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A pombagira

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Comida de Oxumaré


Ingredientes:

1/2 k de feijão fradinho

Uma chícara de chá de azeite de dendê

Umpouco de farinha de milho em flocos amarela

1/2 cebola ralada

Um punhado de camarão seco e defumado

Sala gosto(pouco)

Modo de preparo:

Após escolhido e lavado muito bem o feijão fradinho, cozinhar em fogo brando uma panela de pressão até ficar ao ponto de comer – igual ao feijão de casa comum nosso de cada dia.

Deixar com caldo do seu próprio cozimento.

Preparar uma panela de preferência de ferro, untar com azeite de dendê(colocar o azeite todo pra quantidade de feijão cozido, levar ao fogo, colocar a cebola ralada e o camarão, e refogar bem até o ponto de estarem dourados, depois despejar sobre essa panela o feijão fradinho cozido todo com sua água, e deixar ferver até engrossar, sem amassar o feijão, ir mexendo somente, quando estiver pronto, ir colocando a farinha de milho amarela ao ponto de ficar como um virado, logo em seguida, preparar um alguidar médio tipo No. 2, devidamente lavado, e colocar a comida dentro, pode-se enfeitar ou não com acaças (EKÓS)(feito de farinha de milho de canjica branca enrolados na folha de banana) na quantidade de cinco
ou seis. fica a critério de quem irá oferecer, e depois disso levar ao quarto de Santo onde ficar(estiver destinado ao Orixá) Oxumarê.

Fonte: olorum.org

A importancia dos sagados orixás, exus e odús

Nossos Orixás são forças da natureza, estão ligados aos elementos naturais sendo, portanto, seres elementais por excelência, de altíssima hierarquia e atributos que lhes confere o poder de comandar e submeter às suas ordens, os seres elementais de categorias inferiores. É na ação destes servidores, sob o comando de seus mandatários que serão operadas as magias, os feitiços e todos os sortilégios. Mas importa saber que, os signos de Ifá, embora tenham o poder de evocar e de estabelecer o contato entre o homem e estas entidades, não são estas entidades, da mesma forma que, um ponto riscado de Umbanda que serve para evocar uma entidade, como um Caboclo, por exemplo, não é esta entidade. 

Quando nos referimos aos Odu, não nos referimos às entidades de todas as ordens que podem, eventualmente, se comunicar através deles. Nos referimos, isto sim, à símbolos ou signos que compõem um sistema oracular. Símbolos que não carecem nem são merecedores de culto, oferendas ou presentes, mas que merecem respeito pelo que representam o que nos encita a compreender seus significados e interpretar as mensagens de que são portadores. 

Isto é por demais abstrato e inacessível à compreensão de muitos. Quanto à afirmativa de que deve-se assentar um Odu para garantir uma situação, na verdade, nada do que foi é mais. O universo é dinâmico, o mundo gira, sempre... Nada é estático, nada é definitivo, nada é permanente. O nascer, crescer, envelhecer e morrer para renascer e recomeçar tudo, nos serve de prova para isto. Eu mesmo já não sou o mesmo de horas atráz. Estaremos, todos, mais velhos, e mais próximos do dia de nossa liberação da casca material. Quanto aos ebós e oferendas, existem sim, e devem ser oferecidos e despachados como manda a velha tradição. Nenhuma novidade nisto, nenhuma inovação. O que pega é que são os ebós e as oferendas que devem ser despachados e não os Odus. Serão oferecidos à Exú ou a outras entidades, de acordo com a orientação oracular e nunca, jamais, aos Odus que serviram de canais de orientação para suas confecções.

Mistério Exu - Refletor do Nosso Íntimo


Exu, enquanto elemento religioso, atua como esgotador de carmas individuais e como vitalizador ou esgotador da religiosidade das pessoas. Exu é um mistério do nosso Divino Criador; portanto, possui faixa vibratória e um grau magnético só seu, pelos quais flui, irradia-se, atua e manifesta-se na vida dos seres. O mistério exu tem intrigado os estudiosos do Mistério Orixás porque Exu é colocado em posição a eles e seu campo de ação e atuação é tão abrangente, que encontramos Exus de Ogum, de Xangô, de Oxalá, de Iemanjá, etc.

Exu é o mais humano dos mistérios de Umbanda, porque assimila tudo o que seu médio vibra em seu íntimo. E assim é, porque reflete em si a natureza emotiva do seu médium, por meio da qual ele se manifesta quando incorpora. Negativamente de acordo com o quadro abaixo, temos:

Médiuns soberbos refletem Exus prepotentes
Médiuns tímidos refletem Exus circunspetos
Médiuns briguentos refletem Exus encrenqueiros
Médios chulos refletem Exus desbocados
Médiuns conquistadores refletem Exus galanteadores
Médiuns invejosos refletem Exus egoístas
Médiuns infiéis refletem Exus falsos
Médiuns mandões refletem Exus soberbos

Mas temos os Exus que refletem de forma espetacular o íntimo positivo dos seus médiuns. Como se observa no quadro abaixo:
Médium generoso refletem Exu prestativo
Médium bondoso refletem Exu discreto
Médium caridoso refletem Exu desinteressado
Médium compenetrado refletem Exu rigoroso
Médium fiel refletem Exu leal
Médium tenaz refletem Exu fiel
Médium trabalhador refletem Exu compenetrado
Médium demandador refletem Exu aguerrido
Médium estudioso refletem Exu sábio
Médium correto refletem Exu vigilante

Sacerdote Babalorixá


Na sua função sacerdotal, o babalorixá faz consultas aos orixás através do jogo de búzios, uma vez que, no Brasil, não há o hábito de se consultar o babalawo, chefe supremo do jogo de Ifá. Isso se deve à ausência da figura do mesmo na tradição afro-brasileira, desde a morte de Martiniano do Bonfim, segundo os mais antigos ocorrida por volta de 1943. Desde então, o professor Agenor Miranda era convocado para escolher a mãe-de-santo nos grandes terreiros baianos, mas agora, com os avanços tecnológicos e com a imigração voluntária de africanos para o Brasil, ouve-se falar de novos babalawos na tradição brasileira, donde a necessidade de diferenciar ifá de merindelogun e jogo de búzios.

Na sua função administrativa, é o responsável maior por tudo o que acontece na casa - a quantidade de filhos-de-santo, a de pessoas para serem atendidas - problemas a serem resolvidos -, e nela ninguém faz nada sem a sua prévia autorização. Conta com a ajuda de muitas pessoas para a administração da mesma, cada uma com uma função específica na hierarquia, embora todos os auxiliares conheçam de tudo para atender a qualquer eventualidade. O babalorixá, ou baba (pai), é um sacerdote e líder de um centro de culto de uma das religiões afro-brasileiras. O termo é especialmente, mas não sempre, utilizado pelos líderes de terreiro de candomblé.

Nas casas menores de candomblé, o babalorixá, além da função sacerdotal acumula diversas outras funções, devendo ser conhecedor das folhas sagradas, seus segredos e aplicações litúrgicas; em caso de rituais ligados aos eguns, ou se especializa, ou consulta um ojé quando necessário. Quando a casa ainda não tem um axogun confirmado, ele mesmo faz os sacrifícios; quando a casa ainda não tem alagbê, normalmente o babalorixá convida alagbês das casas co-irmãs para tocar o candomblé; na ausência da iyabassê ou ekedi, ele mesmo faz as comidas dos orixás, costura as roupas das iaô, faz as compras e outras tarefas do dia-a-dia.

O candomblé pode ser considerado uma religião brasileira com origem em diversos sistema mítico-religiosos de origem africana. Nessa perspectiva corresponde simultâneamente a um sistema etnomédico ou medicina tradicional de matriz africana que vem sendo mantido (e recentemente reconstruído a partir das demandas pelo revival das medicinas tradicionais) a partir da sua origem nas diferentes culturas yorubá, bantu entre outras. A função do babalorixá do nesse caso ganha destaque especial por sua relção com Obaluaiyê ou com a referida prática de colher as folhas sagradas atribuídas, segundo Bastide, ao babalosaim dedicado ao culto de Osanyin.

Métodos de Jogo divinatório


Existem mesas de jogo simples ou sofisticadas, dependendo das posses podem conter até sinetas e objetos de ouro. É diferente do (Opelé-Ifa), (Opon-Ifa) e Merindilogun que são orientados por caídas de Odú, antigamente mais utilizados pelos Babalawos sacerdotes de Ifá, mas recentemente muitos Babalorixás e Iyalorixás já fazem uso desses oráculos também.

A consideração entre aberto e fechado do búzio também pode variar, a grande maioria dos Babalorixás utiliza a abertura natural do búzio como sendo o lado "aberto", mas várias mulheres no culto do Candomblé, principalmente na Nação de Keto, acostumaram a jogar como "aberto" o lado em que elas "abriam" o búzio, assim a fenda natural sendo o lado "fechado", afirmando que o verdadeiro segredo em um búzio fica guardado em seu estado natural, este é revelado apenas após sua abertura cerimonial arrancando-se esta parte até então fechada, assim vários Babalorixás e Iyalorixás que aprenderam por este método fazem esta forma "invertida" de leitura, ao apresentado nas imagens.

Em alguns métodos o olhador (adivinho) senta-se no chão e joga na própria terra, sem toalhas e enfeites como era feito no passado, é um jogo mais simples e rústico.
Podem ser jogados apenas em uma toalha branca numa mesa, ou num círculo formado por fio-de-contas (colares) com vários objetos representativos dos Orixás ou numa peneira também com fio-de-contas e objetos.

Além dos búzios pode-se utilizar outros objetos para consulta dos Orixás: Obí, Orobô, Alobaça (cebola), atarê (pimenta da costa), ossos, víceras, e outros. O jogo com quatro búzios, mais utilizado nos rituais para perguntas, normalmente as caídas correspondem às caídas do jogo de Obi

A quantidade de búzios pode váriar de acordo com a nação, o mais comum é composto de 16 ou 17 búzios, mas o jogo com 21 búzios também é muito comum. Alguns métodos, não se baseiam em caídas por Odú como no Merindilogun, usam outras configurações e combinações de búzios abertos e fechados dividindo-os em quatro grupos de quatro búzios (que chamam de barracão) e analisam as quatro caídas e a disposição que elas se encontram, nesse tipo de Oráculo não se fala em Odú.

Um outro método de jogo é feito com as víceras dos animais oferecidos aos Orixás, e um outro jogo que utiliza ossos de animais unicamente ou em combinação com búzios, em ambos casos também não são orientados por caídas de Odú.

A grande verdade é que ao sagrar um formato onde seja considerado aberto/fechado, este sacerdote não mais o inverte e passa aos seus filhos o conhecimento desta forma, assim sendo particular de cada casa o cenário de leitura. Existe também o método que é dado um significado para cada búzio, e um deles que normalmente é o maior é atribuído a qualidade de representante de Deus, e recebe o nome de Oxalá. Os outros falam através dele. Um exemplo: Depois de lançar as pedras do jogo, o bico do búzio maior (Oxalá) vai verificar qual os buzios que caíram em sua direção. Esses que caíram na linha deste búzio que falam no jogo de acordo com a sua característica. Os que caíram atrás do búzio, ou seja, que não estão na frente do bico do búzio, falam pelo passado.

O I-Ching - o Livro das Mutações tem muitas semelhanças com o Ifá

O I-Ching - o Livro das Mutações. – cujo círculo mágico primordial é composto de dezesseis figuras onde se encontram combinados em número de quatro, traços inteiros e traços bipartidos. São estes tetragramas que, combinados, irão proporcionar o surgimento dos hexagramas que compõem o I - Ching. A origem deste oráculo se perde no tempo e não se pode estabelecer uma época ou um local para o seu surgimento. Aos olhos dos chineses, na antigüidade, o I-Ching seria o princípio
revelador de toda a sabedoria, o fundamento de todas as ciências e a base de todas as doutrinas.
Para atestar a ancianitude deste oráculo encontramos num dicionário chinês do período Han, dinastia que governou a China por mais de 400 anos: "No tempo da Dinastia Yao, já se conhecia o I-Ching". ( A dinastia Yao teria sido fundada entre os anos 2350 e 2360 AC). É de Confúcio, sábio chinês, a seguinte afirmativa: "Se mais anos de vida me forem concedidos, eu os dedicarei ao estudo do I-Ching e poderei, assim, me livrar de grandes perigos".

Orumila


Na mitologia Yoruba, Orunmilá é um orixá, e divindade da profecia, identificado no jogo do merindilogun pelo odu ejibe.

Ele é reconhecido como "ibi keji Olodumare" (segundo só a Olodumare (Olorum, Deus)) e "eliri ipin " (testemunha da criação). Orunmilá também é às vezes chamado Ifá (ee-FAH ") que é de fato a incorporação do conhecimento e sabedoria e a forma mais alta da prática de adivinhação entre os Yorubas.

Embora Orunmilá não seja de fato Ifá, a associação íntima existe, porque ele é o que conduz o sacerdócio de Ifá. Ifá é o nome de um Oráculo dos Yoruba na Nigéria. Os sacerdotes de Ifá são chamados Babalawo (o pai dos segredos).

Merindilogun ou Merindelogun - vem da palavra Erindinlogun e a tradução é dezesseis, sistema utilizado na África pelos yorubás algumas vezes chamado de dilogun (abreviatura de merindilogun), entregue ao sacerdote no ritual de oyê depois da obrigação de odu ejé.

É um dos muitos métodos divinatórios utilizado pelos Babalawos, Babalorixás e Iyalorixás que conta com 16 búzios. É um método diferente do jogo de búzios, pois nele ocorre a interpretação das caídas dos búzios por odù e (cada odù indica diversas passagens) de acordo com a mitologia yorubá.

No merindilogun, antes do arremesso dos búzios é Ifá o intermediário, quando eles caem dando a quantidade, o intermediário passa a ser Exu Elegba, que sempre acompanha Ifá. As caídas são dadas conforme a quantidade de búzios abertos e fechados resultante de cada arremesso. A resposta para cada quantidade de búzios abertos e fechados, corresponde um Odù e como ocorre no Opele-Ifa, esse odù deve ser interpretado, transmitindo-se ao consulente tanto o significado da caída, quanto o que deve ser feito para solucionar o problema.

1 Um búzio aberto - Okaran
2 Dois búzios abertos - Ejiokô
3 Três búzios abertos - Etaogundá
4 Quatro búzios abertos - Irosun
5 Cinco búzios abertos - Ôxê
6 Seis búzios abertos - Obará
7 Sete búzios abertos - Ôdi
8 Oito búzios abertos - Êjioníle
9 Nove búzios abertos - Ossá
10 Dez búzios abertos - Ôfun
11 Onze búzios abertos - Ôwarin
12 Doze búzios abertos - Êjilaxeborá
13 Treze búzios abertos - Êjilobon
14 Quatorze búzios abertos - Iká
15 Quinze búzios abertos - Obéogundá
16 Dezeseis búzios abertos - Êjibé

Em 1830 em Salvador, Bahia, eram raros os que tinham a função do jogo de búzios por odu, que era consultado apenas para os desígnios do plano divino, diferente do tempo atual que é procurado para resolução de vários tipos de problemas inerentes aos conflitos existenciais, e a busca de conhecer seus procedimentos, e que encanta não só ao povo do santo.

O jogo de búzios instituído no Brasil contribuiu para a organização do candomblé, sofrendo transformação para ser utilizado pelas mulheres e no futuro, por todos os dirigentes de candomblés que vieram a ser formados. Esta nova modalidade foi feita por Ìya Nàsò e Bàbá Asikan que depois de libertos da escravidão, viajaram para a África e voltaram depois de sete anos. Esta simplificação tornou-se menos complexa, promovendo uma mudança radical de status religiosos. A autoridade dos antigos Bàbáláwo e Bokonun que ocupavam a hierarquia máxima sacerdotal na África, desapareceu aqui no Brasil, tornado os Babalorixá e Iyalorixá independentes, dirigentes de seus próprios terreiros de candomblé. Ficando apenas o costume daquele que joga intitular-se Bàbáláwo, embora indevido, pois este título é aplicado somente para quem joga o Ifá ou Opele-Ifá.

Por outro lado os sacerdotes de nações Bantos que já tinham seu próprio jogo de búzios e não eram orientados pelas caídas de Odu, nessa ocasião passaram a mesclar seu jogo, ora por caída ora por Odu, mas muitos deles optaram por continuar usando seus métodos de jogo, mantendo suas tradições.

Babalawos, ifá e buzios


Nas religiões Afro-brasileiras, o jogo de búzios é um exemplo das artes divinatórias, que consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adoptam ao cair sobre ela. O adivinho, antes reza e saúda todos os Orixás e durante os arremessos, conversa com as divindades e faz-lhes perguntas. Considera-se que as divindades afectam o modo como os búzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.

O jogo de búzios é uma das artes divinatórias utilizado nas religiões tradicionais africanas e na religiões da Diáspora africana instaladas em muitos países das Américas.

Existem muitos métodos de jogo, o mais comum consiste no arremesso de um conjunto de 16 búzios sobre uma mesa previamente preparada, e na análise da configuração que os búzios adoptam ao cair sobre ela. O adivinho, antes reza e saúda todos os Orixás e durante os arremessos, conversa com as divindades e faz-lhes perguntas. Considera-se que as divindades afetam o modo como os búzios se espalham pela mesa, dando assim as respostas às dúvidas que lhes são colocadas.

Babálawó é o nome dado aos sacerdotes exclusivos do Orixá Orúnmilá-Ifá do Culto de Ifá, das culturas Jeje e Nagô. E que não entram em transe, sua função principal é a iniciação de outros babalawos, a preservação do segredo e transmissão do conhecimento do Culto de Ifá para os iniciados.

Bàbáláwo Oluwô (pai ou senhor dos segredos Apetebi (mulher do babalawô) O Bàbáláwo " pai do segredo " , são os porta-vozes de ÒRÚNMÌLÀ, que não é Òrìsà. A iniciação de um Bàbáláwo não comporta a perda momentânea de consciência que acompanha as do Òrìsàs. Não se trata de ressuscitar no inconsciente do bàbáláwo o "eu perdido " , correspondente à personalidade do ancestral divinizado. É uma iniciação totalmente intelectual. Êle terá de passar por um longo período de aprendizagem de conhecimentos precisos em que a memória, principalmente, entra em jogo. Precisa aprender uma quantidade enorme de histórias e de lendas antigas, classificadas nos duzentos e cinquenta e seis ODÙS ou sígnos de IFÁ, cujo conjunto forma uma espécie de enciclopédia oral dos conhecimentos tradicionais do povo de língua YORÙBÁ

Com a vinda dos escravos para o Brasil, entre eles vieram alguns Babálawós, mas com o tempo foram morrendo e não deixaram seguidores e a história de como o culto se perpetuou no país ainda não foi estudada em profundidade. No entanto, temos conhecimento de muitos nomes: Martiniano Eliseu do Bonfim (1859-1943), também conhecido como Ojé L’adê, foi o grande precursor do retorno às raízes africanas e da busca de elementos capazes de fortificar as práticas religiosas dos negros ex-escravos. Considerado o último Babálawó do Brasil.

Um comentário de Pierre Verger, citado por Mestre Didi, no livro Axé Opô Afonjá, dá conta da surpresa do rei de Osogbo ao presenciar um ritual para Oxum no Opó Afonjá. Ele "se mostrou impressionado pelo profundo conhecimento que ainda se tem na Bahia dos detalhes do ritual do culto àquela divindade", conta. O próprio título de Iyá Nassô de Mãe Senhora" é um posto destinado em Oyo, à sacerdotisa encarregada do culto a Xangô, no interior do Palácio do Àláàfin de Oyó", completa Mestre Didi, que era filho carnal de Mãe Senhora.

Pierre Edouard Leopold Verger (Paris, 4 de novembro de 1902 — Salvador, 11 de fevereiro de 1996), fotógrafo francês que veio para o Brasil em 1946 foi também iniciado em Ifá na África como Awófãn e Ketu (Daomé), em 1953, tornando-se Fatumbi, "renascido em Ifá". Profundo estudioso e conhecedor das culturas e religiões tradicionais africanas e religiões afro-brasileiras, Pierre Verger é autor de inúmeras obras de referência sobre o assunto, foi um fotógrafo e etnólogo autodidata franco-brasileiro. Assumiu o nome religioso Fatumbi e que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da diáspora africana - o comércio de escravo, as religiões afro-derivadas do novo mundo, e os fluxos culturais e econômicos resultando de e para a África. Até a idade de 30 anos, depois de perder a família, Pierre Verger levou a carreira de fotógrafo jornalístico. A Fotografia em preto e branco era sua especialidade. Usava uma máquina Rolleiflex que hoje se encontra na Fundação Pierre Verger.

Outro Sacerdote, dedicado ao Merindilogun e muito respeitado foi o professor Agenor Miranda Rocha, angolano de nascimento. Iniciado aos 5 anos de idade por Mãe Aninha, Iyálorixá fundadora dos Terreiros Ilê Axé Opô Afonjá de Salvador e do Rio de Janeiro. Pai Angenor vivia no Rio de Janeiro, trabalhando como professor. Foi autor de muitos livros importantes para a compreensão do Oráculo de Ifá no país. Agenor Miranda Rocha, o Pai Agenor, (Luanda, Angola, 8 de setembro de 1907 — Rio de Janeiro, 17 de julho de 2004) foi um babalorixá do Candomblé. Era professor catedrático aposentado do Colégio Pedro II, estudioso e adivinho do candomblé, o brasileiro que mais conheceu a herança e a Cultura afro-brasileira.

Os primeiros a escreverem sobre Ifá no Brasil foram sacerdotes Umbandistas. W.W. da Matta e Silva, conhecido como Mestre Yapacani já descrevia em 1956 um dos inúmeros sistemas de Ifá em suas obras. Seus discípulos, Francisco Rivas Neto (Mestre Arapiaga) e Ivan H. Costa (Mestre Itaoman) escreveram, nos anos 90, obras descritivas sobre o oráculo. A tradição africana de Ifá só chegou ao Brasil via africanos e Cubanos muito mais tarde.

Adilson de Oxalá, publicou inúmeros livros sobre Ifá, sendo o mais conhecido: Igbadu a Cabaça da Existência, Lendas de Exú, 666 Ebós e muitos outros no prelo. Tendo realizado plenamente a sua iniciação intelectual, Adilsom Antônio Martins, iniciou-se como Babálawó pelas mãos do Sacerdote africano Babálawó Adisa Arogundade Adekunle, passando a usar seu nome iniciático: Babálawó Ifáleke Awó Ni Orunmilá Omó Odu Ogbebara.

O Culto de Ifá é oriundo das Religiões tradicionais africanas, ligado ao Orixá Orunmilá-Ifá da religião yoruba. Com a ida destas culturas para Brasil e Caribe, nos períodos do tráfico negreiro, alguns sacerdotes (chamados babalawo (yoruba) e Bokono (ewe/fon).) foram levados para estes países, estando ligados às religiões Candomblé (Brasil) e Santeria através da Regla de Ocha (Cuba).

O culto de Ifá é um sistema divinatório, empregado na África e nos países para onde foi disseminado para decisões de cunho religioso ou social. Utiliza três técnicas diferentes (Opelê, Ikins e Merindilogun), que têm em comum os Odú-Ifá, os signos.

As mulheres também podem ser iniciadas no culto, quando passam a ser chamadas apetebis (esposas de Orunmilá), mas os sacerdotes - babalawôs - sempre são homens heterossexuais, sendo vedado às apetebis jogar Opelê ou Ikins. O Merindilogun é o jogo dos OBAORIATES sendo permitido as mulheres a usarem o EKURÓ. As pessoas ebomis que não são iniciadas em Ifá usam o OBANIKA.

O Culto de Ifá tem um rígido e complexo sistema de conduta moral relativo a seus adeptos, expresso no Odu Ikafun, onde surgem os dezesseis mandamentos de Ifá.
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