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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Fé e tradição na Bahia: A festa da Lavagem do Bonfim


Lavagem do Bonfim

por Samuel Celestino
A tradição da Lavagem do Bonfim
Fé e tradição na Bahia: A festa da Lavagem do Bonfim
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
As duas grandes festas baianas que marcam os ciclos, basicamente a do Bonfim e a do Dois de Julho, esta cívica, passaram a ser notadamente políticas. É certo que o povo comparece em massa, principalmente a da lavagem do adro da Igreja da colina sagrada, com as baianas com as suas belas saias rodadas fazendo o percurso da Igreja da Conceição da Praia até o Bonfim, levando na cabeça água de cheiro para lavar a igreja. Mas também é certo que, principalmente a mídia, destaca os políticos que se deslocam em grupos partidários para se exporem ao público, numa exibição que está implícita o voto para o tempo de eleições. Esta tradição política vem de longe. Ganhou corpo com o governador Antônio Carlos Magalhães, desde o seu primeiro governo, em 1970, e permaneceu durante todo o período que marcou a sua carreira, mesmo quando, já sem condições de realizar o percurso até a Igreja, deslocava-se para o quartel da Polícia Militar, nos Dendezeiros, e fazia o resto do trajeto andando cercado de adeptos onde recebia no adro do Bonfim um banho de água de cheiro. ACM conhecia praticamente a maioria das baianas. Agora já não há um político que seja como o Antônio Carlos da sua época, festejado durante o percurso pelas mães e filhas de santo. O que aqui exponho trata-se de história. Os políticos de hoje seguem o roteiro, mas já não há políticos com densidade popular. Assim, poucos dão atenção aos que insistem em “aparecer”. Enfim, passou a ser uma tradição desgastada tanto a Lavagem da Colina Sagrada, com a festa cívica do Dois de Julho.
 

sábado, 20 de dezembro de 2014

A Umbanda continua sufocada pelos estigmas e desunião

A Umbanda continua sufocada pelos estigmas e desunião
A Umbanda continua sufocada pelos estigmas e desunião

O povo de santo precisa se unir mais

O movimento umbandista, teve alguns avanços ao longo das últimas décadas e não podemos negar isso. Tivemos contribuições importantes de divulgadores, mestres reformistas e  grupos que fundaram escolas, curvos, templos e até faculdade de Umbanda. Também houve um trabalho incansável e importante pra diminuir preconceitos, firmar leis e divulgar conceitos afro-brasileiros. No entanto, percebemos que a Umbanda em si, como entidade diminuiu! Ao menos é o que mostra os números do IBGE. Também, não conseguiram derrubar a maioria dos estigmas e intolerâncias. Até porque, houve também um crescimento enorme do movimento evangélico, onde abre-se uma nova igreja e denominação em cada esquina, quase todos os dias. Assim não precisamos lembrar do ataque covarde e mentiroso que algumas dessas igrejas fazem diariamente as crenças afrobrasileiras. Tem até uma que tem programas repetitivos e gasta milhões pra bater o tempo todo nos cultos aos orixás e nos espiritualistas.


Eles fazem não um reino de Deus na terra, mas, um reino poderoso de homens que visam cada dia mais poder e poder humano. E convenhamos, o movimento espiritualista ou umbandista, não tem a mesma união que esses "convertidos da nova era". Enquanto eles fazem templos enormes e cheios de luxo, a Umbanda continua acabrunhada, com uma filosofia e teologia ultrapassada ou distorcida, engolida por crenças espiritualistas utópicas e fantasiosas. Além disso, são um povo desunido! Enquanto os novos cristãos da moda, arrecadam um milhão de reais em poucos dias pra pagar programa da TV, os grupos espiritualistas não avança em nada. Especialmente porque as pessoas continuam atoladas nos estigmas, presas a incredulidade e incompreensão, só buscando ajuda ou contato com a religião ancestral dos orixás quando estão ferrados.

Também criou-se a tal "Teologia da Prosperidade", aliada a um merchandising poderoso das igrejas e lorotas repetitivas, que as pessoas até tiram da família pra dar para os grupos que pedem o dinheiro o tempo todo. Primeiro porque eles acham que estão dando esse dinheiro pra Deus ou seus representantes na Terra e segundo porque acham que a Umbanda e os Orixás são forças obscuras que só se busca, quando não tem outra opção.

Mas, essa desunião do povo de santo ou do axé, como são chamados, se dá também por causa do ego, do egocentrismo, excêntrismo, da vaidade e desunião. Assim muitos líderes que tem poder de fazer mais, acomoda-se apenas ganhando o dele, não quer novos líderes no mercado e vive sua vida pomposa e pronto! Também as editoras em nosso país, são muito fechadas, publicam sempre títulos dos mesmos autores, pois não querem apostar no novo, em novas ideias e querem vender, como me disse outro dia um editor, apenas "mamão com açúcar". Ou seja, não querem esclarecer nada! Apenas fomentar o que já tá lá usando as baboseiras já conhecidas e vendendo para um pequeno e passivo público que não quer sair do ostracismo.

Assim, queridos leitores amigos, ao entrar nas livrarias de grande porte deste país ou nos sites dessas grandes redes, observe quantos autores e títulos dominam o mercado e quantos livros trazem ideias novas! Verá que são muito poucos! E que pouco se interessam em esclarecer as coisas. 

A verdade é que também entre as pessoas, muito poucas se interessam em buscar conhecimento. Elas preferem apenas buscar ajuda e pagar quanto não tem outra opção. Além disso a argumentação mais conhecida é que todos alegam não ter como entender todo esse mundo complexo de contradições. Mas, justamente por isso, por causa da falta de vontade em clarear as coisas. Também porque as pessoas não querem perder tempo, querem as coisas mastigadinhas e fáceis de compreender. Não querem raciocinar, querem apenas copiar e achar tudo pronto!

Dessa forma o simplismo domina a Umbanda, deixa-a a cada dia mais fraca, sufocada por outras religiões comandadas pela Bíblia e tudo continua sem progredir. As pessoas tem que entender que a Bíblia não caiu do céu pronta. Ela não é a verdade absoluta, não pode ser lida como se fosse uma biografia divina. Ela tem lendas, mitos, metáforas, poemas e se conecta a conhecimentos de diversos outros povos. Não tome a Bíblia como algo que pode ler literalmente como se fosse um jornal que contaria os fatos com a maior clareza e exatidão do passado dos hebreus. A Bíblia tem muitos mitos e o pior, foi muito adulterada, teve livros cortados e seu caráter iniciático foi suprimido.

Também se a internet ajuda por um lado, com milhares de páginas falando sobre espiritualidade, na verdade também atrapalha muito, tanto pela repetitividade, quanto pela confusão. Informações demais, onde não se  tenta decodificar. Variedade demais, fetichismo demais e sectarismo demais. As pessoas tem que entender que a espiritualidade é um outro nível, mas, pra compreendê-la, precisamos assimilá-la, conectá-la aos mistérios da vida e sincronizá-la com nós mesmos. Sem compreendermos a nós mesmos, jamais compreenderemos a Umbanda. Por isso o Ifá é importante; por isso a astrologia é importante e por isso os sistemas oráculares diversos são importantes. Pois não devemos esperar que espíritos falem, pois eles não falam o que não estão autorizados a falar. E é por isso que os oráculos foram criados pra ajudar o homem a se conectar e se comunicar com o sagrado. Até Moisés, José, Aarão e outros sacerdotes hebreus, tinham seu oráculo sagrado.


Carlinhos Lima

domingo, 4 de maio de 2014

Antes de fazer julgamentos preciptados, estude e busque a verdade

Umbanda também requer estudo e busca pelos fundamentos



"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". João 8:32

A mentira é o grande mal desse mundo. Por causa dela que muita gente cai na ilusões e tentações malignas que nos tiram do foco que é nos tornarmos uno com o Pai. Não é a toa que dizem que Satanás é o "Pai da Mentira". Pois com todas as suas faces ele cria armadilhas, usando ilusões e falsas alegrias pra nos desviar dos caminhos sagrados. Porém o espiritualismo moderno, tenta eliminar a figura de um ser do Mal, especialmente porque o homem tende a agir bruscamente quando rejeita uma ideia que o perseguiu, ou seja, porque as igrejas cristãs abusaram da imagem do Diabo pra amedrontar e fazer seguidores que desenvolveram um profundo medo do inferno, acabou gerando uma reação contrária e a meu ver também confusa. Isso porque o ser humano tem mania de escolher apenas entre uma coisa vigente e outra, nunca se voltando a captar o que há de bom em todos os lados. Geralmente as pessoas querem se dividir em ser contra ou a favor, nunca cogitando um meio termo. Assim os que julgam ser um exagero dos pregadores cristãos que usavam a figura do Diabo pra amedrontar, preferem simplesmente deletar a ideia de que ele existe. O que é um erro! Pra mim Deus é um Criador puro, cheio de bondade e sem a figura do Mal para contrapor, tornaria esse Deus um ser confuso e não faz sentido isso.

Enfim, esse e outros temas, deixam as pessoas muito confusas e requer muito debate e estudos, teológico, filosófico, histórico e espiritualista. Por isso os debates e a união de pessoas que visam buscar a verdade é importante. Em termos de Umbanda por exemplo, as pessoas preferem se apegar ao que acha mais prático e sair por ai falando o que nem mesmo ela acredita. A Umbanda Tem fundamentos e como tal tem códigos e não pode ficar refém apenas das teorias e pregações de outras religiões. Filosofismos espiritualistas tomaram conta da Umbanda, sufocando suas reais tradições e seus verdadeiros ensinamentos. Grande parte por merchan, pois associar-se ao marketing cristão de puritanismo e suposta caridade é mais bonitinho. Ao demostrar "desapego" ao dinheiro a pessoa sente-se mais cheia de uma falsa modéstia sem saber que este é um dos piores orgulhos e egoísmos humanos. Alguém que quer se passar por santo, puritano e humilde só pra agradar não passa de vaidade.

Os fundamentos umbandistas nada tem haver com a ideologia distorcida e hipócrita que muitos terreiros adotaram país a fora. Não use a Bíblia numa mão e o Livro dos Espíritos na outra pra ignorar os fundamentos dos cultos afrobrasileiros, pois os ensinamentos divinos se aplicam a todos, como mencionei um versículo no inicio desse post, mas, os fundamentos políticos e culturais de um determinado povo não pode sufocar a ancestralidade de outros.

A Umbanda não tem nada de maligno, tem de primitivo em suas origens, assim também como o cristianismo tem em suas raízes ancestrais, uma enorme história de barbárie, desde os hebreus aos primeiros cristãos. Tudo cometido em nome da fé e sem saber sequer pra que certos atos eram cometidos. Mas, preferiram colocar "na boca de Deus" como se Deus fosse contraditório, a favor da morte e violência por causa de política e poder religioso.

Tem gente que é profundamente vítima do animismo e fica adaptando coisas a Umbanda como se determinada entidade tivesse pedido. Mas, não é qualquer entidade que tem o poder de baixar num terreiro e lançar uma nova filosofia, jogando no lixo as tradições e se achando o grande reformador. As entidades não podem trabalhar fora dos pilares primordiais, que são filosofia, tradição, arte e magia. Muito do que está na Bíblia é apenas imaginação de seus autores, nem tudo que tá lá é realmente inspirado por forças divinas, assim como nem tudo que se lê num livro supostamente psicografado é revelação de entidades, muita coisa apenas passeia pelo inconsciente ou até subconsciente do médium. 

Por isso a codificação da Umbanda é importante. Se não fossem as lendas e mitos, os cultos afro-brasileiros já estariam extintos. É engraçado que a maioria desses livros "psicografados" por médiuns reformadores, alegando ser um Preto Velho, quase nada tem de tradição ancestral, nem mesmo revelações dos orixás e sim sempre a mesma lenga-lenga que mais parece um padre ou uma entidade kardecista falando. Hoje em dia vemos mais Pretos Velhos em centros kardecistas do que em terreiros! Por quê será em? Bem, nada contra a isso, mas, desde que não seja pelo simples marketing da fé, tudo é válido.

Pra quem me pergunta se eu tenho algo contra o Kardecismo, simplesmente eu responde: nada! Sinceramente acho um seguimento espiritualista fantástico. Tenho amigos kardecistas, acho um trabalho fantástico realmente. No entanto o que afirmo e reafirmo é que Umbanda não é e nem tem nada haver com kardecismo. Apesar de misturarem com tudo quanto é coisa, temos que saber que ancestralidade na busca espiritual é tudo. 

Você que já tem consciência que tem proteção de orixás, não se preocupe com policiamento cristão sobre você não. Cada um responde por si. Não é porque o cara paga dízimo e vai gritar na igreja que ele tá aceito no céu não. Aliás, de que céu estamos falando? Bem a Umbanda se desviou tanto de suas tradições que o céu que ela acredita hoje é a que tem nos catecismos católicos. Não lembra-se da criação por Olorun, Olodumaré, Zambi e assim por diante... Não tem nada de errado em se cruzar preceitos, sincretizar conhecimentos e identificar a fé pelo prisma divinista. Porém se curvar a supremacia, por se julgarem santas e sua maligna ai já é demais.

Tem gente que se rende ao movimento protestante e a partir dai acha-se o "policial divino", passando a agir como se fosse o dono da verdade, querendo enfiar a Bíblia goela abaixo dos outros! Pera lá! A Bíblia nem é a verdade absoluta. Nem um décimo dos mistérios divinos estão esclarecidos para a maioria dos grandes teólogos. A Bíblia apesar de ser usada o tempo todo por pessoas que montam impérios da fé, não responde a maioria dos questionamentos, prova disso é que temos milhares de religiões em volta dela e divergências constantes.

Dia desses vi um pastor no Programa do Ratinho, querendo ensinar regras de comportamento e pessoas perguntando as mais idiotas das questões, e ele se sentindo um Salomão, ao responder, segundo ele "conforme a Bíblia", mas, uma prova que nem ele entende a Bíblia que se ele realmente a compreendesse, saberia que pra ser sacerdote tem que ter preceitos como disse Paulo em conformidade a "Melquisedeque". Ou seja, ter sacerdócio, tem que ter ritualística, liturgia, poderes sobrenaturais e não apenas ler a Bíblia em voz alta e querer enfiar preceitos judaicos goela abaixo das pessoas. Além disso, a humanidade evolui, conceitos de 2 mil anos antes de Cristo, criados por reformistas que acabava de tirar um povo da escravidão do Egito e que tinha que criar regras, não serve pra todos os povos do mundo. E o engraçado é que nossa sociedade ocidental é muito hipócrita, pois se diz adotar a Bíblia, mas, rejeita tudo aquilo que seu preconceito não permite. Diz que isso ou aquilo é pecado e tem que ser evitado, mas, o que a Bíblia aprova, eles também rejeitam. Assim pra acusar perseguir e apontar o dedo eles vão lá no Antigo Testamento, mas, pra aceitar o que lá está, fingem e ignoram. Como por exemplo, a questão de um homem ter várias esposas. Pergunta a uma crente se ela quer que o marido dela arranje outras duas esposas pra ver se ela aceita! Ou aquela história de o primogênito ter mais direitos e assim por diante.

Enfim, a sociedade evolui e os preceitos também. Portanto se você se identificou como Umbandista, saiba que os preceitos e conceitos a serem seguidos são os de toda ancestralidade dos orixás. Bem, da mesma forma que o cristianismo tem que evoluir, as religiões afrobrasileiras também. Então no que se refere aos tais sacrifícios de animais, porque ainda tem seguimentos que fazem? Porque fazem parte da ritualística. Abraão e os demais patriarcas, matavam carneiros e gado pra queimar ao Senhor e não vemos ele ser julgado nas Escrituras nenhuma vez por isso. O que deve ser evitado é a banalização. A macumbaria pra fazer mal aos outros, a imposição de que todo mundo tem que fazer oferenda animal ou a de usar os inocentes pra conquistar poder. Ou seja, só algumas pessoas precisam se seus signos pedirem. E devem ser usadas quando é pedido e não porque quer pegar aquela pessoa ou porque quer derrotar aquele inimigo. Por isso  tem que ser avaliado por quem ter outorga e conhecimento pra isso. 

Assim tem muita gente que sequer tem o dom ou chamado pra ser pai de santo e monta um terreiro pensando em ganhar dinheiro e de quebra ainda prejudica diversos seguidores. Não pense que só porque você sentiu que tem mediunidade e orixá que é pra você virar mãe de santo. Cada um tem uma missão.

 Você que é buscador e sabe que tem uma missão espiritual, estude, não se prenda a pregações corrompidas, respeite seus ancestrais e estude muito.

Axé a todos!

Carlinhos Lima
 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A mulher e o sagrado nos templos em todas as épocas


O fato de nossa civilização desenvolver toda uma concepção psicológica, filosófica e moral tendo como origem a civilização grega acarretou grande desequilíbrio ao feminino. A democracia tão propagada era no mínimo utópica, (ainda o é) mulheres, crianças e escravos, eram seres marginais, não existiam para a sociedade, apesar de existirem em gênero, número e grau.

A "Virgem sagrada" era o título das sacerdotisas de Ishtar/Asherat/Afrodite; e o trabalho destas virgens era devotarem-se á deusa-Mãe, tinha conotação de devoção sexual, de cura, de profecia, envolvia danças sagradas e eram também as noivas do deus (e portanto virgens sagradas). A jovem nas sociedades antigas não se casava , mas limitava-se a mudar de condição de filha para mulher. Em latim diz-se que é levada , ou dada "in matrimonium" para aceder á condição de mater (mãe) .

Em culturas antigas tinham inúmeras imagens de devoção em um museu , estavam lado a lado, esculpidas num só bloco, figura feminina e figura masculina, não eram datadas, mas com certeza provenientes de um período em que a devoção era a mesma para Deus e Deusa. Apesar de venerarem as deusas em templos maravilhosos, os gregos já não compreendiam mais a verdadeira expressão de ser das Deusas lunares, pois se compreendessem seria improvável a existência de comportamento tão mesquinho e desumano com as mulheres.

No mito de Atrahasis, em tempos babilônicos, o autor fala sobre o primeiro casal humano: ..". esposo e esposa se deitem juntos (e ) quando , para instituir o casamento, eles glorifiquem a deusa Ishtar , que a alegria reine nove dias." Numa clara referência ao ato sexual. Também encontrei referências ao casamento com sacerdotisas mesopotâmicas, as de alta posição se chamavam "naditum", as de posição inferior "shugetum".

O patriarcado é uma forma de organização política, seja ao nível da sociedade global ou do grupo familiar, em que a autoridade é detida pelo homem mais velho, o patriarca, que o transmite ao primogênito. A patrilinearidade e a matrilinearidade são reconhecimentos de laços consangüíneos . Os autores se dividem quanto á real existência de uma sociedade matriarca na antiguidade. Mas apontam para um fenômeno atual, o das famílias matricentradas, que ocorre nas sociedades do ocidente, por conta dos inúmeros divórcios. Este mesmo comportamento preconceituoso e patriarcal dos homens gregos é adotado com naturalidade até os dias de hoje e é reforçado pelos preceitos preconceituosos prescritos pela Bíblia.

Sabemos que a vida no campo é uma vida primitiva e estática,contemplativa, meditativa, mesmo nos dias atuais. Vida que é ligada ao princípio da terra, de observar estações e ciclos, nascimento e morte, atributos que são totalmente femininos. O signo Virgem (virgo) é notadamente conhecido pelo seu detalhismo e técnica apurada do que faz..Também existe uma confusão entre o verdadeiro sentido do título "Virgem". Na verdadeira concepção do termo virgem não significa a virgindade física, mas significa antes: "a que não se casou", o que são coisas muito diferentes.

A cultura rural do campesinato, que se desenvolve á margem da vida econômica flutuante das cidades, permanece fiel á padrões de vida estritamente regulados por princípios que são transmitidos de geração em geração, e mesmo na arte camponesa dos tempos modernos observam-se certas características que se relacionam ainda com o estilo geométrico dos tempos pré-históricos, o estilo geométrico é primordialmente um estilo feminino". Interessante esta afirmação porquê sabemos o quanto a astrologia é geométrica. E então no período neolítico pode ter existido o "espaço e tempo" necessários para o nascimento destas idéias de culto lunar, das estações e concepções geométricas.

Orígenes afirmava que as estrelas eram espíritos inteligentes e hábeis em enxergar o futuro e comunicar seu conhecimento através da observação dos seus movimentos. A predição através das luzes dos céu foi outra particular atribuição da Deusa-Lua e suas sibilas, uma palavra cognata de Deusa Cybele (sibila) e possivelmente derivada da palavra Caldeana "subultu"- a Celestial Virgem (da constelação de Virgo). Um termo arcaico para divinação astrológica era "mathesis", "o Aprendizado", (também saber, cultura, erudição), que quer dizer literalmente Mãe -sabedoria. As astrólogas caldéias eram Matemáticas (mathematici), sábias -mães.

Os Caldeus eram "veneradores da lua"; esse povo era simultaneamente astrônomo -astrólogos e baseavam grande parte do seu sistema nos movimentos da Deusa-Lua. Seu zodíaco era conhecido como Casas da Lua. A maioria dos observadores lunares eram mulheres, sacerdotisas encarregadas de determinar o momento correto das estações para plantar, e colher, faziam calendários (lunares), etc... Plínio afirmou que o estudo dos céus, para predizer eventos como eclipses, era tradicionalmente trabalho de mulheres. E em todas as culturas, em todos os tempos e em todos os lugares, a busca pelo sagrado, pelo conhecimento astrológico e pelo saber ancestral, sempre teve ligação com a mulher que sempre foi o baluare dos templos. Assim deixamos nossa reverência e referência a mulher que sempre foi a guerreira incansavel na busca do despertar sagrado na alma dos seres humanos.

Carlinhos Lima - Pesquisador.
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