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quinta-feira, 7 de abril de 2022

Astrofísica - Projeto Ligo: Cientistas anunciam ter detectado ondas gravitacionais, comprovando teoria de Einstein

Cientistas anunciam ter detectado ondas gravitacionais, comprovando teoria de Einstein

O fenômeno, minúsculas distorções no campo gravitacional do Universo que transportam energia pelo espaço, é uma das previsões da Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Anúncio foi feito por cientistas nesta quinta-feira em Washington, nos Estados Unidos




Simulação ilustra colisão de buracos negros como a detectada pelo projeto Ligo (VEJA/Reprodução)
As ondas gravitacionais, previstas na Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, foram diretamente detectadas pela primeira vez, anunciaram cientistas do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO, na sigla em inglês), nesta quinta-feira. De acordo com os físicos, há "pouca ou quase nenhuma ambiguidade" nos sinais captados. O fenômeno é a única parte da teoria de Einstein que ainda não havia sido comprovada, e sua confirmação é uma conquista histórica buscada há pelo menos cinquenta anos pelos pesquisadores.
"Detectamos ondas gravitacionais. Conseguimos", disse David Reitze, diretor executivo do LIGO, durante a coletiva de imprensa realizada em Washington, nos Estados Unidos, que colocou fim a meses de rumores e de grande expectativa entre a comunidade de pesquisadores diante de uma descoberta que abre caminho para a redescoberta do Universo. "Nossa observação das ondas gravitacionais cumpre um ambicioso objetivo estabelecido há cinco décadas para detectar de maneira direta este fenômeno e entender melhor o Universo. Além disso, completamos o legado de Einstein no centenário de sua Teoria da Relatividade Geral", afirmou Reitze.
Em sua teoria, Einstein previu que os objetos que se movimentam no Universo produzem ondulações no espaço-tempo - aquilo que os físicos descrevem metaforicamente como o tecido do universo, o ambiente dinâmico onde todos os acontecimentos transcorrem -, e que estas se propagam pelo espaço. As ondas gravitacionais seriam essas minúsculas distorções no campo gravitacional do Universo que transportam energia, uma espécie de "eco" dos eventos cósmicos.


De acordo com os cientistas, esses sinais foram registrados por dois detectores do LIGO em 14 de setembro de 2015, um localizado em Livingston (Louisiana) e outro em Hanford (Washington), nos Estados Unidos. Os detectores, com braços de cerca de quatro quilômetros de extensão, foram feitos para captar oscilações muito mais sutis que a luz - eles poderiam registrar distorções viajando no espaço se tivessem o tamanho de um milésimo do diâmetro de um núcleo atômico.
Os cientistas estimam que esses sinais, que seriam "exatamente" o que a teoria de Einstein previa, sejam resultado da interação entre dois buracos negros, um com 36 vezes a massa do Sol e o outro com 29 vezes a massa solar. Após girar velozmente um ao redor do outro, eles acabaram colidindo, dando origem a um único buraco negro (em um evento chamado pelos físicos de "coalescência"). Toda essa movimentação, que aconteceu a cerca de 1,3 bilhão de anos-luz de distância (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros), liberou ondas gravitacionais com energia equivalente a cerca de três vezes a massa do Sol - é bastante, em termos astronômicos. Foram essas ondas que o LIGO observou
A pesquisa foi publicada no periódico Physical Review Letters, nesta quinta-feira, em um artigo assinado por mais de 1.000 autores. Durante este ano, novas detecções estão previstas para serem feitas pelo LIGO.
 
Em março de 2014, cientistas haviam feito anúncio semelhante sobre a detecção das ondas gravitacionais. Contudo, o fenômeno não foi confirmado pelas análises posteriores dos cientistas, que acreditam que os sinais seriam, na realidade, poeira espacial
 
 
 

domingo, 3 de julho de 2016

A detecção de ondas gravitacionais

Ondas Gravitacionais de Interferometria Laser
A detecção de ondas gravitacionais

Mais ondas


Nesta última quarta feira (15/06) o grupo do Observatório de Ondas Gravitacionais de Interferometria Laser (ou só LIGO) anunciou mais uma detecção de ondas gravitacionais! A detecção se deu no dia 26 de dezembro do ano passado e, por causa da data, foi apelidado de evento do ‘boxing day’, um feriado tradicional no Reino Unido que cai depois do Natal.

A primeira detecção de ondas gravitacionais se deu no dia 14 de setembro de 2015  com a colisão entre dois buracos negros parrudos, um de 36 e outro com 29 vezes a massa do Sol. O produto final da colisão foi outro buraco negro, mas com massa total de 62 vezes a massa do Sol, as 3 massas faltantes foram integralmente convertidas em ondas gravitacionais numa fração de segundos!

Dessa vez a colisão foi um pouco mais modesta. No dia 26 de dezembro, os detectores do LIGO registraram, quase ao mesmo tempo, o sinal característico da colisão de dois buracos negros, um com 14 e outro com 8 massas solares. Na colisão, algo como a massa de um Sol inteiro foi convertida em ondas gravitacionais. Com menos massa, o sinal chegou mais fraco, mas por isso mesmo fez com que as frequências detectadas fossem mais altas do que o as do primeiro evento. No final das contas, o efeito disso tudo foi o de fazer com que os dois observatórios do LIGO detectasse as 27 órbitas finais dos dois objetos até o colapso, totalizando quase um segundo de observações. Pouco? É sim, mas no caso anterior foi apenas um décimo disso!

Como os eventos chegaram quase ao mesmo tempo nos dois observatórios, a diferença foi de 1 milissegundo, a fonte deveria estar equidistante dos dois e isso dá duas possibilidades, ou bem acima dos detectores, ou bem abaixo, do outro lado da Terra. E não dá para ser mais preciso que isso. Com o uso de outras técnicas foi possível determinar que a colisão aconteceu a 1,4 bilhões de anos luz, praticamente a mesma distância da colisão anterior.

A repetição da detecção era muito aguardada pelos astrofísicos. Apesar de tudo estar bem explicado e ter acontecido exatamente como a Teoria da Relatividade havia previsto há cem anos trás, em ciência uma detecção só não faz verão. E esse evento do ‘boxing day’ veio não só tirar todas as dúvidas a respeito da primeira detecção, como também deu crédito a um terceiro evento. É que em 12 de outubro de 2015, ou seja antes do evento do ‘boxing day’, o LIGO detectou um sinal bem fraco que não permitiu uma conclusão robusta. Mas ele é coerente com a colisão entre dois buracos negros de 13 e 23 massas solares e, apesar de ter sido um sinal fraco, certamente não era ruído.

Mas, na minha opinião, o mais importante nesse segundo evento detectado não foi nem a repetitibilidade do evento, mas sim o fato de que as ondas recebidas traziam a informação de que um dos buracos negros estava girando! Sim! Um deles tinha um movimento de rotação! Quando um buraco negro colapsa, ele conserva 3 grandezas físicas: a massa, a carga elétrica e o momento angular. O momento angular é a grandeza que define a rotação de um corpo e se a estrela tinha rotação ao se colapsar, ou o buraco negro tragou uma estrela que girava (o que deve ser maioria no universo) ele vai girar também. Esse tipo de buraco negro é chamado de buraco negro de Kerr, que foi o físico que primeiro deduziu as equações da Relatividade para esse caso específico.

Muito mais do que confirmar uma teoria de 100 anos, as ondas gravitacionais criaram uma nova ciência, a astrofísica de ondas gravitacionais. Com ela, será possível estudar objetos exóticos como estrelas de nêutrons e buracos negros que não emitem luz. Aliás, o segundo período de observações científicas do LIGO está previsto para começar em outubro deste ano, após um upgrade de seus equipamentos. Com essa atualização, o LIGO deve ser capaz não só de detectar mais eventos de colisão entre buracos negros, mas também detectar colisões de estrelas de nêutrons! Com isso, vamos começar a desvendar detalhes desses bichos exóticos, como por exemplo a sua estrutura interna. Não há mais como negar, as ondas gravitacionais existem de fato e o LIGO, que tem uma forte participação brasileira, está mudando a astronomia e a física!

Imagem: LIGO/A. Simonnet.
Fonte: g1.globo.com/blog/observatorio/ 
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