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A pombagira

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Para ter boas energias em 2012, se prepare na virada do ano


Muitas pessoas, muito mais do que se pensa ou que elas revelem se interessa e muito com rituais, mandingas, simpatias e ficam doidas pra saber tanto previsões para o novo ano, quanto pesquisas sobre o que fazer na virada do ano! Se não fará bem fazer rituais, garanto que mal também não faz, a não ser que desvairadamente, prestem-se a trabalhos escusos noturnos e de magia negra pra fazer mal aos outros ou a sua propria alma. Mas, no que se refere a buscar boas energias nas cores, nos rituais, nas orações e na arrumação do ambiente onde se pretente passar a noite da virada é muito mais positivo do que simplesmente ignorar tudo, apegando-se apenas ao materialismo cruel.

Bem, sempre nesse periodo recebo muitas perguntas, em especial sobre dicas, mas, também questionam sobre coisas que viram na TV, divulgadas por "especialistas" e apesar de minha ética aconselhar-me a não comentar, a insistência de meus leitores é tão grande que só me resta como pesquisador responder aos que entram em contato, como aqueles que não tem coragem de perguntar mas também querem saber! Algumas perguntas que chegaram ao Climazen nesses dias finais de 2011 foi sobre mantras gerados pela numerologia. A meu vêr, mantras só tem valor se for gerado com uma fonte sagrada, um alfabeto magistico como o Sanscrito, o Devaganari ou se for através da numerologia com o alfabeto latino que seja no minimo coerente. 

Em primeiro lugar a numerologia baseada no número do ano já não tem lá muita sustentação, pois, como já disse aqui não temos um unico calendário e nem sabemos na verdade em que ano real estamos hoje. Outra coisa é que somar as letras pra montar uma frase e depois querer chamar de mantra é uma coisa no minimo sem sentido. Isso por que milhões de configurações com palavras variadas pode  coincidir a mesma soma, sincronizada as chamdas "salas" reveladas pelos números. Além do mais magia, essa essa babozeira de indução por pensamento positivo, ou tentar inutilmente acessar os códigos do inconciente com frases imbecís, será impossivel.

Uma leitora do blog me disse de um numerologo que trabalha com esse estilo e perguntou-me o que eu achava. Bem no minimo considero uma patacoada, talvez ele pratique a númerologo alienigena que só a mente dele conhece. Disse-me ela que ele afirma o tempo todo que pode comprovar, que tem mais de trinta anos de trabalho e que já mudou até nome de carro e empresas. Bem o Inri Cristo também diz ter certeza que é o Salvador, igrejas são montadas todo dia em cada esquina onde os  demagogos de seus líderes afirma que fazem milagres á toda hora e nem por isso ninguem é obrigado a levar isso como verdade imutavel. Se a numerologia usada sadicamente dessa forma serve pra mudar nomes de carros, esta´explicado o por que dos carros brasileiros terem nomes tão feios! Além do mais, os carros e empresas  de sucesso, independem dos nomes.  O Bil Gates seria rico, mesmo se se chamasse "Bil Cates" pois ele enricou com o talento e criatividade  e não com o nome!

Mantras e palavras realmente tem poder como diziam os celtas, mas, se dizer "cientista" e criar mantras absurdos como "me dá um sapo doido" ou "tiro certo governador" e dizer que isso gera energia capaz de "mexer" com o universo, é no minimo sandice!

Os budistas, hinduistas ou outros mestres que criam mantras nos templos, não criam de forma alusiva ou com frasezinhas inventadas, mas, tem uma raiz nos alfabetos sagrados e conceitos amplamente espiritualistas.  Bem mas deixando essas pirotecnias de lado, respondo a perguntas que segue sobre cor, vibração e possivel rito a fazer!

Bem, essa história de dizer que é o ano das mulheres só por que o numero do ano tem dois (2) e apeas um (1), não faz sentido, pois o que vale é a soma total que gera o 5. Mas, astrologicamente realmente teremos um favorecimento das mulheres pela vibração da Lua. A cor do ano no entanto é o azul e não o laranja só por que o 5 tem ligação com a casa 5 astrologica, nada tem haver com as cores do sol, nem precisa colocar mesa com objetos de ouro e farturas pra ter sorte em 2012. Agora como a Lua tá ligada a alimento, sendo ela regente do ano, uma boa ceia na virada pode sim trazer bençãos.

Assim a cor da sorte do ano é o azul, mas, a cor pessoal de cada pessoa pode ser outra que não azul. Mas, de qualquer forma entrar o ano com uma calcinha azul marinho servirá pra quem quer casar no proximo ano, já para quem quer só sexo a calcinha tem que ser prata ou cinza, o mesmo servido no que se refere a cuecas para os homens.

Rezar o Salmo do anjo que rege o ano, ascender um incenso com a essência lunar e ouvir uma boa musica, também trazem boa vibração, mas, o importante é tá de bom humor, bem acompanhado e abusar das frutas frescas, em especial romãs e se possivel tomar um banho de jasmim no dia 31.

E mais uma coisa, o orixá regente do ano é Iemanjá e não Oxum ou Oxaguiã e o arcanjo é Gabriel.

Veja as previsõs para 2012:

Ano 2012 e as energias cosmicas vibrando e regendo sobre todos nós!



Ori - boa sorte e destino


Ori, a essência real do ser, é uma divindade pessoal que guia e ajuda toda pessoa antes do nascimento, durante a vida e após a morte. O sentido literal de orí é cabeça física, e esta é o símbolo de orí inú, a cabeça interior, responsável pela constituição do ser e sua trajetória existencial: quando o orí inú está bem, todo o ser do homem está em boas condições. O ori, entidade parcialmente independente, considerada uma divindade por si própria, é cultuado entre outras divindades, recebendo oferendas e orações, como o famoso ritual de borí, que significa dar de comer ao ori. 

Enquanto divindade pessoal, ori é o mais interessado de todos os orixás no que diz respeito ao bem-estar de seu devoto: pode-se dizer que é a mais importante das divindades dado que, seja qual for o empenho das outros em favorecer determinada pessoa, todo e qualquer progresso dependerá sempre do que for sancionado por Ori. Se o ori de um homem não simpatiza com sua causa, nada poderá ser feito por outra divindade. Assim, o que ori não sanciona não pode ser concedido nem por Olodumare, nem pelos orixás. 

Todos nós nascemos com um destino para realizar, o que não significa sermos meros joguetes nas mãos de forças inteiramente deterministas. O homem tem o poder de tomar em suas mãos as rédeas do curso da própria existência e participar de modo responsável de seu desenrolar, através da busca de ampliação da consciência e dos conhecimentos e através do desenvolvimento disciplinado da Vontade. 

Certamente os esforços pessoais são mais efetivos se desenvolvidos por um olórí rere (sortudo, abençoado, bendito). Mas, para um olórí bùrúkù. (azarado, condenado à vida, amaldiçoado), a exigência de esforços é bem mais pesada. Portador de um destino adverso, muito esforço deverá despender em suas realizações. Orí inú (cabeça interna) e Eleda (destino pessoal) inter-relacionam-se, pois, intimamente. 

Os seres humanos são constituídos dos seguintes princípios vitais: ará (o corpo físico); òjìji (representação visível da essência espiritual que acompanha o homem durante a vida, morrendo junto com ará, embora não sendo enterrado com ele); okàn (coração, relacionado ao sangue e sede da inteligência e do pensamento intuitivo, a alma e a fonte de toda ação); Ämí (princípio ou sopro vital, relacionado à respiração, mas não se reduzindo a ela, pois se diz por ocasião da morte que èmí foi embora; significa também espírito ou ser). 

Um dos nomes de Elédùnmarè (o Ser Supremo ou Deus) é Orísé (Fonte da qual originam-se os seres), o que mostra sua ligação profunda com cada criatura existente. Todo ori, embora criado bom, acha-se sujeito a mudanças. Feiticeiros, bruxas, homens maus e a própria conduta podem transformar negativamente um ori, sendo sinal dessa transformação uma cadeia interminável de infelicidades na vida de um homem a despeito de seus esforços para melhorar. 

Podemos perguntar: como saber se a escolha do próprio ori foi boa ou má? Pode um homem conhecer as potencialidades da própria cabeça ou da cabeça de outrem? Encontramos a seguinte resposta: o jogo divinatório de Ifá possibilita que a pessoa tome conhecimento dos desígnios do próprio ori, saiba a respeito do orixá ou ancestral que deve ser cultuado e conheça seus èwò (proibições quanto ao consumo de alimentos, uso de cores e condutas morais). 

Como se crê que o ori dos pais traz boa fortuna aos filhos, é comum a recomendação do oráculo no sentido de que sejam feitas ofertas sacrificiais ao ori dos pais e estes, ao orarem pelos filhos, apelam ao prório ori: Orí mi á sìn ó lo (Possa meu ori ir com você ou Possa meu ori guiá-lo e abençoá-lo). Analogamente, o ori de uma pessoa tem condições de proteger, ajudar ou, ainda, prejudicar outras pessoas.

O Orí de outras pessoas tem sim como influenciar nosso Orí. Conhecemos pessoas que tiveram sua sorte completamente mudada, por influencias boas o más de outras pessoas. Quanto aos pais sabemos bem que não sáo só heranças matériais que os pais deixam para os filhos mas, também heranças espirituais. Por isso os antigos levavam muito á sério o rito de abençoar os filhos. Na história de Jacó vemos que Isaú vendeu sua primogenitude, passando a seu irmão gêmeo não só o direito de heranças materiais mas, também das bençãos de seu pai Isaque.

ÒRÍ - força que orienta o que é bom ou ruim para cada pessoa, é individual. O ÒRÍ tem que ser respeitado, se a pessoa não aceitar é porque o seu ÒRÍ não está aceitando. Deve-se verificar o que acontece no jogo. Cada um recebe seu ÒRÍ de AJALÁ (é um Imole), antes de vir para o AIYE, passa por um "estágio". O ÒRÍ supera todos os orixás; O ÒRÍ é um Imole, ligado só para o bem (da pessoa); O ÒRÍ é a nossa censura; O ÒRÍ não se trai, não se engana, é a nossa própria consciência (os valores mais puros). Isso vem explicar a índole de pessoas más, mesmo nascidas em famílias boas, independente da formação; pessoas sofridas que tem a capacidade de amar, odiar, etc... ÌPÁKO - Òrí IKOKO ÒRÍ - Poente ÀPÁ OTUN ÒSU ÀPÁ OSI (direita do aiye) Voduka (esquerda do aiye) centro cabeça ojo òrí - Nascente Os quatros pontos do Universo A. Ìyo - Òrún - nascente - Leste B. Ìwo - Òrýn - o poente C. Òtù Àiye - a direita do mundo - Norte - Ariwa D. Òsi Àiyè - a esquerda do mundo - Sul - Guzú Correspondente ao Ser - humano A - Òrí - cabeça - o nascente - o nascente - o futuro "`orí inu" { Odu - destino - òrísà - genitor divino e material - origem - Esú individual Bara B - ESE - pé direito - ancestrais masculinos { pé esquerdo - ancestrais femininos C - lado direito - elementos masculinos D - lado esquerdo - elementos femininos Durante o eborí, sendo os pais falecidos, usar 2 acaçás de cima para baixo na direção das juntas, não esquecendo de colocar as falas do Obi (parte de baixo).
Que o Orí que cada um de vocês meus irmãos de fé, possa revelar muitas bençãos, amor e prosperidade nesse ano de 2012 e nos proximos! Axé

Grafia Sagrada: A MAGIA TALISMÂNICA NA UMBANDA

Todo aquele que estuda o esoterismo das religiões sabe que não existe fenômeno material sem seu substrato astral e vice-versa ! Sabe, também, que todas as Entidades Astrais, sejam de que Plano Espiritual forem e qualquer que seja a denominação que se lhes dê, necessitam do fator "meio", ou seja, de suporte material adequado para se revelarem no Plano Material. Assim, também os Símbolos Sagrados de Umbanda (Lei de Pemba) não são meros sinais gráficos materiais. Na verdade, eles reproduzem as estruturas esquemáticas dos Campos de Forças do Mundo Astral e, assim, refletem o fluxo e a atuação das Forças Sutis Astrais sobre as Forças Elementares Cósmicas, Planetárias e Terrestres. Desta forma, com os Símbolos Sagrados de Umbanda, podemos invocar, fixar e/ou irradiar a Força Astral (Axé) de uma Entidade Espiritual em determinados Pontos Riscados que, ritualisticamente fixados em suportes materiais bem preparados, passam a se constituir em Meio de Comunicação entre a Entidade Espiritual e seus devotos, tal e qual acontece com um Médium, um Congá ou um Assentamento. É dentro dessas condições que os Símbolos Sagrados de Umbanda têm larga aplicação na Magia Talismânica, mormente no preparo e consagração de Guias, Sinetes e outros Talismãs. 

Abordar esse "esquecido" tema foi o objetivo principal do livro - Pemba, A Grafia Sagrada dos Orixás -, de Mestre Itaoman, publicado em 1990 e do qual se extraem os apontamentos elucidativos que se seguem. O Ser Humano é, por excelência, o Ponto de Junção entre o Plano Espiritual e o Plano Material porque suas funções cerebrais transmitem a percepção do Mundo Físico, captadas por seus cinco sentidos básicos, à sua Consciência Individual, a qual tem o poder de aperceber-se, para além dos reflexos instintivos, daqueles substratos astrais contidos nesses contatos, gerando a percepção extra-sensorial.

Por isso mesmo, a Matemática Pitagórica relacionou o Ser Humano à Entidade Matemática Cinco (número 5) , justamente pela existência dos cinco sentidos humanos : visão, audição, tato, olfato e gosto. Daí decorre o fato da Geometria Esotérica relacioná-lo com o Polígono Piramidal por este objeto ter cinco (5) superfícies: quatro verticais inclinadas e uma base horizontal plana. A Magia Talismânica Heleno-Semita simboliza-o pelo Pentagrama, a famosa Estrela de Cinco Pontas, por assim melhor poder expressá-lo em sua Dupla Polaridade : 1. Positiva - Uma só de suas pontas apontando para cima; 2. Negativa - Uma só de suas pontas apontando para baixo.

O Pentagrama em posição positiva é o símbolo do Ser Humano harmônico e evolutivo, com seus desejos e instintos submetidos à sua consciência; o Pentagrama em posição negativa é o símbolo do Ser Humano desajustado e regressivo em conflito consigo mesmo, cuja consciência está subjugada aos seus instintos. Um Talismã Mágico, de origem européia medieval, abaixo exibido, demonstra claramente os conceitos acima expressos :

1. O pentagrama apresenta-se nas duas posições antagônicas, positiva e negativa, conforme se veja seu verso ou seu anverso : 2. Os nomes de Adam e Eve, personagens míticos semitas, contrapõem-se aos nomes de Samael e Lilith, o Arcanjo do Sol e a Potestade da Lua Negra; 3. Uma figura humana contrapõem-se à figura do Bode Expiatório. 4. No círculo exterior, apresentam-se letras do alfabeto hebraico, as quais têm relações específicas com a Kabalah e que podem ter caráter defensivo ou retaliatório. Assim, a Estrela de Cinco Pontas é um símbolo talismânico universal da Raça Humana e tem-se notícias de seu uso no Tantrismo (Índia e Tibet), na Cabala (Judéia), no Pitagorismo (Grécia), na Magia (Europa Medieval), na Teosofia (nas modernas Europa e Américas). Então, também nós o utilizamos no Esoterismo da Umbanda.

O Ponto de Junção por excelência entre o Material e o Imaterial, qualquer Ser Humano na condição de "médium" precisa e depende de manter atuante, equilibrada e benéfica a sua condição de "receptor de percepções extra-sensoriais" procurando sempre repor as energias bio-elétricas que seu corpo físico dispende na prática de cultos esotéricos, caritativos ou não. Para isso, ele precisa estar em sintonia harmônica com a Vibração Sutil que emana de seu Orixá Regente Planetário, cuja Força Sutil dinamizava os Astros Celestes que regiam a Natureza no momento em que aquele Ser Humano sorveu o primeiro Hausto de Vida em seus pulmões, ou seja, no momento de seu nascimento.

Precisa, também, saber conjugar eficientemente esta Vibração de seu Orixá Regente Planetário com a Vibração de seu Orixá de Cabeça, ou seja, aquele a quem, por escolha própria antes de sua atual reencarnação, seu Espírito imortal (Ori Orun = Cabeça no Além), ajoelhado perante Olorum (Deus), decidiu ou precisou dedicar sua futura "Cabeça na Terra" (Ori Aiye = intelecto ou personalidade). Como vimos, o Orixá Regente Planetário é determinado pela data de nascimento e a ele estão ligados seu Arcanjo e Anjo de Guarda; mas, seu Orixá de Cabeça", a quem estão ligados seu "Santo" e seu "Eshu Guardião", só pode ser determinado por um Babalaô, através de um Jogo Divinatório como o Tabuleiro de Ifá, o Colar de Ifá ou, como último recurso, os Búzios. Para esta determinação, não há outra alternativa ou escapatória. Portanto, na Magia Talismânica de Umbanda, não é o bastante representar o Ser Humano pelo Pentagrama; é necessário também :

1. Classificá-lo por Forças Sutis Espirituais, Astrais e Planetárias; 2. Individualizá-lo em seus outros relacionamentos espirituais com a sua Falange Espiritual, com seus Guias e/ou Protetores; 3. Nominá-lo por seu nome astral e/ou iniciático; 4. Graduá-lo em função do mérito que venha alcançando nas pelejas em prol de seus próximos. E, para isso, a Magia Talismânica de Umbanda tem seus próprios símbolos sagrados para representar aos seus Ôrixás, Guias e Protetores, aos Planetas e Signos Zodiacais, às Forças Elementares da Natureza, à Numeralogia e Grafia Sagrada com que cria e grafa Nomes Próprios e/ou Iniciáticos, bem como pode representar os Vórtices e Canais de Energias Sutis que percorrem o organismo intra e supra corpóreo do Ser Humano, caminhos de energias estes que são, também, controlados pelo Imolé Eshu Bara, o Senhor Guardião do Corpo e dos Caminhos do Destino de cada um de nós, os quais ele abre ou fecha conforme os méritos e os deméritos de nossas ações conscientemente perpetradas.

Com o conjunto desses Símbolos e com sua Grafia Sagrada, à qual os Umbandistas denominam por Lei de Pemba, a Umbanda não precisa recorrer à simbologias de origem egípcia, tântrica, hebraica, grega ou latina para compor seus Sinetes ou Talismãs. É de se notar, também, que as representações das formas geométricas (e a matemática que as inspiraram), não são propriedade exclusiva de nenhuma civilização ou época. Elas existem desde sempre na Natureza : a espiral da casca de um caracol, o oval de um seixo rolado, o triângulo de uma lasca de sílex, o cubo, a pirâmide, o hexágono e muitas outras formas encontráveis nos minérios e cristais, a forma poligonal de uma estrela-do-mar !

Não há aqui espaço para o ensinamento das correlações entre os Símbolos Sagrados de Umbanda e os símbolos de outras procedências, tais como Astrologia, Alquimia, Cabala e Magia. Mas, realmente, a correlação existe e quem quiser aprofundar-se no assunto em questão pode referenciar-se no livro de Mestre Itaoman acima citado, embora seja difícil encontrá-lo nas livrarias. Por isso mesmo, vamos limitar-nos a apresentar os doze Sinetes Astrais básicos referentes aos doze Signos Zodiacais, de forma que cada pessoa possa encontrar aquele referente à data de seu nascimento e, então, utilizar-se dele, por sua conta e risco, para obter proteção contra "temporais astrais" que, infelizmente, certos ambientes ou pessoas mal vibrados podem ocasionar.

O material em que devem ser confecionados é aquele referido como o metal característico do Signo Zodiacal, encontrável no tópico Influências Místicas, Item Influências, sub-item Data de Nascimento, nesta mesma Home Page. Sobre um dos seus lados, cada Sinete Astral tem gravado os Símbolos Umbandistas relativos ao Signo Zodiacal, o Planeta Regente, o Orixá de Nascimento, a Força Sutil do Elemento da Natureza, o símbolo do Vórtice Astral captador de energias sutis de seu organisno extra-corpóreo e o símbolo astral sintético da Entidade Espiritual Guardiã de seu corpo físico e astral, ou seja, seu Imole Eshu Bara. Em seu outro lado, tem signos cabalísticos não reveláveis publicamente, ou seja, só são reveláveis dentro da relação Mestre-Discípulo. Cada um desses Sinetes Astrais é, pois, comum a todas pessoas nascidas sob esse mesmo Signo Astral e por todas elas podem ser utilizados, mas apesar de abaixo relacionarmos os Doze Sinetes Astrais Básicos para seu simples conhecimento, é evidente que para grafá-los magisticamente é necessário ter-se sido iniciado na Lei de Pemba de Umbanda, a Grafia Sagrada dos Orixás : simplesmente cópiá-los e portá-los não levará ninguém a resultado algum!

Umbanda Astrológica - OS SINETES DOS ORIXÁS

O Esoterismo de Umbanda não adota o sincretismo dos Orixás com os Santos Católicos como a Umbanda o faz e nem tende a copiar a representação dos mesmos apresentada pelos fiéis dos Candomblés de Nação Africana aclimatados no Brasil, embora a todas estas formas respeitemos. Assim, no Esoterismo de Umbanda, os Orixás não têm representação antropomórfica. Acreditamos que sendo Energia e Luz Espiritual, os Orixás propriamente ditos, comparecem e repousam em seus "Assentamentos" mas não se incorporam em "médiuns" humanos: isto é tarefa para seu Mensageiros. 

Daí que as representações antropomórficas possam ser aceitas apenas para as quatro formas principais de apresentação incorporante de seus Mensageiros aos humanos: Crianças, Caboclos, Pretos-Velhos e Eshus. Ainda assim, basicamente, esta é uma concesão às mentes dos não-Iniciados e dos Iniciandos que ainda não se tenham habituado a "sentir" a presença do Orixá em seu "Assentamento" e nem a "ver" sua força no seu Ponto Riscado na Lei de Pemba. Esta Lei representa a "presença" espiritual individual dos Orixás pelo Ponto Riscado : um conjunto de riscos e símbolos que indicam as linhas de forças espirituais que criam e mantém os campos de indução/imantação astral e magnética que, sob a regência de determinado Orixá, atuam sobre as Forças Vitais da Natureza.

Daí a Umbanda Esotérica haver-se fixado em Sete Orixás Regentes Planetários, com as denominações esotéricas de: Oxalá - Ogum - Oxosse - Xangô - Yemanjá - Yori - Yorimá nomes estes cuja conjunção de suas letras iniciais se reflete no termo OXY e que simbolizamos pelo Signo do Circulo Cruzado.

A divergência destes dois últimos nomes de Orixás - Yori e Yorimá - com aqueles em uso na Umbanda prende-se à nossa interpretação dos mesmos pela Ciência do Verbo, através do Arqueômetro de Saint Yves D'Alveydre, porém seus conceitos são os mesmos que os tradicionais : Yori / Ibeji = Entidades Gêmeas que agem como uma só, concedendo abundância e prosperidade. Yorimà / Obaluaiê = Entidade representando todos os Ancestrais e também a Lei e Sabedoria da Antiga Tradição de todos os povos. Nem por isso acreditamos que os Orixás sejam apenas os Senhores das Forças da Natureza. Mas, como o homem é produto de seu meio ambiente, eles também atuam, além do Espírito, sobre o fisíco, a mente dos Seres Humanos, desta forma influenciando suas ações conscientes e inconscientes, cuja soma e balanço formam o Destino de cada um. Mas, não devemos jamais esquecermo-nos do Mais Um, o Mediador das Ações entre Deus, os Orixás, a Obra de Sua Criação, as Entidades Espirituais e os Seres Humanos : o Mensageiro e Executor Divino Eshu. As datas das festas populares são respeitadas e até festejadas publicamente como na Umbanda, mas considera-se que elas e as conseqüentes Oferendas destinadas aos festejados têm melhor eficácia se realizadas nos períodos de tempo situados nos Signos Astrológicos que lhe são peculiares.

O QUE ESTÁ EM CIMA É IGUAL AO QUE ESTÁ EM BAIXO

O conhecimento do movimento dos astros na Abóboda Celeste sempre foi comum a todos os povos da Antiguidade. Séculos de observações celestes fizeram os Antigos constatarem que certas estrelas eram fixas, enquanto outras moviam-se. Além disso, de um ponto de observação fixo na Terra, o Sol parece deslocar-se pelo Espaço em um movimento circular, passando sempre pelos mesmos grupos estelares, os quais, para serem memorizados, foram sendo agrupados em "desenhos" hipotéticos que receberam significativos nomes, tão bem escolhidos, que até hoje perduram : Carneiro, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário, Cabra, Aquário e Peixes. Como a maioria desses "desenhos" lembram seres animados - Carneiro, Leão, Touro, Cabra, Gêmeos, etc - os Gregos chamaram todo esse conjunto por ZOÉ, significando Vida ou Existência e, assim, a cultura greco-latina cunhou a palavra ZODÍACO. Mas, em razão dessa aparente viagem do Sol e seu séquito de planetas por esse círculo de constelações fixas, já os anteriores Vedas Indianos a chamaram de Estrada dos Anjos, ou seja, KEJA-DEVA e que resultou em nossa língua, passando antes pela língua árabe, em CALENDÁRIO. 

Por aparentar ser circular, esta Estrada dos Anjos e da Vida foi dividida, a grosso modo, em 12 (doze) partes iguais, correspondendo à cada constelação 30 graus ou trinta dias do ano, começando no dia 21 de Março, o qual marca o Ano Novo Esotérico em todo o mundo. Também por marcarem um determinado espaço do Calendário, cada uma dessas Constelações passou a ser conhecida como o seu símbolo particular, ou seja, o seu SIGNO ZODIACAL.

A MACUMBA, A MACUMBA URBANA E A UMBANDA

Como resultado da inconteste hegemonia religiosa Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifé e Benin - enfim, Nàgô) e sua posterior rejeição às outras correntes religiosas negras, surgiram os Candomblés de Nação Congo e Angola que, por sua vez, expeliram de seu meio o elemento indígena que veio então a dar origem ao Candomblé de Caboclo e ao Omôlocô. E, assim, houve um reflorescimento do sincretismo religioso dos ritos indígenas-católicos com o Panteão Africano e vê-se que, lado a lado, com Oxalá, pontificam Tupã e Zambi; ao lado de Yemanjá, estão Janaína e as Yaras; ao lado de Ogum, combatem Cariri e o Boaiadeiro; ao lado de Oxosse, corre o Sultão das Matas; ao lado de Exú, reinam o Caipora e Zé Pelintra, junto aos Baba Egun e a Falange do Oriente, estão os Caboclos Tupinambá, Tupiara, Jaú, Irerê, Pedra Negra, Pena Branca, Seô Quatro Olho e muitos outros mais.

MENSAGEIROS, GUIAS E PROTETORES NA UMBANDA

A Umbanda, em seu formato mais tradicional, adota o sincretismo dos Orixás com os Santos Católicos, mas não tende a copiar a representação dos Orixás apresentada pelos fiéis dos Candomblés de Nação Africana aclimatados no Brasil. Assim, na Umbanda, os Orixás são representados por suas contra-partidas católicas, ou seja, as estátuas dos "Santos" colocadas no "Congá;" ou Altar. 

É comum ver-se Cristo para Oxalá, São Jorge e Santo Antônio para Ogum, São Gerônimo para Xangô, Nossa Senhora para Iemanjá, São Sebastião para Oxosse, São Cosme e Damião para os Ibejis, São Lázaro para Obaluaiye. Entretanto. é claro que os Umbandistas não adoram à estátuas: elas são lembretes muito respeitados da significação espiritual dos Orixás para aquelas mentes que necessitam de apoio visual para seus entendimentos mentais. 

As energias espirituais dos Orixás propriamente ditas condensam-se e difundem-se nos e dos "Assentamentos" dos "Congás" e "Pejís" (altares) de Umbanda, os quais são o lugar de passagem e repouso temporário dos Orixás dentre os Seres Humanos. Pois, a Tradição Umbandista prega que um simples mortal não pode suportar a grandiosidade espiritual da incorporação de um Orixá. 

Assim, para a Tradicão Umbandista, não são eles que se incorporam em "médiuns" humanos: isto é tarefa para seus "Mensageiros". Daí que as representações antropomórficas possam ser aceitas para as quatro formas principais de apresentação incorporante de seus Mensageiros aos humanos: as Crianças, os Caboclos, os Pretos-Velhos e os Exús Nessas quatro formas antropomórficas básicas incluem-se todas as possibilidades de apresentação : Índios, Africanos, Orientais, Védicos, Mestres, Doutores, Ciganos, Obsessores, Zé Pelintra, Maria Padilha, enfim, de Mensageiros, Guias e Protetores que venham minimizar as dores e sofrimentos desta grande coletividade brasileira. E em suas "consultas" nunca surge a pergunta à respeito de qual é a crença religiosa do consultante ou, até, se o mesmo acredita ou não nesses Mensageiros. 

A pergunta sempre é: -"Você está sofrendo, mu'sum fio?". As suas festas coinsidem com as datas popularmente aceitas para os festejos dos Santos Católicos e suas Oferendas têm muito mais o caráter do "agrado" do que o da "obrigação".

O BATUQUE E O OMOLOCÔ - Raizes

om a inconteste hegemonia Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifé e Benin - enfim, Nàgô) que por fim se estabeleceu nos Candomblés de Nação, com a sua total rejeição da manifestação pública dos seus Baba Egun (Antepassados), excepto se realizadas nos novos Terreiros-li-ese-egun para poder também rejeitar qualquer outros antepassados de quaisquer etnias, a corrente religiosa indígena-banto-católica, embora aceitando o conceito dos Orixás Sudaneses, reafirmou sua opção anterior pelo culto dos Caboclos cristianizados e dos seus Antepassados africanos, começando a surgir daí o conceito Umbandista dos primeiros "Mensageiros Incorporantes dos Orixás" -- Os Cablocos e os Pretos-velhos -- surgindo assim o Omôlocô ou Candomblé de Caboclo. E, nestes novos cultos, continuaria vivo o sincretismo religioso dos ritos indígenas-cristãos apoiados em todo Panteão Africano (Orixás, Voduns e Inkicês), e, assim, ao lado de Olorun, pontificam Tupã, Zambi e Deus que é Pai; ao lado de Yemanjá, estão Janaína, as Iaras e Nossa Senhora; ao lado de Ogum, combatem Cariri e o Boaiadeiro; ao lado de Oxosse, corre o Sultão das Matas; ao lado de Exú, reinam o Caipora e Zé Pelintra; junto aos Baba Egun, estão as Crianças, a Falange do Oriente e os Caboclos Tupinambá, Tupiara, Jaú, Irerê, Juremá, Pedra Preta, Pena Branca, Cobra Coral, Seô Quatro Olho e muitos outros mais.

O BATUQUE E O OMOLOCÔ

Foi sobretudo do "Batuque" que se originou o terceiro sincretismo religioso brasileiro, o Indígena-Cristão-Banto-Sudanês, os chamados Candomblés, que aqui vão entrar apenas como "filtro de estrutura" pelos quais passou a religiosidade indígema brasileira, pois, à medida que mais e mais negros de origem Banto, Congo e Angola alforriavam-se e reagrupavam-se na periferia das maiores cidades da época, foi no Batuque que eles mantiveram as partes dos rituais de seus antepassados que conseguiam por em prática dentro dos limites estreitos da escravidão, criando os primeiros Candombes, que é uma palavra de origem Banto e não Iorubá, significando no Brasil, "instrumento de percussão" e/ou "lugar de danças de negros" e, por extensão, "lugar de terra batida por pés" ou "terreiro" onde praticavam seus cultos religiosos, os quais, sob a forma de cantos e danças - o Batuque - eram permitidos e até incentivados pelas autoridades como forma de atiçar, assim pensavam elas, as velhas rivalidades tribais existentes desde a África.

O CATIMBÓ e seus mestres

Usando uma mitologia e ritualismo bem empobrecidos, os "altares" do Catimbó representam a perda de valores iniciáticos dos indígenas brasileiros, que passam a ser substituídos pela miscigenação religiosa e apresentam, lado a lado, estampas e estátuas de santos católicos, charutos, aguardente, pequenos arcos e flechas, flautas e chocalhos indígenas, além de ervas e animais secos, objetos que são portadores dos poderes da força mística indígena "Mana", da "Benção" Católica e da "Mandinga" Banto, pois que o "Ase" Sudanês ainda não havia aportado no Brasil. Mas, embora tenham abandonado o pó de tabaco insuflado diretamente nas narinas para obtenção do transe místico, ainda existia a lembrança de seu uso ancestral como "erva sagrada", através dos "charutos" e da "Princesa": nos altares do Catimbó estava a "Princesa", uma cuia de cobre ou vasilhame raso de barro, a qual sempre repousava sobre um "rolo de fumo", o qual era cercado por um pano branco que nunca tinha sido e nem nunca seria usado para outra finalidade, como a atestar sua pureza e santidade. 

O conjunto denominado por "Princesa" constituía-se na ligação com o passado indígena, pois era nela que era moída e infusa a raiz da árvore "Jurema", uma bebida levemente alucinógena que então induzia a descida dos "espíritos" invocados para provocar o transe mediúnico, ainda chamado de "Estado de Santidade". Os negros bantos-congoleses aceitaram esta nova concepção religiosa, sobretudo, em termos de "culto aos mortos", pois os Pajés e os Catimbozeiros, através dos Maracás e das Cunhãs, dos Encantados, do Petun e da Jurema, quiçá agora também da "Diamba" introduzida pelos africanos, comunicavam-se com o "Além", ou seja, o lugar místico e/ou mítico em que os brancos, os índios, os negros e os mestiços de todos, igualmente situavam a existência de seus antepassados. 

Desta adaptação do negro fugitivo ao novo meio ambiente, até por ser a única opção, nasceram, de acordo com a maior ou menor negritude de seus participantes, as variações de cultos miscigenados indígenas-cristãos-africanos, tais como o "Toré", o "Tambor de Minas", o "Babassuê" e o "Batuque". Entretanto, era o Catimbó já prenunciava a futura "Umbanda", apresentando-se dividido em "Sete Reinos Espirituais" : "Vajucá", "Tigre", "Canindé", "Urubá", "Juremal", "Josafá" e "Fundo do Mar". E, note-se bem: seus principais Espíritos-Chefes são indigenas brasileiros : "Itapuã", "Xaramundy", "Muçurana", "Iracema", "Turuatã", as "Moças d'água" ou "Yaras" e somente muito mais tarde, aparecem alguns "espíritos" isolados de "catimbozeiros" de descendência africana: pai Joaquim, etc.

A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA - O CATIMBÓ

Em continuidade no tempo, foi da fusão destes novos cultos de Caboclos Encantados com os primeiros aportes isolados da religiosidade dos negros Bantus, quase sempre escravos fugitivos que encontraram guarida e proteção na Pajelança e no culto dos Encantados, que esboçou-se o Culto do Catimbó, mas no qual, agora, as cerimônias perdiam o sentido de função social da coletividade para transformarem-se em cultos individuais de satisfação de necessidades pessoais quer de índios, negros ou mestiços, ainda que de natureza espiritual, curativa ou de ligação com os antepassados de todas as etnias. Exemplificando a mudança de tais funções, ouça-se o triste depoimento de um velho Pajé, de nome Tarcuáa, que assim se lamentou com um pesquisador : –" Hoje não há mais Pajés; somos todos Curandeiros"– (Roger Bastide, "apud" Câmara Cascudo, em "Novos Estudos sobre o Catimbó", Brasiliensis, pg. 89).

Língua sagrada - O "TUYABAÉ-CUAÁ E A SANTIDADE"

A Sabedoria dos Pajés Ancestrais de Pindorama - o Tuyabaé-Cuaá - estudada por De Bry, Hans Staden e Padre Simão exprimia-se numa linguagem sagrada - o Nheengatu -, a "língua boa". Entretanto, ela reconhecia que existira uma língua matriz muito mais antiga - a Abanheengá - tão antiga, diziam ainda os Pajés, que "somente Tupã, o Deus Supremo, poderia tê-la ensinado à raça mais antiga de toda a Terra", ou seja, aos seus antepassados". Os Tupis-Guaranis adoravam, pois, a um Deus Único Supremo - Tupã - mas reconheciam a existência de uma Trindade Manifestadora do Poder Divino - Guaracy, Yacy e Rudá -, simbolizando o Poder Gerante, o Poder Gestante e o Poder Gerado, admitindo ainda a existência de um Messias Civilizador - Yurupari - gerado pela Virgem Mãe Chiucy.

PINDORAMA e as raizes

As tradições expressas nos livros sagrados de várias outras raças como o Papiro dos Mortos, os Vedas, a Epopéia de Gilgamesh, a Torah, os Eddas nos contam que a duras penas a Humanidade conseguiu sobreviver em vários desses novos continentes. Também as lendas de nossos povos indígenas, os quais seriam modernamente conhecidos como Tupi-Guarani e que com mais certeza sobreviveram aos gigantescos cataclismos por terem ficado na parte mais antiga e estável do planeta, nos relatam sua luta pela sobrevivência em meio a tais cataclismos. 

À época de sua "descoberta" pelos europeus, embora já distantes da primitiva pureza de suas tradições, os Tupi-Guarani ainda sabiam-se de uma origem tão antiga que denominavam a sua mítica terra de origem ancestral pelo nome de Pindorama, porque este nome referenciava-se à uma lenda tão antiga que envolvia a idéia de um dilúvio universal que havia alcançado a "Terra das Palmeiras", que é o que significa Pindorama. Assim sendo, permanecendo na mítica Terra das Palmeiras de seus ancestrais e daí irradiando-se e vivendo por milênios em integração harmônica com a natureza, foram os povos Tupi-Guarani os que melhor retiveram a "centelha espiritual" da primeira raça humana. Viajantes e estudiosos da época do descobrimento e colonização inicial do Brasil, como De Bry, Hans Staden e Padre Simão de Vasconcellos espantaram-se com a constatação da religiosidade dos antigos Tupis. 

Suas observações e estudos demonstram que a concepção religiosa, mística e teogônica destes povos era de uma grande elevação e estrutura moral que somente poderiam ser alcançadas por uma raça de antiquíssima maturação espiritual. Estes conhecimentos eram transmitidos pela tradição oral de seus Payés e chamava-se Tuyabaé-Cuaá, a "Sabedoria dos Doze Velhos Payés" a qual demonstra a sua ancestralidade com a saga do índio Tamandaré salvando-se, com sua família, de um Dilúvio no topo de uma gigantesca palmeira - a Pindó -, que flutuou sobre as águas que encobriam a "Terra das Palmeiras".

A RAIZ RELIGIOSA AMERÍNDIA

O Popol Vuh, Livro Sagrado da nação Maia da América Central, assim relata o momento da Criação do Mundo :-"0 aspecto da Terra ainda não havia sido revelado, havia apenas o Mar Doce e o espaço aberto do Céu. Assim falaram as Divindades: –"Retirai-vos Águas e dai lugar para que a Terra aflore e se consolide". "TERRA", disseram, e no mesmo instante esta foi criada". Diz ainda o Popol Vuh : –"De barro, fizeram a carne dos Homens"–, significando, então que a Primeira Raça Humana era de cor vermelha acobreada, da cor do barro com que foi criada, símbolo da interação da Terra e da Água, vivificada pelo Fogo do Espírito insuflado pelo Ar do Hálito Divino.

Ibeji e Oxalá no Candomblé de Nação

IBEJI (Data festiva : 27 de Setembro) O Orixá Duplo, ou seja, os Gêmeos Sagrados Kehinde e Taiwo são os Orixás Gêmeos da Abundância, da Felicidade e Protetores da Infância. Representado por Vungi, o regente da infância e da adolescência. É sempre um duplo, um gêmeo. Seu elemento é o Ar. As cores são: rosa, branco, azul-claro, verde-claro, lilás e cinza. Seus metais são: o bronze e o ouro. Sua pedra é o brilhante. Sincretismo: São Cosme e São Damião, os Médicos Mártires. Sua saudação no Brasil é: "A mim, Beijada" !

OXALA (Data festiva : 25 de dezembro) É o Orixá da Criação; o Senhor Supremo que vibra sobre todos os filhos da Terra. Seu dia é sexta-feira. Sua morada é o deserto. Suas cores básicas são: branco, vermelho e dourado. Sua comida mais comum é canjica branca com mel. Registram-se 2 qualidades: Osagian (o moço) e Osalufan (o velho). Ele é o governador do Universo, o símbolo da pureza e do amor. É sincretizado em Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia, e em Jesus Cristo em outras localidades do Brasil.

Xangô e Iansã no Candomblé de Nação

XANGÔ (Data festiva : 30 de Setembro) É considerado o rei da justiça, o senhor das pedreiras, o deus do trovão, o rei de Oyo, o Orixá de grande sabedoria; é tido como o patrono da política e principal alicerce do Candomblé no Brasil, sendo seus 12 ministros introduzidos na Bahia pelo Babalaô Ajimudá (Martiniano Bonfim) e tronejados pela grandiosa Iyalorisa Aninha Oba Biyi no Candomblé Axé Opô Afonjá. Seu elemento é o fogo. Em sua qualidade de Xangô Airá tem fundamento com Oxalá; na sua qualidade de Xangô Afonjá tem fundamento com Iyansan. Registram-se 12 qualidades, sendo as mais conhecidas: Aganju (o moço), Agodo, Aira, Afonja, "Xangô de Ouro" (é adolescente), Oni, Abolonei, Oro, Alafim, Bade, Soboadam, Adjaka e Oba-Kossu. Sua saudação no Brasil é: "Kao Kabiecile" !

IANSAN (Data festiva : 04 de dezembro) É a Iyaba que preside os ventos e tempestades, mulher de Xangô. Seu dia é quarta-feira. Seu "habitat" é o bambuzal. Suas cores básicas são: coral ou vermelho. Sua comida forte é o "acarajé". Registram-se, em literatura, 17 qualidades sendo as mais conhecidas: Oya, Onyra, Bagam, Egunita, Benek, Cenou, Bomini e Muriai, a Iansã-do-Bale que preside a festa dos Egun). Sincretismo: Santa Bárbara. Sua saudação no Brasil é: "Eparrey Iansan" !!!

Oxum e Oxumaré no Candomblé de Nação

OXUM (Data festiva : 08 de dezembro) É a "Cinda" (Grande Mãe) do amor, do ouro, do sábado. Dizem ser uma dos 15 Iyabas e Orixás saídos do ventre de Mãe Yemonja. Mora nas cachoeiras e as águas doces. Sua cor básica é o amarelo ouro. Registram-se 16 qualidades, sendo as mais conhecidas: Yaba-Omi (Mãe d'Água), Abae, Ioni, Acare, Bauira, Timi, Aquida, Ninsim, Oponda (a mais nova), Loba (a mais velha), Abote, Apara (usa espada e vive nas estradas com Ogum) e Abalo (muito vaidosa e usa leques). É sincretiza em N.S. das Candeias (Bahia) e N. S. da Conceição (Rio de Janeiro). Sua saudação no Brasil é: "Odociya, Cinda Lê" !

OXUMARÊ (Data festiva : 08 de dezembro) No rito Ketu, representa o Arco-íris. No rito Jeje, é Dangbe, a Serpente Sagrada. Sua comida votiva é o aipim ralado com os segredos da cozinha de santo. Registram-se 4 qualidades sendo a de Abessem - a Cobra Sagrada - a mais conhecida.

Obaluaê e Omulú no Candomblé de Nação

OBALUAIYE (Data festiva : 16 de Agosto) Significa o "Dono da Terra da Vida", o Médico dos pobres, o Senhor dos Cemitérios. Registram-se, no Candomblé, 12 qualidades sendo a mais conhecida Omolu (o Velho). Cultuam-se Obaluaiye (o Moço) e Omolu (o Velho). É sincretizado em São Roque e São Lázaro. Sua saudação no Brasil é: "Iatoto Baba"!!!

OMULU (Data festiva : 17 de dezembro) Afirmam-se em registros bibliográficos ser Omolu e Obaluaiye um só Orixá em dois estágios: Obaluaiye (o Moço), significa o "Dono da Terra da Vida"; Omolu (o Velho) significa o "Filho-da-Terra". É o médico dos pobres; o senhor dos cemitérios. Usa o aze (capacete de pele da Costa) ou o filah (capuz de palha da Costa) e carrega na mão o xaxara (feixe de fibra de palmeira, enfeitado com búzios) Seu dia é a segunda-feira. Sua comida forte é o doburu (pipocas sem sal, coco fatiado e regado com mel). Registram-se 12 qualidades atribuídas a esse Orixá, que também é considerado o mais antigo do Panteão Afro, sendo as mais conhecidas: Sapata, Xapanan, Xankpanan, Babalu, Azoane, Ajagum, Ajunsun e Avimage. É sincretizado em São Lázaro. Sua saudação no Brasil é:"Epa, Epa Baba" !!!

Ogum e Exú no Candomblé de Nação

OGUM (Data festiva : 23 de abril) Ogum é o Orixá Guerreiro, patrono da metalurgia e dos ferreiros em geral. Seu dia é a quinta-feira. É o Orixáa da forja, do vinho de palma, do mariwo, da virilidade, das missões julgadas impossíveis. É o guerreiro que dança com elegância de um lutador de esgrima. É a divindade do ar livre, por isso sua "ota" (pedra-de-assentamento) é assentada fora do Barracão. É sincretizado em São Jorge e São Sebastião. É costume dizer-se que existem 7 (sete) clãs de Ogum, sendo as formas mais conhecidas: Lebede ou Ogum-de-Le (o jovem), Meje (o sétimo e o velho), Obefaram, Mika, Ogunfa (mora com Ososi e Esu), Xoroque (vive nos portões e nas estradas com Esu). Suas ferramentas são: espada, facão, foice e enxada. Suas cores são: marrom, branco, azul, vermelho e amarelo. Suas ervas mais conhecidas são: o peregum, dracema vermelho, losna, aroeira e mangueira. Sua saudação no Brasil é: "Patakori, Ogum iye" !!! 

EXÚ (Data festiva : 24 de agosto) Alguns veneram-no como a um "Orixá" (há controvérsias semânticas), considerando-o irmão de Ogum e Oxossi, filho de Iemonja. Seu ritual específico é o Ipade e a sua oferenda o Ebo. È costume dizer-se que existem 16 clãs desse Ara Orun Imole, e várias qualidades, como: Ajikonoro (o compadre), Legba (de Omulu) Lalu (de Osala, Iemoja e Osum), Bara ou do Corpo (o velho), Bori (de Sango), Afefe (de Iansan), Ogum ou de Ferro (de Ogum), Alafia (da satisfação), Alaketu, Lon Bii, Elekenae, Ajalu, Tiriri, Vira (é feminino), Tamentau, Rum Danto, Aluvaia, Paraná, Marambo, Bombom-Ngera, Sinza Muzila, Lonan, Gikete e Jubiabá. Nossa saudação ao "Sêo" Tiriri! Conta a tradição: Olorum deu a Oxalá o domínio da Ordem e a Ifá a comunicação entre os Homens e os Orixás, através dos Odus Ifás transportados e vigiados por Exú, ligando assim os dois extremos das variações espirituais. Por isso, Exú é o Mensageiro Divino; o número de Exú atribuídos para acompanhar cada Orixá é variável: Omulu=25, Nanan=31, Iansan=25, Ogum=21 e Ifá=16 que correspondem aos 16 Odu Agba do Opele Ifá. Mas, na verdade, são raros os "filhos-de-fé" que têm "carrêgo" de Exú nos Candomblés Sudaneses. Sua saudação no Brasil é:"Laroye, Esu" !!!

Iemanjá e Nanã - NOS CANDOMBLÉS DE NAÇÃO

(Data festiva : 02 de fevereiro) É a Iya-mi (Senhora minha) da grande prole, a divindade do Rio Ogum, na África, que vive no Mar com sua mãe Okun. Pode ser representada por uma senhora idosa (Ogunte) ou por uma linda jovem (Soba). Em geral vestem-se de azul e branco, mas usam, também, o rosa e o vermelho. Trazem nas mãos o abebe (leque de metal prateado); na cabeça usam o ade (franjas de contas) cobrindo-lhes os rostos; usam o (colar) fios de contas brancas e transparentes; usam pulseiras de metal branco. Sua comida considerada forte é a "galinha-de-Angola". No rito Jeje é Abe, representada pela Estrela Guia; no rito Angola é Dandalunda ou Quissimbe. É costume dizer-se que existem 7 qualidades dessa Iya-mi, porém destacamos: Surue, Ainum e Ogunte. É sincretizada em Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora das Candeias e Nossa Senhora da Conceição; por isso é também, comemorada em 15 de agosto e 8 de dezembro. Sua saudação no Brasil é:"Odoya" !!! 

NANAN (Data festiva : 26 de Julho) Registram-se ser todas as Nanan de origem Jeje; donas das tempestades, do lamaçal e dos pântanos; senhoras donas do Portal da Vida e da Morte. Seus elementos são: terra e água. Seus "filhos-de-fé" são supostamente longevos, pois esta Yaba é considerada a mais antiga do Panteon Afro. Registram-se 31 qualidades desta Yami Nla (Grande Mãe), sendo as mais conhecidas: Nene Adjaosi, Sussure e Buruku. Sua saudação no Brasil é: "Saluba aiye, Nanan" !!!
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