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Os Orixás regentes de 2026

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sábado, 12 de maio de 2018

Intolerância religiosa: Padre Fábio de Melo faz declaração polêmica sobre “macumba”


Ao invés de ficar falando do que não sabe, o padre deveria explicar os dogmas mal explicados de sua própria religião e que só serviram pra arrebanhar fiéis...


Uma declaração polêmica do padre Fábio de Melo sobre ‘macumba’ causou alvoroço nas redes sociais. “Não tenha medo de macumbas, você tem o poder de fazer milagres”, disse o líder católico em vídeo gravado durante missa. O vídeo já ultrapassa 2,5 milhões de visualizações no Facebook. Durante o culto religioso, Fábio de Melo ainda completa: “Com todo o respeito a quem faz a macumba. Pode fazer e pode deixar na porta da minha casa que, se estiver fresco, a gente come”. Alguns usuários do Twitter e do Facebook viram intolerância religiosa na fala do padre ao citar com desprezo as oferendas realizadas por religiões de matriz africana. “Acho incrível que tantos padres e pastores ainda nāo saibam as lições básicas do cristianismo: amar e respeitar as pessoas, pregar a paz, a conciliaçāo e nāo o ódio. Ao contrário, só falam do mal, incitam desavenças. Deuses me livrem!”, escreveu uma usuária do Twitter. “O discurso de respeito à fé alheia é só bravata. No fundo essas pessoas são intolerantes por natureza, preconceituosas por convicção. E no final só disseminam ódio ao outro, preservando a dicotomia desde sempre entre religiões”, escreveu outro. Outros defenderam a fala do padre, que, segundo os argumentos, são compatíveis ao que é defendido pela Igreja Católica. “O cara está em uma MISSA! E não pode professar a própria fé dentro de seu próprio templo religioso?!”, disse.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Igreja PIBB é condenada a indenizar professora de Direito por intolerância religiosa

Foto: Divulgação

Professora da Ucsal acusa espaço de eventos de intolerância religiosa durante formatura


A Primeira Igreja Batista do Brasil (PIBB) foi condenada a indenizar a professora de Direito Cláudia Viana em R$ 5 mil por danos morais, por impedir a liberdade de expressão. A professora, em março de 2017, relatou um episódio de intolerância religiosa durante uma formatura de Direito da Universidade Católica de Salvador (Ucsal), do campus de Pituaçu, em Salvador . Cláudia Viana foi convidada para ser paraninfa da turma e disse que no evento flagrou três episódios de intolerância religiosa por parte dos administradores do espaço Moriah Hall, localizado no campus da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC). Ela ingressou com uma ação com pedido de reparação. O caso foi julgado pela 7ª Vara do Sistema de Juizados Especiais de Causas Comuns. A juíza Renata Mirtes Benzano de Cerqueira, ao analisar a petição, concluiu que a empresa 3ª Grau Formaturas não deve ser condenada pelos fatos ocorridos, por ter ficado demonstrado que a empresa não tentou dificultar a homenagem planejada pela professora, “mas tão somente alertou a mesma das restrições impostas pela primeira acionada, de modo que não poderia, pessoalmente, entregar a imagem que estava aos seus cuidados à autora, no momento solicitado, sem, contudo, criar embaraço para que a autora, por sua conta, levasse adiante o seu propósito”. Já sobre a PIBB, a juíza afirma que “assiste razão, em parte, à autora, ao declarar expressamente na petição inicial que ‘teve os seus microfones cortados pela administração do Espaço’, durante o seu discurso, tendo as testemunhas arroladas pela promovente confirmado tal fato”. “Não restam dúvidas de que a atitude arbitrária da requerida causou constrangimento à autora, que extrapola o mero aborrecimento, impondo-se, portanto, o reconhecimento da procedência do pedido indenizatório formulado na preambular”, sentenciou a juíza. A magistrada, entretanto, negou os pedidos da professora para condenar a igreja a não impor condições para comercializar o espaço de eventos, por entender que o local é privado. “Igualmente, não merece prosperar o pedido de condenação da acionada à emissão de nota pública de pedido de desculpa, ressaltando que as condições para a realização do evento, repita-se, embora questionáveis pela parte autora, foram previamente ajustadas com a comissão de formatura, que talvez não tenha informado aos participantes do evento sobre as mesmas”, disse na decisão. A professora Cláudia Viana já recorreu da decisão, por entender que manter as atividades comerciais do espaço com restrições quanto a aspectos religiosos é “absurdo”. por Cláudia Cardozo



Um episódio de intolerância religiosa foi denunciado por uma professora de direito civil e do consumidor da Universidade Católica de Salvador (Ucsal). Cláudia Viana afirmou que irá ajuizar uma representação junto ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e uma ação de reparação de danos. A professora relata que, ao ser paraninfa da turma de direito do campus de Pituaçu durante uma formatura que ocorreu no último dia 17, flagrou três episódios de intolerância religiosa por parte dos administradores do espaço Moriah Hall, localizado no campus da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC). Ela relata que teria entregado uma imagem da Nossa Senhora para uma funcionária da 3° Grau e pediu que, assim que a homenagem às mães, que ela era responsável, fosse iniciada, a imagem fosse entregue a ela. “Eu entreguei a imagem para a funcionária da empresa e pedi que, quando começasse [a homenagem], eles me entregassem a imagem. Eu ia homenagear uma das mães que iria representar todas elas. Enquanto eu estava entregando os diplomas, fui chamada e a empresa afirmou que eles não poderiam me entregar a imagem, porque a entrega de qualquer imagem era proibida naquele local”, conta. A professora, então, segurou a imagem e a entregou para a homenageada. “Se eles não podiam entregar a imagem, eu podia”, afirmou. Outro episódio de intolerância religiosa foi flagrado ainda no discurso da professora. Ao encerrar seu discurso, ela anunciou que iria ler uma prece de autoria de Chico Xavier, religioso do espiritismo. “Quando eu disse que iria encerrar lendo a prece, eles desligaram o meu microfone para que as pessoas não conseguissem me ouvir. Eles estavam impedindo a minha liberdade de expressão e religiosa”, protestou. Cláudia Viana conta que uma aluna também foi impedida de entrar na formatura ao som de uma canção que cultua a religião do candomblé pelo mesmo motivo. Procurados, a empresa organizadora da formatura, 3° grau, afirmou que os donos do espaço não permitem que imagens e símbolos de outras religiões sejam utilizados durante o evento. “Todos os materiais têm que ser aprovados por eles. Desde as músicas até o clipe da formatura”, afirmou. Perguntada sobre se essas normas são formalizadas em um contrato, a empresa afirmou que essas normas não são escritas. “Eles falam que são as normas da casa, mas não têm no contrato quais são”, explicou. Cantores como Justin Bieber, Anitta e estilos musicais como pagode baiano também seriam censurados pela casa de eventos. Procurada, a casa de eventos não respondeu a reportagem até o fechamento dessa matéria.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Intolerância religiosa: Juristas vão processar o Brasil em corte internacional

Foto: Reprodução / Surubim Notícias


Juristas vão protocolar uma petição no dia 20 de novembro para processar o Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos, por crimes contra religiões de origem africana. "A intolerância está virando epidêmica", diz o advogado Hédio Silva Júnior, membro do grupo. "Do início do ano para cá, houve um mudança do tipo de ataque, com agravamento para agressões físicas e casos de tortura."Uma eventual condenação do País também permitiria que a vítima de intolerância fosse indenizada pela União. Para Silva Júnior, porém, isso "é secundário". "O aspecto central é enfrentar a omissão do Estado e reconhecer que se trata de um problema. É preciso aprimorar o aparato normativo do Brasil e implementar políticas públicas de educação."Na petição, o grupo escreve que a "história da humanidade é repleta de tragédias decorrentes do fanatismo religioso". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. por Felipe Resk | Estadão Conteúdo

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Intolerância religiosa: Difamada, Ialorixá abre mão de indenização por retratação

Foto: Junior Moreira/ Bahia Notícias


Quando criou a Umbanda há 108 anos, o fundador Zélio Fernandino de Moraes descreveu duas máximas: a religião brasileira que mistura ensinamentos católicos com a liturgia do culto dos orixás africanos do Candomblé deveria praticar o respeito e a caridade. Respeito é exatamente o que busca a Ialorixá Almerinda de Nanã, que há oito anos dirige a Fraternidade Umbandista Cavaleiros de Aruanda (Fuca), com cerca de 120 membros, localizada no Parque São Cristóvão em Salvador, e que sofreu difamações de uma ex-filha de santo nas redes sociais. Por conta de um acordo firmado na 3ª Vara dos Juizados Especiais Criminais de Salvador, a ex-frequentadora da casa deverá fazer uma retratação neste sábado (28), às 14h, com a leitura de uma carta, na sede da Fuca. A data, escolhida por Almerinda, é marcada pela festa de Xangô, orixá da justiça. Por mais de um ano, a auditora usou as redes sociais para difamar a Mãe Almerinda de Nanã e Xangô. As difamações também atingiram os membros da fraternidade e os próprios familiares de Almerinda. “Eu não aguentava mais abrir o Facebook e encontrar textos me difamando. Então eu parei e pensei: Sou uma mulher de 57 anos, mãe de filhos e de muitos filhos espirituais, formada. Não é justo que uma mulher como eu passe por isso”, afirmou ao Bahia Notícias. Foi por isso que ela buscou a Justiça, e foi tão somente para buscar a retratação, declinando do direito de receber indenização por danos morais e materiais. “Não tem dinheiro que pague a nossa moral, o nosso nome. Não adianta eu receber o dinheiro. Um dia eu vou partir. Mais importante do que receber é manter o respeito a uma religião nova que tem apenas 108 anos”, ponderou. “O juiz disse que a gente faria história. Acredito que a retratação é o primeiro ato público deste tipo”, contou. “Eu não entrei na ação buscando indenização. Quando o juiz me perguntou eu já disse logo que queria que ela fizesse uma retratação pública em um jornal de grande circulação. Eles disseram que ela não tinha condições de bancar isso, então o juiz sugeriu que ela fosse se retratar lá”. Segundo a autora da ação, a ré deixou a casa por motivos pessoais. Ela criou quase dez perfis no Facebook para xingar Mãe Almerinda. “Ela me chamava de discípula de belzebu, mãe de belzebu nas publicações. Dizia que a casa ia cair, que médiuns da casa iram sofrer acidentes e morrer. “Não entrava só no meu Facebook, como no dos meus filhos e do meu marido. Ela começou uma investida muito grande. Essas coisas repercutiram e muitas pessoas deixaram de frequentar”, contou, complementando que isso trouxe muitos danos para ela. “Eu não vivo da Umbanda. Eu vivo para a Umbanda”, reforçou, falando de seu histórico acadêmico e de seu trabalho como funcionária pública. Ela é formada em pedagogia pela Uneb, em Letras pela Ucsal e foi coordenadora pedagógica pela Secretaria Municipal de Educação de Salvador, e só busca viver em paz. “Eu não quero que me tolerem. Eu quero que me respeitem. Você tolera quem não tem jeito. Eu quero que respeitem a minha fé”, declarou. A retratação deverá ser registrada e encaminhada para o juiz Edson Souza, que homologou o acordo para encerrar a discussão. Segundo a advogada Maria Aparecida, esse é o primeiro acordo que obriga uma pessoa a fazer uma retratação pública contra uma líder religiosa e enfatiza: “As pessoas precisam ter respeito e as religiões precisam se respeitar entre si”. “A partir de agora todo mundo vai ter que saber que temos que ser respeitados. Essa decisão futuramente vai atender todas as religiões. Se você é evangélico e se sentir ofendido, você vai poder usar essa decisão para acionar a Justiça”, assevera. A sentença deverá servir de jurisprudência no país. Durante as audiências de instrução, segundo Aparecida, foi levantado a tese de que a auditora sofre com problemas psicológicos. Mãe Almerinda entrou na religião quando seu filho de 18 se tornou cadeirante, perdendo todos os movimentos. E foi na Umbanda que ela achou refúgio que a fez bem, sem cobrar nada. A fraternidade que ela conduz apoia um projeto social que atende 38 famílias no Parque de São Cristóvão, com doações de cestas básicas, roupas e brinquedos. E por ter uma visão social da importância das religiões e do respeito, que ela pretende retomar com seminários contra intolerância religiosa e quer deixar uma importante mensagem: “Não se calem. Existe justiça. Nosso país está precisando de pessoas corajosas que vão à luta por seus direitos”.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Intolerância religiosa: Traficantes invadem terreiro de candomblé, urinam nos orixás e obrigam mãe de santo a sumir da comunidade



Um terreiro de candomblé foi vítima da fúria de criminosos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Sete bandidos armados invadiram o barracão, no bairro Ambaí, durante uma sessão. Eles obrigaram a yalorixá, sacerdotisa no local, a destruir as próprias imagens sob a mira de uma arma. Toda a ação foi gravada e divulgada pelos criminosos nas redes sociais. Testemunhas disseram à CBN que os bandidos chegaram a urinar nos santos, dizendo que não permitiriam a prática de “bruxaria” naquela comunidade. Foto reprodução Os “filhos de santo”, como são chamados os fiéis, foram obrigados a deixar o local. Criminosos usaram os canos das armas para arrancar as “guias”, um tipo de cordão, do pescoço deles. Nas imagens, é possível ouvir os criminosos usando termos cristãos enquanto a mulher quebra as imagens sagradas. ‘Quebra tudo, quebra tudo! Apaga as velas, porque o sangue de Jesus tem poder! Arrebenta as guias todas! Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus! Quebra tudo porque a senhora é quem é o “demônio-chefe”! É a senhora quem patrocina essa cachorrada! Quebra tudo! Arrebenta as guias todas, derrama, quero que quebre as guias todas!’ As imagens de outro ataque também circulam nas redes sociais. As primeiras informações obtidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apontam que o caso teria ocorrido no Parque Flora, também em Nova Iguaçu. Na gravação, um homem é obrigado por criminosos a destruir o próprio terreiro de candomblé. Os bandidos ameaçam a vítima com um bastão de beisebol onde está escrita a palavra ‘diálogo’. Eles dizem para a vítima que ela será morta, caso tente montar um novo terreiro na favela. O grupo chega a gritar o nome de uma facção criminosa durante a ação, além de citar o nome de Jesus Cristo e outros termos comuns em cultos evangélicos. ‘É só um diálogo que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o “mano” não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa p*** vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse c*** de novo, eu vou matar!’ Ativistas que defendem a liberdade religiosa condenaram os novos casos de violência. O presidente da comissão, Ivanir dos Santos, acredita que as ações registradas nos últimos meses são conjuntas. Para ele, os criminosos atuam com base na orientação de lideranças religiosas mal-intencionadas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes. ‘Essa é uma coisa muito bem orquestrada e pensada até de ocupação de espaço geográfico. É sinal de que tem algumas más lideranças religiosas metidas nisso. Porque o cidadão em si ele não acorda, da noite pro dia, tem uma miragem, ‘ah, Jesus mandou, fui lá e fiz’. Não é isso que está acontecendo. Eles estão falando com uma retórica, com um discurso muito bem contruído. Então alguém botou isso na cabeça dessas pessoas.’ Ontem, o secretário de Segurança, Roberto Sá, se reuniu com o secretário estadual de Direitos Humanos Átila Nunes e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, para discutir a possível criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Nós entramos em contato com a Polícia Civil por causa dos dois vídeos, mas ainda não tivemos retorno. (As informações são de André Coelho/CBN)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Deputado Átila Lins denuncia censo religioso do prefeito do Rio Marcelo Crivella


Contra intolerância religiosa e em defesa da Umbanda 


O deputado estadual Átila Nunes gravou vídeo para denunciar que Marcelo Crivella determinou a realização de um censo religioso entre os integrantes da Guarda Municipal, com fim de prestar "assistência espiritual" aos servidores desgarrados.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Salvador Bahia: Ato no Abaeté marca Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Ato no Abaeté marca Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

Contra o preconceito


O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa será marcado neste sábado (21), a partir das 8 horas, com um ato no Parque Metropolitano do Abaeté, em Salvador. Representantes de diversas religiões se reúnem em torno do busto da ialorixá Gildásia dos Santos, a “Mãe Gilda”, que se tornou um símbolo de resistência das religiões de matriz africana e inspirou a criação da data. Líder religiosa do Ilê Axé Abassá de Ogum, faleceu em 2000, após sofrer ataques de intolerância religiosa: o terreiro foi invadido e depredado, o que levou a sacerdotisa a sofrer um agravamento de problemas de saúde. Os trabalhos da casa prosseguiram sob a liderança da filha biológica de Gildásia, Jaciara Ribeiro. O evento em menção à data é realizado pelo Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). Além de saudações à ancestralidade e palavras das lideranças religiosas e autoridades presentes, será exibido o documentário Mulheres de Axé, que retrata a trajetória de personalidades femininas no enfrentamento à intolerância. As atividades encerram com a apresentação dos blocos afro Malê Debalê e Os Negões.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Intolerância religiosa injustificável: Homem invade culto de umbanda em RO, chuta oferenda e coloca fogo

Local onde fiéis colocaram oferendas foi incendiado por morador (Foto: Marcelo Nery/Arquivo pessoal)
Local onde fiéis colocaram oferendas foi incendiado por morador (Foto: Marcelo Nery/Arquivo pessoal)

Caso aconteceu durante cerimônia em uma mata, em Cacoal.
Testemunhas dizem que homem ainda ameaçou as vítimas com madeira.


Um homem de 35 anos foi conduzido até a delegacia de Cacoal (RO) após interromper um culto de umbanda e chutar a vasilha de pipoca que estava sendo entregue como oferenda em uma mata. O caso aconteceu no domingo (10). Segundo a Polícia Militar (PM), a oferenda estava na mão de um adolescente, que acabou ficando com hematomas por causa do chute. Após invadir o local, o suspeito também ameaçou os fiéis com um pedaço de madeira e colocou fogo na vegetação para queimar a oferenda. De acordo com Cesar Torres, responsável pelo terreiro, a confusão teve início quando ele pediu para que um grupo fosse até a mata entregar as oferendas como agradecimento. Na ocasião, um morador do bairro resolveu interferir na cerimônia, iniciando uma discussão com os membros. "Quando o pessoal foi fazer a entrega, o homem apareceu na rua dizendo que não era para continuar com o ritual. Como eles disseram que não podia parar com a cerimônia, pois somos amparados pela lei, ele se revoltou e chutou as oferendas. Depois ameaçou a moça que estava no grupo com um pedaço de pau", relata. Na ocasião, o ainda colocou fogo na vegetação ao tentar queimar as oferendas. Após a ação, o grupo chamou a Polícia Militar (PM) para registrar a agressão e ameaças. Na sequência, todos os evolvidos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil, a fim de prestar esclarecimentos. Durante confecção do boletim de ocorrência, o suspeito confessou que chutou as oferendas, pois segundo ele, o grupo estaria fazendo "macumba" na frente de sua casa e isso o teria irritado. Ele negou a ameaça e disse que apenas pegou o pedaço de madeira, mas não ameaçou ninguém com o objeto. O suspeito alega também que os rituais são realizados a qualquer hora do dia e na frente de crianças, o que lhe deixou revoltado. 
Restos da oferenda que grupo conseguiu retirar do local (Foto: Marcelo Nery/Arquivo Pessoal)
Restos da oferenda que grupo conseguiu retirar do local (Foto: Marcelo Nery/Arquivo Pessoal)

Cesar Torres nega as acusações e diz que a mata pertence a um conhecido da entidade religiosa e que eles teriam permissão para fazer as oferendas no local. "Sempre realizamos oferendas em forma de agradecimento aos Orixás. Entregamos alimentos e temos o cuidado de deixar na mata apenas o que a própria natureza poderá consumir, seja pelos pássaros ou pela própria terra. Não colocamos nada com fogo ou materiais que possam poluir o meio ambiente", explica. Cesar revela também que está movendo uma ação contra o homem por agressão, ameaça, intolerância religiosa. "Agora vou até fim com esse caso, pois as pessoas precisam aprender as respeitar o direito de culto das demais", aponta.

Fonte: g1.globo com/ro/cacoal

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Querem "evangelisar os orixás"? Neto acha 'desnecessário' bíblia entre orixás no Dique e promete praça para evangélicos



 Vereadora intolerante e sensacionalista - criando cismas

 
O prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) classificou como "desnecessário" o projeto da vereadora Cátia Rodrigues (PROS) que indica a colocação de uma bíblia entre os orixás no Dique do Tororó. Isso porque, segundo o democrata, já está em fase final o projeto de construção da Praça da Bíblia, no Ogunjá. "Acho que isso contempla bem um espaço que os evangélicos sempre esperaram ter na cidade", afirmou.
 
 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Cultos afrobrasileiros: INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO: LIMITES DE UM E OUTRO

 “Certamente, há mais de dois mil anos as religiões de matriz africana já precediam o próprio Cristianismo”, afirma o antropólogo Raul Lody, autor de mais de 20 livros sobre o tema. O desenho do artista Carybé mostra a festa do pilão de Oxalá.

“Certamente, há mais de dois mil anos as religiões de matriz africana já precediam o próprio Cristianismo”, afirma o antropólogo Raul Lody, autor de livros sobre o tema. O desenho é do argentino-baiano Carybé e nos mostra a Festa do Pilão de Oxalá.
O juiz Eugênio Rosa de Araújo, da 17º Vara Federal do Rio, voltou atrás apenas em sua enviesada definição sobre religiões, mas manteve a decisão: quem prega a intolerância contra as minorias religiosas afro-brasileiras, pode pregá-la livremente, em nome da liberdade de expressão. Pode? Como representante do Estado, que garante a ordem e a igualdade de todos perante a lei, o juiz deveria proteger os que mais precisam (e não há nenhum “coitadismo” aqui). Quando ele se atém, estritamente, ao viés jurídico, torna-se precário o julgamento de situações subjetivas, como no caso. A legalidade da liberdade de expressão  – nosso bem tão precioso! — também tem um limite: é quando deixa de ser expressão para se transformar em propaganda, visando destruir ou capturar o outro. Senão, vejamos: a  propaganda nazista não respeitava direito algum, já que, à época e dentro do território germânico, o nazismo era considerado uma… legalidade. Era?
Quem lembra esta realidade é o filósofo inglês George Steiner em seu livro Nenhuma Paixão Desperdiçada: “O Estado-nação ergue-se sobre mitos de instauração e de glória militante. Perpetua-se por meio de mentiras e meias-mentiras.(…) A única cidadania que o intelectual reconhece é a do humanismo crítico. Ele sabe que o nacionalismo é uma espécie de loucura, uma infecção virulenta que leva a espécie humana ao massacre mútuo”.

O nacionalismo é aqui tomado como a exclusão do outro, seja por razões de busca de uma ”raça pura”, seja por razões de imposição de uma religiosidade única. A decisão do juiz mantém  o direito de alguém “falar mal” do outro. Como posso dizer que o ideal do outro – representado pela religião – não presta só porque tenho uma visão diferente da vida ou da divindade que venero? Em política, podemos falar de um embate entre visões diferentes, porque é legítimo que um partido brigue para alcançar o poder; no entanto, é ilegítimo que alguém brigue para impor sua visão religiosa.  É o que nos assevera o professor de História das Religiões, Giuseppe Bertazzo:
“A história, a antropologia e a genética ensinam que não existe “raça pura”. Querer encontrar uma religião “pura” é também algo não aconselhável. A não ser que você queira considerar a religião etnocêntrica, a de um povo que se coloca em contraposição aos “inimigos”. Até a religião hebraica, em seu início, considerava Jahvé (ou Jeová) seu deus exclusivo, em contraposição aos outros. Felizmente, aos poucos abriu-se para um monoteísmo que caminhou, pelo que conhecemos pelas palavras do profeta Isaias, uns 500 anos antes de Cristo, para a concepção de um deus preocupado com os mais fracos. Ao enunciar o projeto de sua missão, Jesus Cristo serviu-se da palavra de Isaias. Sem esquecer que a mesma Bíblia contém elementos, visões e narrações anteriores que encontramos no Egito e na Mesopotâmia antigos; o cristianismo e o islamismo beberam nessa fonte de deversidades culturais. Em determinados momentos históricos também as religiões as religiões se mesclaram diretamente ao Poder,  servindo como justificativa para ditaduras e proteção dos poderosos. Eu admiro demais Jesus Cristo que falava que a Justiça não podia ser apenas a dos fariseus, que só impunham obrigações, mas deveria ir além: olhar diretamente para as necessidades das pessoas. O mesmo Estado,hoje, deve se voltar para quem mais precisa;  no caso, as religiões afro-brasileiras, que não querem dominar a sociedade.”
Assim, devermos ir além da literalidade da lei para olharmos as singularidades da herança histórica brasileira: uma radiosa mistura. Raul Lody, que dedicou sua vida ao estudo das religiões africanas, pode nos iluminar:
“Na formação de povo brasileiro, os Yorubá, os Fon, os Ewe;  as civilizações dos povos Bantu e da África oriental abastecem de histórias religiosas o nosso entendimento de fé, de sagrado, de memórias míticas; e de inúmeros conhecimentos culturais agregados à música, à dança, à comida, e ao idioma, entre outros. Organizadas, hierarquizadas, sistematizadas em rígidos preceitos litúrgicos; detentoras de calendários religiosos; também mantenedoras de amplo e  rico acervo cultural de povos africanos no Brasil, são o Candomblé nas suas Nações Ketu, Nagô, Jeje, Angola, Angola-congo, Gexá, Moxicongo em todo o Brasil; O Xangô, no Nordeste; o Mina-jeje e o Mina-nagô no Maranhão e na Amazônia; o Batuque, e as suas muitas Nações no Rio Grande do Sul; e a Umbanda. Essas religiões têm o reconhecimento do Estado nacional por meio do “tombamento” como Patrimônio Nacional (IPHAN), que assim demonstrou a importância dessas religiões tão organizadas quanto as demais que convivem no nosso Estado democrático.”
Há um ponto em comum que une Steiner, pensador da origem das linguagens, a Lody e Bertazzo: o da aceitação das diferenças, o da não-exclusão, o do convívio dos contrários. A ideia é a de que você faz parte de um mundo maior de culturas distintas, que se entrecruzam e se ampliam, abrindo horizontes, sempre enriquecedoras. Ou, como na visão do poeta Drummond: “Amor é o que se aprende no limite”. Aprender a amar a si mesmo, de pronto, é conhecer seus próprios limites.

Fonte/http://veja.abril.com.br/blog/leonel-kaz/
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