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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Candomblé da Bahia: Vídeo registra expulsão de esposa de Mãe Stella do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá

Desavenças


A expulsão da psicóloga Graziela Domini, esposa da ialorixá Maria Stella de Azevedo Santos, conhecida como Mãe Stella de Oxóssi, do Ilê Axé Opô Afonjá, foi registrada em vídeo que circula nas redes sociais após a sacerdotisa deixar o terreiro. Nas imagens, é possível ver Mãe Stella e Graziela sentadas lado a lado, rodeadas de membros da casa, em meio a uma discussão. Em certo momento, integrantes da comunidade decidem expulsar Graziela, que também é filha do terreiro, iniciada há 20 anos, e ocupa o cargo de iyá egbé (mãe da comunidade) no Afonjá. Ela é puxada pelos braços e depois levada arrastada para fora da Casa de Xangô, que é patrono do terreiro. Graziela é pivô do conflito entre Mãe Stella, que coordena o templo desde 1976 e a comunidade (entenda). Ela decidiu deixar o Afonjá, que fica na localidade de São Gonçalo do retiro, e foi morar com Graziela em Nazaré, no Recôncavo Baiano. Veja abaixo o vídeo:

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Tristeza para o Candomblé, por causa de rusgas desnecessárias na Bahia: 'Para lá não volto mais', diz Mãe Stella, sobre saída do Afonjá em meio a conflito

A ialorixá Maria Stella de Azevedo Santos -
Foto: Divulgação

Brigas no terreiro


A ialorixá Maria Stella de Azevedo Santos, 92 anos, a Mãe Stella de Oxóssi, se manifestou sobre a polêmica envolvendo sua saída do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, que coordena desde 1976. Ela está morando em Nazaré, a 216 km de Salvador, acompanhada da esposa, a psicóloga Graziela Domini, 55 anos. “Para lá, não volto mais”, declarou, em entrevista ao jornal A Tarde. A situação está conturbada entre Graziela e a comunidade do terreiro. O obá odofin (ministro de Xangô), Ribamar Daniel, presidente da Sociedade Cruz Santa do Afonjá, entidade civil que mantém o terreiro, relata que a psicóloga pagou seguranças armados para fazer a mudança da ialorixá. “Estou transtornado com essa situação. Meu sentimento é de pesar, dor e angústia”, afirma. Mãe Stella afirma, porém, que não quer retornar. “Lá é muito tumultuado. Não estou com vontade de voltar mais. Eu saí porque estava muita pressão [estavam] querendo botar filho de santo para fora. Aqui dou uma descansada, fico longe disso”. Ao ser questionada sobre o conflito entre os outros filhos do Opô Afonjá e Graziela, ela afirmou: “Para você ver o que é loucura de gente, meu filho!”. Iniciada para Iemanjá, Graziela é filha do terreiro há 20 anos e ocupa o cargo de iyá egbé (mãe da comunidade), que tem a função de aconselhar a comunidade. Ela não é bem aceita desde que foi morar com a sacerdotisa, com quem está desde 2005. Graziela foi acusada de retirar móveis e vender obras de arte da casa, de fechar o Museu Ilê Ohun Lailai, que foi criado em 1982, e de substituir a sacerdotisa em rituais reservados. As denúncias são relatadas em uma carta assinada por 71 membros do terreiro. De acordo com Ribamar Daniel, houve revolta pela mudança de Mãe Stella, o que resultou em denúncias contra a esposa de Mãe Stella na Justiça. Na ação, a comunidade pede que um cuidador seja nomeado para acompanhar a líder espiritual e administrar sua vida. Ele conta que já presenciou agressões verbais de Graziela contra a sacerdotisa e que a psicóloga comprou uma sepultura para ela. “Ela acaba a autoestima de Mãe Stella, diz que é velha, que ia ficar cega e morrer”, afirma. Procurada, Graziela Domini negou que tenha vendido obras de Carybé que compõem o patrimônio do terreiro, mas informou que as esculturas serão leiloadas. “Preciso manter ela”, disse. Ela disse que enviaria documentos ao A Tarde comprovando a união estável, mas mandou somente uma declaração, assinada por uma tabeliã do 12ª ofício de notas, onde a ialorixá estabelece que as decisões sobre sua saúde serão tomadas em conjunto com Graziela. “Eles não podem tirar minha esposa”, afirmou, garantindo que Mãe Stella “está lúcida”. Sobre sua participação nos jogos de búzio, ela cita a baixa visão da ialorixá, que sofre com aterite temporal (inflamação nas artérias). “Sou os olhos dela. Eu digo a posição queda dos búzios e ela interpreta”, relatou. “Sou uma pessoa que não preciso de nada, sou uma monja, tenho casas, fazenda. Não preciso de Mãe Stella”. A psicóloga afirma que cinco homens, filhos do terreiro, expulsaram da casa e o que teria causado uma das recentes internações da ialorixá. “Depois disso eu proibi visitas”, disse. Ela informou que comunicou à Delegacia do Idoso e à promotora Lívia Vaz, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que iria viajar com Mãe Stella para Nazaré. “Ela não é uma instituição pública, é um ser humano com vontades. O papa se desligou, Mãe Aninha se desligou, foi para o Rio de Janeiro, e ninguém morreu por isso”, disse Graziela.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Mãe Iemanjá: Presença, sim! Presente, não!

Maria Stella de Azevedo Santos | Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá opoafonja@gmail.com

Mãe Stella escreve semanalmente no jornal A TARDE



Estou preparada para dormir, não tão cedo como dormem os idosos. Tenho 90 anos e 7 meses, mas minha filha joga fora os 90. Ela é de Iyemanjá. Como sua essência é de mãe, ela me cobre. Agora sou um bebê de 7 meses. Para que o pacote fique completo, minha filha/mãe começa a contar uma "estorinha":
"Era uma vez uma senhora encantada e encantadora que se tornou conhecida como 'A Grande Mãe'. Em seu colo, as crianças se aconchegavam e os adultos buscavam conforto para as dores do dia a dia. De sua boca saíam conselhos que ajudavam a secar as lágrimas de homens e mulheres aflitos. Se seus conselhos não bastavam, ela dançava e com suas mãos indicava os caminhos a serem seguidos.
"As desesperadas pessoas que buscavam 'A Grande Mãe' saíam de seu lar com a esperança renovada. Sua casa era uma extensão dela própria. E, por isso, todos queriam agradá-la e a presenteavam com flores para que sua casa ficasse ainda mais aconchegante. Isso agradava a generosa senhora, mas não era capaz de impedir que quando estivesse sozinha chorasse as dores do mundo.
"De seus olhos saíam tantas lágrimas, tanta água salgada, que sua adorável casa se transformou no mar. Iyemanjá era seu nome, que significa 'mãe que é respeitada e agradada com entusiasmo'. Todos são filhos de Iyemanjá, e todos ansiavam por agradá-la com flores, perfumes, maquiagem, joias. Iyemanjá adorava receber presentes, mas sorria da ingenuidade de seus protegidos:
"- Como ela poderia ter tempo de ser vaidosa, quando precisava dedicar-se a esfriar as várias cabeças quentes que deitavam em seu colo?...
"As pessoas não sabiam, mas quem gostava daqueles lindos e ricos presentes era a jovem e vaidosa filha de Iyemanjá: Oxum. Quanto mais Iyemanjá ajudava as pessoas, mais presentes eram depositados em sua casa. Seu lar foi ficando sujo. Iyemanjá pediu, então, que as pessoas não lhe dessem presentes de plásticos nem de metal, pois estes, com o tempo, transformavam-se em lixos difíceis de serem degradados. Os mais obedientes passaram a oferendar apenas o líquido dos perfumes e flores, mas os produtos químicos dos quais eram feitos os perfumes poluíam as águas e as pétalas das flores adoeciam os peixes.
"A população tinha crescido muito e no mar não cabiam mais tantos presentes. Iyemanjá retirou-se para meditar e encontrar a forma ideal de permitir que as pessoas continuassem a praticar seus ritos de agradecimento, sem que ela, sua casa (o mar) e seus filhotes peixes sofressem.
"Muito tempo já tinha se passado até que uma bela e harmoniosa melodia pôde ser ouvida pelo povo da Bahia. Iyemanjá cantava: 'Reúnam-se, cantem e me encantem; este é o presente que quero e posso receber a partir de agora. Não quero mais presentes, quero presença'."
Acordei na manhã seguinte. Já não sabia se tinha ouvido a estória ou sonhado com ela. Era uma vez; há sempre uma vez; há sempre a primeira vez; há de ter sempre pessoas que encarem a primeira vez. "O candomblé é uma religião ecológica" - dizem. Então vivamos o que pregamos!
Encaro o desafio e digo que a partir de 2016 o "Presente de Iyemanjá" do Ilê Axé Opô Afonjá não mais poluirá o mar com presentes. Meus filhos serão orientados a oferendar Iyemanjá com harmoniosos cânticos.
Quem for consciente e corajoso entenderá que os ritos podem e devem ser adaptados às transformações do planeta e da sociedade. Os ritos se fundamentam nos mitos e nestes estão guardados ensinamentos valorosos. O rito pode ser modificado, a essência dos mitos, jamais!
Sei que Iyemanjá ficará feliz, afinal qual é a mulher, principalmente sendo mãe, que não gosta de ouvir belas melodias que confortam e dão alento a um coração permanentemente preocupado com os filhos?
 
 
 

Fé - em defesa do meio ambiente: Mãe Stella passará a presentear Iemanjá com cânticos em 2016

Meire Oliveira

Mãe Stella afirma que a essência do rito não mudará

No artigo Presença, sim! Presente, não!, publicado na edição desta segunda-feira, 21, em A TARDE, a ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, revelou que, a partir de 2016, o terreiro não irá colocar presentes no mar em homenagem a Iemanjá.
"Meus filhos serão orientados a oferendar Iemanjá com harmoniosos cânticos. Quem for consciente e corajoso entenderá que os ritos podem e devem ser adaptados às transformações do planeta e da sociedade", diz o texto escrito pela líder espiritual do terreiro fundado por Mãe Aninha em 1910.
"A recomendação feita aos iniciados do Afonjá tem lógica, embora seja diferente da estrutura histórica construída ao longo dos anos.  Cântico também é uma forma de ofertório. Chama a atenção para a possibilidade de cultuar de outra forma baseada na liberdade litúrgica que toda casa tem de dizer como proceder naquele espaço", disse o historiador e religioso do candomblé, Jaime Sodré.
Discussão
O religioso destaca ainda a relevância da discussão. "É importante o candomblé discutir assuntos contemporâneos. Mãe Stella está fazendo a comunidade refletir, apesar de já existir uma preocupação ambiental dos pescadores e frequentadores da festa que deve ser intensificada. Mas, uma tradição que se instalou por um longo período precisa do mesmo prazo para ser revertida", acredita Sodré.
A amplitude da festa em homenagem à Rainha do Mar, realizada no dia 2 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, foi a principal motivação da recomendação de Mãe Stella.
"A festa adquiriu uma amplitude que ultrapassa a religião. No início era um grupo restrito, mas uma multidão, inclusive de seguidores de outras denominações religiosas, coloca presentes no mar e nem tudo faz bem ao meio ambiente", explica Mãe Stella.
Limite
Portanto, a ialorixá afirma ainda que as obrigações religiosas não deixarão de ser feitas. "Os ritos se fundamentam nos mitos e nestes estão guardados ensinamentos valorosos. O rito pode ser modificado, a essência dos mitos, jamais!".
A sacerdotisa aposta que a mudança deve agradar a divindade. "Creio que irá emanar uma energia maravilhosa, pois vai inspirar a criação de canções lindas para Iemanjá, que ficará muito feliz", disse Mãe Stella. O presente do Ilê Axé Opô Afonjá ocorre no final do ciclo de festas da Casa, no mês de novembro.
O líder espiritual do terreiro Mokambo, tata de inquice Anselmo dos Santos, acredita que - preservando o cuidado com o meio ambiente - a tradição deve ser mantida.
"Por conta da consciência ambiental, que tem crescido ao longo do tempo, não acho necessária a retirada dos presentes. No entanto, concordo  e opto pela escolha de materiais que não agridam a natureza e que ela tenha facilidade e capacidade de absorver", afirma.
A questão ecológica durante a Festa de Iemanjá, em fevereiro, tem sido colocada em debate há alguns anos. No próximo ano, a campanha 'Iemanjá protege quem protege o mar'- promovida pelo grupo Nzinga de capoeira angola - completa uma década.
"Fazemos um alerta para que os presentes sejam biodegradáveis, com materiais orgânicos", disse Paula Barreto uma das coordenadoras do grupo.
Os pescadores da Colônia de Pesca Z1 já fazem uma seleção de resíduos dos presentes que são levados ao mar junto com o presente principal feito de material biodegradável.
Procurado para falar sobre assunto, o presidente da Colônia Z1, Marcos Souza, não respondeu até o fechamento desta edição.
Desafio
Não é a primeira vez que a ialorixá que assumiu o Ilê Axé Opô Afonjá desde 1976 propõe discussões dentro da religião.
Na década de 80, Mãe Stella foi a autora de um manifesto que orientava o afastamento do sincretismo - associação entre santos católicos e orixás, inquices e voduns -, prática comum, na época, que estabelecia algum tipo de correspondência dos ritos realizados no candomblé com o catolicismo.
Na ocasião, o documento também foi assinado por sacerdotisas como Mãe Menininha, Olga do Alaketu e Doné Ruinhó.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Mãe Stella de Oxossi: O Candomblé no Brasil

Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxossi, Odé Kayodê. Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá.


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