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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Muito além de Netuno: objeto binário choca cientistas por ter partes orbitando muito perto

 

Um objeto transnetuniano (TNO, na sigla em inglês) binário foi detectado por uma rede de observação nos EUA. Objetos transnetunianos consistem em pequenos corpos gelados que orbitam o Sol a uma distância longínqua, para além de Netuno.

Após terem sido analisadas as observações da Rede de Ocultação Colaborativa de Pesquisa e Educação (RECON, na sigla em inglês), que se dedica ao estudo do Sistema Solar, Rodrigo Leiva e Marc Buie, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, no estado do Texas, descobriram que os dois objetos em questão orbitavam entre si, ao mesmo tempo que giravam ao redor do Sol.

No estudo, publicado na segunda-feira (28) na revista científica The Planetary Science Journal, Leiva e Buie informam que o objeto binário em estudo foi descoberto graças ao fenômeno de ocultação estrelar, que ocorre quando um corpo espacial passa entre a Terra e uma estrela, resultando na ocultação da última. Assim, os observadores que estejam localizados na rota da sombra produzida pela ocultação podem determinar o tamanho e, possivelmente, a natureza do objeto bloqueador.

 

Imagem de alta precisão, tirada pelo conjunto de telescópios (VLT) do ESO, mostra o oitavo planeta do Sistema Solar – Netuno

A descoberta se tornou ainda mais surpreendente quando os pesquisadores perceberam que o objeto transnetuniano binário estava ocultando uma estrela binária, fenômeno que Buie classifica como raro. Leiva acrescenta outras características únicas desta descoberta, tais como a distância de órbita entre os dois objetos.

"A maioria dos objetos transnetunianos binários se encontram separados por mais de mil quilômetros", mas "estes dois componentes estão bastante próximos um do outro, a apenas 350 quilômetros", segundo o estudo.

As observações de objetos espaciais vão continuar, e com o tempo será possível entender se corpos como os objetos transnetunianos trarão mais conhecimento para a construção de novos modelos que expliquem como se formou o Sistema Solar.

 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Do tamanho de Júpiter, planeta é achado orbitando restos de estrela anã

 


Nos EUA, astrônomos encontraram o primeiro planeta intacto orbitando uma anã branca, a 80 anos-luz de distância da Terra, no norte da constelação Draco.

Astrônomos descobriram um planeta do tamanho de Júpiter orbitando os restos fumegantes de uma distante estrela morta. Esta é a primeira vez que cientistas encontram um exoplaneta intacto dando voltas em uma estrela anã branca. A pesquisa foi publicada na quarta-feira (16) na revista científica Nature.

Anãs brancas são os restos incrivelmente densos de estrelas que depois de exaurirem seu combustível nuclear, normalmente, engolfam os planetas próximos.

O planeta WD 1856 b está localizado a 80 anos-luz da Terra, no norte da constelação Draco, e é único porque conseguiu evitar de alguma forma a destruição. Dessa forma, o planeta oferece um vislumbre do que pode acontecer no nosso próprio Sistema Solar, quando o Sol eventualmente envelhecer e se tornar uma anã branca, daqui a cerca de cinco bilhões de anos.


 
 
 © NASA . Goddard Space Flight Center
Ilustração do planeta WD 1856b orbitando sua fraca estrela anã branca a cada dia e meio. Goddard Space Flight Center da NASA
"Nunca tínhamos visto evidências de um planeta chegando tão perto de uma anã branca e sobrevivendo. É uma surpresa agradável", comemora em comunicado o autor principal do estudo, Andrew Vanderburg, da Universidade de Wisconsin-Madison, EUA.

Utilizando dados coletados por vários telescópios de leitura de luz, Vanderburg e sua equipe identificaram uma estrela cujo brilho diminuía pela metade a cada um dia e meio, um sinal de que algo grande estava passando na frente da estrela em uma órbita estreita.

"Podemos realmente ver a sombra de WD 1856 b passando na frente da estrela enquanto ela orbita, então sabemos que ela está lá", comenta Vanderburg.

Os cientistas acreditam que o gigante gasoso orbitava muito mais longe da estrela e mudou para sua órbita atual depois que a estrela evoluiu para uma anã branca.

"Agora que sabemos que os planetas podem sobreviver à jornada sem serem quebrados pela gravidade da anã branca, podemos procurar outros planetas menores", sublinha Vanderburg.

 

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Astrofísica: Astrônomos descobrem novo planeta orbitando estrela da Via Láctea




Astrônomos do Centro Nacional de Investigação Científica da Universidade Grenoble Alpes, na França, descobriram um segundo planeta girando ao redor da estrela Beta Pictoris, fora do nosso Sistema Solar.

A Beta Pictoris é uma estrela jovem da Via Láctea que está cercada por um disco de poeira, conforme a revista Nature.
"Falamos de um planeta enorme, aproximadamente 3.000 vezes maior que a Terra, localizado 2,7 vezes mais longe de sua estrela que a Terra do Sol", afirmou à AFP Anne-Marie Lagrange, principal autora do estudo.
O novo planeta, chamado de Beta Pictoris C, possui uma massa nove vezes maior que a de Júpiter e leva 1.200 dias para completar sua órbita, assim como o Beta Pictoris B, que é o primeiro exoplaneta deste sistema, descoberto em 2009. Contudo, o Beta Pictoris C está aproximadamente três vezes mais próximo da estrela que ambos orbitam.
A presença do novo corpo celeste foi determinada depois de analisar mais de dez anos de dados obtidos através do espectógrafo de alta precisão HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher), instalado no telescópio europeu ESO do Observatório Astronômico La Silla, no Chile.


CC BY-SA 4.0 / OBSERVATÓRIO EUROPEU DO SUL (OES)
Beta Pictoris b orbitando em torno de sua estrela
Além disso, o estudo indica que serão necessários mais dados para que seja possível alcançar estimativas mais precisas sobre as características do Beta Pictoris C, bem como sobre a dinâmica do sistema.
Os cientistas esperam obter novas informações sobre o planeta a partir dos dados da missão espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia de astrometria, assim como a partir do futuro Telescópio Extremamente Grande, que está sendo construído.
A Beta Pictoris fascina os astrônomos durante os últimos trinta anos, pois permite observar um sistema planetário durante o seu processo de desenvolvimento ao redor de uma estrela.
"Para compreender melhor a fase inicial de formação e evolução, este provavelmente é o melhor sistema planetário que conhecemos", afirmou Lagrange.

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