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sexta-feira, 25 de março de 2016

Astrofísica: Atividade vulcânica mudou o eixo da Lua há 3 bilhões de anos

Segundo estudo publicado na Nature, o eixo do astro mudou em 6 graus, modificando a localização dos polos norte e sul

Os cientistas calcularam a distância entre os pontos e os polos norte e sul atuais e descobriram que as distâncias entre eles são as mesmas, só que em sentidos opostos
Os cientistas calcularam a distância entre os pontos e os polos norte e sul atuais e descobriram que as distâncias entre eles são as mesmas, só que em sentidos opostos

Os cientistas calcularam a distância entre os pontos e os polos norte e sul atuais e descobriram que as distâncias entre eles são as mesmas, só que em sentidos opostos(NPG/Reprodução)
O eixo da Lua pode ter sido modificado em 6 graus após grande atividade vulcânica há 3 bilhões de anos. De acordo com um estudo, publicado na última quarta-feira na revista Nature, os vulcões esquentaram apenas um dos lados do astro, alterando massa e estrutura internas. Isso fez com que a Lua "tombasse" e passasse a girar em um eixo diferente.
A equipe de pesquisadores, liderada por Matthew Siegler, do Instituto de Ciências Planetárias no Arizona, analisou imagens da Lua e, com medições de hidrogênio, identificou a existência de gelo em crateras lunares vizinhas aos polos (locais em constante sombra).


Novo eixo - Com esses dados em mãos, os especialistas identificaram que esses pontos de gelo se encontram em posições opostas no astro - ou seja, é possível traçar uma linha reta entre um ponto gelado e outro, cruzando o centro da Lua. Para confirmar as expectativas dos cientistas, eles calcularam a distância entre os pontos e os polos norte e sul atuais e descobriram que as distâncias entre eles são as mesmas, só que em sentidos opostos. "Seria como se o eixo da Terra passasse da Antártida para a Austrália", explicou Siegler.
A causa do movimento observado pelos pesquisadores foi uma intensa atividade vulcânica em um dos lados da Lua (de face para a Terra). Os vulcões em atividade teriam modificado o equilíbrio que forma o eixo planetário ao esquentar o manto da Lua, causando um distúrbio no giro da Lua.
O estudo do gelo ancestral na Lua pode abrir portas para compreender o mistério da existência de água no astro e na própria Terra, que Siegler acredita ter vindo de um sistema fora da Via Láctea, dada a proximidade do planeta com o Sol. "O gelo da Lua pode ser uma cápsula do tempo da mesma fonte que originalmente forneceu água para a Terra. Esse é um registo que não temos aqui graças às diversas modificações da Terra. Esse gelo tão antigo pode nos dar pistas e resposta a esse grande mistério", disse especialista.

terça-feira, 22 de março de 2016

Infelicidade: Pessoas inteligentes tendem a ter menos amigos

Segundo um novo estudo, o cérebro de um gênio funciona de forma diferente. No caso deles, ao contrário do que ocorre com a maioria da população, a socialização pode levar à infelicidade

Enquanto a maioria das pessoas relata uma maior satisfação ao interagir mais com amigos, pessoas com QI mais alto preferem a solidão
Enquanto a maioria das pessoas relata uma maior satisfação ao interagir mais com amigos, pessoas com QI mais alto preferem a solidão
Enquanto a maioria das pessoas relata uma maior satisfação ao interagir mais com amigos, pessoas com QI mais alto preferem a solidão(Thinkstock/VEJA)
Um novo estudo descobriu por que gênios tendem a ser solitários. De acordo com uma pesquisa publicada recentemente na revista científica British Journal of Psychology, quanto mais as pessoas muito inteligentes precisarem socializar, menos satisfeitas elas estarão com a vida.
Para chegar aos resultados, os psicólogos evolucionistas Satoshi Kanazawa, da London School of Economics, na Grã-Bretanha, e Norman Li, da Universidade de Administração de Singapura, em Singapura, questionaram 15.000 pessoas, com idade entre 18 e 28 anos, sobre a felicidade. Foram analisados também dados como a densidade populacional do local onde os voluntários viviam e a frequência de interação com os amigos.
O estudo se baseou na teoria da savana, proposta em 2004 por Kanazawa. Segundo a tese, ancestrais que viviam na savana Africana precisavam ser sociáveis para sobreviver a um ambiente hostil. Naquele tempo, a população era escassa, com cerca de 150 integrantes por grupo. Os pesquisadores acreditam então que, por causa da herança ancestral, a maioria das pessoas atualmente relata sentir-se mais feliz quando vive em lugares com menor densidade demográfica e quanto mais convive com amigos e familiares.
O que o novo levantamento mostrou, contudo, é que isso não se aplica para aqueles que são muito inteligentes. No caso de pessoas com QI muito alto, a densidade demográfica baixa não aumenta a sensação de felicidade. Além disso, quanto mais elas precisam socializar com outras pessoas, a satisfação delas com a vida tende a ser menor. "O efeito da densidade populacional na satisfação com a vida era mais de duas vezes maior para os indivíduos de baixo QI do que para os indivíduos com QI mais alto. E indivíduos mais inteligentes eram, na verdade, menos satisfeitos com a vida se socializavam com seus amigos com mais frequência", escreveram os autores.

Os autores acreditam que os indivíduos considerados gênios possuem cérebros mais evoluídos, o que os tornaria mais adaptados aos desafios da vida moderna. O problema é que essas pessoas estão sujeitas a viver em constante conflito entre aspirar objetivos maiores e estar vinculado às raízes do passado evolutivo.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Grande Colisor de Hádrons: A nova partícula que pode mudar o que sabemos sobre o Universo

Universo - Dados coletados no Grande Colisor de Hádrons podem abrir as portas para uma nova teoria.

 

Da BBC Mundo
O Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) - um acelerador de partículas gigantesco que fica na fronteira entre a França e a Suíça - causou fortes emoções entre físicos teóricos, uma comunidade que geralmente é muito cautelosa quando se trata de novas descobertas.
O motivo: "batidinhas" detectadas pelo Grande Colisor de Hádrons. Essas batidas, evidenciadas nos dados que resultam da aceleração dos prótons, podem sinalizar a existência de uma nova e desconhecida partícula seis vezes maior do que o Bóson de Higgs (a chamada "partícula de Deus").
E isso, para o físico teórico Gian Giudice, significaria "uma porta para um mundo desconhecido e inexplorado".
"Não é a confirmação de uma teoria já estabelecida", disse à revista New Scientist o pesquisador, que também é trabalha na Organização Europeia para Investigação Nuclear (CERN).
A emoção dos cientistas começou quando, em dezembro de 2015, os dois laboratórios que trabalham no LHC de forma independente registraram os mesmos dados depois de colocar o colisor para funcionar praticamente na capacidade máxima (o dobro de energia necessária para detectar o Bóson de Higgs).
Os dados registrados não podem ser explicados com o que se sabe até hoje das leis da física.
Depois do anúncio desses novos dados foram publicados cerca de 280 ensaios que tentam explicar o que pode ser esse sinal - e nenhum deles descartou a teoria de que se trata de uma nova partícula.
Alguns cientistas sugerem que a partícula pode ser uma prima pesada do Bóson de Higgs, descoberto em 2012 e que explica por que a matéria tem massa.
Outros apresentaram a hipótese de o Bóson de Higgs ser feito de partículas menores. E ainda há o grupo dos que pensam que essas "batidinhas" podem ser de um gráviton, a partícula encarregada de transmitir a força da gravidade.
Se realmente for um gráviton, essa descoberta será um marco, porque até hoje não tinha sido possível conciliar a gravidade com o modelo padrão da física de partículas.
Extraordinário?
Para os especialistas, o fato de que ninguém conseguiu refutar o que os físicos detectaram é um sinal de que podemos estar perto de descobrir algo extraordinário.
"Se isso se provar verdadeiro, será uma (nota) dez na escala Richter dos físicos de partículas", disse ao jornal britânico The Guardian o especialista John Ellis, do King's College de Londres. Ele também já foi chefe do departamento de teoria da Organização Europeia para a Investigação Nuclear. "Seria a ponta de um iceberg de novas formas de matéria."
Mesmo com toda a animação de Ellis, os cientistas não querem se precipitar.
Quando o anúncio foi feito pela primeira vez, alguns pensaram que tudo não passava de uma terrível coincidência que aconteceu devido à forma como o LHC funciona.
Duas máquinas de raios de prótons são aceleradas chegando quase à velocidade da luz. Elas vão em direções diferentes e se chocam em quatro pontos, criando padrões de dados diferentes.
Essas diferenças, batidas ou perturbações na estatística são o que permitem demonstrar a presença de partículas.
Mas estamos falando de bilhões de perturbações registradas a cada experimento, o que torna provável um erro estatístico.
Porém, o fato de que os dois laboratórios tenham detectado a mesma batida é o que faz com que os cientistas prestem mais atenção ao tema.
Boas notícias
Além disso, recentemente os cientistas dos laboratórios CMC e Atlas apresentaram novas provas depois de refinar e recalibrar seus resultados.
E nenhuma das equipes pôde atribuir a anomalia detectada a um eventual erro estatístico.
São boas notícias para os especialistas que acreditam que essa descoberta seja o início de algo muito grande.
O lado ruim é que nenhum dos laboratórios conseguiu explicar o que é esta misteriosa partícula. São necessárias mais experiências para qualificar o evento como um "descobrimento".
O lado bom é que não será preciso esperar muito para ver o fim da história.
Nesta semana, o Grande Colisor de Hádrons sairá de seu período de hibernação para voltar a disparar prótons em direções diferentes.
Nos próximos meses o colisor oferecerá o dobro de informação em comparação ao que os cientistas têm até agora.
E se estima que, em agosto, eles poderão saber o que é essa nova e promissora partícula
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