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Os Orixás regentes de 2027

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ifá Orumilá os portais sagrados pra acessar seu destino


Para orientar os que o procuram, o sacerdote de Ifá, chamado bàbáláwo (babalaô, pai do segredo), reporta-se ao Odù Corpus, conjunto riquíssimo de conhecimentos esotéricos e registros históricos da milenar tradição iorubá. Utiliza-se de sementes de ikin ou da corrente òpèlè, cuja configuração geomântica remete a um dos 256 odus lá contidos, cujos itan (narrativas míticas) estabelecem analogias entre a situação das personagens e trajetória existencial do consulente. Ifá compreende todos os idiomas da terra, o que lhe possibilita aconselhar todos os seres humanos, sem exceção. O corpus literário de Ifá guarda a história dos orixás e o ensinamento de curas através do uso de ervas. Por isso seus sacerdotes devem conhecer, além da prática divinatória, o preparo de remédios. Orumilá tem por irmão mais novo Ossaim, a divindade da cura, de cujo auxílio serve-se desde os primórdios. No jogo oracular, Exu é divindade particularmente importante, dada a sua relação estreita de amizade com Ifá.

As regras que o babalaô obedece incluem não se aproveitar das próprias prerrogativas. Como possui amplos e profundos conhecimentos é procurado por muitas pessoas, algumas em situação de crise, fragilizadas pelas circunstâncias difíceis que enfrentam, mergulhadas num sofrimento do qual querem escapar, literalmente, a qualquer preço – e isto favorece o abuso de poder. Entretanto, recebe a advertência de não agir em benefício próprio. Entende-se que o grande privilégio e a grande riqueza do sacerdote de Orumilá reside na oportunidade de estar a seu serviço. Este itan do Odu Ofu-Ose, narrado ao Babá King pelo venerável Babalaô Fabunmi Sowunmi, elucida a esse respeito:

Eni to ba puro
Iro a pa
Eni ti o ba seke
Eke a ke won lowo
A ke wån lese
A ti won si gburugburu ona oun
Awon lo se ifa fun ajangurumale
Ti nse oluwo lode orun
Gbogbo eni ti o ba
Nfi suru pe suru
Ajangurumale ifa
Ni yoo ja won sorun
Gbogbo eni ti o ba
Nfi suru pe suru
Ajangurumale, ifa ni yoo ja won sorun
E ma fi oku pe aye
E ma fi aye pe oku
Eni ti o ba fi oku pe aye
Eni ti o ba fi aye pe oku
Ajangurumale ifa ni yoo ja won sorun
Ajangurumale
E ma fi abiyamo pe agan
E ma fi agan pe oyibi
Eni ti o ba fi abiyamo pe agan
Ti o fi agan pe oyibi
Ajangurumale, ifa ni yoo ja won sorun.

  Indivíduos de várias origens têm procurado iniciações em Ifá, tanto em território africano quanto nos países da diáspora. Esta prática é altamente recomendável, pois esta iniciação, em particular, marca seu ingresso formal na Religião Tradicional Iorubá. Além disso, em tal circunstância revela-se o odu de nascimento de cada pessoa, que indica o seu destino na terra.

Seus principais símbolos são ikin (sementes de palmeira), òpèlè (a corrente divinatória, de uso privativo de seus sacerdotes, feita com oito metades da semente sagrada de mesmo nome), óta (pedra de assentamento), ìrùkèrè (cauda de animal que, após preparo artesanal e mágico, é carregada por sacerdotes e reis como sinal de realeza e poder), obi, orobô, búzios e pedaços de presa de elefante gravados, que ficam guardados em um receptáculo colocado em lugar alto, num canto ou no centro do cômodo. Seus colares e pulseiras são confeccionados alternando-se contas de cor verde e marrom.

Aquele que mente será destruído pela mentira Aquele que provoca discórdia será destruído pela discórdia. A falsidade despojará o falso da força vital de que dispõe. A falsidade destruirá os falsos. Foram eles que adivinharam para Ajagunmale (Ifá), sábio supremo no orun. Todos aqueles que trocam a verdade pela mentira serão levados para o orun por Ajagunmale (Ifá) Não chamem o morto de vivo, nem chamem o vivo de morto Quem chama o morto de vivo ou chama o vivo de morto será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá) Não chamem uma mulher fértil de estéril, nem chamem uma mulher estéril de fértil Quem chama uma mulher fértil de estéril ou chama uma mulher estéril de fértil será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá) Não chamem o preto de branco, nem chamem o branco de preto Quem chama o preto de branco ou chama o branco de preto, será levado para o orun por Ajagunmale (Ifá) Orunmilá diz que prefere matar o babalaô que mente para quem o procura em busca da verdade e colocar em seu lugar um homem ignorante a respeito da complexa sabedoria de Ifá Orunmilá prefere um homem que não conhece a sabedoria de Ifá do que um grande conhecedor dessa sabedoria que seja falso e mentiroso.

Orumilá, Ifá ou Ifá-Orumilá, a divindade oracular dos iorubás, é respeitado por sua sabedoria. As palavras Ifá-Orumilá e Orumilá designam a divindade, enquanto Ifá designa, simultaneamente, a divindade e o sistema divinatório a ela associado. Òrúnmìlà forma-se da contração de órun-l'ó-mo-à-ti-là (somente o céu conhece os meios de libertação), ou de órun-mo-olà (somente o céu pode libertar). Ifá, por sua vez, tem por raiz fa (acumular, abraçar, conter), indicando que todo o conhecimento tradicional iorubá acha-se contido no corpus literário de Ifá, ou Odù Corpus.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Umbanda Astrológica, buscando a origem...


Na Umbanda Astrológica, um pouco mais além do que declarado na Umbanda Esoterica a existência do Orisa Orunmila Ifa na Umbanda Esotérica por compreender que sob a denominação de "Yorimá", o qual, neste credo, é "patrono" da Falange dos "Pretos-velhos", primeiramente existia a figura do Orisa Obaluaiye, o Senhor da Terra da Vida, e, acima dele, a do Orisa Orunmila Ifa, o Senhor dos Destinos Humanos. Da mesma forma, a denominação "Yori" atribuída à Falange das "Crianças" da Umbanda e cujos "patronos" são São Cosme e São Damião, havia eclipsado os Gêmeos Sagrados Ibeji, chamados Taiwo e Kehinde! Também os Ere e os Tobossi africanos haviam sido sincretizados no terceiro gêmeo africano - Idowu - aquele que, na Umbanda, é conhecido por "Doum"! E denominações Tupan, Zambi, Olorun e Jeovah são nomes diferentes nos quais diferentes raças expressam o mesmo conceito de Deus Único, Onipotente e Onipresente! E quer os chamemos por Guaracy, Yacy e Rudá - Xangô, Yemanjá e Yori - São Gerônimo, N.S. da Conceição e São Cosme e São Damião, todos são Seres Espirituais de Origem Divina para os que assim os chamam e que todos eles, incluídos os demais restantes, eu posso agrupar sob a denominação genérica e atual de Orixás Ancestrais, sem com isso estar ofendendo, por diminuir ou engrandecer, nenhuma corrente religiosa. O ponto de semelhança entre eles é inquestionável em sua grandeza: Deus! 

Deus: Único, Absoluto, Onipresente e Onisciente seja qual for o Nome que a Humanidade Lhe atribua através dos Tempos e Lugares. Tenho como minha verdade que Ele reflete sua Infinita Bondade pelo Universo de sua Criação, através de Seres Espirituais de Origem Divina a quem denomino de Orixás Ancestrais. Compreendo o Mana, a Benção, a Mandinda e o Axé (Força Espiritual) dos Orixás Ancestrais como energia vivente, atuante e onipresente em nome de Deus por todo o Universo. Os Odu, viventes e atuais, devem ser aplicados e interpretados em relação a energia de um ser humano que vive no tempo presente e em relação à forma cultural a que ele pertence. O mesmo se aplica a seus rituais e orações.

O Orisa Orunmila Ifa nos concede, ao buscá-lo, quando nossa Ori Orun ("cabeça-no-além") se "ajoelha" perante o Todo Poderoso e Misericordioso Olorun deve ser para pedir-Lhe que conceda a honra de poder tornar-se um Ancestral iluminado para o Futuro, com uma nova maneira de sentir, pensar, traduzir e expressar a Sabedoria dos Orixás Ancestrais, trazendo-a para a compreensão deste povo, neste tempo, neste dia e nesta hora. E, ao estender a todos os que aqui lêm a oportunidade de Auto Conhecimento, através deste "Espelho Mágico Virtual", cumprir o Destino nesta Terra-da-Vida. Que tu procures bem cumprir o teu, se ele for, como o meu, o de estar sempre aprendendo, uma vez que aquele que só sabe ensinar é porque nada aprendeu!

A CASA DE ORUNMILA-IFA: Ifá é um Sistema de Oráculo Sagrado originário da milenar cultura africana Iorubá e é parte integrante da religião naturalista que nos foi legada pelos descendentes dos povos africanos sudaneses, nigerianos e bantos escravizados no Brasil. Sendo que, com o passar de mais de um século de sua chegada, é que miscigenou-se com anteriores conhecimentos espirituais Bantos e Angolenses aqui já aclimatados a mais de dois séculos, esta simbiose vindo a constituir-se em um dos Três Pilares Místicos sobre os quais ergueu-se a Umbanda do Brasil, à ela legando, dentre outros, dois elementos principais: o conceito dos Orixás e o Jogo dos Búzios. Mas, foi só tardiamente, quando passadas as fases da escravização e colonizacão, que os estudiosos do esoterismo das religiões africanas reformuladas no Brasil deram-se conta de que, subjacente às graciosas e/ou confusas lendas dos escravos africanos, existiam uma Teogonia, uma Mística e uma Liturgia de grande alcance espiritual, cultural e social que haviam sustentado a fé dos descendentes daqueles povos, mesmo na tragédia da escravidão.

domingo, 23 de outubro de 2011

Saiba mais sobre a importância do Ori - nossa essência interior


Saiba mais sobre a importancia do Ori - nossa essência interior
Saiba mais sobre a importância do Ori - nossa essência interior

 A essência original do homem

Ori, a essência real do ser, é uma divindade pessoal que guia e ajuda toda pessoa antes do nascimento, durante a vida e após a morte. O sentido literal de orí é cabeça física, e esta é o símbolo de orí inú, a cabeça interior, responsável pela constituição do ser e sua trajetória existencial: quando o orí inú está bem, todo o ser do homem está em boas condições. O ori, entidade parcialmente independente, considerada uma divindade por si própria, é cultuado entre outras divindades, recebendo oferendas e orações, como o famoso ritual de borí, que significa dar de comer ao ori. Enquanto divindade pessoal, ori é o mais interessado de todos os orixás no que diz respeito ao bem-estar de seu devoto: pode-se dizer que é a mais importante das divindades dado que, seja qual for o empenho das outros em favorecer determinada pessoa, todo e qualquer progresso dependerá sempre do que for sancionado por Ori. 

Se o ori de um homem não simpatiza com sua causa, nada poderá ser feito por outra divindade. Assim, o que ori não sanciona não pode ser concedido nem por Olodumare, nem pelos orixás. Todos nós nascemos com um destino para realizar, o que não significa sermos meros joguetes nas mãos de forças inteiramente deterministas. O homem tem o poder de tomar em suas mãos as rédeas do curso da própria existência e participar de modo responsável de seu desenrolar, através da busca de ampliação da consciência e dos conhecimentos e através do desenvolvimento disciplinado da Vontade. Certamente os esforços pessoais são mais efetivos se desenvolvidos por um olórí rere (sortudo, abençoado, bendito). Mas, para um olórí bùrúkù. (azarado, condenado à vida, amaldiçoado), a exigência de esforços é bem mais pesada. Portador de um destino adverso, muito esforço deverá despender em suas realizações. 

Orí inú (cabeça interna) e Eleda (destino pessoal) inter-relacionam-se, pois, intimamente. Os seres humanos são constituídos dos seguintes princípios vitais: ará (o corpo físico); òjìji (representação visível da essência espiritual que acompanha o homem durante a vida, morrendo junto com ará, embora não sendo enterrado com ele); okàn (coração, relacionado ao sangue e sede da inteligência e do pensamento intuitivo, a alma e a fonte de toda ação); Ämí (princípio ou sopro vital, relacionado à respiração, mas não se reduzindo a ela, pois se diz por ocasião da morte que èmí foi embora; significa também espírito ou ser). 

Um dos nomes de Elédùnmarè (o Ser Supremo ou Deus) é Orísé (Fonte da qual originam-se os seres), o que mostra sua ligação profunda com cada criatura existente. Todo ori, embora criado bom, acha-se sujeito a mudanças. Feiticeiros, bruxas, homens maus e a própria conduta podem transformar negativamente um ori, sendo sinal dessa transformação uma cadeia interminável de infelicidades na vida de um homem a despeito de seus esforços para melhorar. Podemos perguntar: como saber se a escolha do próprio ori foi boa ou má? Pode um homem conhecer as potencialidades da própria cabeça ou da cabeça de outrem? Encontramos a seguinte resposta: o jogo divinatório de Ifá possibilita que a pessoa tome conhecimento dos desígnios do próprio ori, saiba a respeito do orixá ou ancestral que deve ser cultuado e conheça seus èwò (proibições quanto ao consumo de alimentos, uso de cores e condutas morais). 

Como se crê que o ori dos pais traz boa fortuna aos filhos, é comum a recomendação do oráculo no sentido de que sejam feitas ofertas sacrificiais ao ori dos pais e estes, ao orarem pelos filhos, apelam ao prório ori: Orí mi á sìn ó lo (Possa meu ori ir com você ou Possa meu ori guiá-lo e abençoá-lo). Analogamente, o ori de uma pessoa tem condições de proteger, ajudar ou, ainda, prejudicar outras pessoas.

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