê, foi o grande precursor do retorno às raízes africanas e da busca de elementos capazes de fortificar as práticas religiosas dos negros ex-escravos. Considerado o último Babálawó do Brasil.

Um comentário de Pierre Verger, citado por Mestre Didi, no livro Axé Opô Afonjá, dá conta da surpresa do rei de Osogbo ao presenciar um ritual para Oxum no Opó Afonjá. Ele "se mostrou impressionado pelo profundo conhecimento que ainda se tem na Bahia dos detalhes do ritual do culto àquela divindade", conta. O próprio título de Iyá Nassô de Mãe Senhora" é um posto destinado em Oyo, à sacerdotisa encarregada do culto a Xangô, no interior do Palácio do Àláàfin de Oyó", completa Mestre Didi, que era filho carnal de Mãe Senhora.

Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996), fotógrafo francês que veio para o Brasil em 1946 foi também iniciado em Ifá na África como Awófãn e Ketu (Daomé), em 1953, tornando-se Fatumbi, "renascido em Ifá". Profundo estudioso e conhecedor das culturas e religiões tradicionais africanas e religiões afro-brasileiras, Pierre Verger é autor de inúmeras obras de referência sobre o assunto, foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi e que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana - o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África. Até a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger levou a carreira de fotógrafo jornalístico. A Fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger.

Outro Sacerdote, dedicado ao Merindilogun e muito respeitado foi o professor Agenor Miranda Rocha, angolano de nascimento. Iniciado aos 5 anos de idade por Mãe Aninha, Iyálorixá fundadora dos Terreiros Ilê Axé Opô Afonjá de Salvador e do Rio de Janeiro. Pai Angenor vivia no Rio de Janeiro, trabalhando como professor. Foi autor de muitos livros importantes para a compreensão do Oráculo de Ifá no país. Agenor Miranda Rocha, o Pai Agenor, (Luanda, Angola, 8 de setembro de 1907 — Rio de Janeiro, 17 de julho de 2004) foi um babalorixá do Candomblé. Era professor catedrático aposentado do Colégio Pedro II, estudioso e adivinho do candomblé, o brasileiro que mais conheceu a herança e a Cultura afro-brasileira.

Os primeiros a escreverem sobre Ifá no Brasil foram sacerdotes Umbandistas. W.W. da Matta e Silva, conhecido como Mestre Yapacani já descrevia em 1956 um dos inúmeros sistemas de Ifá em suas obras. Seus discípulos, Francisco Rivas Neto (Mestre Arapiaga) e Ivan H. Costa (Mestre Itaoman) escreveram, nos anos 90, obras descritivas sobre o oráculo. A tradição africana de Ifá só chegou ao Brasil via africanos e Cubanos muito mais tarde.

Adilson de Oxalá, publicou inúmeros livros sobre Ifá, sendo o mais conhecido: Igbadu a Cabaça da Existência, Lendas de Exú, 666 Ebós e muitos outros no prelo. Tendo realizado plenamente a sua iniciação intelectual, Adilsom Antônio Martins, iniciou-se como Babálawó pelas mãos do Sacerdote africano Babálawó Adisa Arogundade Adekunle, passando a usar seu nome iniciático: Babálawó Ifáleke Awó Ni Orunmilá Omó Odu Ogbebara.

O Culto de Ifá é oriundo das Religiões tradicionais africanas, ligado ao Orixá Orunmilá-Ifá da religião yoruba. Com a ida destas culturas para Brasil e Caribe, nos períodos do tráfico negreiro, alguns sacerdotes (chamados babalawo (yoruba) e Bokono (ewe/fon).) foram levados para estes países, estando ligados às religiões Candomblé (Brasil) e Santeria através da Regla de Ocha (Cuba).

O culto de Ifá é um sistema divinatório, empregado na África e nos países para onde foi disseminado para decisões de cunho religioso ou social. Utiliza três técnicas diferentes (Opelê, Ikins e Merindilogun), que têm em comum os Odú-Ifá, os signos.

As mulheres também podem ser iniciadas no culto, quando passam a ser chamadas apetebis (esposas de Orunmilá), mas os sacerdotes - babalawôs - sempre são homens heterossexuais, sendo vedado às apetebis jogar Opelê ou Ikins. O Merindilogun é o jogo dos OBAORIATES sendo permitido as mulheres a usarem o EKURÓ. As pessoas ebomis que não são iniciadas em Ifá usam o OBANIKA.

O Culto de Ifá tem um rígido e complexo sistema de conduta moral relativo a seus adeptos, expresso no Odu Ikafun, onde surgem os dezesseis mandamentos de Ifá.
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