As diferentes sociedades e culturas têm concepções próprias do tempo, do
transcurso da vida, dos fatos acontecidos e da história. Em sociedades
de cultura mítica, também chamadas sem-história, que não conhecem a
escrita, o tempo é circular e se acredita que a vida é uma eterna
repetição do que já aconteceu num passado remoto narrado pelo mito.
Na
verdade o pensamento mágico nasceu da vontade do homem em compreender
os fenômenos a sua volta. E esse pensamento mágico, nasceu juntamente
com o primeiro ato de pensar. Desde o primeiro momento que o homem se
viu apto a pensar ele passou imediatamente em analisar o ambiente à sua
volta.
E nessa analise ele começou a se inclinar ao lado mágico
de tudo que existia em torno de si. Mas, não era só o que ele via que
lhe intrigava, mas, principalmente o que não podia ver, entender ou
tocar.
Dessa vontade em compreender sempre mais foi que ele ficou
cada vez mais inclinado a buscar o desconhecido, que ao mesmo tempo
passou a ser amedrontador, desafiador e sagrado. Assim nesse seu intuito
de buscar captar que ele foi aflorando o dom da comunicação por meio energético e telepático com outras dimensões, mundos e formas. E sentia
em sua alma que tinha que se religar à algo muito maior que sua mente
consciente podia entender e que precisava buscar entender.
Assim
foram vindo as ideias que iriam gerar os elos com outros mundos,
dimensões, pensamentos e buscas, gerando o espaço de onde surgiriam as
religiões. Se investigarmos um passado distante, passaremos por muitas
formas de culto, de fé, de magia e de encontros que muitas vezes deixava
nossos ancestrais ora felizes, ora confusos! E são muitas as mudanças,
confusões e revelações. Assim cabe a cada um buscar suas metas, seus
caminhos e se encontrar com seu "Deus Interior".
As religiões
afro-brasileiras, constituídas para nós a partir de tradições africanas
trazidas pelos escravos, cultivam até hoje uma noção de tempo que é
muito diferente do “nosso” tempo, o tempo do Ocidente e do capitalismo
(Fabian, 1985). A noção de tempo, por se ligar à noção de vida e morte e
às concepções sobre o mundo em que vivemos e o outro mundo, é essencial
na constituição da religião.
Muitos dos conceitos básicos que
dão sustentação à organização da religião dos orixás em termos de
autoridade religiosa e hierarquia sacerdotal dependem do conceito de
experiência de vida, aprendizado e saber, intimamente decorrentes da
noção de tempo ou a ela associados. Assim, muitos aspectos das religiões
afro-brasileiras podem ser melhor compreendidos quando se consideram as
noções básicas de origem africana que os fundamentam. Mas, isso se
aplica à todas as religiões, pois, o religioso terá um campo muito mais
amplo à sua frente, pra desenvolver seu espírito se tiver essa noção bem
focada em suas buscas.
Da mesma maneira se pode ampliar o
conhecimento sobre valores e modos de agir observáveis entre os
seguidores dessas religiões quando consideramos a herança africana
original em oposição a concepções ocidentais com que a religião africana
teve e tem de se confrontar no Brasil, sobretudo nas situações em que
concepções de diferentes origens culturais se opõem e provocam ou
propiciam mudanças naquilo que os próprios religiosos acreditam ser a
tradição afro-brasileira, seja ela doutrinária, seja ritual.
No
entanto, uma coisa que tenho percebendo ao longo de mais de uma decada
de pesquisas é que direcionar uma religião como tendo uma só origem,
limita, confunde e as vezes distorce todos os conceitos. Na verdade, nós
não podemos negar que os cultos afro-brasileiros, em especial do
Candomblé tem sim grande maioria de seus conceitos embasados na Africa.
Mas, se buscarmos nos aprofundar com uma enfase maior nas origens de
cada ensinamento, tradição e luta dos Ancestrais, vamos perceber que as
origens vêm de um lugar muito mais distante e longincuo.
As
noções de tempo, saber, aprendizagem e autoridade, que são as bases do
poder sacerdotal no candomblé, de caráter iniciático, podem ser lidas em
uma mesma chave, capaz de dar conta das contradições em que uma
religião que é parte constitutiva de uma cultura mítica, isto é
a-histórica, se envolve ao se reconstituir como religião numa sociedade
de cultura predominantemente ocidental, na América, onde tempo e saber
têm outros significados.
O candomblé é a religião dos orixás
formada na Bahia, no século xix, a partir de tradições de povos iorubás,
ou nagôs, com influências de costumes trazidos por grupos fons, aqui
denominados jejes, e residualmente por grupos africanos minoritários.
O
candomblé iorubá, ou jeje-nagô, como costuma ser designado, congregou,
desde o início, aspectos culturais originários de diferentes cidades
iorubanas, originando-se aqui diferentes ritos, ou nações de candomblé,
predominando em cada nação tradições da cidades ou região que acabou lhe
emprestando o nome: queto, ijexá, efã (Silveira, 2000; Lima, 1984).
Assim
se ele se divide conforme o costume de cada cidade originaria, podemos
assegurar, que receberam influências dos costumes dessa terra (Brasil) e
uma dessas influencias bem destacada foi a indígena. Como também a
Cristã, a Espírita e muitas outras. Assim como a Umbanda incorporou
muitos outros conceitos em suas tradições, o Candomblé recebeu da mesma
forma adaptações pra sobreviver ao longo dos tempos.
Esse
candomblé baiano, que proliferou por todo o Brasil, tem sua
contrapartida em Pernambuco, onde é denominado Xangô, sendo a nação egba
sua principal manifestação, e no Rio Grande do Sul, onde é chamado
batuque, com sua nação oió-ijexá (Prandi, 1991).
Outra variante
iorubá, esta fortemente influenciada pela religião dos voduns daomeanos,
é o tambor-de-mina nagô do Maranhão. Além dos candomblés iorubás, há os
de origem banta, especialmente os denominados candomblés angola e
congo, e aqueles de origem marcadamente fom, como o jeje-mahim baiano e o
jeje-daomeano do tambor-de-mina maranhense. Foram principalmente os
candomblés baianos das nações queto (iorubá) e Angola (banto) que mais
se propagaram pelo Brasil, podendo hoje ser encontrados em toda parte.
O
primeiro veio a se constituir numa espécie de modelo para o conjunto
das religiões dos orixás, e seus ritos, panteão e mitologia são hoje
praticamente predominantes. O candomblé Angola, embora tenha adotado os
orixás, que são divindades nagôs, e absorvido muito das concepções e
ritos de origem iorubá, desempenhou papel fundamental na constituição da
umbanda, no início do século xx, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Hoje,
todas essas religiões e nações congregam adeptos que seguem ritos
distintos, mas que se identificam, nos mais diversos pontos do País,
como pertencentes a uma mesma população religiosa, o chamado
povo-de-santo, que compartilha crenças, práticas rituais e visões de
mundo, que incluem concepções da vida e da morte. Terreiros localizados
nas mais diferentes regiões e cidades interligam-se através de teias de
linhagens, origens e influências que remetem a ascendências que
convergem, na maioria dos casos, para a Bahia, e que daí apontam, no
casos das nações iorubás, para antigas e, às vezes, lendárias, cidades
hoje situadas na Nigéria e no Benim.
E assim buscamos, procurar
entender como e por quê as antigas heranças religiosas vão sofrendo
mudanças e adaptações no contexto das transformações socio-culturais que
modelam o Brasil atual. Assim é fato que muitas das conclusões podem
ser, em maior ou menor grau, aproximadas para o conjunto das religiões
afro-brasileiras, quando não extravasadas para além do universo
estritamente religioso, em outras dimensões da cultura popular
brasileira.
Na verdade as religiões sofrem ou absorvem interferências, influências ou ajustamentos vindos de outras culturas,
conceitos e religiões, não só pra se adaptaram as mudanças das eras, ou
simplesmente pra sobreviverem ao tempo, mas, tudo nos faz perceber que
toda religião, busca e crenças, têm na verdade a mesma origem. E assim
vão se agrupando, as vezes harmoniosamente, as vezes passam por choques
violentos, mas, sempre acabarão se absorvendo. E não são só os
conceitos, culturas, tradições e formas que vão se agrupando.
Na
verdade o saber essência vai se procurando, se projetando e fundindo
muito bem. Portanto a busca de entendimento, sempre vai gerar novos
conceitos, afim de facilitar sua compreensão. Por isso se unem muitas
novas formulas pra que a praticidade, teorias e revelações sejam mais acessíveis a todo buscador.
Assim nasceu a Umbanda Astrológica,
que substitui, mas, não exclui os antigos oráculos. No entanto, agrega o
conhecimento cósmico da Astrologia, que utiliza a simbologia sagrada
dos Antigos Mestres Ancestrais, como também o mais perfeito Livro
sagrado da Vida no universo que é o céu. Com seus bilhões de estrelas, galáxias e luz.
Axé a Todos!
Carlinhos Lima - Astrólogo, Tarólogo e Pesquisador.
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