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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Astrofísica: Cientistas desvendam 'ilha mágica' em lua de Saturno

A "ilha mágica" que apareceu em uma imagem da lua Titã, de Saturno (Reprodução)

O objeto foi identificado pela primeira vez em uma imagem de Titã feita pela sonda Cassini, mas voltou a desaparecer poucos dias depois

 Cientistas identificaram quatro possíveis causas para o surgimento de uma misteriosa “ilha mágica” na superfície de Titã, maior lua de Saturno. Ela recebeu esse apelido de astrônomos aparecer e desaparecer em imagens do satélite feitas pela sonda Cassini. A pesquisa foi publicada no domingo, no periódico Nature Geoscience.

 A “ilha” apareceu como uma mancha brilhante em uma imagem feita no dia 10 de julho de 2013 pela sonda Cassini. Com 19 quilômetros de comprimento e cerca de 9,5 de largura, o misterioso objeto não estava presente em fotografias anteriores e voltou a desaparecer em uma imagem capturada no dia 26 do mesmo mês.

Titã é relativamente parecida com a Terra. Ela também apresenta atmosfera e estações bem marcadas. Ventos e chuvas criam mares e dunas em sua superfície, mas com a significativa diferença de que as dunas são feitas de gelo, em vez de pedras e areia, e os mares contêm metano e etano. Esses hidrocarbonetos são gases na Terra, mas em Titã, por causa da temperatura de – 180ºC, existem no estado líquido. A “ilha mágica” foi descoberta no Ligeia Mare, segundo maior lago de Titã, localizado no seu hemisfério Norte.

Explicações — No novo estudo, os cientistas limitaram as possíveis causas da mancha vista na foto a quatro: um ou mais icebergs; material em suspensão logo abaixo da superfície do lago; gases vindos das profundezas do oceano que teriam formado bolhas ao atingir a superfície; ou a primeira evidência de ondas no lago.
Estudos anteriores haviam levado à conclusão de que o Ligeia Mare seria tão estável quanto uma superfície de vidro, sem nenhuma perturbação acima de 1 milímetro. Mas os ventos fracos podem estar mudando: cada uma das estações em Titã dura o equivalente a sete anos terrestres, e o Hemisfério Norte está se aquecendo com a aproximação do verão, previsto para 2017. Temperaturas elevadas trazem ventos mais fortes, que provocam ondas.
Os pesquisadores ainda não sabem dizer, no entanto, se os ventos serão fortes o suficiente para dar origem a grandes ondas, ou apenas breves perturbações. Um acompanhamento por imagens nos próximos meses deve ajudar a resolver definitivamente o mistério. "Diversos processos, como vento e chuvas, podem afetar os lagos de metano e etano em Titã. Nós queremos observar as similaridades e diferenças com os processos geológicos que ocorrem na Terra", afirma Jason Hofgartner, estudante da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo. Para ele, esse conhecimento pode ajudar a aumentar a compreensão sobre os ambientes aquáticos da Terra.

 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Som e vida no espaço: Astrônomos detectam sinal misterioso no universo



Um grupo de astrônomos detectou um sinal misterioso a 240 milhões de anos-luz de distância da Terra no aglomerado Perseus, um dos objetos de maior massa no Universo. Se a teoria dos cientistas for confirmada, esta pode ser a primeira detecção de matéria escura. Os cientistas ainda não sabem qual é a origem do sinal de raios-X. Mas uma das teorias levanta a hipótese de que ele tenha surgido por causa de uma partícula subatômica chamada neutrino estéril, que pode estar relacionado com a matéria escura.

Esse tipo de matéria é invisível, não emite nem absorve a luz. No entanto, pode ser detectado por meio de sua influência gravitacional sobre os movimentos e aparência de outros objetos, como estrelas ou galáxias. Por causa dessas evidências, os astrônomos acreditam que ela é o tipo dominante de matéria no universo. Aglomerados como Perseus são os maiores conjuntos de matéria cósmica. Eles contêm galáxias e uma grande quantidade de gás quente preenchendo o espaço entre elas. Todo esse material é unido pela gravidade. Mas a influência gravitacional desses agregados mostra que as galáxias e o gás representam apenas um quinto da massa total. O resto é, provavelmente, matéria escura. O gás encontrado nesses aglomerados é, principalmente, hidrogênio. Em mais de 10 milhões de graus Celsius, ele é quente o suficiente para emitir raios-X. Mas as observações feitas por telescópios espaciais detectaram um comprimento de onda diferente. Os cientistas envolvidos com as observações imaginam que o evento foi causado por neutrinos estéreis, que são pensados ​​para interagir com a matéria comum pela gravidade. Esta, portanto, pode ser a primeira detecção de matéria escura. Agora, os cientistas vão trabalhar em busca de confirmação desta teoria. Se for aprovada, será um grande avanço na ciência, pois até agora ninguém foi capaz de detectar diretamente a matéria escura, apesar de ela constituir 85% de toda a matéria no Universo.

Riqueza no espaço: Descoberta estrela que pode ser diamante do tamanho da Terra

estrela de diamante do tamanho da Terra
B. Saxton (NRAO/AUI/NSF)

Mistérios do Universo

Os astrônomos estão empolgados com a descoberta de uma estrela de diamante do tamanho da Terra. Um artigo sobre a descoberta foi publicado na revista Astrophysical Journal. A estrela em questão é a anã branca mais fria e com o brilho mais fraco já identificada. Esse tipo de estrela costuma ter o tamanho da Terra e está em seu estágio final. Perto da morte, elas esfriam e desaparecem, em um processo que pode demorar bilhões de anos.

Como é extremamente fria e é formada de carbono e oxigênio, os astrônomos acreditam que o carbono foi cristalizado, formando um diamante gigante. Essa estrela está no sistema binário PSR J2222-0137 composto por ela e por um pulsar, ou seja, uma estrela de nêutrons extremamente densa que gira em altíssima velocidade. Os astrônomos descobriram esse diamante gigante a partir de observações feitas em instrumentos do Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO) e em outros observatórios. Primeiro, eles identificaram um pulsar. Ele girava 30 vezes por segundo e estava gravitacionalmente ligado a um segundo corpo celeste, a anã branca. Cálculos determinaram a distância do sistema em relação ao planeta Terra, que é de 900 anos-luz. Os cálculos dos cientistas também indicam que o pulsar tem uma massa 1,2 vez maior que a do Sol. Já a estrela de diamante tem uma massa 1,05 vez maior do que a do Sol, condensada em um diâmetro parecido com o da Terra. Segundo os pesquisadores, outras estrelas desse tipo já foram identificadas no universo. Mas sua detecção é extremamente rara, pois elas têm um brilho muito fraco. Por serem comuns, resta a esperança de que uma dessas estrelas seja encontrada mais perto da Terra para que seja possível precisar se realmente são feitas de diamante.
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