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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Astrofísica - espaço: Após 12 anos, missão Rosetta chega ao fim

cometa
Astrofísica - espaço: Após 12 anos, missão Rosetta chega ao fim Foto: Climatempo

Primeira nave da história a orbitar um cometa ativo, sonda colide e deixa de enviar sinais à Terra.


Primeira nave da história a orbitar um cometa ativo, sonda colide e deixa de enviar sinais. Imagens feitas na descida podem ajudar a desvendar origens do Sistema Solar e devem manter cientistas ocupados por uma década. Após 12 anos e um percurso de mais de 6 bilhões de quilômetros pelo espaço, a sonda Rosetta, primeira nave da história a orbitar um cometa ativo, encerrou nesta sexta-feira (30/09) sua missão ao deixar de enviar sinal à Terra. A sonda colidiu com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko a 3 km/h - velocidade inferior à de uma pessoa caminhando - por volta das 8h (horário de Brasília). Na descida, ela ainda enviou imagens detalhadas do cometa, que devem manter cientistas ocupados por ao menos uma década. "É o ponto alto de um tremendo sucesso técnico e científico", afirmou Patrick Martin, chefe da missão, no centro de controle da Agência Espacial Europeia (ESA) na Alemanha. "Foi histórico, foi pioneiro e é revolucionário como nós estamos vendo esse cometa. Rosetta, você fez um grande trabalho." As imagens captadas pela Rosetta são históricas: nunca um instrumento enviado pelo homem havia estado tão próximo de um cometa e conseguido registrar sua superfície. Os dados são considerados imprescindíveis para entender a origem do Sistema Solar. 

Lançada em 2004, a sonda é o maior projeto espacial da agência europeia e foi batizada em homenagem à famosa pedra que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios. Ela acompanhou o cometa em sua viagem ao redor do Sol, e levou até ele uma sonda de exploração, numa manobra sem precedentes na história da humanidade. Foram necessários dez anos e cinco meses para que a Rosetta chegasse ao cometa 67P, uma rocha com extensão entre três e cinco quilômetros e descoberta em 1969. Espera-se que os dados coletados na superfície do cometa permitam desvendar como o mundo parecia quando o Sistema Solar nasceu.
Foto: Climatempo

"Durante a missão, os cientistas ficam imersos em sua execução e planejamento. Agora, eles vão ficar ocupados durante anos", explicou o chefe do escritório de coordenação da ESA, Fabio Favata. "Com a Rosetta foram feitas pela primeira vez, por exemplo, operações com painéis solares longe do Sol. Houve desafios técnicos que foram controlados e que permitirão missões futuras." A última manobra da Rosetta foi executada a uma distância de 720 milhões de quilômetros da Terra, e com o cometa se movendo a uma velocidade superior a 14 quilômetros por segundo. A sonda nunca foi projetada para aterrissar. Em vez de deixar a Rosetta adormecer no espaço - a essa distância do Sol, ela não teria mais energia solar necessária para transmitir dados à Terra - os cientistas optaram por forçar a colisão, de modo a captar o máximo de dados possíveis do cometa.

RPR/rtr/efe/ots

terça-feira, 31 de maio de 2016

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko: Rosetta encontra em cometa dois ingredientes-chave para a vida

Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko: Rosetta encontra em cometa dois ingredientes-chave para a vida
Essa é a primeira vez estes que são encontrados em cometa elementos essenciais para o desenvolvimento do DNA e das membranas celulares (ESA/Rosetta/MPS for OSIRIS Team MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA/VEJA)

O aminoácido glicina e o fósforo, dois elementos essenciais à vida, foram encontrados no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko


Cientistas conseguiram detectar em um cometa, pela primeira vez, a presença de dois ingredientes fundamentais para a vida: a glicina – um aminoácido – e o fósforo, segundo estudo de pesquisadores europeus publicado na revista especializada Science Advances. O achado foi realizado no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko (apelidado de ‘Chury’ ou 67P), descoberto no fim dos anos 1960 e investigado pela sonda Rosetta, projetada pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). Ainda que tenha sido detectada a presença de mais de 140 moléculas orgânicas diferentes no espaço, essa é a primeira vez que são encontrados estes elementos, essenciais para o desenvolvimento do DNA e das membranas celulares. Os resultados da investigação foram obtidos graças à Rosina, o espectrômetro (instrumento óptico que mede propriedades em feixes luz) da sonda Rosetta.

Os elementos descobertos trazem mais evidências para uma longa discussão entre os cientistas sobre a possibilidade de que a água e outros elementos orgânicos necessários para a vida foram trazidos à Terra pelos cometas, logo após a formação do nosso planeta. Traços de glicina, elemento necessário para formar proteínas, já haviam sido encontrados nos restos da cauda do cometa Wild 2, que a Nasa conseguiu obter em 2004. Mas os cientistas não puderam descartar por completo a possibilidade de as amostras terem se contaminado de alguma maneira durante a análise feita na Terra.

A nova descoberta permite confirmar a existência de glicina e fósforo nos cometas. “Trata-se da primeira detecção com total certeza de glicina na atmosfera de um cometa”, assinalou Kathrin Altwegg, da Universidade de Berna (Suíça), chefe do projeto Rosina e autora do trabalho. Segundo os pesquisadores é bastante difícil detectar a glicina, pois ela passa do estado sólido ao gasoso abaixo dos 150 graus Celsius, o que significa que este aminoácido se decompõe na forma gasosa na superfície fria do cometa. Diferentemente de outros aminoácidos, a glicina é a única que pode se formar sem a necessidade da presença de água em estado líquido, assinalaram os cientistas.

A origem do fósforo detectado na fina atmosfera do cometa 67P não foi determinada, acrescentou a investigação. “Demonstrar que os cometas são reservatórios de materiais primitivos do sistema solar e que eles podem transportar esses ingredientes-chave para a vida na Terra é um dos principais objetivos da Rosetta”, assinalou o cientista encarregado desta missão da Agência Espacial Europeia, Matt Taylor. Rosetta – Em um feito inédito, a sonda Rosetta entrou em 12 de novembro de 2014 na órbita do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e baixou o robô Philae até sua superfície, com a missão de enviar informações sobre o corpo celeste. No entanto, ao tocar o cometa, Philae quicou e se afastou do local cuidadosamente escolhido pelos cientistas. O robô permaneceu hibernando desde que sua bateria solar acabou e, em junho de 2015, fez o último contato com os cientistas.
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