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Os Orixás regentes de 2027

terça-feira, 2 de julho de 2013

Aquário: o portal do Aguadeiro

Aquário é uma contínua evolução, é um símbolo que tematiza uma contínua labuta pelo progresso, um contínuo trabalho mental. Neste símbolo vê-se o prometeico progresso do homem. Vejamos o porquê. Nenhum símbolo pode ser lido em uma única direção. Alguns são óbvios, pois induzem uma única direção, como o de Sagitário e o de Áries, ou as curvas do Leão, que levam à cabeça do espermatozoide, ou as curvas da Virgem que, no voluptuoso corpo, acabam-nos deixando sem a esperança de sexo. No símbolo de Touro, aprisiona-se uma bolha de ar e ainda põe-se um peso em cima, como se Touro quisesse para si na totalidade dos tempos o fogo da sabedoria de Prometeu. Capricórnio, que não decidiu ainda entre a densidade de seus símbolos, prefere mostrar-se às vezes como uma cabra que espera pelo tempo, às vezes pelo "Tau", símbolo do próprio tempo. Não, Aquário é o signo prometeico que, visto no sentido vertical, leva o homem de uma situação turbulenta a outra pelo espaço interior do ar turbulento do saber. Ele consegue sair de uma margem e chegar a outra, ele sai de seu corpo físico basal e atinge seu corpo mental. É a dicotomia da evolução.
O AGUADEIRO, para passar de uma margem a outra deste rio de conhecimento, ele não navega, ele simplesmente é arremessado pela energia elétrica de seus neurônios, não em estado mediúnico pisciano, ou na lógica virginiana, ou na paciência capricorniana. Em um estado aquariano, o fluxo de idéias é nervoso, é contraditório, a evolução é difícil. A passagem nunca é suave. Aí pergunto: será que ela realmente ocorre? Da teoria elétrica, o símbolo de Aquário é um capacitor dentro de um circuito: após um acúmulo de elétrons em uma posição, e em função do dielétrico interno das duas armaduras, ocorre, em um determinado momento, um fluxo explosivo. Caminhar em Aquário é caminhar em uma senda sem limites e por vezes escura. É o evoluir das épocas, a busca de esclarecimento.
Analisando o símbolo de Aquário, deveríamos desistir de analisá-lo, pois é muito complexo, mas vamos tentar. Nestas duas serras, perdemos as barras ou formas físicas que expressam a noção de uma fácil acomodação e adotamos serrilhas ou ondas, incômodas por natureza, pois em nada indicam estagnação ou aceitação de um estado pré-definido. Tudo está por definir na forma física deste símbolo. O ar aparentemente é solto, mas está em um canal que o induz a uma movimentação contínua, num fluxo forçado. Certamente, não é um fluxo laminar. Ao contrário, temos uma situação de turbulência do ar entre as paredes deste canal com arestas. Dentro de Aquário, você é arremessado para todos os lados. Mas assim é o fluxo do saber e de adquirir mais conhecimentos. Neste símbolo, você está presente em três épocas: no passado – a serrilha ou onda inferior; no presente – a turbulência do ar no interior do símbolo; e no futuro – na serrilha ou onda superior.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Sexo, signos, orixás e deusas

As representações gráficas tanto de Virgem quanto de Escorpião lembram uma letra M, caprichosamente desenhada. Contudo, a perna final do M está levantada em Escorpião, como um animal que levantasse a cauda e expusesse seus órgãos genitais para o ato da procriação. Em Virgem, entretanto, esta "cauda" está retraída, como se protegesse e escondesse o sexo.
O mito da caixa de Pandora encontra ressonância nos mitos iorubanos da África Ocidental, vários dos quais têm como ponto de partida a entrega por Olodumaré (o deus maior) a um dos orixás de uma cabaça ou saco cujo conteúdo é desconhecido. O orixá que recebe o presente varia de região para região, podendo ser Obatalá, Odudua ou Oranian. Numa das lendas, Obatalá, depois de ser levado por Exu a embebedar-se com vinho de palma, perde a cabaça para seu irmão Odudua, o qual, ao abri-la, encontra uma substância negra a partir da qual surgem a terra firme e tudo que nela existe. Outra lenda fala de uma cabaça de onde escapa a escuridão. A humanidade, que vivia num dia perpétuo, é obrigada, a partir de então, a conviver com a alternância entre o dia e a noite, estado de dualidade que guarda correspondência com a dicotomia entre o bem e o mal. O papel instigador de Hermes, no mito grego, pertence, entre os iorubanos, a Exu. Tanto Hermes quanto Exu remetem à função de Mercúrio: a diferenciação mediante o uso dos recursos da linguagem e da lógica.
Na mitologia grega, Prometeu, o Previdente, era filho de um dos titãs e irmão de Epimeteu, Aquele que Pensa Depois. Sobre o mito de Pandora, vale transcrever o seguinte verbete, que sumariza a lenda: Não é difícil encontrar nesta narrativa similitudes com dois mitos registrados no Velho Testamento: o da criação do primeiro homem, Adão, a partir do barro e a perda da condição edênica por intermédio da figura feminina (paralelismo entre Eva e Pandora); e a narrativa do dilúvio e da sobrevivência de apenas um casal destinado a repovoar o planeta, seja na versão grega, seja na judaica.

Carlinhos Lima

Numerologia Judaica e o poder cabalístico

Para ter acesso a tanta sabedoria, é preciso explorar as mais variadas combinações entre as 304 803 letras impressas na Torá. Não é à toa que, hoje em dia, muitos estudiosos recorrem a programas de computador para fazer isso. Os cálculos trazem resultados surpreendentes: segundo alguns cabalistas, é possível encontrar referências a fatos históricos como o Holocausto e o assassinato do presidente de Israel, Yitzhak Rabin, em 1995. Outros usam a numerologia para reinterpretar antigas histórias das escrituras, como aquela em que Deus teria ordenado a morte dos habitantes da nação inimiga Amalek. Segundo a cabala, a palavra Amalek teria o mesmo valor numérico que a palavra "incerteza", em hebraico. Daí que a ordem de Deus não seria para matar os inimigos, mas sim as incertezas.
Para efetuar os cálculos, a numerologia judaica atribui um valor numérico a cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico: as primeiras 9 valem de 1 a 9; as 9 seguintes, de 10 a 90; e as restantes, 100, 200, 300 e 400 (veja tabela na página ao lado). Por meio de diversos tipos de operações matemáticas (como somatórias, divisões e elevações ao quadrado, entre outras), obtêm-se surpreendentes revelações sobre o significado de nomes, palavras e versículos inscritos na bíblia judaica. Mas, em termos práticos, para que serviria esse conhecimento? "A Torá encerra uma sabedoria infinita e enciclopédica que se aplica a todas as áreas da existência. É um guia para viver com amor, paz e harmonia", afirma Zumerkorn. "Da mesma forma que precisamos de um telescópio para observar as estrelas ou um microscópio para enxergar uma bactéria, a guematria permite acessar esse conhecimento que não está visível a olho nu."
Para penetrar nos mistérios da cabala, é necessário um bocado de tempo, estudo e... bons conhecimentos de matemática. Explica-se: uma das principais fontes de ensinamentos da cabala é a Torá, a bíblia judaica. Acontece que não basta estudar o texto com atenção, buscando todas as camadas de significado contidas ali. É preciso ir além, fazendo uso da guematria, ou numerologia judaica. Segundo os cabalistas, a principal chave para desvendar os mistérios divinos estaria na combinação das letras do alfabeto hebraico com determinados números. "Do ponto de vista da religião judaica, tudo o que existe, existiu ou vai existir está na Torá. A guematria é uma ferramenta que possibilita decifrar esse conhecimento infinito contido nos textos", explica David Zumerkorn, professor do Centro de Cultura Judaica e autor de um dos poucos livros disponíveis sobre guematria em português, Numerologia Judaica e Seus Mistérios (Editora Maayanot).
Não é de espantar que as letras hebraicas estejam na base da guematria. Afinal, na visão dos cabalistas, Deus criou o mundo usando as 22 letras do alfabeto hebraico - é o que diz o Sefer Yitizirah, ou Livro da Criação, uma das obras fundamentais dessa corrente mística. Vistas dessa maneira, as letras são muito mais do que simples rabiscos no papel: são representações gráficas das 22 energias primárias que, combinadas, originaram o mundo. "O Gênese já dizia que o verbo divino foi o instrumento da Criação: Deus disse ‘Haja luz’, e houve luz. A novidade do Sefer Yitizirah é especular em detalhes como Deus combinou essas letras", diz o pesquisador Daniel C. Matt no livro O Essencial da Cabala.

Quem pretende estudar a fundo a cabala corre o risco de tropeçar em uma série de tabelas e códigos aparentemente indecifráveis. São sequências intermináveis de números e letras hebraicas, equações complexas, diagramas e gráficos de todos os tipos. Bom, diria você, se Deus queria revelar seus mistérios aos homens, não poderia ter facilitado um pouco as coisas? Aparentemente, não. Na verdade, o que acontece é o inverso disso. Para penetrar nos mistérios da cabala, é necessário um bocado de tempo, estudo e... bons conhecimentos de matemática.
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