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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Em defesa da Umbanda: Vamos tirar as sujeiras do culto afrobrasileiro e cultuar com decente respeito aos orixás

 cultuar com decente respeito aos orixás
Em defesa da Umbanda: Vamos tirar as sujeiras do culto afrobrasileiro e cultuar com decente respeito aos orixás

Vamos parar de sujar as matas, rios, cemitérios e ruas


Esses dias, estive vendo na TV na madrugada programas de demagogos de igrejas sensacionalistas, que supostamente estariam pregando o Evangelho, mas, que apenas tentam usar uma retórica falsa e enganadora. Nesses programas, o tema na grande maioria são os cultos afro-brasileiros. Uma mulher, se dizendo "ex-Mãe de Santo", mostrando cenas de despachos e dizendo os males que eles causam e pra que eram usados. Bem, pra começar, se ela realmente fazia como dizia, era mesmo uma falsa mãe de santo que só pensava no dinheiro e agora a entrar numa nova seita, continua pensando apenas em bens materiais, pois é apenas isso que leva as pessoas a entrarem nesses templos de demagogia. 

Mas, estou tocando nesse assunto, não pelos pregadores demagogos que todo mundo já conhece suas práticas. Quero puxar este assunto aqui por causa da forma que as pessoas tem operado os cultos afro-brasileiro no Brasil, uma sujeira e falta de decência que só nos envergonha. Tudo aquilo que os programas evangélicos mostram na TV, é realmente intolerância e ataque a outra religião, que no caso é a Umbanda e o Candomblé, mas, não podemos deixar de notar, que boa parte do que eles falam, é realmente um absurdo. Ficamos triste ao perceber que as pessoas, mesmo com o passar de décadas ainda não entendeu o que é orixá e suas mensagens. 

Eu acho totalmente absurda essa forma de viver sujando a cidade, vendendo ilusões e feitiços infundados. Pessoas que se trajam de pais e mães de santo, pra vender macumbas e arrancar o dinheiro das pessoas.  Essas pessoas não entendem que Umbanda e Candomblé não e isso. Pessoas que querem viver de vender magias, sem trabalhar e apenas vendendo ilusões. Em parte, a culpa é das pessoas mesquinhas e sem escrúpulos que vão a esses lugares, apenas pra querer conquistar seus desejos egoístas e sórdidos, sem se importar com ética, moral e decência. Mas, um verdadeiro mestre, não vende ilusões e nem desrespeita os ancestrais.  As pessoas tem a mania de só ir atrás de ajuda espiritual, quando estão tomadas por ódio, por medo e por desejos obscenos, dai não importa o que seja feito, apenas pagam pra conseguir seus intentos egoístas. 

A grande maioria não busca a religião por fé, apenas querem soluções mágicas pra seus desejos sórdidos e vergonhosos - atacar rivais, roubar a mulher de outro, tomar o marido da amiga, querer o que não lhe pertence e viver numa vida de luxuria. Assim temos os que estão dispostos a paga o que for preciso pelo mal e de outro lado, os que estão dispostos a vender o que for preciso pra lucrar com o que não entendem. Em grandes cidades, como por exemplo, nos grandes centros do Sudeste, pregou-se uma mania desrespeitosa de viverem dentro dos cemitérios, sujando tudo e incomodando os mortos. E ai está a queda da Umbanda no Brasil, pois confundem orixá com alma penada e pensam que Umbanda é mais necromância que culto ao ancestral. E as federações que deveriam ter o papel de fiscalizar esse tidpo de ato vergonhoso, se cala, pois querem apenas ter lucro. 

Tem sim linha do cemitério, como tem a encruzilhada e obrigação de fazer oferenda Mas, isso é feito quando o orixá pede, alguma vez na vida, quando os odus se mostram com tal obrigada configuração. Não é pra viver dentro de cemitério, incomodando os mortos e invocando o que não conhece, só pra vender feitiços. Cemitério é lugar pra irmos quando não podemos mais evitar Parem de incomodar os mortos, de sujar a cidade e de vender ilusões! Ficar acendendo velas em túmulos e jogando farofa em cova de defunto traz mais azar que sorte. 

Ninguém entende esse povo! Uma hora são todos cristãos, só vestem branco, com suas casas cheias de flores e papo de Bíblia, tornaram os orixás todos evangelizados, mas, de outro, vivem como necromantes nos cemitérios incomodando os mortos. Vamos respeitar os ancestrais. Deixem os mortos descansar em paz. Tem coisas mais importante que viver em cemitério pedindo coisas que nem em vida aquelas pobres almas podiam fazer. Morto não pode fazer nenhum milagre por nós. Parem de ver a Umbanda como um exercito de desencarnados, com Caboclo fulano que foi sicrano em vida passada, pai fulano de tal que fica pedindo cachaça ou mãe sicrana que fica pedindo farofa. Chegou a hora de crescer pessoal, Parem de diminuir a Umbanda, vamos elevar a liturgia, parem de pirotecnia e tanta necromancia! Orixá Menor, guia e protetores, não precisa de cachaça, charuto ou qualquer coisa material, eles estão desencarnados não precisa de nada desse tipo. As oferendas e rituais tem sua importância no tempo certo, quando eles pedem e quanto é preciso. Não tem que tá rodando toda semana numa gira com pirotecnia e sujando a cidade! Vamos ver o orixá como ele realmente é, uma vibração, cósmica e ancestral, não um espírito de morto. Não é porque o cara morreu que ele virou uma potência de magia e saber. O orixá, tem diversas etapas à frente, não está preso a cemitério e nem lugares sombrios, vem da Aruando ou dimensões mais elevadas. Não se prendam a costumes aborígenes e ultrapassados, que as pessoas mesclaram a Umbanda. Chega de envergonhar os orixás... E sem esse papo de querer tornar Zé Pilintra o maior guia da Umbanda, que uma hora é "encantado" outra hora é kiumba, Exu, Guia, "mestre"... sei lá. É só uma entidade inventada por quimbandeiros e catimbozeiros, especialmente no Sudeste, não troquem entidades forjadas pelo jeitinho brasileiro pelos orixás ancestrais. A maior piada que vi na história da Umbanda, foi que dois sacerdotes, foram parar nos tribunais por causa de Zé Pilintra. E por incrível que parece o próprio que atacava Zé Pilintra hoje trabalha com ele. Bem que trabalhe, que ache que seja necessário, mas, não torne isso numa cisma. Se acham que ele é "doutor", malandro, encantado ou mestre - ou que é sábio e mágico, tudo bem, que sigam, só não queiram ditar regras e criar escolas em coisas superficiais.

Eu sei que as pessoas fingem que não entendem e as práticas sujas, vão continuar mas, os que buscam a luz, sempre se sentirão tocados, pois sabem no fundo da alma e da consciência que certos tipos de atitude que temos hoje em dia, dão margem as igrejas da moda atacarem a Umbanda e o Candomblé! Parem com isso, parem de incomodar os mortos. Melhor culturar os orixás que ficarem de cemitério em cemitério desrespeitando os desencarnados. Não precisam fazer giras todo dia, incorporar toda hora e não é apenas de incorporação que vive o culto aos orixás, aliás é a parte menos importante. Incorporação ficou pra gente de outorga, balbalaôs e pra falar com os deuses e não pra vender macumbas...

Há por exemplo, uma duvida que podemos ter inkices na Umbanda? Claro que podemos. A Umbanda sintetiza tudo, é melhor ter um ancestral inkice, do que ficar fazendo pirotecnia e necromancia. Ficar inventando linha do oriente pra colocar meio mundo de guia inventado. Vamos ter mais coerência...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Mãe Iemanjá: Presença, sim! Presente, não!

Maria Stella de Azevedo Santos | Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá opoafonja@gmail.com

Mãe Stella escreve semanalmente no jornal A TARDE



Estou preparada para dormir, não tão cedo como dormem os idosos. Tenho 90 anos e 7 meses, mas minha filha joga fora os 90. Ela é de Iyemanjá. Como sua essência é de mãe, ela me cobre. Agora sou um bebê de 7 meses. Para que o pacote fique completo, minha filha/mãe começa a contar uma "estorinha":
"Era uma vez uma senhora encantada e encantadora que se tornou conhecida como 'A Grande Mãe'. Em seu colo, as crianças se aconchegavam e os adultos buscavam conforto para as dores do dia a dia. De sua boca saíam conselhos que ajudavam a secar as lágrimas de homens e mulheres aflitos. Se seus conselhos não bastavam, ela dançava e com suas mãos indicava os caminhos a serem seguidos.
"As desesperadas pessoas que buscavam 'A Grande Mãe' saíam de seu lar com a esperança renovada. Sua casa era uma extensão dela própria. E, por isso, todos queriam agradá-la e a presenteavam com flores para que sua casa ficasse ainda mais aconchegante. Isso agradava a generosa senhora, mas não era capaz de impedir que quando estivesse sozinha chorasse as dores do mundo.
"De seus olhos saíam tantas lágrimas, tanta água salgada, que sua adorável casa se transformou no mar. Iyemanjá era seu nome, que significa 'mãe que é respeitada e agradada com entusiasmo'. Todos são filhos de Iyemanjá, e todos ansiavam por agradá-la com flores, perfumes, maquiagem, joias. Iyemanjá adorava receber presentes, mas sorria da ingenuidade de seus protegidos:
"- Como ela poderia ter tempo de ser vaidosa, quando precisava dedicar-se a esfriar as várias cabeças quentes que deitavam em seu colo?...
"As pessoas não sabiam, mas quem gostava daqueles lindos e ricos presentes era a jovem e vaidosa filha de Iyemanjá: Oxum. Quanto mais Iyemanjá ajudava as pessoas, mais presentes eram depositados em sua casa. Seu lar foi ficando sujo. Iyemanjá pediu, então, que as pessoas não lhe dessem presentes de plásticos nem de metal, pois estes, com o tempo, transformavam-se em lixos difíceis de serem degradados. Os mais obedientes passaram a oferendar apenas o líquido dos perfumes e flores, mas os produtos químicos dos quais eram feitos os perfumes poluíam as águas e as pétalas das flores adoeciam os peixes.
"A população tinha crescido muito e no mar não cabiam mais tantos presentes. Iyemanjá retirou-se para meditar e encontrar a forma ideal de permitir que as pessoas continuassem a praticar seus ritos de agradecimento, sem que ela, sua casa (o mar) e seus filhotes peixes sofressem.
"Muito tempo já tinha se passado até que uma bela e harmoniosa melodia pôde ser ouvida pelo povo da Bahia. Iyemanjá cantava: 'Reúnam-se, cantem e me encantem; este é o presente que quero e posso receber a partir de agora. Não quero mais presentes, quero presença'."
Acordei na manhã seguinte. Já não sabia se tinha ouvido a estória ou sonhado com ela. Era uma vez; há sempre uma vez; há sempre a primeira vez; há de ter sempre pessoas que encarem a primeira vez. "O candomblé é uma religião ecológica" - dizem. Então vivamos o que pregamos!
Encaro o desafio e digo que a partir de 2016 o "Presente de Iyemanjá" do Ilê Axé Opô Afonjá não mais poluirá o mar com presentes. Meus filhos serão orientados a oferendar Iyemanjá com harmoniosos cânticos.
Quem for consciente e corajoso entenderá que os ritos podem e devem ser adaptados às transformações do planeta e da sociedade. Os ritos se fundamentam nos mitos e nestes estão guardados ensinamentos valorosos. O rito pode ser modificado, a essência dos mitos, jamais!
Sei que Iyemanjá ficará feliz, afinal qual é a mulher, principalmente sendo mãe, que não gosta de ouvir belas melodias que confortam e dão alento a um coração permanentemente preocupado com os filhos?
 
 
 

Fé - em defesa do meio ambiente: Mãe Stella passará a presentear Iemanjá com cânticos em 2016

Meire Oliveira

Mãe Stella afirma que a essência do rito não mudará

No artigo Presença, sim! Presente, não!, publicado na edição desta segunda-feira, 21, em A TARDE, a ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, revelou que, a partir de 2016, o terreiro não irá colocar presentes no mar em homenagem a Iemanjá.
"Meus filhos serão orientados a oferendar Iemanjá com harmoniosos cânticos. Quem for consciente e corajoso entenderá que os ritos podem e devem ser adaptados às transformações do planeta e da sociedade", diz o texto escrito pela líder espiritual do terreiro fundado por Mãe Aninha em 1910.
"A recomendação feita aos iniciados do Afonjá tem lógica, embora seja diferente da estrutura histórica construída ao longo dos anos.  Cântico também é uma forma de ofertório. Chama a atenção para a possibilidade de cultuar de outra forma baseada na liberdade litúrgica que toda casa tem de dizer como proceder naquele espaço", disse o historiador e religioso do candomblé, Jaime Sodré.
Discussão
O religioso destaca ainda a relevância da discussão. "É importante o candomblé discutir assuntos contemporâneos. Mãe Stella está fazendo a comunidade refletir, apesar de já existir uma preocupação ambiental dos pescadores e frequentadores da festa que deve ser intensificada. Mas, uma tradição que se instalou por um longo período precisa do mesmo prazo para ser revertida", acredita Sodré.
A amplitude da festa em homenagem à Rainha do Mar, realizada no dia 2 de fevereiro, no bairro do Rio Vermelho, foi a principal motivação da recomendação de Mãe Stella.
"A festa adquiriu uma amplitude que ultrapassa a religião. No início era um grupo restrito, mas uma multidão, inclusive de seguidores de outras denominações religiosas, coloca presentes no mar e nem tudo faz bem ao meio ambiente", explica Mãe Stella.
Limite
Portanto, a ialorixá afirma ainda que as obrigações religiosas não deixarão de ser feitas. "Os ritos se fundamentam nos mitos e nestes estão guardados ensinamentos valorosos. O rito pode ser modificado, a essência dos mitos, jamais!".
A sacerdotisa aposta que a mudança deve agradar a divindade. "Creio que irá emanar uma energia maravilhosa, pois vai inspirar a criação de canções lindas para Iemanjá, que ficará muito feliz", disse Mãe Stella. O presente do Ilê Axé Opô Afonjá ocorre no final do ciclo de festas da Casa, no mês de novembro.
O líder espiritual do terreiro Mokambo, tata de inquice Anselmo dos Santos, acredita que - preservando o cuidado com o meio ambiente - a tradição deve ser mantida.
"Por conta da consciência ambiental, que tem crescido ao longo do tempo, não acho necessária a retirada dos presentes. No entanto, concordo  e opto pela escolha de materiais que não agridam a natureza e que ela tenha facilidade e capacidade de absorver", afirma.
A questão ecológica durante a Festa de Iemanjá, em fevereiro, tem sido colocada em debate há alguns anos. No próximo ano, a campanha 'Iemanjá protege quem protege o mar'- promovida pelo grupo Nzinga de capoeira angola - completa uma década.
"Fazemos um alerta para que os presentes sejam biodegradáveis, com materiais orgânicos", disse Paula Barreto uma das coordenadoras do grupo.
Os pescadores da Colônia de Pesca Z1 já fazem uma seleção de resíduos dos presentes que são levados ao mar junto com o presente principal feito de material biodegradável.
Procurado para falar sobre assunto, o presidente da Colônia Z1, Marcos Souza, não respondeu até o fechamento desta edição.
Desafio
Não é a primeira vez que a ialorixá que assumiu o Ilê Axé Opô Afonjá desde 1976 propõe discussões dentro da religião.
Na década de 80, Mãe Stella foi a autora de um manifesto que orientava o afastamento do sincretismo - associação entre santos católicos e orixás, inquices e voduns -, prática comum, na época, que estabelecia algum tipo de correspondência dos ritos realizados no candomblé com o catolicismo.
Na ocasião, o documento também foi assinado por sacerdotisas como Mãe Menininha, Olga do Alaketu e Doné Ruinhó.
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