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domingo, 7 de junho de 2020

Segredo para combater eficazmente COVID-19 pode estar em uma vitamina



Cientistas holandeses acreditam ter estabelecido uma ligação entre deficiência de vitamina K e o desenvolvimento de formas graves ou fatais da COVID-19.

Pesquisadores que estudaram pacientes internados no hospital Canisius Wilhelmina, na cidade holandesa de Nijmegen, destacaram os benefícios da vitamina K após descobrirem uma ligação entre a sua deficiência no organismo e as manifestações mais graves da COVID-19.
A notícia foi avançada pelo jornal britânico The Guardian e refere que a COVID-19, doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, causa a coagulação do sangue e leva à degradação das fibras elásticas nos pulmões.
A vitamina K, que é ingerida através dos alimentos e absorvida no trato gastrointestinal, é fundamental para a produção de proteínas que regulam a coagulação e pode proteger as fibras pulmonares contra o ataque do novo coronavírus.

Resultados do estudo

Segundo o Guardian, a investigação, realizada em parceria com o Instituto de Pesquisa Cardiovascular de Maastricht (Países Baixos) - um dos maiores institutos de pesquisa cardiovascular e vascular da Europa - estudou 134 pacientes internados com COVID-19 entre 12 de março e 11 de abril, comparando os dados com um grupo de 184 pacientes que não apresentava a doença.
O estudo apurou que os pacientes falecidos ou internados em UTIs por COVID-19 apresentavam níveis baixos de vitamina K.
Jona Walk, coautora do estudo, adiantou ser intenção dos pesquisadores "dar vitamina K em uma dose significativa e suficientemente alta para realmente ativar [a proteína] que é tão importante para proteger os pulmões, e verificar se ela é segura".

Principais recomendações

Rob Janssen, outro cientista que trabalha no projeto, disse que, à luz das descobertas iniciais, aconselha uma ingestão saudável de vitamina K, exceto para aqueles que tomam medicamentos anticoagulantes para o sangue, utilizados na prevenção e tratamento de doenças tromboembólicas.
"Existem [vitaminas] K1 e K2. A K1 está em espinafres, brócolis, verduras, mirtilos e em todos os tipos de frutas e verduras. A K2 é melhor absorvida pelo organismo e podemos encontrá-la no queijo [azul] holandês, tenho que dizer, e no queijo francês também", explicou Janssen ao Guardian.
O cientista recomendou, assim, um regime alimentar rico em vitamina K, por ser "boa para os vasos sanguíneos, ossos e provavelmente também para os pulmões".
Janssen referiu-se igualmente a uma iguaria japonesa feita de grãos de soja fermentados chamada natto, muita rica em vitamina K2, e "que nas regiões do Japão onde existe o hábito de se comer muito natto, não há uma única pessoa a morrer de COVID-19. Isso é motivo de reflexão, eu diria".
Assim, os cientistas acreditam que uma mudança de hábitos alimentares poderia ser uma arma eficaz contra o novo coronavírus, pelo que procuram financiamento para avançar com novos testes clínicos.
As melhores fontes de vitamina K na natureza são os vegetais de folhas verdes, tais como folhas de nabo, espinafres, brócolis, couve e alface. Outras fontes ricas são as sementes de soja, fígado de vaca e chá verde. Boas fontes incluem a gema de ovo, aveia, trigo integral, batatas, tomates, espargos, manteiga e queijo.

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segunda-feira, 30 de março de 2020

Cientistas chineses inventam nanomaterial para combater coronavírus



Segundo relatos da mídia chinesa, nanomaterias criados em testes de laboratório no leste da China poderiam criar fármacos eficazes para proteger o corpo humano.

Enquanto cientistas de todo o mundo combatem o coronavírus, um instituto de pesquisa chinês anunciou que desenvolveu um nanomaterial que pode absorver e desativar o coronavírus, e está procurando colaborar com empresas para aplicar a tecnologia na fabricação de purificadores de ar e máscaras faciais, relata a agência Reuters.
Testes de laboratório realizados na província de Anhui, leste da China, mostraram que o material desativou de 96,5 a 99,9% do coronavírus, disse em comunicado o Instituto de Física Química de Dalian, controlado pela Academia Chinesa de Ciências.
A mídia chinesa Global Times salienta que a nova arma não é uma droga ou um composto, mas um nanomaterial.
Segundo o canal DNA India, os chineses podem estar falando de nanozimas, nanomateriais com características semelhantes às das enzimas. A nanotecnologia pode ser usada para projetar fármacos que possam visar órgãos ou células específicas do corpo, como células cancerígenas, e melhorar a eficácia da terapia.

Como uma hemoterapia do século XIX se tornou em nova forma de combater a COVID-19



Na semana passada, a Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês) dos EUA aprovou o uso experimental de sangue de sujeitos recuperados da COVID-19 como tratamento para pacientes recém-infectados.

Conhecida como terapia de plasma convalescente, o tratamento remonta ao final do século XIX, e os médicos de hoje creem que pode ser a solução provisória que necessitamos para conter o vírus enquanto são desenvolvidos tratamentos e vacinas mais complexos.
O portal New Atlas, em um artigo publicado em 29 de março, fez o balanço do problema e explicou como o método pode ajudar a combater a pandemia.

Método pioneiro

Na década de 1890, o cientista alemão Emil Behring foi pioneiro na implementação de um novo tratamento para a difteria. Behring, juntamente com o médico japonês Kitasato Shibasaburo, descobriu que o soro sanguíneo de animais infectados com certas toxinas poderia ser usado em humanos para tratamento de várias doenças.
Behring descreveu na época essas moléculas protetoras como "antitoxinas" e passou o resto da década otimizando o processo, acabando por descobrir que os cavalos eram o animal mais eficiente para produzir grandes volumes de soro de antitoxinas.
Em 1901 Behring ganhou o primeiro Prêmio Nobel da Medicina por seu trabalho sobre essas terapias com soro para difteria.
Ao longo das primeiras décadas do século XX, o tratamento ficou conhecido como terapia plasmática convalescente, sendo frequentemente utilizado em tempos de surto de doenças infecciosas.
Os produtos sanguíneos de pacientes recuperados eram tratamento comum para tudo, desde sarampo e papeira até poliomielite, tendo sido amplamente utilizados durante a pandemia de gripe espanhola em 1918.
Um estudo de 2006 mostrou que essa terapia reduziu significativamente as taxas de mortalidade, de 37% entre os não tratados para 16% entre os pacientes tratados com plasma convalescente. A descoberta de antibióticos e o desenvolvimento de vacinas tornariam este método obsoleto.

Funcionou então, pode funcionar agora

No início dos anos 2000, um novo coronavírus respiratório apareceu na China. Perante um vírus inteiramente novo, com uma elevada taxa de mortalidade e sem opções de tratamento, médicos em Hong Kong conduziram um estudo de plasma convalescente improvisado, inspirado em estudos de casos similares recentes fora de África, e que tinham demonstrado potencial eficácia no tratamento do vírus ebola.
A taxa de mortalidade total entre os pacientes tratados foi de 12,5 por cento e a geral em Hong Kong de 17 por cento. A ilação mais importante foi que os mais precocemente tratados apresentaram melhores índices do que aqueles que receberam o tratamento mais tarde.
Um estudo mais recente sobre os efeitos da terapia plasmática convalescente, que incorpora relatórios clínicos desde a gripe espanhola até a SARS, detectou uma impressionante redução de 75% na mortalidade geral entre os doentes tratados com essa terapia.

Medida provisória

O imunologista Arturo Casadevall reacendeu a ideia do plasma convalescente, após relatos de que o tratamento estava sendo testado na China. Casadevall não só propôs a terapia centenária como um tratamento precoce potencialmente útil em pacientes recentemente diagnosticados com o vírus, mas também como profilaxia útil para os profissionais de saúde e para membros de famílias que cuidam de pacientes com COVID-19 em casa.
Casadevall e sua equipe da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, rapidamente começaram a investigação, tendo a FDA respondido prontamente alguns dias depois, não só acelerando as aprovações de ensaios clínicos de plasma convalescente, como também permitindo disposições imediatas de uso compassivo. Isto possibilita aos médicos ter a capacidade de administrar o tratamento a pacientes fora das limitações de um ensaio clínico, desde que certas condições sejam satisfeitas.
Ainda há muitas questões que precisam de ser respondidas antes que o tratamento possa ser amplamente implantado.
Quantos anticorpos precisam ser detectados no sangue dos pacientes recuperados para que o tratamento sérico seja eficaz? Qual é a quantidade de plasma convalescente que precisa ser administrada para tratar a doença? Qual é o momento ideal para administrar o tratamento? O tratamento oferece alguma imunidade confiável em pacientes que não contraíram o vírus?
Os cientistas não esperam encontrar com isso a cura para a COVID-19, mas somente algo que ajude a mitigar o fenômeno enquanto não houver tratamentos e vacinas.
Produzir e implantar tratamentos de plasma convalescente requer apenas redes de bancos de sangue pré-existentes. O atual sistema de coleta e fornecimento de sangue nos Estados Unidos poderia ser rapidamente mobilizado para começar a coletar doações de pacientes recuperados da COVID-19.
Quando Casadevall e seus colegas possam verificar a melhor prática para o tratamento, o plasma convalescente poderia ser estendido a um enorme volume de pacientes em meses, achatando a curva de transmissão e ganhando mais tempo para os cientistas trabalharem em uma vacina eficaz.
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