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A pombagira

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

É preciso amar, como se não houvesse amanhã



A história de saber amar os outros, de cuidar de quem está perto, de saber que a recíproca é verdadeira, de curtir quem está vivo (enquanto está), de ter a exata noção de que ninguém é para sempre, de fazer bem a quem nos faz bem, enfim, todas essas obviedades... essa história só é óbvia lá entre nossos baús de conceitos. Na vida diária, no bate-estaca do cotidiano, o que fazemos é viver espirrando estilhaços nos outros e, principalmente, em quem está mais perto, mais abraçado, no convívio.

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". É assim que começa uma canção da Legião Urbana que parou na minha cabeça. Ela sempre me vem, embora nem sempre transforme meus atos. E eu gostaria que essa e outras canções tivessem o poder de transformar meus comportamentos (e os de outras pessoas) com a mesma facilidade com que as canto.

O que quer dizer "amar as pessoas como se não houvesse amanhã"? Quer dizer sugar delas a melhor seiva que há, para então não se arrepender de tê-las perdido no coração; ou para não se lamentar olhando fotos que o computador perderá um dia; ou para não cansá-las com uma chuva de infelicidades diárias. Assim, nada vinga, de fato.
 E eu acho improvável amar as pessoas. Não havendo amanhã, restará um hoje do qual somos incapazes de nos aperceber. É quando ele se converte em lembrança que a gente exclama: era isso! Mas não deu tempo de ser direito. Muitos já se arrependeram assim com a morte de alguém e talvez ainda colecionem desses arrependimentos.

 Estou falando ainda de amar as pessoas amáveis, aquelas mais próximas, como pais, irmãos, filhos. Essas são as pessoas a quem provavelmente nos ligamos mais, numa espécie de aprendizagem que vem com gosto, cheiro, sol e chuva. Mas e quando o amor se refere às pessoas que nos surgem pela vida afora?

Você faz algumas tentativas ao longo da vida; começa ali pela adolescência, talvez a infância, e chega à vida adulta com um breve (ou não) catálogo de incompetências amorosas. Talvez conte algumas histórias de sucesso e talvez alguma delas seja duradoura. E suponhamos que você tenha, também, alguma ocorrência de casamentos, ou um ou dois ou três, que hoje em dia eles podem ser múltiplos. E suponhamos, então, que você, que nunca pensou nisso, encontre um novo amor quando estiver perto dos quarenta anos e que esse amor tenha filhos. É, ainda mais, preciso amar as pessoas.

 Ao meditar sobre amar as pessoas como se não houvesse amanhã, uma pessoa adulta já tendo passado por todas as turbulências da juventude, testes, agravos, desagravos, ilusões, paixões e atitudes, quase sempre imbecis, chega a muitas conclusões. Noves fora, você vai viver sua vida com o frescor que conseguir, mas terá um manual de sobrevivência bem mais completo e restritivo do que poderia antes. E então você não namora mais uma pessoa; você namora uma família, que, por sua vez, namora a sua família. Então você precisa saber como amar tantas pessoas que não faziam parte daquele desenho de árvore genealógica que você aprendeu na escola (e continua aprendendo). Ah, como aquilo é precário! Na era digital, na plenitude do link e das redes, as aulas de Biologia ainda insistem em desenhos lineares e unidimensionais.

Animais no altar: O Sapo, a magia sexual e o mal

Diferente da rã, o sapo sempre teve uma simbologia negativa, e aparece até com mais frequência nos quadros de catequese moral. Ele é símbolo de luxúria, e aparece muitas vezes nas pinturas devorando os seios de uma mulher ou órgãos sexuais de um homem. Ou, em contrapartida, diabos que enfiam sapos na boca adentro dos condenados. Outras vezes ele aparece como símbolo de ciúme e da inveja. E muitas vezes como símbolo do herege. O símbolo mais comum é o de representar o próprio demônio. Há quadros do Arcanjo São Miguel em que, em vez de lancear o dragão, lanceia um sapo. Houve pintores que, na Ultima Ceia, ao distribuir o Pão, a Judas dá um sapo, já que o Evangelista diz "E Satanás entrou em Judas" (Lc 23,3). Em todas as culturas o sapo se liga a símbolos do mal, apesar de benfeitor da humanidade.

O pelicano e a solidão

Volto a figura do pelicano. Ela ocorre uma única vez na Escritura, no Salmo 102,7, onde o Salmista se queixa de estar solitário como o pelicano no deserto. Desse verso do salmo nasceu a comparação com Jesus na solidão, seja durante o jejum de 40 dias no deserto, seja no Horto das Oliveiras, quando todos os apóstolos fugiram. Em telas que reproduzem esses dois momentos da vida de Jesus, não raro aparece a figura do pelicano para reforçar o sentimento de solidão e abandono. O pelicano aparece também como símbolo da Igreja, para dizer que ela é mãe dedicada, que se doa inteira para seus filhos, alimenta e faz reviver seus membros. Nesse sentido aparece nos portais da igreja e nas pias batismais. Muitas vezes significa ao mesmo tempo a Igreja e o Cristo misericordioso e eucarístico.

A solidão não é um tema importante apenas no cristianismo, mas também nas religiões espiritualistas como Budismo e Hinduísmo. Meditação e momentos de solidão são sempre importantes na busca espiritualista. Entre os orixás, temos os que mais estão ligados a solidão, como Omulú, Ossaím, Nanã e Iroko. E se a alegria parece ser boa pra alma, ela nem sempre é boa para a busca espiritual. As vezes quando o homem está mais triste, solitário e centrado em si mesmo, é que ele está mais iluminado.
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